Testámos o MINI 100% elétrico. Continua a ter os «genes» MINI?

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Desde 35 050 euros

Testámos o MINI 100% elétrico. Continua a ter os «genes» MINI?

O MINI Cooper SE marca o início de uma nova era na marca britânica. Mas será que se mantém fiel ao «ADN» do original?

Primeiro modelo 100% elétrico da marca britânica, o MINI Cooper SE tem uma difícil tarefa pela frente. Afinal, como eletrificar-se sem abdicar do «ADN» que torna um MINI num… MINI.

Ao mesmo tempo, não lhe falta concorrência, com o modelo britânico a ter como potenciais rivais desde os mais racionais Peugeot e-208, Opel Corsa-e ou Renault Zoe a outros mais… «emocionais» ou aspiracionais como o Honda E, o Mazda MX-30 ou o novo Fiat 500.

Terá o MINI Cooper SE, movido a eletrões, argumentos para se impor e criar o seu espaço como os MINI a hidrocarbonetos? Altura de o colocar à prova.

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MINI Cooper SE
Na traseira só o logótipo do lado esquerdo e a ausência de saídas de escape «denunciam» a versão elétrica. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Personalidade vincada

No capítulo visual as diferenças entre o Cooper SE e os seus «irmãos» com motor de combustão são escassas e acredito que muitos se cruzam com ele sem sequer se aperceberem de que é movido a eletrões.

Apesar de ser uma silhueta familiar nas nossas estradas, o MINI mantém um visual que garante que somos o centro das atenções na maior parte dos locais por onde passamos.

No interior a qualidade geral é referencial — neste campo, no segmento, o Honda E e o Mazda MX-30 acabam por ser os seus mais próximos rivais —; e a ergonomia merece elogios, com a MINI a manter-se fiel a alguns comandos físicos particularmente intuitivos de usar.

Já a habitabilidade não foge às expectativas de um modelo cujo construtor se chama… MINI.

À frente dois adultos viajam com conforto e na segunda fila cabem bem passageiros com até 1,80 m de altura, mas o acesso àqueles lugares não é particularmente fácil.

Por fim, os 211 l da bagageira são escassos, mas ainda assim superiores aos 171 l oferecidos pelo Honda E ou os 185 l do Fiat 500.

MINI Cooper SE
Os lugares traseiros até têm espaço para dois adultos, chegar lá é que não é tarefa fácil, relembrando-nos uma das razões pelas quais os modelos de três portas foram perdendo fãs. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Elétrico, mas ainda um MINI ao volante

Comecei este texto a falar sobre o «ADN MINI» e, como é óbvio, grande parte desse «código genético» encontramo-lo sempre que conduzimos as propostas da marca britânica.

Comecemos pelos números, que são o que separa o Cooper SE em definitivo dos seus rivais mais próximos. Com 184 cv e 270 Nm não podia desiludir no campo das performances, cumprindo os 0 aos 100 km/h em 7,3s, um valor cerca de dois segundos mais baixo do que os outros elétricos mencionados.

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Na prática a entrega imediata do binário permite-nos tomar a dianteira em qualquer semáforo, sendo que quando selecionamos o modo “Sport” as reações chegam até a ser algo «intempestivas», conseguindo surpreender os passageiros mais desatentos.

Aproveitando esta entrega imediata de binário rapidamente somos levados a explorar as capacidades dinâmicas do Cooper SE e a boa notícia é que parecem estar intactas — entre os elétricos é aquele que mais se aproxima de um verdadeiro hot hatch

MINI Cooper SE
Dinamicamente o Cooper SE não desilude, fazendo da proposta britânica um dos modelos mais interessantes de conduzir do segmento. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A direção é precisa, direta e tem o «peso certo», tornando o Cooper SE numa das propostas mais interessantes de conduzir do segmento, algo que ficou evidente quando dei por mim a repetir passagens no mesmo encadeado de curvas como se fosse «mais uma voltinha no carrossel».

Também a agilidade merece elogios, fazendo da proposta britânica a «arma ideal» para nos movermos dentro das grandes cidades de forma rápida e eficaz.

E fora da cidade, como se dá?

Com as qualidades intrínsecas aos MINI já comprovadas, será que este é apenas para o meio urbano? Afinal de contas, tanto o Honda E como o Mazda MX-30 não escondem a preferência pelos percursos urbanos.

Bem, não vale a pena «inventar». Com uma  bateria de 32,6 kWh — 28,9 kWh líquidos — e uma autonomia anunciada de entre 226 km e 233 km, o Cooper SE não é um aspirante a estradista — para isso as propostas mais racionais da Peugeot, Opel e Renault são melhores opções.

Painel de instrumentos digital
Simples e completo é o painel de instrumentos do MINI Cooper SE. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Contudo, a verdade é que ao longo de uma semana usei-o como o meu único veículo, perfazendo 200 km diários e devo dizer-vos que muitos deles não foram em meio urbano.

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Para tal tive de usar o modo “Green+”, que só posso elogiar por não tornar a experiência de condução letárgica enquanto tenta «esticar» a autonomia.

Ao longo do tempo fui-me apercebendo que a autonomia anunciada pelo computador de bordo era mais pessimista que otimista, e que entre carregamentos podia fazer mais quilómetros do que os inicialmente previstos.

É claro que para levar o Cooper SE para fora da cidade convém planificar a viagem, mas a vantagem de ter uma bateria mais pequena é que esta também leva menos tempo a carregar, algo que pude constatar na primeira pessoa.

Médias de 12,5 kWh/100 km são possíveis, tirando partido não só da boa gestão das baterias como dos dois modos de regeneração de energia — um permite «andar à vela» e o outro quase que nos deixa «esquecer» o travão.

Acelerando o ritmo, também as médias aumentaram, subindo para os 15,8 kWh/100 km, mesmo assim bastante razoáveis.

É o carro certo para si?

Seja elétrico, a gasolina ou a gasóleo, um MINI é sempre um modelo especialmente pensado para quem gosta de conduzir e o novo MINI Cooper SE não é exceção.

Divertido e ágil, o Cooper SE apresenta-se como uma das melhores propostas do segmento para quem quer «abraçar» a mobilidade elétrica, mas não quer passar a conduzir um carro que lhe sirva apenas para ir do ponto A ao ponto B.

Por fim, face a outros modelos como tónica na imagem como o Honda E ou o Mazda MX-30, o MINI Cooper SE revela-se uma proposta um pouco mais versátil, pois apesar das limitações inerentes às dimensões da bateria sempre permite ir um pouco mais longe que as duas propostas japonesas.

No final, e respondendo à pergunta que serviu de mote a este teste, após uma semana aos comandos do MINI Cooper SE posso afirmar sem quaisquer problemas: sim, valeu a pena eletrificar o MINI, pois esta solução mecânica vai, na perfeição, ao encontro do carácter urbano do modelo britânico.

MINI Cooper SE
O tejadilho colorido é verdadeiramente uma obra de arte, de autoria de André da Loba e é uma de quatro disponíveis de diferentes artistas, cada uma limitada a 100 unidades cada. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
VEJAM TAMBÉM: Agora o MINI Cooper SE também é uma «obra de arte»

Preço

unidade ensaiada

41.894

Versão base: €35.050

Classificação Euro NCAP: N/D

  • Motor
    • Arquitectura: Motor elétrico
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Bateria de iões de lítio de 32,6 kWh (28,9 kWh úteis)
    • Potência: 135 kW (184 cv)
    • Binário: 270 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa redutora (relação fixa)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 3850 mm / 1727 mm / 1432 mm
    • Distância entre os eixos: 2495 mm
    • Bagageira: 211-731 litros
    • Jantes / Pneus: 195/55 R16
    • Peso: 1365 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 15,3-15,8 kWh/100 km; Autonomia: 226-233 km
    • Emissões de CO2: 0 g/km
    • Vel. máxima: 150 km/h
    • Aceleração: 7,3s
  • Garantias
    • Mecânica: 5 Anos ou 100 000 km
  • Equipamento
    • Pintura Island Blue Metalizado
    • Bancos em Tecido/Eco-Pele Black Pearl Light Grey
    • Connected Navigation
    • Apoio de braços frontal
    • Serviços ConnectedDrive
    • Informação de trânsito em tempo real
    • Apple CarPlay
    • Bluetooth Avançado + Carregamento Wireless + 2* USB
Extras
Kit reparação de pneus — 49,50 €; Vidros com proteção solar — 300 €; Sistema ISOFIX — 100 €; Pack Driver Assistance (inclui: câmara traseira; Sensores estacionamento traseiros; MINI Driving Assistant) — 1150 €; MINI Electric Collection 2021 (inclui: jantes MINI Electric Collection 17"; Volante Desportivo em Pele Walknappa; Kit de Personalização Gráfica Exterior MINI Electric; Tejadilho Multitone; Piano Black Exterior; Forro Tejadilho Antracite; Superfície Interior Alumínio; Iluminação Interior Ambiente; Faróis Adaptativos Full LED Matrix) — 3250 €; Pack Comfort (inclui: Kit Espelhos Exteriores; Sistema Comfort Access; Pack de arrumação) — 700 €.
Avaliação
7 / 10
O MINI Cooper SE consegue a «proeza» de, apesar da eletrificação, manter-se fiel aos princípios que «guiam» a marca britânica. O visual retro distinto está lá, a dinâmica competente e entusiasmante também, tal como a agilidade e a desenvoltura no meio urbano. Infelizmente, o preço elevado dos MINI modernos também diz "presente". É verdade que a bateria é pequena e limita as viagens mais longas, mas ainda assim, é um pouco melhor que a dos seus potenciais rivais.
  • Comportamento divertido
  • Prestações
  • Gestão das baterias
  • Qualidade geral
  • Autonomia
  • Preço
Sabe responder a esta?
Em que ano foi lançado o MINI original?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

O que é que o Mini Cooper tem a ver com a mini-saia? Tudo

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