Familiar desportivo

Conduzimos o Honda Civic 1.5 i-VTEC TURBO CVT Prestige

Os 182 cv deste Honda Civic 1.5 i-VTEC TURBO CVT Prestige são um excelente cartão de visita. Mas entrem, porque há mais destaques. Conduzimos a versão mais luxuosa da 10ª geração do Civic.

Em Lisboa, Portugal
  1. Dez gerações e mais de 20 milhões de unidades produzidas. São números de encher o olho, que atestam a validade da fórmula «Honda Civic» e que reforçam a responsabilidade desta 10ª geração.

Nota-se em diversos detalhes deste Civic que a Honda não deixou os seus créditos por «mãos» alheias — nem podia. Mas antes de mais considerações, vamos começar pela estética deste Honda Civic 1.5 i-VTEC TURBO CVT Prestige. Exceptuando o todo-poderoso Type-R, a versão Prestige é a mais cara e mais equipada da gama Honda Civic.

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Os pormenores cromados na grelha dianteira e nos puxadores das portas distinguem a versão Prestige.

Há quem goste e há quem não goste da estética do novo Honda Civic. Confesso que já fui mais crítico das suas linhas do que sou hoje. É um daqueles casos em que as linhas fazem mais sentido ao vivo. É largo, baixo e por conseguinte tem uma presença marcante. Ainda assim, a traseira continua a não convencer-me totalmente — mas já não posso dizer o mesmo da capacidade da mala: 420 litros de capacidade. Ok, estão perdoados…

Vamos ao interior?

Saltando para o interior, não falta nada neste Honda Civic 1.5 i-VTEC TURBO CVT Prestige — até porque os 36 010 euros pedidos pela Honda exigem que não falta mesmo nada.

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Tudo bem arrumado. Excelente posição de condução.

A posição de condução é soberba — não há outro adjetivo. O desenho dos bancos juntamente com as amplas regulações do volante e posição dos pedais garantem largos quilómetros de condução sem fadiga. Um elogio que se pode estender aos bancos traseiros, bastante amplos, onde nem sequer falta o aquecimento.

Quanto aos materiais, é um modelo tipicamente Honda. Nem todos os plásticos são de qualidade superior mas a montagem é rigorosa e é difícil apontar falhas.

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Os bancos em pele bi-color emprestam ao interior outro «colorido», quebrando a monotonia do preto.

O espaço também convence, seja a frente ou atrás. Parte da responsabilidade das generosas quotas de habitabilidade nos lugares traseiros deve-se, uma vez mais, às decisões tomadas quanto à forma da carroçaria na secção traseira. Foi pena que da 9ª geração do Civic não tenham transitado os famosos «bancos mágicos», que permitiam transportar objetos mais altos recolhendo a base dos assentos traseiros.

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Traseiros aquecidos. Desculpem, bancos traseiros aquecidos!

Rodando a chave…

Perdão! Carregando no botão Start/Stop damos vida ao voluntarioso motor 1.5 i-VTEC Turbo. É um excelente aliado para quem gosta de andar um pouco mais depressa do que devia — If you know what i mean. Caso contrário o motor 1.0 i-VTEC de 129 cv é a melhor opção.

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Se repararem bem conseguem ver dois escapes…

A associação da tecnologia VTEC com um turbo de baixa inércia resultou em 182 cv de potência às 5500 rpm e um binário máximo de 240 Nm, constante entre as 1700 e as 5000 rpm. Por outras palavras, temos sempre motor ao serviço do pé direito. Quanto à caixa, gostei mais deste motor associado à caixa manual de seis velocidades do que com esta caixa CVT (variação contínua).

É das melhores CVT que já testei, ainda assim, perde aos pontos no «feeling» de condução face à «velhinha» caixa manual. Mesmo no modo manual, recorrendo às patilhas no volante, o travão-motor gerado nas reduções é praticamente nenhum — afinal de contas, não há verdadeiramente nenhuma redução. Resumindo, é uma excelente opção para quem conduz muito em cidade, mas para os restantes condutores… hummm. Mais vale a caixa manual.

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Estas patilhas servem para muito pouco.

Quanto a consumos, face à performance que anuncia — 8,5 segundos dos 0-100 km/h e 200 km/h de velocidade máxima — os números são aceitáveis. Conseguimos médias de 7,7 litros aos 100 km, porém estes números estão demasiado dependentes do ritmo que adotámos. Se pretendermos fazer um uso despreocupado dos 182 cv de potência esperem consumos na casa dos 9 l/100 km. Não é pouco.

Até porque o chassis pede

O chassis do Honda Civic 1.5 i-VTEC TURBO CVT Prestige convida a ritmos apressados. A rigidez torcional desta 10ª geração é um excelente aliado da geometria das suspensões adaptativas, principalmente do eixo traseiro que recorre a um esquema multilink. Imperturbável. Quem gosta de chassis previsíveis e estáveis vai adorar este Civic, quem prefere chassis ágeis e reativos vai suar para encontrar os limites de aderência do eixo traseiro. E não vai conseguir…

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Bem comportado e confortável.

Por seu turno, a dianteira não acusa qualquer dificuldade em lidar com os 182 cv de potência do motor 1.5 i-VTEC Turbo. Para isso temos de subir a «parada» para os 320 cv do Honda Civic Type-R.

Quando a toada assume um ritmo mais calmo, é de destacar a forma como as suspensões lidam com os buracos no modo «normal». A direção assistida elétrica (EPS) também merece elogios pelo feedback que transmite a assistência correta.

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Carregamento de telemóvel por indução.

Tecnologia à prova de distrações

A 10ª geração do Honda Civic integra as mais recentes inovações em termos segurança ativa: reconhecimento de sinais de trânsito, sistema de travagem atenuante de colisões, cruise control adaptativo, sistema de assistência à manutenção na faixa de rodagem, entre muitos outros. Tudo sistemas que constam da lista de equipamento de série deste Honda Civic 1.5 i-VTEC TURBO CVT Prestige.

Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Prestige
Completo, porém algo confuso e difícil de operar.

Vale a pena referir ainda os faróis dianteiros LED (normalmente são opcionais) com máximos automáticos, limpa-vidros automáticos e sistema de alerta de esvaziamento de pneus (DWS). Em termos de equipamento de conforto e bem-estar, também não falta nada. Nomeadamente teto panorâmico, suspensões adaptativas, sensores de estacionamento com câmara traseira e sistema de informação e entretenimento HONDA Connect™. Este último, apesar de oferecer muita informação é difícil de operar.

Preço

unidade ensaiada

36.100

Versão base: €23.300

Classificação Euro NCAP: 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1498 cm3
    • Posição: Transversal Dianteira
    • Carregamento: Turbo+intercooler
    • Distribuição: i-VTEC
    • Potência: 182 cv às 5500 rpm
    • Binário: 240 Nm entre as 1700 e as 5000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa de variação continua (CVT)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4518 mm / 1799 mm / 1434 mm
    • Distância entre os eixos: 2697 mm
    • Bagageira: 420 litros
    • Jantes / Pneus: 17 polegadas
    • Peso: 1366 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,1 l/100 km
    • Emissões de CO2: 139 g/km
    • Vel. máxima: 200 km/h
    • Aceleração: 8,4 segundos
Avaliação
7 / 10
Por mérito do motor 1.0 i-VTEC, acho que este motor 1.5 i-VTEC só em casos muito concretos justificará o diferencial de preço — acho o mesmo da caixa CVT. Quanto às qualidades do interior, chassis e comportamento repetimos a boa avaliação que fizemos em momentos anteriores. A 10ª geração do Honda Civic está bem de saúde e recomenda-se.
  • Chassis/suspensões;
  • Disponibilidade do motor;
  • Espaço interior;
  • Equipamento;
  • Caixa CVT em condução empenhada;
  • Complexidade do sistema de infotainment;
  • Design controverso;
Sabes responder a esta?
O próximo Volkswagen Up! poderá recorrer a uma motorização:
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Volkswagen Up. Sucessor poderá dizer «adeus» aos motores de combustão

Mais artigos em Ensaio

Os mais vistos

Pub