Indústria

O Grupo Volkswagen tem um novo CEO. E agora, Herbert?

Herbert Diess assumiu a liderança do Grupo Volkswagen o mês passado. Ficamos agora a conhecer melhor quais os seus planos futuros para o gigante alemão.

Herbert Diess, o novo diretor executivo do Grupo Volkswagen, em entrevista recente à Autocar, trouxe alguma clareza sobre o futuro próximo do gigante alemão. Não só revelou os principais traços da sua estratégia, como referiu-se à necessária mudança na cultura corporativa, sobretudo quando se refere à tomada de decisões, onde este comparou o grupo a um superpetroleiro.

(O Grupo tem de mudar) de um lento e pesado superpetroleiro para um grupo de poderosas lanchas rápidas.

Herbert Diess, CEO Grupo Volkswagen

Ainda o Diesel

Mas antes de discutir o futuro, é impossível não referir o passado recente, marcado pelo Dieselgate. “Devemos e faremos tudo o que pudermos para garantir que nada como isso aconteça novamente nesta empresa”, afirmou Diess, justificando as mudanças culturais corporativas em curso, na procura de uma empresa mais saudável, honesta e verdadeira.

Herbert Diess

De acordo com o novo homem-forte, as chamadas para reparação dos veículos afetados deverão estar concluídas este ano — até agora já foram concluídas 69% das reparações previstas a nível global e 76% na Europa.

As alterações efetuadas nos veículos afetados permitem reduzir as emissões NOx em 30%, de acordo com Diess. Com este a referir igualmente que, na Alemanha, 200 mil veículos foram já trocados ao abrigo de programas de troca de veículos.

Diess reconheceu o papel da Volkswagen no declínio comercial dos Diesel: “é em parte devido a nós que o Diesel erradamente caiu em descrédito”. Relativamente aos anúncios efetuados pela Alemanha, Reino Unido e Noruega, quanto à proibição de circulação ou até venda de carros Diesel, o gestor considera-a “a pior solução possível”.

Logotipo 2.0 TDI Bluemotion 2018

E apesar da forte aposta na eletrificação, o motor de combustão não ficou esquecido: “ainda estamos a investir em gasolina, Diesel e CNG. Os futuros motores emitirão menos 6% de CO2 e até 70% menos poluentes (incluíndo NOx), comparado com os de hoje”.

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Grupo com nova estrutura

Mas aparte das repercussões do Dieselgate, interessa agora olhar para a frente. Sendo que uma das primeiras medidas de Herbert Diess foi reorganizar o grupo em sete unidades, para garantir uma tomada de decisões mais rápida e eficiente.

Estas passam a ser:

Desafios

Uma reorganização necessária para enfrentar um contexto com mudanças aceleradas: desde o surgimento de novos rivais nos mercados, onde o grupo já se encontra bem estabelecido, às questões geopolíticas que tendem para o protecionismo — uma alusão ao Brexit e o presidente americano Donald Trump —, até questões de índole técnica.

Uma referência clara aos novos testes WLTP que entrarão em vigor a 1 de setembro. Diess refere que se têm preparado atempadamente para os novos testes, mas, mesmo assim, considerando o vasto número de modelos e variantes que necessitam de intervenções técnicas e testes consequentes, este alerta que pode levar a “engarrafamentos” temporários — já reportámos anteriormente a suspensão temporária da produção de alguns modelos como o Audi SQ5.

Futuro elétrico

Olhando mais para a frente, Herbert Diess não tem dúvidas: o elétrico é “o motor do futuro”. De acordo com o alemão, a estratégia do Grupo Volkswagen é a “mais ampla iniciativa de eletrificação na indústria”.

Audi e-tron

Prometida está a venda de três milhões de automóveis elétricos por ano, em 2025, altura em que estarão disponíveis 18 modelos 100% elétricos no portfólio da marca. O primeiro a chegar será o Audi e-tron, cuja produção iniciar-se-á em agosto deste ano. O Porsche Mission E e o Volkswagen I.D. serão conhecidos em 2019.

Eu espero que 2018 seja outro bom ano para o Grupo Volkswagen. Faremos progressos no sentido de ser uma melhor empresa em todos os aspetos. O meu objetivo é transformar a empresa.

Herbert Diess, CEO Grupo Volkswagen

Diess espera ainda um moderado aumento nas vendas — o grupo vendeu 10,7 milhões de carros em 2017 — e na faturação do grupo, assim com uma margem de lucro entre os 6,5 e os 7,5%. Esta será potenciada pela chegada de modelos para segmentos superiores e SUV, como o Audi Q8, o Volkswagen Touareg e o Audi A6.

 

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