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Mokka-e. Testámos o elétrico que abre uma nova era na Opel

O Opel Mokka-e tem um design arrojado e uma dinâmica bem mais envolvente que muitos dos seus rivais. Mas justifica o preço?

Apresentado há cerca de um ano, o Opel Mokka estreou muitos argumentos, nomeadamente ao nível do nome — perdeu o “X” — e, sobretudo, ao nível do design, dando início a uma nova era na marca de Rüsselsheim.

Com uma nova silhueta e ligeiramente mais compacto, estreou a nova linguagem de estilo da Opel, que aponta ao futuro de todos os modelos da marca. A outra grande novidade da gama foi mesmo a versão 100% elétrica, denominada Mokka-e.

Baseado na plataforma CMP do grupo PSA (agora inserido na Stellantis), o Mokka-e adota a mesma base dos «primos» Peugeot e-2008 e Citroën ë-C4, com o mesmo motor elétrico de 100 kW (136 cv) e com o mesmo pack de baterias de 50 kWh.

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Opel Mokka-e Ultimate © Fernando Gomes; Editado por Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Mas tendo em conta as responsabilidades do Mokka como o primeiro capítulo de uma nova era na Opel, será que se distingue o suficiente dos seus «primos» para lá do seu aspeto? A resposta está nas linhas abaixo.

Imagem aponta o futuro

A revolução visual que o Mokka trouxe ganha uma importância capital, já que aponta, como disse, o caminho para os próximos modelos da marca germânica.

A dianteira com a assinatura visual “Vizor” é o principal elemento da nova identidade, inspirando-se no lendário Opel Manta, ainda que reinterpretada de forma futurista, quase que nos deixando antecipar que será à prova do tempo.

A altura ao solo aumentada, o perfil inspirado nos coupé, linha de tejadilho baixa e as rodas puxadas para perto das extremidades da carroçaria garantem uma aparência dinâmica e simultaneamente robusta, que, do meu ponto de vista resulta particularmente bem, ainda que possa não ser do agrado de todos.

Opel Mokka-e Ultimate
Neste “Verde Matcha” opcional da unidade que testámos, ninguém deixa de virar a cabeça quando este Mokka-e passa na estrada. © Fernando Gomes; Editado por Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Interior de assinatura própria

Apesar de partilhar os «ingredientes» com outros modelos do grupo, a Opel soube criar um «menu» totalmente distinto para o interior do seu Mokka.

A posição de condução é mais baixa do que no Peugeot e-2008 e permite-nos ficar bem enquadrados com o volante e encaixar muito bem nos bancos. À nossa frente, dois ecrãs (painel de instrumentos digital e ecrã tátil multimédia) que surgem unidos por uma superfície curva em vidro que os ajuda a melhor integrar no todo.

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Os materiais deixam algo a desejar, uma vez que são quase na sua maioria bastante rígidos e algo ásperos. Materiais mais suaves só mesmo no topo do tabliê. Mas o desenho é muito satisfatório, tal como a qualidade de montagem.

Opel Mokka-e Ultimate
Bancos dianteiro estão muito baixos e permitem uma posição de condução muito interessante. © Fernando Gomes; Editado por Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Podia ter mais espaço

A forma exterior resulta bem do ponto de vista estético, mas vem com um «preço»: entrar nos bancos traseiros obriga a baixar a cabeça e depois de sentados, não sobra muito espaço em altura. Já o espaço para as pernas é bom q.b., apesar desta nova geração do Mokka ser 12,5 cm mais curta do que a anterior (mas ganhou 2 mm na distância entre eixos).

Quanto à bagageira, oferece 310 litros de capacidade de carga, cerca de 40 litros a menos do que as versões com motorização térmica. Este número pode crescer até aos 1060 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Autonomia e carregamentos

A Opel anuncia um tempo de aceleração dos 0 aos 100 km/h de 9s e uma velocidade máxima limitada aos 150 km/h, um limite que se explica pela «obrigatoriedade» de poupar a bateria. Quanto à autonomia anunciada, é de 318 km de acordo com o ciclo WLTP. Em cidade, este número cresce para os 324 km.

No que diz respeito aos carregamentos, a Opel garante que num posto de carga de 11 kW são necessárias 5,25 horas para um ciclo completo de carga, número que sobe para as 8 horas num carregador de 7,4 kW e para as 17 horas num de 3,7 kW.

Opel Mokka-e Ultimate
O Opel Mokka-e suporta uma potência máxima de carga em corrente contínua de 100 kW, o que lhe permite carregar 80% da capacidade da bateria em apenas 30 minutos. © Fernando Gomes; Editado por Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E os consumos?

Durante os dias que passei com este Opel Mokka-e fiz uma média de 17,9 kWh/100 km, um registo (muito) ligeiramente acima do anunciado pela marca germânica (17,7 kWh/100 km).

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Tendo em conta este valor e o da capacidade útil da bateria e recorrendo à calculadora, percebemos que a este ritmo o máximo que iríamos “extrair” da bateria seriam 256 km.

Contudo, este valor tem um «erro», já que não inclui a energia gerada nas desacelerações e nas travagens, o que tecnicamente permite ir «buscar» mais alguns quilómetros entre carregamentos.

Opel Mokka-e Ultimate
O “e” na traseira não deixa dúvidas de que estamos perante um Mokka movido apenas a eletrões. © Fernando Gomes; Editado por Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E a dinâmica?

Bem, foi aqui que este Opel Mokka-e mais me surpreendeu. Tendo já conduzido o Peugeot e-2008 e o Citroën ë-C4 com os quais partilha a plataforma e cadeia cinemática, são notórias as diferenças, a começar logo na suspensão, que tem um acerto mais firme.

O amortecimento mais firme tem claras vantagens em curva, onde se nota uma inclinação de carroçaria muito reduzida, e também nas transferências de massas. Mas faz-se «pagar» nos pisos em pior estado, onde acabamos por sentir mais vibrações no volante. Mas está longe de ser desconfortável.

Opel Mokka-e Ultimate
No capítulo do conforto, importa dizer que as jantes de 18” também não ajudam. © Fernando Gomes; Editado por Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Sentimos sempre que os movimentos da carroçaria estão bem controlados, mesmo quando subimos o ritmo. E a direção é até bem direta, mais do que nos «irmãos» gauleses, e isso ajuda a criar uma experiência de condução mais rica.

A única crítica que faço é mesmo ao pedal do travão, que tem um feeling muito pouco progressivo (uma característica que parece perseguir muitos modelos elétricos) e obriga a alguma habituação.

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É o carro certo para si?

O novo Opel Mokka tem tudo para ser o que o anterior Mokka X nunca conseguiu ser em Portugal: relevante. A classificação como Classe 2 nas portagens do nosso país ditou o destino do antecessor no nosso país, em contraste com o sucesso considerável que encontrou no restante mercado europeu.

Mas agora, este pequeno SUV alemão tem tudo para vingar em Portugal, até porque é também melhor. A base pode ser a mesma que encontramos noutros modelos do grupo Stellantis, mas o pacote final é distinto e tem personalidade.

Opel Mokka-e Ultimate © Fernando Gomes; Editado por Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E a aparência exterior é um dos grandes «culpados» disso. Não existem muitos concorrentes do segmento B-SUV com uma aparência tão marcante quanto este Mokka.

Além disso, temos de juntar a vasta oferta de motorizações, que oferece versões Diesel, a gasolina e esta 100% elétrica testada, a Mokka-e.

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Enquanto elétrico, o Mokka-e é um SUV competente, ainda que os consumos estejam longe de ser baixos. Contudo, para uma utilização maioritariamente urbana, a autonomia anunciada pela Opel é mais do que suficiente.

Surpreendeu-me positivamente ainda do ponto de vista dinâmico, tendo em conta as outras propostas que recorrem a esta base e grupo motriz.

Opel Mokka-e Ultimate © Fernando Gomes; Editado por Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Deixámos o «pior» para o fim, o preço. O Mokka-e arranca nos 35 955 euros da versão Edition e vai até aos 41 955 euros da variante Ultimate, que foi precisamente a que conduzi neste teste.

E isto leva-nos obrigatoriamente à «velha» questão do preço dos elétricos, que é mais notória à medida que descemos nos segmentos. E este Mokka-e é um bom exemplo disso. É que a versão equivalente a gasolina, com um 1.2 Turbo de 130 cv e caixa automática de oito velocidades, custa «apenas» 30 355 euros.

Preço

unidade ensaiada

41.955

Versão base: €35.955

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: Motor elétrico
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Bateria de iões de lítio de 50 kWh (46 kWh úteis)
    • Potência: 100 kW (136 cv)
    • Binário: 260 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa redutora de uma relação
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4151 mm / 1791 mm / 1534 mm
    • Distância entre os eixos: 2561 mm
    • Bagageira: 310 litros (1060 litros)
    • Jantes / Pneus: 215/55 R18
    • Peso: 1598 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 17,7 kWh/100 km
    • Emissões de CO2: 0 g/km
    • Vel. máxima: 150 km/h
    • Aceleração: 9s
  • Equipamento
    • Rádio Multimédia NAVI PRO de 10"
    • Pack Park & Go
    • Jante de Liga Leve 7.0 x 18" - (Bi Color Preta)
    • Faróis Intellilux LED Matrix
    • Tejadilho em Preto "Perla Nera" (incluíndo o pilar A)
    • Estofos Ultimate Alcantara em Preto
    • Espelhos retrovisores exteriores aquecidos com regulação e rebatimento eléctrico
    • Apoio de braço com 2 portas traseiras USB adicionais
    • Volante desportivo de 3 raios em pele, multifunções
    • Pedais desportivos em alumínio
    • Banco do condutor ajustável em 6 vias
    • Carregador de Alta Voltagem Monofásico - 7.4 kW
    • Vidros escurecidos (traseiros e da porta traseira)
    • Painel de instrumentos de 12" (multicolor)
    • Câmara panorâmica de visão traseira (180º)
    • Faróis de nevoeiro dianteiro em LED
    • Avisador de veiculo no ângulo "morto" de visão
    • Aviso de desvio de trajectória, com correção
    • Assistência Activa de Condução (transmissão automática)
    • Volante Aquecido
    • Bancos Aquecidos (Cond. & Pass.)
Extras
Pintura exterior em Verde Matcha — 500 euros; Capot Preto "Perla Nera" — 300 euros
Avaliação
7 / 10
Dentro da sua classe, diria que o Opel Mokka-e é muito facilmente o modelo 100% elétrico mais divertido de conduzir. A forma como nos deixa «atacar» um encadeado de curvas de forma mais incisiva é notável e faz com que ele se distinga de forma significativa dos «primos» franceses que partilham esta base e grupo motriz. Mas isso torna-o menos confortável, sem ser desconfortável, uma cedência que eu faria sem pensar duas vezes. Mas tudo depende dos gostos de cada um. A juntar a isso, tem uma imagem que não passa despercebida e um interior muito bem conseguido, formando um pacote muito interessante. Mas depois há o preço, que está longe de ser barato…
  • Dinâmica
  • Imagem exterior
  • Posição de condução
  • Preço
  • Consumos
Sabe responder a esta?
Em que ano foi "abandonado" o nome Kadett da gama da Opel?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

As muitas máscaras do Opel Kadett
Em cheio!!
Vá para a próxima pergunta

ou leia o artigo sobre este tema:

As muitas máscaras do Opel Kadett

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