Dakar

12 carros que ninguém esperava ver no Rali Dakar

A história do Dakar está repleta de carros icónicos, peculiares e surpreendentes. Reunimos 12 carros que ninguém esperava ver no Rali Dakar.

Falar no Rali Dakar é falar de modelos como o Mitsubishi Pajero, o Range Rover, o Citroën ZX Rallye Raid ou até no Mercedes-Benz Classe G. No entanto, nem só de modelos nascidos para andar fora de estrada e protótipos é feita a história de uma das provas de todo-o-terreno mais duras do mundo, e esta lista de 12 carros é a prova disso.

Desde pequenos utilitários a autênticos “monstros Frankenstein”, que dos modelos originais só mantinham o nome, há de tudo um pouco na longa e rica história do Rali Dakar.

O que te propomos é que te juntes a nós e fiques a conhecer 12 carros que ninguém esperava ver no Rali Dakar. Carros que à partida não nasceram para enfrentar os trilhos africanos, acabaram por participar na prova rainha do todo-o terreno, por vezes até alcançando a vitória absoluta.

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Renault 4L Sinpar

Quem diria que uma pequena Renault 4L seria capaz de competir no Dakar? A verdade é que não só conseguiu como andou perto da vitória.

Que a Renault 4L é um modelo versátil já todos nós sabíamos. Mas escolhê-la para participar no Rali Dakar? Quanto a isso já temos algumas dúvidas. No entanto, quem não teve dúvidas acerca da capacidade do pequeno modelo da Renault para enfrentar o Dakar foram os irmão Claude e Bernard Marreau.

Assim, pegaram numa Renault 4L Sinpar (com tração integral), instalaram-lhe um depósito extra de combustível, amortecedores específicos e componentes do Renault 5 Alpine (entre os quais o motor que debitava 140 cv) e lançaram-se à aventura.

Na primeira tentativa, logo na primeira edição da prova, em 1979, os irmãos alcançaram… um quinto lugar à geral (quando dizemos geral é mesmo geral, pois naquela altura a classificação misturava camiões, motas e carros), ficando apenas atrás de um Range Rover entre os automóveis (os três primeiros lugares foram conquistados por motas).

Não contentes, voltaram em 1980 e, num Rali Dakar que já dividia a classificação por categorias, os irmãos franceses levaram a resistente Renault 4L a um brilhante 3º lugar, ficando apenas atrás de dois Volkswagen Iltis inscritos oficialmente pela marca alemã.

Esta foi a última vez que a dupla de irmãos inscreveu uma Renault 4L no rali, mas não havia de ser a última vez que se iria ouvir falar deles num dos mais difíceis ralis do mundo.

Rolls-Royce Corniche “Jules”

Rolls-Royce Corniche "Jules"
Partindo de um chassis tubular e recorrendo a uma carroçaria que pesava apenas 80 kg e a um motor V8 da Chevrolet o modelo com que Thierry De Montcorgé participou no Dakar de 1981 pouco tinha de Rolls-Royce para além do desenho e do nome.

Se a presença de uma Renault 4L no Rali Dakar já pode ser considerada surpreendente, que dizer de alguém que decidiu inscrever um Rolls-Royce, conhecido como um dos carros mais luxuosos do mundo, na prova de todo-o-terreno?

A verdade é que em 1981, um francês chamado Thierry de Montcorgé decidiu que o carro ideal para enfrentar o deserto africano era um Rolls-Royce Corniche. Este ficaria conhecido como “Jules”, numa referência à linha de perfumes que o estilista Christian Dior (o principal patrocinador do projeto) estava a lançar naquela época.

O carro assentava sobre um chassis tubular e do Rolls-Royce mantinha o visual e pouco mais.

O motor original foi trocado por um Chevy Small Block V8 com 5.7 l e 335 cv e a caixa de quatro velocidades e sistema de tração às quatro rodas veio de um Toyota Land Cruiser. O carro contava ainda com uma suspensão mais alta e pneus de todo-o-terreno.

O resultado? O Rolls-Royce “Jules” chegou a Dakar mas seria desclassificado por ter feito uma reparação “ilegal” enquanto lutava pelo 13ª lugar.

Jules II Proto

Jules II Proto

Não seria a última vez que Thierry de Montcorgé enfrentaria o deserto africano. Em 1984 juntou-se novamente à Christian Dior e criou o Jules II Proto, um “monstro” de seis rodas com quatro delas motrizes, herdando o V8 da Chevrolet do primeiro Jules e a transmissão do Porsche 935.

Parecendo ter nascido no universo “Mad Max”, destaca-se dos restantes nesta lista por não derivar ou parecer-se com qualquer outro carro de produção. Esta máquina foi concebida apenas e só com um objetivo: participar no duro Rali Paris-Pequim, três vezes mais longo que o Dakar.

Quis o destino que acabasse por participar no Dakar, pois o Paris-Pequim acabaria por não realizar-se. Projetado para prescindir de veículos de suporte, e para ultrapassar qualquer obstáculo a alta velocidade, apesar de um começo promissor, o Jules II Proto não passaria da terceira etapa, quando viu o seu chassis tubular partir-se entre os dois eixos traseiros, onde se encontrava o motor.

Renault 20 Turbo

Renault 20 Turbo Dakar
Depois de terem desistido em 1981, os irmãos Marreau conseguiram impor o Renault 20 Turbo à concorrência em 1982, conquistando uma vitória que perseguiam desde 1979.

Lembras-te dos irmãos Marreau e da sua Renault 4L? Pois bem, depois de terem deixado de competir com o pequeno modelo da marca francesa, a dupla lançou-se à aventura aos comandos de um bem maior (mas também mais desconhecido) Renault 20 Turbo.

Na primeira tentativa, em 1981, os irmãos tiveram de desistir, uma vez que a mecânica do seu Renault, equipado com motor turbo e tração integral, não resistiu. No entanto, em 1982 voltaram a inscrever o modelo francês e, para espanto de muitos, obtiveram a sua primeira (e única) vitória no Rali Dakar, impondo o Renault 20 Turbo a modelos como os Mercedes-Benz oficiais de Jacky Ickx e Jaussaud ou aos Lada Niva de Briavoine e Deliaire.

A ligação entre a Renault e os irmãos Marreau manter-se-ia entre 1983 e 1985, com a escolha a recair sobre o Renault 18 Break 4×4. No entanto nessas três edições os resultados ficaram-se por um 9º lugar em 1983 e um 5º lugar em 1984 e 1985.

Renault KZ

As primeira edições do Rali Dakar estão recheadas de modelos que pertencem a todo o lado menos aos desertos africanos. Um desses modelos é o Renault KZ que participou na prova de todo-o-terreno em 1979 e 1980 numa altura em que o seu lugar seria já num museu.

E porquê que dizemos isto? Simples, é que este Renault, do qual provavelmente nunca tinhas ouvido falar, saiu do stand em 1927! Equipado com um motor de quatro cilindros em linha com apenas 35 cv e uma caixa manual de três velocidades, esta autêntica relíquia não só participou na primeira edição do Dakar como a conseguiu terminar, alcançando um 71º lugar.

Já no seu regresso a África na edição de 1980, o Renault KZ apelidado “Gazelle” conseguiu chegar às margens do Lago Rosa em Dakar, mas já não integrou a classificação, tendo abandonado o rali.

Citroën Visa

Citroën Visa Dakar
Um Citroën Visa de tração dianteira a enfrentar o deserto africano? Nos anos 80 tudo era possível.

Muito provavelmente se te falarmos em Citroën e Dakar o modelo que te vem à cabeça é o Citroën ZX Rallye Raid. No entanto, este não foi o único modelo da marca do double-chevron a participar na exigente prova.

Uns bons anos antes da chegada do ZX Rallye Raid e entre participações de modelos como o CX, o DS ou até o Traction Avant, também o Visa tentou a sua sorte na prova. Apesar de já ter havido a inscrição de um Citroën Visa em 1982, foi preciso esperar até 1984 para ver o pequeno utilitário francês chegar ao fim da prova.

Nessa edição, uma equipa semi-oficial da Citroën inscreveu três Visa preparados para ralis e com duas rodas motrizes. O resultado? Um deles terminou em 8º lugar, outro em 24º e o terceiro desistiu.

Em 1985 foram inscritos dez Citroën Visa no Dakar (tanto versões de duas e quatro rodas motrizes), mas nenhum deles conseguiu terminar a prova.

Porsche 953 e Porsche 959

Porsche Dakar
Tanto o Porsche 953 como o 959 conseguiram conquistar (contra todas as expectativas) o Dakar.

Falar acerca da Porsche e do desporto automóvel é falar de vitórias. Essas vitórias estão, por norma, associadas ao asfalto ou, quanto muito, aos troços de rali. No entanto, houve uma altura em que a Porsche também correu no Dakar e quando o fez… venceu.

A primeira vitória da Porsche no Rali Dakar foi em 1984, quando um Porsche 953 — um 911 SC adaptado e equipado com tração integral — com René Metge aos comandos se superiorizou a toda a concorrência.

Este resultado motivou a marca a inscrever o Porsche 959 para a edição de 1985, apesar de não estarem equipados com o motor turbo. No entanto, os três carros inscritos acabaram por desistir devido a falhas mecânicas.

Para a edição de 1986 a Porsche “dobrou” a aposta, e fez regressar os 959, desta vez com o motor turbo que deveriam ter originalmente, conquistando o primeiro e segundo lugar na prova, vingando as desistências do ano anterior.

Opel Manta 400

A edição de 1984 do Dakar foi pródiga em surpresas. Para além da vitória inesperada da Porsche, e do oitavo lugar alcançado por um Citroën Visa, houve ainda espaço para uma dupla de pilotos belgas aos comandos de um… Opel Manta 400 ficar em quarto lugar.

Chegar ao fim do Dakar com um coupé de tração traseira é, por si só, um feito, mas fazê-lo um lugar abaixo do pódio é realmente marcante. É que apesar do Manta poder estar mais adaptado aos troços de rali do que ao Dakar, o coupé alemão foi capaz de surpreender tudo e todos e classificar-se à frente de modelos como o Range Rover V8 ou o Mitsubishi Pajero.

O sucesso levou a Opel a participar no Rali Dakar de 1986 com dois Opel Kadett de tração integral preparados para o Grupo B. Apesar de a dupla de carros ter sofrido várias falhas mecânicas e de não ter ido além do 37º e 40º lugar, o Kadett chegou a conquistar as duas últimas etapas dessa edição da prova, com o piloto Guy Colsoul ao volante.

Citroën 2CV

Citroën 2CV Dakar
Com dois motores e tração integral, este Citroën 2CV partiu de Lisboa em direção a Dakar em 2007. Infelizmente nunca lá chegou.

Para além do Renault 4L, também o Citroën 2CV participou no Rali Dakar. Se bem te lembras, já te falámos deste 2CV, chamado “Bi-Bip 2 Dakar” que foi inscrito na edição de 2007 da prova rainha do todo-o-terreno.

Equipado com dois motores do Citroën Visa, este 2CV contava com… 90 cv e tração integral. Infelizmente a aventura terminou na quarta etapa devido a uma falha na suspensão traseira.

Mitsubishi PX33

Mitsubishi PX33
Usava a base do Mitsubishi Pajero, mas a verdade é que por fora ninguém conseguia adivinhar.

Por norma falar em Mitsubishi e em Dakar é falar no Pajero. No entanto, em 1989 o importador francês da marca nipónica, a Sonauto, decidiu usar a base do Pajero para criar uma réplica do bem menos conhecido PX33.

O Mitsubishi PX33 original era um protótipo de um modelo de quatro rodas motrizes criado para o exército japonês em 1935. Apesar de terem sido construídos quatro exemplares o carro nunca chegou a ser produzido em massa. A partir daí só seria visto novamente na edição de 1989 do Dakar, sob a forma de uma réplica tendo até terminado a prova.

VÊ TAMBÉM: A Mitsubishi está de regresso ao Dakar com o Eclipse Cross… mais ou menos

Mercedes-Benz 500 SLC

Mercedes-Benz 500 SLC

À primeira vista tudo no Mercedes-Benz 500 SLC parece dizer “feito para andar apenas em asfalto”. No entanto, isso não dissuadiu o antigo piloto de Fórmula 1, Jochen Mass, de alinhar na edição de 1984 do Dakar aos comandos de um Mercedes-Benz 500 SLC cuja principal alteração eram uns enormes pneus de todo-o-terreno instalados nas rodas traseiras.

VÊ TAMBÉM: Mercedes-Benz W125. Um recordista de velocidade a 432,7 km/h em 1938

Para além de Jochen Mass, também o piloto Albert Pfuhl decidiu enfrentar o deserto africano aos comandos do coupé da Mercedes-Benz. No final, os dois Mercedes-Benz conseguiram chegar ao fim da prova, com Albert Pfuhl a alcançar um 44º lugar e Jochen Mass a terminar a prova em 62º lugar.

Sabes responder a esta?
Quanto tempo levava o DAF 95 Turbo Twin X1 a cumprir os 0 aos 100 km/h?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

DAF Turbo Twin: o «supercamião» que queria vencer o Dakar à geral

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