DS 4 Rivoli PureTech 225. Tem o que é preciso para rivalizar com os alemães?

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Desde 46 063 euros

DS 4 Rivoli PureTech 225. Tem o que é preciso para rivalizar com os alemães?

O DS 4 «nasceu» com o objetivo de se bater com as propostas premium alemãs. Mas terá argumentos para suportar tais ambições?

Depois de uma primeira geração em que começou por ser um Citroën e acabou como um modelo da DS Automobiles, nascida oficialmente em 2014, o DS 4 está de regresso.

O objetivo do novo continua a ser o mesmo do anterior: «roubar» quota de mercado aos três compactos premium alemães, o Audi A3, o BMW Série 1 e o Mercedes-Benz Classe A.

Mas terá o DS 4 argumentos para bater as propostas germânicas? Para descobrir pusemo-lo à prova, aqui na versão de topo Rivoli com o motor (só) a gasolina mais potente com que pode contar, o 1.6 PureTech de 224 cv e 300 Nm.

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DS 4 traseira
Visualmente o DS 4 tenta estar a «meio caminho» entre um hatchback convencional e os mais desejados crossover. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Mistura de estilos bem sucedida

Visualmente devo admitir que não só acho o DS 4 mais impactante que os seus rivais germânicos como também mais moderno.

Não consigo deixar de encontrar alguns «genes crossover» na proposta da DS Automobiles e, a julgar pelos olhares que o DS 4 captava à sua passagem, a marca francesa parece ter sido bem sucedida na difícil tarefa de criar um modelo que não passe despercebido.

DS 4 detalhe dianteira
Se há algo de que não se pode acusar o DS 4 é de não ter uma personalidade vincada. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Luxo à francesa

Se o exterior do DS 4 já me mereceu elogios, o mesmo acontece com o interior. Os materiais são agradáveis ao toque, à vista e até… ao olfato.

Neste capítulo a DS Automobiles parece ter ultrapassado até alguns alemães, com o DS 4 a oferecer um habitáculo de aspeto mais requintado do que o que encontramos no Audi A3 ou Mercedes-Benz Classe A.

A montagem também está em bom nível, mas aqui a DS Automobiles ainda não conseguiu igualar totalmente os rivais germânicos. O mesmo acontece no tópico da ergonomia, um campo onde a marca gaulesa tem vindo a evoluir.

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Quanto ao espaço, o DS 4 não se assume como uma referência, mas também não desilude. A largura generosa de 1,83 m do DS 4 permite que dois adultos viajem em conforto nos lugares traseiros, e o espaço para a cabeça e joelhos também são muito satisfatórios.

 

Quanto à bagageira, os 430 litros de capacidade revelam-se mais que suficientes e estão confortavelmente acima dos 380 litros oferecidos pelos Audi A3 e BMW Série 1 e dos 370 litros do Mercedes-Benz Classe A.

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Aposta no conforto

Quanto mais tempo passava ao volante do DS 4, melhor ia percebendo que a proposta gaulesa consegue bater-se com os modelos premium alemães sem os imitar e isso fica bem evidente quando nos sentamos ao volante.

A superior aposta no conforto é por demais evidente ao volante do DS 4 — não me admiraria de encontrar um «pisar» equivalente um ou dois segmentos acima, apesar das jantes de 20″ —, e apesar de abdicar da acutilância dinâmica reconhecida aos rivais germânicos, não deixa de ser competente no capítulo dinâmico.

O DS 4 é tão confortável que a única razão que nos leva a desviar dos buracos é o receio de danificar um pneu ou uma jante.

Em traçados sinuosos não esperem uma proposta particularmente acutilante ou divertida de conduzir. O que temos é um carro estável, seguro e confortável, mas com uma direção algo leve e um amortecimento focado no conforto.

DS 4 imagem dinâmica
A grande aposta do DS 4 está no conforto e depois de vários quilómetros ao volante admito que foi uma aposta ganha. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Assim, o DS 4 mostra as suas melhores qualidades dinâmicas quando o levamos para longas tiradas em autoestrada ou estrada nacional. Por lá usufruímos de uma estabilidade típica dos modelos alemães, mas não temos de lidar com o pisar firme que lhes é característico. Também o isolamento acústico é quase irrepreensível.

Graças a isto, percorrer longas distâncias ao volante do DS 4 é, acima de tudo, uma experiência relaxante, e mesmo quando o piso é mais degradado a suspensão permite-nos passar pelas irregularidades como se estas nem lá estivessem.

Potente, mas guloso

Os 224 cv e 300 Nm fazem deste DS 4 o mais potente a gasolina, com apenas o DS 4 E-Tense, a variante híbrida plug-in, a conseguir equivaler-se em potência — proposta que também já pudemos conduzir.

Associado exclusivamente uma caixa automática de oito velocidades de funcionamento suave e bem escalonada, este propulsor permite imprimir ritmos muito interessantes — 0 aos 100 km/h cumprem-se em 7,9s e a velocidade máxima é de 235 km/h.

DS 4 motor
O motor permite boas prestações, mas não é particularmente económico. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Contudo, já diz o ditado que “não há bela sem senão” e ao oferecer 224 cv sem recorrer a qualquer tipo de eletrificação o 1.6 PureTech acabou por ser revelar algo «guloso». A DS Automobiles anuncia médias de 6,6 l/100 km (ciclo WLTP), mas a verdade é que para atingir esse valor tive de adotar uma condução regrada.

Sempre que decidi explorar o modo “Sport” e as aptidões dinâmicas do DS 4 vi as médias a rondarem os oito litros e numa condução normal não é difícil andar pelos  7-7,5 l/100 km.

Também é possível registar valores de 5,8 l/100 km, mas para tal temos de optar pelo modo de condução “Eco” (que felizmente não «castra» em demasia a resposta do motor) e adotar uma condução bem mais calma (e lenta).

É o carro certo para si?

Tendo em conta o sucesso dos Audi A3, BMW Série 1 e Mercedes-Benz Classe A, muitos poderão perguntar-se a quem é que a DS Automobiles conta vender o DS 4.

Pois bem, o modelo gaulês é, acima de tudo, uma proposta de reação, uma alternativa ao que se tornou a «norma» entre as propostas premium no segmento C.

Uma alternativa que se faz pela sua aparência que não passa despercebida, pelo conforto superior a bordo e até pela… oferta de equipamento de série, muito mais generosa que aquela a que os alemães nos habituaram.

Para quem os consumos mais elevados deste motor possam ser um «senão», há uma boa notícia: não faltam opções motrizes à proposta francesa — gasolina, gasóleo e híbridos plug-in —, algumas delas a permitir um preço mais em conta.

Preço

unidade ensaiada

56.553

Versão base: €46.063

IUC: €173

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1598 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c.; 4 válv./cil.
    • Potência: 224 cv às 5500 rpm
    • Binário: 300 Nm às 1900 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática de oito relações
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4400 mm / 1830 mm / 1470 mm
    • Distância entre os eixos: 2675 mm
    • Bagageira: 439 litros
    • Jantes / Pneus: 245/40 R20
    • Peso: 1494 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,6 l/100
    • Emissões de CO2: 148 g/km
    • Vel. máxima: 235 km/h
    • Aceleração: 7,9s
  • Equipamento
    • Pack Extended Safety + Adaptative Cruise Control com função Stop&Go + Rear Traffic Detection Pack (vigilância do ângulo motor de longo alcance + alerta de trânsito traseiro) + DS Drive Assist
    • Bancos traseiros com apoio de braços e passagem de ski
    • Bancos dianteiros aquecidos, ventilados e com função massagem (condutor e passageiro)
    • Grelha preta e cromada + DS Wings + friso entre faróis traseiros e frisos dos vidros cromados + falsas saídas de escape cromadas
    • Acesso e arranque mãos livres (ADML Proximity)
    • Pedaleira em alumínio
    • DS Matrix LED Vision
    • Jantes Liga Leve de 19'' SEVILLA
    • DS Extended Head Up Display
    • DS IRIS SYSTEM + Navegação conectada 3D + DS SMART TOUCH + DS Connect Box
    • Câmara de visão traseira Visio Park 360º
Extras
Tejadilho Bi-ton Preto Perla Nera — 300 €; DS NIGHT VISION — 1550 €; Sistema HiFi FOCAL ELECTRA (Inclui vidros laminados, acústicos e escurecidos) — 1000 €; Interior Couro Opera Castanho Criollo — 4250 €; Pintura Lacquered Grey — 790 €; Alarme — 500 €; Jantes de 20'' — 2100 €.
Avaliação
8 / 10
Contrariando o ditado que diz que "se não os podes vencer junta-te a eles", o DS 4 mostra-nos que é possível ter um modelo premium bastante interessante no segmento C sem ter de recorrer à «fórmula» há muito usada pelos alemães. Troca a acutilância dinâmica pelo conforto e assume-se como uma das propostas mais requintadas do segmento. Argumentos não parecem faltar para que o DS 4 seja bem sucedido na sua missão.
  • Equipamento
  • Conforto
  • Qualidade dos materiais
  • Imagem distinta
  • Ergonomia
  • Consumos
  • Preço
Sabe responder a esta?
Em que ano é que um Citroën «boca de sapo» venceu o Rally de Portugal?

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