Duelo

Captur contra Captur. Qual a melhor opção: gasolina ou bi-fuel (GPL)?

São iguais por fora, têm o mesmo motor 1.0 TCe e o mesmo nível de equipamento, mas qual é a melhor opção: um Renault Captur a gasolina ou a GPL?

Se há coisa que não falta ao Renault Captur nesta nova geração são motorizações. Desde motores Diesel até versões híbridas plug-in, há de tudo um pouco na gama do SUV gaulês, incluindo uma variante Bi-Fuel, ou seja GPL e gasolina.

Para descobrir se esta compensa face à sua congénere a gasolina, testámos dois Renault Captur, ambos com o 1.0 TCe de 100 cv e caixa manual de cinco velocidades, e com o nível de equipamento Exclusive. As únicas diferenças entre os dois? A cor da carroçaria e o combustível consumido.

Será que os cerca de 1000 euros pagos a mais pelo Captur a GPL valem a pena? Ou é melhor guardar o dinheiro e investir em gasolina?

VÊ TAMBÉM: Dacia Sandero Stepway Bi-Fuel. O GPL compensa?
Renault Captur 1.0 Tce © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Dois combustíveis, igual rendimento?

Indo diretamente ao âmago da questão e como seria de esperar, esteja o 1.0 TCe a consumir que combustível estiver, este revela-se agradável de usar e voluntarioso, não se detetando, tal como verificámos no caso idêntico do Duster, diferenças de rendimento conforme consumimos gasolina ou GPL — a haver são impercetíveis.

Renault Captur GPL
Sê honesto, se não te disséssemos que este era o Renault Captur a GPL tu nem te apercebias, pois não? © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O 1.0 TCe não surpreende pela performance, mas esta é razoável, tendo em conta que se trata de um mil com três cilindros e 100 cv. O pequeno bloco também faz-se ouvir quando exigimos mais dele, se bem que a experiência não é desagradável.

No que diz respeito aos consumos, o 1.0 TCe mostrou-se comedido. No Captur exclusivamente a gasolina estes andaram pelos 6-6,5 l/100 km numa utilização mista e sem grandes preocupações. Já no Captur a GPL, os consumos são à volta de 25% superiores, ou seja, andaram pelos 7,5-8,0 l/100 km, que tiveram de ser calculados à “moda antiga”.

Pelo que constatamos, as propostas bi-fuel do Grupo Renault, onde estão incluídos os modelos da Dacia, são desprovidos de computador de bordo — o Captur GPL nem sequer tem conta quilómetros parcial. Uma ausência que, nos tempos que vivemos, parece difícil de justificar.

Renault Captur GPL
Por baixo do capot, a diferença mais visível do Captur GPL reside nas tubagens adicionais do sistema de alimentação do GPL. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
VÊ TAMBÉM: Testámos o Honda HR-V. Um B-SUV injustamente esquecido?

Ao volante do Renault Captur

Também ao volante deste par de modelos, as diferenças, se as há, são impercetíveis. Só quando os comparamos com o outro Captur que já testámos, o 1.5 dCi de 115 cv e caixa manual de seis velocidades, é que encontramos diferenças mais substanciais do que o esperado.

Se no 1.5 dCi o peso de todos os comandos e o tato da caixa mereceram elogios, o mesmo não acontece no 1.0 TCe. A ação da direção, apesar de precisa, é leve, demasiado leve até, mas a maior diferença reside na ação da embraiagem e caixa de velocidades.

Renault Captur © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A embraiagem do 1.0 TCe contrasta com a do 1.5 dCi, sendo menos precisa, mais difícil de dosear e com um curso algo longo — obrigou a um período mais prolongado de adaptação. Também a caixa de cinco velocidades perde em qualidade do tato — mais plástico que mecânico — para a de seis velocidades do dCi, e apesar de ser precisa q.b., o seu curso podia ser um pouco mais curto.

VÊ TAMBÉM: Testámos o Ibiza TGI a Gás Natural (GNC). O carro certo com a rede de abastecimento errada

Dinamicamente, por outro lado, sem surpresas. O acerto da suspensão dos Captur está orientado para o conforto, caracterizando-se por uma certa macieza na forma como lida com as imperfeições do asfalto. Esse seu lado mais suave justifica os movimentos acrescidos da carroçaria quando elevamos o ritmo e o combinamos com estradas mais irregulares.

Renault Captur
O conforto a bordo é bastante positivo e nem as opcionais jantes de 18” parecem beliscá-lo. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

No entanto, nada a apontar ao comportamento, seguro e previsível. O chassis assume uma atitude neutra e progressiva, e o eixo traseiro gosta de ajudar a manter o dianteiro na direção certa (tal como no Clio), entretendo mais do que o Peugeot 2008, por exemplo. No entanto, não é o tipo de atitude que caracteriza o Captur, onde outras propostas, como o Hyundai Kauai, SEAT Arona ou Ford Puma, estariam mais à vontade.

Mesmo no modo Sport, onde o acelerador ganha sensibilidade e a direção peso, fica imediatamente claro que o Captur trocaria de bom grado a enrolada estrada de montanha por outra mais aberta, ou uma autoestrada.

Nesse cenário revela-se estável, com o refinamento geral a estar em bom plano, onde os ruídos de rolamento e aerodinâmicos são contidos. Melhor neste capítulo do que modelos como o Fiat 500X, Jeep Renegade ou Hyundai Kauai, mas o arquirrival Peugeot 2008 consegue fazer ainda melhor.

VÊ TAMBÉM: Testámos o novo Nissan Juke 2020 (vídeo). TUDO o que precisas de saber

E mais?

De resto, é o Captur que já conhecíamos. No interior somos envolvidos por uma mistura de materiais macios (nas zonas mais visíveis e tocadas) com outros duros. Já a montagem, é bastante razoável, mas fica um patamar abaixo da apresentada pelos Peugeot 2008 ou Hyundai Kauai, algo denunciado pelos ruídos parasita quando circulamos em mau piso.

No campo tecnológico, se por um lado temos um muito bom sistema de infoentretenimento, por outro, os comandos por voz, por vezes, teimam em não perceber o que dizemos.

Quanto ao espaço, também não encontramos diferenças. O depósito de GPL montado por baixo do piso da bagageira não afetou a capacidade da bagageira. Quer isto dizer que, em ambos os casos, esta oferece entre 422 e 536 litros de capacidade consoante a posição dos bancos traseiros, um dos melhores valores do segmento.

Já no campo da habitabilidade, esta apresenta-se em bom plano tanto à frente como atrás, com os passageiros dos lugares posteriores a beneficiarem de uma boa visibilidade para o exterior, saídas de ventilação e fichas USB.

VÊ TAMBÉM: Ford Puma ST-Line 155 cv testado em vídeo. O que vale o novo B-SUV da Ford?

Qual é a melhor opção?

Com a única diferença entre os dois Captur a estar no uso de GPL e apesar do diferencial no preço, a resposta a esta pergunta acaba por não ser especialmente complicada.

Afinal de contas, por cerca de 1000 euros a mais é possível ter um Renault Captur que consome um combustível que custa cerca de metade do preço da gasolina e que mantém intactas todas as qualidades já reconhecidas ao SUV gaulês.

Assim sendo, neste caso nem será preciso parafrasear o político que uma vez nos disse a todos para fazermos as contas. A não ser que esses 1000 euros de diferença te façam mesmo muita falta, o Captur a GPL perfila-se como a melhor opção, sendo apenas de lamentar a ausência do computador de bordo.

Renault Captur © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
VÊ TAMBÉM: Este Renault ZOE PODE SER TEU por uma semana! Participa aqui

Nota: Os valores entre parêntesis na ficha técnica abaixo referem-se especificamente ao Renault Captur Exclusive TCe 100 Bi-Fuel. O preço desta versão é de 23 393 euros. O preço da unidade ensaiada ascende aos 26 895 euros. O valor de IUC é de 103,12 €.

Preço

unidade ensaiada

25.592

Versão base: €22.615

IUC: €103

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 3 cilindros em linha
    • Capacidade: 999 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta + turbo + intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas/cilindro
    • Potência: 100 cv às 5000 rpm
    • Binário: 160 Nm às 2750 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de cinco velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4227 mm / 1797 mm / 1576 mm
    • Distância entre os eixos: 2639 mm
    • Bagageira: 422-536 l
    • Jantes / Pneus: 215/55 R18
    • Peso: 1265 kg (1275 kg)
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: Gasolina: 5,9 a 6,2 l/100 km (GPL: 7,7 L/100 km)
    • Emissões de CO2: Gasolina: 138 g/km (GPL: 124 g/km)
    • Vel. máxima: 173 km/h
    • Aceleração: 13,3s
  • Equipamento
    • Travão de estacionamento assistido
    • Retrovisor interior eletrocromático
    • Sistema de assistência na transposição involuntária de via
    • Faróis traseiros em LED com assinatura luminosa em forma de "C" e efeito de profundidade
    • Consola central com apoio de braço e arrumação
    • Reconhecimento dos sinais de trânsito
    • Sistema de travagem de emergência ativa com deteção de peões e ciclistas
    • Faróis diurnos Full LED com assinatura luminosa em forma de "C" e animação das luzes
    • Ar condicionado automático
    • Cartão Renault Mãos-Livres
    • Jantes em liga leve 17"
    • Alerta de distância de segurança
    • Comutação automática de luzes estrada/cruzamento
    • Regulador e limitador de velocidade
    • Sensores de chuva e luminosidade
    • Retrovisores exteriores reguláveis e rebatíveis elétricamente c/função de desembaciamento
    • Volante em couro multifunções
    • Banco do passageiro regulável em altura
    • Modo ECO
Extras
Laranja Atacama / Tejadilho Preto Estrela — 650,00 €; Pack Câmara 360º (Sist. de ajuda ao estacionamento dianteiro + Câmara 360º) — 890,00 €; Travão de estacionamento assistido com Auto-Hold (implica MULTI- SENSE) — 250,00 €; Renault MULTI-SENSE (3 modos de condução, 8 opções iluminação ambiente)(implica Travão com Auto-hold) — 200,00 €; EASY LINK 9,3" com Antena Shark (implica Pack Câmara marcha-atrás ou Vision 360º Parking) — 600,00 €. Extras da versão a GPL: Branco Nacarado / Tejadilho Preto Estrela — 650,00 €; Alerta de excesso de velocidade — 100,00 €; Alerta de ângulo morto — 250,00 €; Travão de estacionamento assistido com Auto-Hold (implica MULTI-SENSE) — 250,00 €; Renault MULTI-SENSE (3 modos condução, 8 opções iluminação ambiente)(implica Travão com Auto-hold) — 200,00 €; Pack Verão (Teto abrir + Retrovisor eletrocromático sem moldura)(incompatível c/Consola flutuante) — 1000,00 €; Carregador de smartphone por indução — 150,00 €; Jantes em liga leve de 18" (implica agravamento de 4 gramas nas emissões de CO2) — 500,00 €.
Avaliação
7 / 10
Nitidamente focado nas tarefas familiares, o Renault Captur encontra na versão a GPL a aliada perfeita para cativar os clientes mais focados na poupança. Com uma diferença de preço reduzida q.b. e uma maior economia de utilização, a versão a GPL passa a ter uma palavra a dizer dentro da gama do Captur, principalmente para quem faz muitos quilómetros. Face a isto, a versão a gasolina, apesar de mais acessível, acaba por só se justificar para quem faz poucos quilómetros anualmente.
  • Motor interessante, apesar das prestações modestas.
  • Sistema de infotainment
  • Conforto
  • Volante com boa pega
  • Espaço e capacidade da bagageira
  • Economia de utilização (versão a GPL)
  • Tacto dos comandos no geral (muito leve e macio)
  • Curso longo da caixa
  • Banco traseiro desliza por inteiro (devia ser assimétrico, como o rebatimento)
  • Ausência do computador de bordo (versão a GPL)
Sabes responder a esta?
Em que ano é que a Renault conquistou a sua primeira vitória na Fórmula 1?

Mais artigos em Testes, Ensaio