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Testámos a Renault Kangoo. Novamente a caminho do topo?

Uma das «eternas» referências do seu segmento, a Renault Kangoo ganha uma nova geração para manter o estatuto. Foi bem sucedida?

Desde o seu lançamento em 1997 e após duas gerações que a Renault Kangoo tem sido uma das referências entre as pequenas carrinhas comerciais, mas, claro, não é imune ao passar dos anos.

Foi assim, com especial e pessoal expectativa, que parti para este teste à terceira geração da Kangoo. Afinal de contas, as minhas primeiras «aventuras automobilísticas» foram ao volante de um exemplar da primeira geração e por isso estava curioso para ver como evoluiu a carrinha que, sistematicamente, tem sido das mais vendidas do segmento.

Ao mesmo tempo, este teste à Kangoo surgiu pouco tempo depois de ter tido oportunidade de pôr à prova uma das suas principais concorrentes, a Volkswagen Caddy, logo foi-me possível averiguar até que ponto a proposta gaulesa tem «estofo» para se estabelecer como referência do segmento.

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Renault Kangoo © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Cada vez mais «civilizada»

Longe vão os tempos em que os veículos comerciais eram pouco mais do que «caixas com quatro rodas» e a nova Renault Kangoo é um bom exemplo disso. Apesar de ainda manter uma aparência mais utilitária (sobretudo nesta versão de carga), o seu estilo segue em linha com o da restante gama Renault.

Ainda assim, é no interior que a aproximação ao mundo dos veículos de passageiros fica mais evidente. Desde a qualidade dos materiais até à oferta de equipamento, tudo na Kangoo nos transporta para esse universo.

Aliás, não fosse o facto de atrás dos bancos dianteiros estar a caixa de carga, facilmente poderíamos estar a bordo de algo como um Clio.

Mas há mais boas notícias. Apesar do estilo mais moderno, a Renault Kangoo não abdicou das soluções especialmente pensadas para quem vai fazer dela um «escritório itinerante» e neste campo a experiência da Renault no segmento fica bem evidente.

Temos inúmeros compartimentos fechados onde guardar objetos, várias tomadas USB, o muito prático suporte para smartphone estreado pelo Dacia Sandero e até a posição sobrelevada do comando da caixa de velocidades é uma mais valia para quem vai passar largas horas ao volante da Kangoo.

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Neste campo, verdade seja dita, a Kangoo estabelece-se como uma das referências do segmento, deixando para trás propostas como a Caddy que, apesar do habitáculo moderno e bem construído, oferece menos soluções de arrumação e modularidade.

Espaço para «dar e vender»

Cada vez maiores, as carrinhas equivalentes ao segmento B (poderemos chamar-lhes B-Vans?) oferecem atualmente a capacidade de carga que há uns anos só encontrávamos em propostas de maiores dimensões.

No caso da Kangoo que testei estamos a falar de um compartimento de carga com 3,3 m3 de volumetria (3,9 m3 com o banco dianteiro rebatido), cujo comprimento é de 1706 mm e a largura de 1517 mm (1247 mm entre as cavas das rodas). Se estes valores são já muito interessantes, graças às soluções de arrumação propostas pela Renault, estes podem ser ainda melhores.

Para começar, o sistema “Open Sesame by Renault” abdica do pilar B (o central), e oferece o acesso lateral direito mais largo do segmento com 1446 mm.

Além disso, atrás do banco do passageiro surge uma antepara em rede que, tal como o banco, pode ser rebatida, permitindo transportar objetos com um comprimento total de 3053 mm — há carros mais curtos!

Ainda a pensar nos «trabalhos duros», a Kangoo conta com uma capacidade de carga de até 644 kg e seis ganchos de fixação no piso da caixa de carga. Na prática, e como pude comprovar quando a conduzi, tudo isto transforma a nova Renault Kangoo numa das propostas mais versáteis do segmento, facilitando, e muito, a vida de quem a terá como parceira profissional.

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Ao volante da Kangoo

Além do espaço ou capacidade de carga, tão ou mais importante num carro de trabalho é o seu desempenho. Neste campo deixem-me começar por elogiar a posição de condução da Kangoo, que está, tal como toda ela, muito próxima à de um ligeiro de passageiros.

Além disso, a condução da Kangoo é facilitada pelo facto desta contar, opcionalmente, com um retrovisor interior digital (que mostra a imagem da câmara traseira), eliminado assim um dos principais problemas destas versões de carga: a ausência de visibilidade traseira.

O comportamento na estrada revelou-se, acima de tudo, neutro, ou não fosse esta a mesma plataforma usada pelos Clio e Captur. A direção é precisa e tem um bom peso e mesmo sem transportar carga, a Kangoo mantém-se «sempre na ordem», permitindo circular consideravelmente depressa sem quaisquer percalços.

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Já o motor Diesel, o ubíquo 1.5 dCi, revelou-se, acima de tudo, frugal, uma mais valia crucial neste tipo de veículos. Ao longo do teste, e mesmo com a Kangoo carregada, as médias andaram pelos 5,5 l/100 km, sendo que, com alguma calma e com a caixa de carga vazia consegui inclusive médias de 4,6 l/100 km.

Renault Kangoo
O 1.5 dCi apresenta-se com 95 cv que dão bem «conta do recado». © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Por fim, as prestações evidenciam a «dupla personalidade» deste motor. A baixas rotações é «quase inexistente», dependendo bastante da entrada em ação do turbo para acordar. A partir desse ponto revela-se bem mais interessante, permitindo-nos efetuar ultrapassagens com toda a segurança.

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Esta sua característica mais «preguiçosa» a baixas rotações e «atlética» a médios e altos regimes do 1.5 dCi, obriga a recorrer amiúde à caixa manual de seis relações. Agradável e precisa q.b., ela é também parcialmente responsável pelos bons consumos uma vez que apresenta um escalonamento algo longo.

É o carro certo para si?

Presente no mercado há mais de 20 anos, a Renault Kangoo representa o pináculo de largas décadas de experiência acumulada da Renault neste segmento (experiência essa que começou com a saudosa Renault 4F) e isso sente-se quando a conduzimos.

Desde as soluções de arrumação até ao desempenho do motor, passando pelos baixos consumos e pelo conforto de rolamento, tudo isto faz da Kangoo, novamente, uma das principais propostas a ter em conta entre os pequenos veículos comerciais.

Além disto, os intervalos de manutenção relativamente longos do motor (30 mil quilómetros ou dois anos) também vêm ajudar a proposta gaulesa a estabelecer-se como uma «boa amiga» dos trabalhadores. Por fim, o preço elevado reflete a evolução dos veículos comerciais e a sua aproximação aos ligeiros de passageiros.

Preço

unidade ensaiada

33.192

Versão base: €27.953

IUC: €182

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1461 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta common-rail + turbo + intercooler
    • Distribuição: 1 a.c.c., 2 válv. por cil. (8 válv.)
    • Potência: 95 cv às 3000 rpm
    • Binário: 260 Nm às 1750 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4486 mm / 1919 mm / 1838 mm
    • Distância entre os eixos: 2716 mm
    • Jantes / Pneus: 205/60 R16
    • Peso: 1610 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,5 l/100 km
    • Emissões de CO2: 145 g/km
    • Vel. máxima: 164 km/h
    • Aceleração: 15,1s
  • Equipamento
    • Para-choques, retrovisores e puxadores das portas em tons de preto
    • Punho da caixa de velocidades cromado
    • Volanto em couro sintético regulável em altura c/comandos
    • Computador de bordo com ecrã TFT a cores de 4,2"
    • Controlo de estabilidade (ESP) + Sistema de ajuda ao arranque em subida (HSA)
    • Regulador de velocidade (com travagem em descida)
    • Alerta de esquecimento dos cintos de segurança
    • Banco do condutor regulável em altura
    • Banco passageiro rebatível e escamoteável
    • Fecho central de portas com comando à distância
    • Elevadores elétricos dos vidros dianteiros com função de impulso no lado do condutor
    • Palas para-sol com espelho de cortesia
    • Porta lateral direita deslizante
    • Antepara em rede giratória com o banco do passageiro rebatível
    • Sem pilar B lado direito (entre porta passageiro e porta lateral)
    • Ar condicionado manual
    • Suporte para Smartphone
    • Farois full LED Pure Vision
    • Farois de nevoeiro com função iluminação em curva
    • Luzes diurnas em LED
    • Vidros escurecidos (20% de opacidade)
    • Sensores de chuva e luminosidade
    • Gaveta Easy life
    • Prateleira porta objetos e arrumação superior
Extras
Pack Revestimentos (inclui: Estrado em madeira com antiderrapante; Revestimento lateral em madeira) — 799,50 €; Pack Easy Link 8" Navegação + Câmara de marcha atrás — 1365,30 €; Carregador de indução + consola central com apoio de braço — 233,70 €; Pack Airbags (inclui: Airbag do passageiro; Airbags laterais dianteiros tipo "cortina"; Desconexão do Airbag passageiro) — 725,70 €; Jantes em aço de 16" + embelezador Flex wheel LIMAN — 246 €; Easy park assist — 553,50 €; Alerta de ângulo morto — 282,90 €; Espelho retrovisor interior "wide view" na pala do passageiro — 61,50 €; Retrovisores eletricos rebatives com sonda de temperatura e desembaciador — 110,70 €; Sistema de assistência à visão traseira permanente — 861 €.
Avaliação
8 / 10
Os dias que passei a testar a nova Renault Kangoo permitiram-me apreciar o quanto a indústria automóvel evoluiu nos últimos 20 anos, mesmo no campo dos veículos comerciais. As qualidades intrínsecas à Kangoo desde a primeira geração estão lá todas (conforto, economia, versatilidade), mas agora surgem numa «embalagem» cada vez mais refinada. O único problema é que tudo isso tem um preço, e a Kangoo não é particularmente acessível. A Renault, no entanto, tem uma proposta mais em conta, a renascida Express.
  • Conforto
  • Consumos
  • Soluções de arrumação
  • Facilidade de condução
  • Caixa de velocidades longa prejudica as recuperações
  • Preço

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