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1.5 Turbo, 182 cv e caixa manual. Honda HR-V Sport faz jus ao nome?

O Honda HR-V Sport é a derradeira interpretação do B-SUV japonês. Mas fará jus ao nome ou é apenas uma variante com um motor mais potente?

Depois de há uns tempos termos posto à prova o Honda HR-V equipado com o 1.5 i-VTEC de 130 cv, sem turbo, voltámos a encontrar-nos com o B-SUV da Honda.

Desta vez fomos conhecer a versão Sport, a última adição à gama e aquela que é a sua mais potente e desportiva, ao “pedir emprestado” o motor 1.5 VTEC Turbo do Civic com 182 cv.

Mas será que a Honda foi bem sucedida nesta tentativa de criar uma versão apimentada do seu SUV, fazendo justiça à designação Sport que ostenta, ou é tudo uma questão de marketing? Altura de colocar o HR-V Sport à prova para o descobrir.

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Honda HR-V Sport © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

 

Mais discreto que desportivo

Longe vão os tempos em que olhava para o Honda HR-V, o primeiro, e via uma mistura entre uma nave espacial e uma carrinha Volvo — devo admitir que tenho algumas saudades desses tempos.

Não me interpretem mal. A atual geração do SUV nipónico conta com um visual atual e em linha com a linguagem de design vigente na Honda (tanto na dianteira como na traseira), mas pessoalmente penso que a primeira geração era mais bem sucedida na missão de fazer “virar cabeças”.

Posto isto, e tratando-se esta de uma versão desportiva, o HR-V recorre a um splitter dianteiro, a detalhes pintados em preto piano nos para-choques, a uma dupla saída de escape, a jantes específicas e abdica dos cromados, tudo para se distinguir dos seus “irmãos”.

Honda HR-V Sport
A frente é tipicamente Honda. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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O resultado final, apesar de discreto, funciona e o Honda HR-V Sport acaba por apresentar um visual um pouco mais agressivo, se bem que, à primeira vista, este possa ser confundido com uma daquelas versões mais luxuosas.

Já no interior esta ténue linha entre o chique e o desportivo mantém-se. Com uma decoração bicolor vermelho/preto, o HR-V Sport vê o seu interior abdicar do “cinzentismo” muitas vezes habitual das propostas nipónicas.

Tabliê Honda HRV
O desenho do interior podia ser mais harmonioso, mas a decoração bicolor acaba por lhe dar um visual mais apelativo. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Com uma boa montagem, o interior do SUV da Honda acaba por disfarçar a qualidade mais modesta dos seus materiais (os plásticos são, quase todos, rijos) graças à bem escolhida mistura de cores.

Ainda assim, com exceção do agradável punho da caixa, a verdade é que se me tentassem vender esta versão como a mais luxuosa da gama em vez de a mais desportiva, não me surpreenderia, pois a decoração acaba por assumir também ela um carácter mais discreto e até elegante.

Painel de instrumentos
Apesar de apelativo esteticamente, o painel de instrumentos peca pelo facto do computador de bordo apresentar um grafismo datado.
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Espaço, espaço por todo o lado

Se há área na qual o Honda HR-V Sport se destaca (tal como todos os HR-V) é na oferta de espaço. Feito com base na plataforma do modular e espaçoso Jazz, o HR-V é um dos modelos mais espaçosos do segmento, oferecendo cotas de habitabilidade capazes de envergonhar modelos do segmento acima e que lhe permitem transportar quatro adultos com conforto.

A bagageira com 448 litros tem espaço mais que suficiente para as obrigações familiares e os “bancos mágicos”, como lhe chama a Honda, são um must na hora de transportar objetos volumosos.

Banco traseiro com assento rebatido
Os famosos “bancos mágicos” da Honda. Uma real mais valia em termos de versatilidade. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Ergonomia com margem de progressão

Se a habitabilidade do HR-V Sport merece elogios, o mesmo não acontece no que à ergonomia diz respeito. Os comandos físicos do ar condicionado foram substituídos por comandos táteis e se esteticamente esta solução até resulta, a sua usabilidade deixa algo a desejar.

Entradas USB, HDMI, 12 V
Apesar de este espaço de arrumação ser prático, a colocação das entradas USB naquele local não é a mais prática. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Navegar nos menus do simples, mas completo computador de bordo (no painel de instrumentos), que é um pequeno ecrã cujo grafismo faz lembrar os relógios Casio da década de 90, também requer alguma habituação e o sistema de infotainment como que já está a pedir reforma.

O grafismo é antiquado, o ecrã é relativamente pequeno e a sua sensibilidade ao toque podia ser melhor, requerendo um superior período de habituação, ficando atrás dos sistemas propostos em modelos como o Renault Captur, Volkswagen T-Cross ou até do Peugeot 2008.

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Ao volante do Honda HR-V Sport

Como é óbvio, o que mais importa num modelo com pretensões desportivas são as suas prestações e capacidades dinâmicas e nesse capítulo, respondendo à questão que dá mote ao nosso teste, o HR-V Sport faz jus ao nome. Tal deve-se, e muito, ao conjunto motor/caixa que permite ao modelo da Honda não só mover-se com agradável desenvoltura como adaptar-se aos mais diversos estilos de condução.

Progressivo e solícito, este motor não esconde os 182 cv e os 240 Nm de binário máximo logo a partir da 1900 rpm. A ajudá-lo conta com uma caixa com relações curtas q.b. e com um dos melhores tatos do mercado (ao nível das transmissões da Ford ou Mazda).

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Mas há mais. Apesar de ser um motor turbo, este gosta de fazer rotações, subindo de regime com facilidade e tentando-nos a uma condução à la Dominic Toretto.

O melhor de tudo é que mesmo numa condução mais apressada os consumos não sobem muito, ficando-se por uns bastante razoáveis 7-7,5 l/100 km. Já quando acalmamos o ritmo e ligamos o modo “ECO” (que pelas suas características deve mesmo só ser usado quando queremos poupar, tal é a o fôlego que retira ao HR-V Sport) as médias descem para perto dos 6,5 l/100 km, podendo descer em autoestrada para valores tão baixos como os 5,9 l/100 km.

Volante
A direção e precisa e direta q.b. mas não está ao nível da usada pelo Civic. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Por fim, no que à dinâmica diz respeito. a afinação da suspensão específica desta versão faz-se sentir, com o pequeno SUV da Honda a revelar-se bem comportado e a conseguir não só manter bons níveis de aderência em curva como a conter, e bem, a inclinação lateral.

Não, o HR-V Sport não apresenta os níveis de interatividade e diversão oferecidos pelo Civic, mas está à altura de propostas como o Renault Captur ou o Volkswagen T-Cross no capítulo dinâmico, conseguindo manter um nível de conforto apreciável, que faz dele um bom companheiro para viagens mais longas.

Bancos dianteiros
Bastante confortáveis, os novos bancos dianteiros contam com um dos melhores encosto de cabeça do mercado, cumprindo quase na perfeição a sua função. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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É o carro certo para mim?

O Honda HR-V Sport faz-me lembrar aqueles pratos picantes intermédios nos restaurantes de cozinha indiana. Longe da espetacularidade e das emoções associadas aos Type R (o equivalente aos pratos mais picantes e fiéis à cozinha tradicional daquele subcontinente), o HR-V Sport é uma solução de compromisso para quem quer um SUV veloz, com um bom e agradável motor, mas não quer dar imenso nas vistas como daria com um modelo mais hardcore.

Posto isto, o Honda HR-V Sport é uma proposta peculiar dentro do segmento. É que enquando alguns dos seus concorrentes recorrem a um visual vistoso e agressivo e aos famosos logótipos a dizer “GT qualquer coisa” mas depois mantêm-se fiéis a um motor modesto, o HR-V Sport faz o oposto.

Mantém o visual algo discreto, as qualidades racionais como espaço habitável e junta-lhes um motor que dá gosto de explorar, estabelecendo-se quase como um “lobo em pele de cordeiro” e como uma opção a ter em conta para quem procura um SUV “apressado”.

Preço

unidade ensaiada

36.075

Versão base: €35.525

IUC: €172

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1498 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Inj. Direta + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv. por cil.
    • Potência: 182 cv às 5500 rpm
    • Binário: 240 Nm entre as 1900 rpm e as 5000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de seis velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4346 mm / 1772 mm / 1605 mm
    • Distância entre os eixos: 2610 mm
    • Bagageira: 448 litros a 1043 litros
    • Jantes / Pneus: 225/50 R18
    • Peso: 1341 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,7 l/100 km
    • Emissões de CO2: 151 g/km
    • Vel. máxima: 215 km/h
    • Aceleração: 7,8s
  • Equipamento
    • Avisador de saída de faixa
    • Limitador inteligente da velocidade
    • Sistema de reconhecimento da sinalização de trânsito
    • Avisador de colisões dianteiras
    • Sistema de alerta de esvaziamento de pneus (DWS)
    • Interior em pele preta e vermelha
    • Volante, Punho da alavanca das Mudanças em pele
    • A/C Automático com controlo duplo da climatização
    • Cruise Control com limitador de velocidade
    • Sensor de chuva e de luz
    • Vidros elétricos (dianteiros e traseiros) com função um toque
    • Espelhos das portas com regulação elétrica, aquecimento e retráteis
    • Honda CONNECT NAVI Garmin e leitor de CD (ecrã tátil de 7" com navegação, AM/FM/DAB, rádio via internet, aplicação Aha TM e navegador de internet)
    • 2 fichas USB/HDMI
    • Vidros traseiros escurecidos
    • Acendimento dos máximos automático
Extras
Pintura metalizada — 550 €.
Avaliação
7 / 10
Fas jus à designação Sport? Sem dúvida. Espaçoso e confortável por natureza, graças ao excelente motor que o equipa, o Honda HR-V Sport torna-se uma proposta capaz de cativar um conjunto de condutores que não abdicam de boas prestações. Dinamicamente competente, apresenta-se como uma das propostas mais interessantes do segmento neste capítulo. Só é pena é que visualmente opte por uma toada algo sóbria e discreta que acaba por não ir totalmente ao encontro daquilo que o motor promete (e permite). Ainda assim, tendo em conta aquilo que a concorrência oferece, o HR-V Sport apresenta-se como um "grande peixe num aquário pequeno" onde não há muitas propostas com esta potência e performance.
  • Cotas de habitabilidade
  • Conjunto motor/caixa
  • Facilidade de condução
  • Sistema de infotainment
  • Detalhes ergonómicos
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Qual é a potência do Honda e Advance?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Honda e. Já chegou a Portugal e sabemos quanto custa

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