Desde 34 525 euros

Nissan X-Trail 1.3 DIG-T testado. Vale a pena optar pelo Qashqai?

Em fim de carreira e com um sucessor à vista, fui saber que argumentos o Nissan X-Trail ainda tem para oferecer. E acabou por se revelar como uma opção válida… ao Qashqai.

Lançado em 2013, o Nissan X-Trail ganhará uma nova geração ainda este ano — uma fuga de imagens revelou, recentemente, as formas finais do sucessor, ainda que estivesse identificado como Rogue, ou seja, a sua versão norte-americana.

Este teste acaba por ser uma espécie de despedida à atual geração que, apesar dos sete anos de vida, ainda tão recentemente como o ano passado recebeu importantes atualizações, como novas motorizações a gasolina e gasóleo. Fica assim em conformidade com as mais recentes normas de emissões, como contribui para a redução de emissões CO2 necessárias para que a Nissan consiga atingir as ambiciosas metas impostas pela UE.

É precisamente a nova motorização a gasolina que estamos a testar. Trata-se do 1.3 DIG-T com 160 cv, uma motorização nova, desenvolvida em conjunto entre a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi e a Daimler, e que podemos encontrar em já muitos modelos.

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Nissan X-Trail 1.3 DIG-T 160 cv N-CONNECTA © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Apenas um 1.3 para um SUV grande como o X-Trail?

Sinais dos tempos. Mesmo nos SUV de dimensões algo avantajadas como o X-Trail os motores a gasolina conquistam terreno aos Diesel. Pode não ser a motorização ideal para um X-Trail, sobretudo se quisermos explorar todo o seu potencial como SUV, mas como motorização de acesso que é, não se revelou inadequada.

Para tal ajuda a configuração do X-Trail testado: apenas cinco lugares(disponível também com sete lugares) e tração dianteira (a única opção para esta motorização). Apesar das dimensões exteriores generosas estas não se reflete num peso excessivo, acusando menos de 1500 kg na balança, um valor até algo comedido para a classe onde se insere.

Motor 1.3 DIG-T de 160 cv
O 1.3 DIG-T continua a deixar impressões positivas. Pujante, linear e até capaz de consumos surpreendentes apesar de ter que mover um SUV “tamanho familiar”. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É certo que não tive oportunidade de o testar com lotação máxima, mas os 270 Nm de binário máximo do 1.3 DIG-T estão disponíveis numa faixa alargada de rotações — entre as 1800 rpm e as 3250 rpm —, permitindo ritmos céleres e simultaneamente descontraídos.

O “elo mais fraco”

O 1.3 DIG-T está exclusivamente associado a uma transmissão de dupla embraiagem com sete velocidades e esta tudo faz para manter o motor nessa faixa ideal de rotações. No entanto é o “elo mais fraco” no binómio motor-caixa.

Manípulo da caixa DCT da Nissan
A caixa de dupla embraiagem é, na maioria dos casos, uma boa parceira para o motor, mas agradecia-se mais prontidão na resposta. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Nota-se, por vezes, alguma indecisão por parte desta e constata-se que a sua ação não é a mais rápida, mesmo quando em modo Sport ou manual. Neste último modo, a única forma de mudar de relação é através do seletor — não há patilhas —, e talvez seja só eu, mas continuo a achar que a ação do manípulo devia ser invertida. Ou seja, para avançar uma relação o manípulo devia ser puxado para trás, e para reduzir devíamos empurrar o manípulo para a frente — o que achas?

Por outro lado, sou um fã do 1.3 DIG-T. Seja em que modelo for, o seu caráter é sempre efervescente. Pode não ser o motor mais musical, mas tem uma resposta pronta, com pouca inércia — lag praticamente impercetível —, é linear e, ao contrário de muitos motores turbo, até gosta de visitar o último terço do conta-rotações. Torna-se demasiado audível quando em acelerações mais fortes, mas a velocidades moderadas e estabilizadas não é mais que um murmúrio distante.

SUV a gasolina? Deve gastar muito

Tendo em conta outras propostas similares que já passaram pela garagem da Razão Automóvel, os SUV a gasolina não costumam deixar boas recordações. No entanto, é com algum alívio que refiro que o Nissan X-Trail 1.3 DIG-T acabou por ser uma agradável surpresa.

Os consumos registados foram, regra geral, moderados. Sim, em cidade e com trânsito mais intenso parecem algo elevados, um pouco acima dos oito litros, mas em estrada aberta a conversa é outra. A velocidades a rondar os 90-95 km/h — em terreno maioritariamente plano —, cheguei a registar consumos abaixo dos 5,5 l/100 km. A velocidades de autoestrada, entre 120-130 km/h estabilizaram à volta dos 7,5 l/100 km.

Conjunto de botões secundários no interior do X-Trail
Pormenor a rever: o botão que seleciona o modo ECO, a prometer consumos mais baixos, está tão escondido — não é visível do lugar do condutor — que até nos esquecemos dele. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Um motor Diesel faria menos, é um facto, mas tendo em consideração a volumetria do X-Trail e até comparando-o com outros SUV a gasolina — alguns deles até bem mais compactos —, os consumos são bastante comedidos.

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Já acusa a idade

Se o motor é uma unidade nova, sem receios nenhuns de qualquer outra proposta concorrente, a verdade é que o Nissan X-Trail em si já acusa o peso da idade em alguns aspetos — sete anos no mercado é muito dado o passo rápido de evolução tecnológica que temos nos nossos dias. Pelo que é precisamente no interior, sobretudo em itens mais tecnológicos, que a idade se faz sentir. O sistema de info-entretenimento é um desses casos: os grafismos e também a usabilidade precisam definitivamente de uma profunda revisão.

O interior em si também revela algum cansaço visual e a verdade é que nunca encantou verdadeiramente — as imagens “fugidas” da nova geração mostram uma forte evolução nesse sentido. É também expetativa que a nova geração apresente um maior rigor na montagem. Em piso degradado eram por demais evidentes os “queixumes” provenientes de várias áreas, destacando-se os provocados pela presença do teto panorâmico (uma fonte comum de ruídos parasitas em muitos modelos no mercado).

O X-Trail testado era a versão intermédia N-Connecta, que já nos brinda com uma boa dotação de equipamento, mas é preciso subir mais um degrau, ao Tekna, para ter acesso a itens como o ProPilot, que permite condução semi-autónoma. O N-Connecta já traz, no entanto, uma câmara 360º e máximos automáticos. Uma nota para a câmara traseira que mostrou ter uma qualidade bastante razoável.

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Entretém mais do que o esperado…

Aos comandos do Nissan X-Trail temos mesmo a percepção de conduzir “lá no alto”. Vamos bem sentados e o volante tem boa pega, e somos brindados com bancos bastante confortáveis (a tender para o firmes), mas sem grande suporte. Não há muito apoio lateral e o comprimento do assento podia ser um pouco maior.

Algo que se torna evidente quando exploramos as capacidades dinâmicas do SUV e parece até justificar o porquê da consola central estar revestida a pele — várias vezes apoiei a perna direita nela para me manter no sítio.

Nissan X-Trail 1.3 DIG-T 160 cv N-CONNECTA © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A área vidrada no Nissan X-Trail é generosa, mas o posicionamento dos pilares A e dos retrovisores acabam por obstruir a visão mais do que deviam em algumas curvas ou em cruzamentos e rotundas. Curiosamente, e algo contra-corrente, a visibilidade traseira é boa.

Para a estrada… Já em andamento, o X-Trail revela-se bastante fácil de conduzir, onde a direção é precisa e revela-se até um bom instrumento de comunicação, mesmo em andamentos mais vivos, dando bastante confiança na fase inicial de abordagem às curvas.

Sendo um SUV familiar, nota-se que a taragem está definitivamente mais orientada para o conforto, mas o X-Trail não deixou de surpreender. Seja de que ponto de vista for, é mais competente em todos os aspetos dinâmicos do que o seu irmão mais pequeno Qashqai, por exemplo. É mais preciso, os movimentos da carroçaria são mais controlados e até subjetivamente, dá mais “gozo” a andar depressa.

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Um resultado algo inesperado até porque ambos partilham a mesma base CMF, mas há uma importante diferença que pode contribuir para este resultado. Ao contrário do Qashqai, no Nissan X-Trail a suspensão traseira é independente. Além disso a calibração da suspensão parece ser simplesmente melhor. No entanto, partilha com o Qashqai uma característica: a aparente facilidade com que o eixo motriz (dianteiro) perde motricidade, sendo a única “mancha” no seu reportório dinâmico.

Roda do X-Trail 1.3 DIG-T 160 cv N-CONNECTA
No nível N-Connecta, as jantes são de 18″, oferecendo um bom compromisso conforto/estética. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Nota muito positiva para os travões, mordazes e progressivos, e para a ação do seu pedal, ao contrário do pedal do acelerador que podia ter um pouco mais de sensibilidade — ligeiras mudanças de pressão não se reflete no comportamento do motor.

O Nissan X-Trail é um melhor e maior Qashqai

A percepção com que fiquei após vários dias com o Nissan X-Trail é a de que se trata efetivamente de um maior e melhor Qashqai — o rei dos crossover também já é um veterano e uma nova geração deverá chegar ao mercado no próximo ano.

Sim, o seu posicionamento é superior ao do Qashqai, mas mesmo tendo em conta os preços praticados para versões equivalentes (motorização, transmissão, nível de equipamento), estes não ficam muito distantes um do outro — pouco mais de 1000 euros. Um valor perfeitamente justificável para se dar o salto para aquela que é a melhor proposta entre as duas — mais robusto, mais espaçoso (mas ocupa também mais espaço) e até mais competente do ponto de vista dinâmico.

Nissan X-Trail 1.3 DIG-T 160 cv N-CONNECTA © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Quando o comparamos com outras propostas rivais, aí sim, a sua idade torna-se mais evidente, sobretudo e novamente ao nível do seu interior e info-entretenimento. Um SEAT Tarraco, equipado com o 1.5 TSI de 150 cv, no cômputo geral é uma proposta superior, mas por outro lado, é também é mais caro — à volta de 4000-5000 euros.

Graças às campanhas que a Nissan tem a decorrer, é possível ainda aumentar a competitividade do X-Trail, podendo esta unidade ficar pouco acima dos 30 mil euros. É o argumento final para o colocar, definitivamente, na lista de opções a considerar caso estejam à procura de um veículo familiar em formato SUV.

Nota: Como o nosso leitor Marco Bettencourt referiu e bem, faltou referir qual a classe do X-Trail nas nossas portagens. Com Via Verde, este Nissan X-Trail 1.3 DIG-T é Classe 1, um fator excessivamente determinante para garantir o sucesso/insucesso de alguns modelos em Portugal — obrigado, Marco… 😉

Preço

unidade ensaiada

35.175

Versão base: €34.525

IUC: €171

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1332 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Inj. Direta, Turbo, Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv./cil.
    • Potência: 160 cv às 5500 rpm
    • Binário: 270 Nm entre as 1800 rpm e as 3250 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática de 7 vel. (dupla embraiagem)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4690 mm / 1820 mm / 1740 mm (com barras no tejadilho)
    • Distância entre os eixos: 2705 mm
    • Bagageira: 565 l - 1996 l
    • Jantes / Pneus: 225/60 R18
    • Peso: 1485 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 8,2 l/100 km
    • Emissões de CO2: 186 g/km
    • Vel. máxima: 198 km/h
    • Aceleração: 11,5s
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: Pintura: 3 anos; Anti-corrosão: 12 anos
    • Mecânica: 3 anos ou 100 000 km
  • Equipamento
    • Escudo de Proteção Inteligente (Sistema inteligente de manutenção de faixa, Identificador de sinais de trânsito, Sistema de faróis Inteligentes, Sistema inteligente de Anticolisão com Deteção de Peões e Alerta de fadiga)
    • Faróis de ativação automática e sensor de chuva
    • ''Cruise Control'' e limitador de velocidade
    • Sistema de monitorização dos pneus
    • Ar Condicionado ''Dual Zone''
    • Bancos dianteiros Advanced Comfort
    • Banco do condutor com ajuste em altura e apoio lombar ajustável
    • Volante e punho da caixa de velocidades em pele
    • Volante multifuncional em formato D
    • 2 pousa-copos climatizados
    • Divisória de carga para bagageira (9 combinações)
    • Revestimento do painel de instrumentos em pele
    • Jantes liga leve 18''
    • Espelhos retrovisores à cor da carroçaria com intermitentes, aquecidos e reguláveis automaticamente
    • Vidros traseiros escurecidos
    • Teto de abrir panorâmico
    • Sistema de portão traseiro elétrico ''mãos-livres''
    • NissanConnect: Ecrã tátil de 7'' e Sistema de navegação 3D
    • Câmara Inteligente de Visão 360º
    • Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros
    • 6 Altifalantes
    • Porta USB e conector MP3
    • Chave inteligente
Extras
Pintura metalizada, 650€
Avaliação
6 / 10
Apesar de um sucessor estar já ao virar da esquina, o Nissan X-Trail não é de desdenhar. A idade do modelo pode-se notar no interior e em alguns equipamentos mais tecnológicos, mas ainda temos um SUV com muitos e bons argumentos. O motor é novo e sem "medo" nenhum de outros motores rivais, nervoso em caráter e capaz de oferecer consumos bastante moderados — mesmo sendo a gasolina — se usufruirmos das capacidades estradistas do X-Trail. Espaço não falta, nem versatilidade e além de confortável, ao volante até entretém mais do que estava à espera. O preço é bastante competitivo e, a verdade, é que mais rapidamente optaria pelo X-Trail que o mais pequeno irmão Qashqai equivalente.
  • Motor "nervoso"
  • Habitabilidade
  • Versatilidade — 2ª fila de bancos e prateleira da bagageira
  • Consumos moderados (estrada aberta)
  • Preço
  • Sistema de info-entretenimento a necessitar de revisão
  • Caixa DCT podia ser mais rápida e decidia
  • Eixo dianteiro perde motricidade com alguma facilidade
  • Montagem a necessitar de melhorias
  • Consumos em cidade

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