Ensaio

Testámos o Jeep Renegade com o novo 1.0 Turbo de 120 cv. O motor certo?

Os novos motores turbo a gasolina são a principal novidade do renovado Jeep Renegade. Testámos o 1.0 Turbo de 120 cv e o certo é que nos surpreendeu…

É o mercado, estúpido! Nem a histórica e incontornável Jeep está imune aos caprichos do mercado. Para ser a potência mundial que ambiciona, carros como o (não tão) pequeno Renegade têm de acontecer — um Jeep que parece um Jeep, mas que de jipe pouco ou nada tem.

A unidade por nós testada demonstra-o. No Jeep Renegade Limited, o topo de gama, contamos com apenas duas rodas motrizes e umas nada amigas do off road jantes de 19″ e pneus com 235/40 R19 (opção de 800 euros). Aventuras fora de estrada? Esqueçam (pelo menos com este Renegade), fiquemo-nos pelo asfalto urbano e suburbano…

No entanto, o Renegade é sinónimo de sucesso. Continua a ser um dos dos principais pilares da expansão da marca pelos quatro cantos do mundo.

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Jeep Renegade

Mas o que deita tudo a perder são os consumos — simplesmente demasiado elevados.

A atualização recebida o ano passado trouxe alguns retoques estéticos, mas as maiores diferenças encontram-se por baixo do capot. O Jeep Renegade foi o primeiro modelo da FCA a receber os novos Firefly com turbo (estrearam no Brasil, nas suas variantes naturalmente aspiradas): 1.0, três cilindros e 120 cv; e 1.3, quatro cilindros e 150 cv.

O “nosso” Renegade trazia o 1.0 Turbo de 120 cv e uma caixa manual de seis velocidades. Nesta versão Limited o preço ascendia a uns substanciais 33 280 euros, dos quais 9100 euros eram só de opcionais (o preço final apresentava ainda um abatimento de 2500 euros devido a uma campanha que decorria à altura do ensaio).

Substancial é a palavra certa

Substancial foi a palavra que acabou por surgir mais frequentemente para definir muitos dos traços de personalidade do Renegade durante a sua estadia connosco. Apesar de ser, para já, o degrau de acesso à família Jeep, a robustez que esperamos de um Wrangler ou de um maior Grand Cherokee, chegaram também ao mais pequeno Renegade.

Tudo no Renegade tem um certo e até bem vindo peso. Seja a direção, que não é absurdamente leve; aos botões rotativos na consola central, grandes em dimensão (maiores do que encontrei no novo Wrangler) e revestidos com uma anti-derrapante borracha.

A percepção geral é uma de robustez, sem dúvida potenciada pela boa qualidade de construção — com um mix equilibrado de materiais mais moles e agradáveis ao toque com outros mais duros —, ausência de ruídos parasitas e bom isolamento acústico.

A ajudar nessa percepção, a estabilidade sentida a altas velocidades com os ruídos aerodinâmicos muito bem suprimidos — algo surpreendente, considerando o formato “quasi-tijolo” do Renegade —, e apesar das jantes de 19″ e pneus de baixo perfil, os níveis de conforto são acima da média, absorvendo eficazmente a generalidade das irregularidades, mesmo que as rodas acrescentem ruído de rolamento indesejado.

A sensação que maior parte das vezes se tem é de o Renegade ter sido esculpido de um único bloco de sólido material, sem dúvida um dos seus aspetos mais agradáveis.

E o novo motor?

Gostaria de dizer que o novo motor é o par perfeito do renovado Renegade, até considerando as peculiaridades do nosso mercado, mas não. Já testámos outros pequenos blocos de um litro, e não temos problemas em sugeri-los até como alternativas aos demonizados Diesel.

Jeep Renegade

O mesmo não acontece com este 1000. O motor em si não é mau, mas está no limiar do aceitável para lidar com os 1400 kg do Renegade (e só com condutor a bordo). Talvez possamos culpar o peso do Renegade por alguma falta de “pulmão” abaixo do regime de binário máximo (190 Nm às 1750 rpm) e nota-se também algum atraso na resposta após o calcar do acelerador. No entanto, o seu funcionamento é agradável é bastante refinado, com vibrações bem contidas.

Mas o que deita tudo a perder são os consumos — simplesmente demasiado elevados.

A Jeep anuncia 7,1 l/100 km (WLTP) de consumo combinado para o Renegade, mas nunca consegui aproximar-se de tais valores, quase sempre conduzido em contexto urbano e suburbano. Na realidade, o algarismo mais comum que vi no computador de bordo começou sempre por um 9. E por vezes, para baixar dos 10 — caramba… — há que ter a disciplina mental de um monge budista.

É o carro certo para mim?

Talvez, mas não com este motor. Apesar de mais caro, o 1.3 Turbo de 150 cv irá mexer-se melhor e com menos esforço, mas será que conseguirá consumos em condições reais mais em conta? Bem, o 1.6 Multijet de 120 cv ainda mantém-se no catálogo.

É uma pena, porque é muito fácil de gostar do Renegade. Este Jeep pode não ser um… jipe, mas num contexto urbano revelou-se aprazível. Isola-nos eficazmente do caos exterior, está bem construído e até comporta-se previsivelmente bem, apesar de não ser o mais dado a “acrobacias” dinâmicas.

Para os que precisam de espaço tem-o em quantidade mais que suficiente — os 351 l de capacidade da bagageira, ainda assim, estão algo longe dos mais de 400 l de alguma concorrência —, mas gostaria de ver melhor de dentro para fora (óculo traseiro é demasiado pequeno e a pequena abertura vidrada no pilar C é inútil) e também de ter mais apoio lateral nos bancos dianteiros e assentos mais compridos nos traseiros — não têm suporte suficiente para as pernas.

Como já referimos, são muitos os opcionais que enriquecem o equipamento da nossa unidade, que projetam o preço para valores pouco razoáveis. Alguns deles não teríamos problemas em prescindir como as rodas de grandes dimensões, que apesar de ficarem muito bem, não contribuem em nada para a dinâmica e prejudicam o conforto e a ruído de rolamento.

Preço

unidade ensaiada

33.280

Versão base: €25.500

IUC: €137

Classificação Euro NCAP: 5 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: 3 cil. em linha
    • Capacidade: 999 cm3
    • Posição: Transversal dianteira
    • Carregamento: Injeção direta, turbo e intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c, 4 válv. por cil., 12 válvulas
    • Potência: 120 cv às 5750 rpm
    • Binário: 190 Nm às 1750 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 vel.
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4236 mm / 1805 mm / 1667 mm
    • Distância entre os eixos: 2570 mm
    • Bagageira: 351 l
    • Jantes / Pneus: 215/60 R19
    • Peso: 1395 kg (EU)
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 7,1 l/100 km
    • Emissões de CO2: 160 g/km
    • Vel. máxima: 185 km/h
    • Aceleração: 11,2s
  • Garantias
    • Mecânica: 24 meses sem limite de quilometragem
    • Reviews Interval: De 15 000 km em 15 000 km
  • Equipamento
    • TFT premium a cores 7" no paínel de instrumentos
    • Retrovisores elétricos c/ desembaciamento
    • Ar condicionado automático bi-zona
    • Volante em pele com comandos multifunções
    • Cruise Control Adaptativo
    • Sensores de Estacionamento Dianteiros e Traseiros
    • Pack Visibility
    • Aviso de transposição de faixa de rodagem
    • Aviso de colisão frontal Plus
    • TPMS (Alerta de falta de pressão de pneus com indicação digital)
Extras
Pack Infotainment (Sistema multimédia Uconnect Rádio 8,4" NAV, Sistema de som Hi-Fi com 9 altifalantes — 1600€; Teto panorâmico — 1500€; Estofos em pele preta com inserções em cinzento — 1150€; Pack Full LED — 1000€; Jantes em liga leve de 19" — 800€; Pack Function I — 700€; Pack Winter (bancos dianteiros aquecidos, Volante em pele aquecido, água do limpa para-brisas aquecida) — 600€; Pintura Branco Alpine — 550€; Regulação elétrica dos bancos dianteiros em 8 modos — 500€; Roda sobresselente de dimensão reduzida — 200€; Vidros traseiros escurecidos — 200€; Câmara de estacionamento traseira + Deteção de ângulos mortos — 300€;
Avaliação
5 / 10
O Jeep Renegade é um carro com muitos atributos, mas esta motorização não é a mais adequada para o apreciar. O 1.0 Turbo de 120 cv, apesar de voluntarioso e agradável, revelou-se bastante gastador, demasiado até, para o considerarmos uma opção viável para os ambientes urbanos onde passará grande parte da sua vida. De resto não há muito a apontar — o Renegade é um SUV para a selva urbana, confortável, bem construído e com espaço q.b. Mais de 9000 euros em opcionais é excessivo, o que o encarece em demasia.
  • Robustez geral
  • Info-entretenimento fácil de usar
  • Equipamento (com opcionais)
  • Consumos elevados
  • Visibilidade e câmara traseira
  • Preço (com opcionais)

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