Desde 23 940 euros

SEAT Arona. Perante novos e formidáveis rivais, ainda é uma proposta a considerar?

Num segmento em rápida renovação, o SEAT Arona, apesar de lançado há só três anos, arrisca-se a ser considerado prematuramente "velho". Será mesmo assim?

O SEAT Arona foi lançado em 2017, pelo que não o podemos chamar de “velho”. Mas o segmento dos SUV utilitários, ou B-SUV, é imperdoável; o ritmo de renovação tem sido bastante acelerado.

Em menos de um ano chegaram muitas e importantes novidades — uma mão cheia delas, de facto —, que faz com que 2017 pareça ter acontecido há uma eternidade. Terá o Arona perdido terreno para os seus novos e muito competentes rivais?

Nem por isso; é a simples e redutora conclusão após vários dias de convivência com o SEAT Arona 1.0 TSI 115 cv Xcellence com caixa manual. Este teste acabou por ser mais um reencontro. Já foram vários os Arona que conduzi, mas já passou cerca de um ano desde a última vez que estive aos comandos de um — e logo com o mais potente 1.5 TSI.

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SEAT Arona 1.0 TSI 115 cv Xcellence © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Pequeno por fora, grande por dentro

Não deixa de ser curioso em como os novos B-SUV que foram lançados conseguiram até acentuar algumas qualidades que já apreciava no mais pequeno membro da família SUV da SEAT que é também um dos mais pequenos modelos do segmento.

E é por ser um dos mais pequenos, por fora, que surpreende pela oferta de espaço, por dentro, equivalente à dos rivais, todos eles maiores em dimensão. Uma clara consequência do muito bom aproveitamento de espaço que a MQB A0 garante, a plataforma sobre a qual o Arona assenta e que também serve os muito espaçosos “primos” Volkswagen T-Cross e o recente Skoda Kamiq.

Bagageira
Os 400 l da bagageira mantém-se igualmente bastante competitivos. É aqui, no entanto, onde notamos a maior diferença para os mais recentes e maiores rivais, quase todos a oferecer mais do que 400 l. O piso da bagageira dá para colocar a duas alturas. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A rever é a falta de atenção dada aos passageiros da segunda fila. Mesmo sendo um Xcellence, versão topo de gama em paridade com a FR, os passageiros atrás não têm direito a saídas de ventilação (que existe na versão de entrada do “primo” Kamiq), nem a fichas USB, nem sequer a uma luz de leitura — sim, só há luz para condutor e passageiro à frente.

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Bem instalados

E à frente é o lugar certo para se estar, pois vou muito bem instalado. É fácil encontrar uma boa posição de condução no SEAT Arona — regulações do banco e volante são amplas —, e a visibilidade é, no geral, boa.

Banco do passageiro dianteiro
Talvez o único opcional verdadeiramente imprescindível. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A unidade em teste trazia vários opcionais e se tivesse que optar obrigatoriamente por um seria o Pacote Luxe, porque com ele ganhamos uns muito bons bancos. Não são só muito agradáveis ao toque — revestidos em grande parte por velour, que parece Alcantara —, como são bastante confortáveis ao mesmo tempo que nos seguram eficazmente.

Gostaria de ter palavras tão simpáticas para o volante, mas não. O aro do volante é demasiado fino e o material que o reveste, a imitar pele, não é de todo o mais agradável ao toque.

Volante Arona Xcellence
Bom aspeto, mas a pega e o tato deixam a desejar — o Arona será atualizado em breve. Que venha outro volante para o lugar deste. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Onde o interior do SEAT Arona não fica tão bem visto em relação a alguns rivais é nos materiais usados, por norma mais duros e não os mais agradáveis ao toque, apesar desta versão Xcellence estar em melhor nível do que outras versões do modelo catalão.

Por outro lado, contra-ataca com uma qualidade de montagem acima da média que se revela robusta, mesmo nos desafiantes paralelos da nossa capital.

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Agilidade para dar e vender

Altura de nos pormos a andar e — olá… — já quase não me recordava do quão alerta era a condução do Arona. Tudo por “culpa” do eixo dianteiro, de resposta super-acutilante ao mínimo aplicar de força sobre a direção.

Confrontem o pequeno SUV com um encadeado de curvas e acreditem, vai-vos entreter. O rolamento da carroçaria é mínimo e revela uma apetência pouco natural neste tipo de veículos para rápidas mudanças de direção. Intrigante é esta acutilância e agilidade ser-nos servida com um amortecimento que parece mais macio que um esperado seco — e este trazia as jantes maiores, de 18″, com os pneus de menor perfil.

É a direção, bastante leve e a oferecer pouca resistência inicial, que acaba por destoar. Em conjugação com o “eixo dianteiro mais rápido do oeste”, acabamos por ter de fazer pequenas correções sobre a direção ainda no ataque inicial à curva, pois acabamos por virar ou cedo demais ou um pouco demais.

SEAT Arona 1.0 TSI 115 cv Xcellence
Faróis Full LED são também opcionais. Revelaram-se competentes, assim como dão importante contributo para a estética do Arona. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A nova referência dinâmica do segmento, o Ford Puma, é mais consistente entre a ação dos comandos e a reação do chassis. O Arona não perde muito para o Puma, dinamicamente, e juntamente com o Hyundai Kauai, são as três melhores opções para quem procura uma experiência de condução mais apurada.

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Mais calmo em autoestrada?

A agilidade e acutilância demonstrada em estradas mais enroladas não desaparece nas vias rápidas ou autoestrada. Características que tornam o SEAT Arona algo “nervoso”, como se não conseguisse verdadeiramente “relaxar” sobre o asfalto.

As jantes de 18″, em combinação com os pneus de perfil mais baixo, podem ser em parte responsáveis por esse agitamento constante. Quase certo é serem as responsáveis pelo ruído de rolamento acrescido; longe de ser incomodativo, nota-se mais do que noutros Arona com mais “borracha” e menos jante.

Jantes de 18"
As jantes de 18″ são também um opcional. Ajudam bastante no capítulo visual, mas é o único benefício que trazem. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Por outro lado, os ruídos aerodinâmicos estão bem contidos, assim como o ruído do motor. Por falar no motor…

… o 1.0 TSI continua a ser um excelente parceiro

É um dos três cilindros mais refinados do segmento e um dos mais interessantes de usar. Responde bem em qualquer regime e possui uma muito boa progressividade, pouco ou nada se notando o turbo-lag. Os 115 cv e 200 Nm, associados ao peso contido do Arona — menos de 1200 kg — já permitem uma performance bastante razoável na teoria e até animada na prática.

O melhor de tudo? Os consumos mantém-se bastante contidos, equivalendo-se aos que consegui na versão de 95 cv que testei recentemente no Skoda Kamiq. Em autoestrada fica-se pelos 6,8 l/100 km, a ritmos mais moderados em EN, baixa para 4,6 l/100 km, e nas voltinhas do dia a dia, com mais condução em cidade, ficam acima dos sete, mas abaixo dos oito.

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É o carro certo para mim?

Com a acelerada renovação do segmento, a tentação é grande em ir atrás das mais recentes novidades. Verdade seja dita, dado o amadurecimento verificado nalgumas delas, dificilmente a escolha por uma será motivo de arrependimento. Mas não significa que o SEAT Arona deixe de ser uma proposta válida — bem pelo contrário.

A combinação de dimensões (mais) compactas com cotas ao nível da concorrência, assim como um motor que garante prestações de bom nível em simultâneo com consumos moderados; e ainda uma das experiências de condução mais acutilantes e cativantes do segmento, faz com que o SEAT Arona mereça, no mínimo, um test-drive.

SEAT Arona 1.0 TSI 115 cv Xcellence
O “X” no pilar C distingue o Xcellence dos outros Arona. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Para mais, mesmo com cerca de 4000 euros em opcionais, o nosso SEAT Arona Xcellence acaba por ser mais acessível que grande parte da concorrência.

Preço

unidade ensaiada

27.900

Versão base: €23.940

IUC: €103

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 3 cilindros em linha
    • Capacidade: 999 cm3
    • Posição: Dianteira Trasnversal
    • Carregamento: Injeção Direta, Turbo, Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c./ 4 válv. por cilindro
    • Potência: 115 cv entre as 5000-5500 rpm
    • Binário: 200 Nm entre 2000-3500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4138 mm / 1780 mm / 1552 mm
    • Distância entre os eixos: 2566 mm
    • Bagageira: 400-1280 l
    • Jantes / Pneus: 215/45 R18
    • Peso: 1189 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,8 l/100 km
    • Emissões de CO2: 131 g/km
    • Vel. máxima: 182 km/h
    • Aceleração: 9,8s
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: Pintura — 3 anos; Anti-corrosão — 12 anos
    • Mecânica: 2+2 anos ou 80 000 Km
    • Reviews Interval: 30 000 km ou 2 anos
Extras
Vidros Traseiros Escurecidos — 150 €; Faróis SEAT Full LED (Farolins traseiros com LEDs + Regulação automática e dinâmica do alcance dos faróis dianteiros + iluminação na zona dos pés na parte dianteira & Consola central LED + Faróis dianteiros LED + iluminação interior ambiente) — 600 €; Pacote Luxe (Bancos dianteiros Comfort + Bolsa no encosto dos bancos dianteiros + Bancos DINAMICA em velour (tipo alcantara) + Bancos dianteiros com regulação em altura + Inclui nas versões XCellence e FR aplicação semi-pele no tablier e painéis das portas) — 450 €; Pacote inverno (Espelhos retrovisores elétricos e aquecidos + Bancos dianteiros aquecidos + Bancos dianteiros com regulação em altura + Jato de água do limpa para-brisas aquecido) — 350 €; Alarme Volumétrico (Inclui buzina de apoio e sistema SAFE) — 251 €; Sistema de Som BEATS AUDIO (Bagageira com compartimento revestido + Amplificador 300 W + 6 Altifalantes premium + 1 Subwoofer + Inclui Roda suplente reduzida de 18'') — 500 €; DAB (Digital Audio Broadcasting) — 200 €; Quadro de Instrumentos Digital SEAT — 309 €; Pacote Street Xcellence (Jantes de Liga Leve 18" PERFORMANCE 26/1 Maquinadas + Perfil de Condução SEAT) — 650 €; Azul Mistery + Teto Preto — 500 €.
Avaliação
7 / 10
NOTA: 7,5. Mesmo face aos seus mais recentes e muito capazes rivais, o SEAT Arona mantém-se competitivo. Apresenta um preço (um pouco) mais acessível do que a maioria deles e, apesar de mais pequeno, as cotas internas são "ela por ela". O que fica a faltar são algumas soluções de versatilidade/flexibilidade para ficar melhor alinhado com os principais rivais. Onde o Arona não tem (quase) nada a temer da nova leva de B-SUV é no capítulo mecânico e dinâmico. O 1.0 TSI continua a dar cartas, apresentando um refinamento e também "nervosismo" acima da média, conjugando-o com consumos baixos. E dinamicamente, está entre os melhores, ainda que a nova referência Puma seja ainda mais capaz.
  • Comportamento ágil
  • Motor
  • Binómio performance-consumos
  • Espaço a bordo
  • Habitabilidade
  • Ruído de rolamento (jantes de 18")
  • Volante demasiado fino e não muito agradável ao toque
  • Passageiros traseiros algo "esquecidos"
  • Flexibilidade/Versatilidade interior
  • Materiais, no geral, duros e pouco agradáveis ao toque

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