Rolls-Royce Jules: aposta levou-o a cruzar a meta do Dakar

O piloto Thierry de Montcorgé, após um jantar bem bebido entre amigos, apostou que conseguia cruzar a meta do Paris-Dakar ao volante de um Rolls-Royce. Será que ganhou a aposta?

Rolls-Royce Corniche, um automóvel luxuoso, inglês, com um motor V8 de 6.75 litros, tração traseira e caixa automática de três velocidades. A configuração ideal para o Paris-Dakar, não é? Nem por sombras… Segundo «reza a lenda», este Rolls-Royce nasceu de uma aposta entre amigos, feita numa daquelas noites que toda a gente sabe como começa mas ninguém sabe como é que acaba…

Nesse jantar, Jean-François Pelletier, dono do Rolls-Royce Corniche, queixava-se a Thierry de Montcorgé, seu amigo e piloto amador, que o carro estava sempre avariado. Perante esta constatação, Montorgé propôs o impensável: “vamos participar no Dakar com o teu Rolls-Royce Corniche!”. A ideia foi discutida durante toda a noite, mas todos pensaram que a ideia cairia no esquecimento no dia seguinte. Não caiu…

No dia seguinte Thierry de Montcorgé meditou melhor sobre o assunto e achou a ideia até era exequível. Os amigos voltaram a encontrar-se e dois dias depois Montcorgé tinha na sua posse um cheque com 50% do valor para avançar com o projeto.

O “coração” do modelo inglês foi substituído um motor Chevy Small Block V8 de 5.7 litros com uns respeitáveis 335cv. A caixa de velocidades também foi alterada, competindo com uma caixa manual de quatro velocidades cedida por um Toyota Land Cruiser. Suspensões mais altas, chassi tubular e pneus off road completavam o kit que Thierry de Montcorgé precisava para ter uma boa prestação no Dakar. Foi adicionado um monstruoso depósito de combustível com a capacidade de nada mais, nada menos, que 330 litros.

A escolha do nome do modelo foi simples: o principal patrocinador deste projeto era o estilista Christian Dior que, por sinal, tinha acabado de lançar uma linha de perfumes apelidada de “Jules” e foi esse o nome que acabou por batizar o Rolls-Royce.

Rolls-Royce Jules

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O percurso correu surpreendente bem. Até metade da prova, o Jules assegurou a 13ª posição na classificação geral. Tudo estava bem encaminhado não fosse um problema na direção ter atrasado o piloto francês, que acabou por ser desclassificado da competição por ter chegado 20 minutos atrasado ao parque fechado. Dos 170 carros inscritos no Paris-Dakar de 1981, apenas 40 cruzaram a meta e o Rolls-Royce Jules nas mãos de Thierry de Montcorgé foi um deles.

O Rolls-Royce Jules não voltou a competir, mas era frequentemente requisitado para estar presente em festivais automóveis e exposições. Após ter sido restaurado, este “vencedor” inglês com uma história bem caricata foi posto à venda por 200.000€. História não lhe falta.

Moral da história: tem cuidado com as apostas que fazes nos jantares de amigos.

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