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Q4 e-tron. Testámos o SUV elétrico da Audi na sua versão mais potente

O Q4 e-tron é o primeiro Audi a recorrer à já conhecida plataforma MEB do Grupo Volkswagen, mas será que convence? Colocámos à prova a versão 50 quattro.

Audi Q4 e-tron. É o primeiro elétrico da Audi a assentar sobre a plataforma MEB do Grupo Volkswagen (a mesma do Volkswagen ID.3, ID.4 ou Skoda Enyaq iV) e isso, só por si, já é um grande motivo de interesse.

E com um preço a começar nos 44 801 euros (Q4 e-tron 35), é também o elétrico mais barato da marca dos quatro anéis no nosso país.

Mas numa altura em que já existem no mercado propostas como o Mercedes-Benz EQA ou o Volvo XC40 Recharge, o que distingue afinal este SUV elétrico da concorrência? Passei cinco dias com ele e conto-vos como foi.

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Audi Q4 e-tron © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Imagem tipicamente Audi

As linhas do Audi Q4 e-tron são indiscutivelmente Audi e, sem grande surpresa, são bastante próximas aos protótipos que o anteciparam.

E se visualmente o Q4 e-tron se destaca por exibir uma forte presença em estrada, as linhas trabalhadas escondem um apurado trabalho no capítulo aerodinâmico que resultam num Cx de apenas 0,28.

Espaço para «dar e vender»

À imagem do que tem acontecido com outros modelos que partem da base MEB, também este Audi Q4 e-tron se destaca por apresentar cotas internas muito generosas, praticamente ao nível de alguns modelos do segmento acima.

E isto explica-se, em parte, pelo posicionamento da bateria, colocada no chão da plataforma entre os dois eixos, e pelos dois motores que estão diretamente montados sobre os eixos.

A somar a isto, e sendo esta uma plataforma dedicada exclusivamente a modelos elétricos, não há túnel de transmissão a roubar espaço precioso a quem viaja ao centro do banco traseiro, como acontece, por exemplo, no Mercedes-Benz EQA.

A tendência de espaço mantém-se mais atrás, na bagageira, com o Q4 e-tron a oferecer uns excelentes 520 litros de capacidade, um valor em linha com o que oferece o «maior» Audi Q5. Com os bancos traseiros rebatidos este número cresce para os 1490 litros.

Podem ver (ou rever) em mais detalhe o interior do Audi Q4 e-tron no primeiro contacto em vídeo que o Guilherme Costa fez ao elétrico alemão:

E o sistema elétrico, como funciona?

Esta versão do Q4 e-tron, a mais potente da gama por agora, vem com dois motores elétricos. O motor montado no eixo dianteiro tem 150 kW (204 cv) de potência e 310 Nm de binário máximo. Já o segundo motor, montado sobre o eixo posterior, é capaz de gerar 80 kW (109 cv) e 162 Nm.

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Estes motores formam «equipa» com uma bateria de iões de lítio com 82 kWh de capacidade (77 kWh úteis), para uma potência máxima combinada de 220 kW (299 cv) e 460 Nm binário máximo, que são enviados às quatro rodas. As versões 35 e-tron e 40 e-tron, por outro lado, contam apenas com um motor elétrico e tração traseira.

Audi Q4 e-tron © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Graças a estes números o Audi Q4 e-tron 50 quattro é capaz de cumprir o sprint dos 0 aos 100 km/h em apenas 6,2s, ao mesmo tempo que consegue atingir os 180 km/h de velocidade máxima, um limite eletrónico que tem como principal missão proteger a bateria.

Autonomia, consumos e carregamentos

Para o Audi Q4 50 e-tron quattro a marca de Ingolstadt reivindica consumos médios de 18,1 kWh/100 km e uma autonomia elétrica de 486 km (ciclo WLTP). No que diz respeito aos carregamentos, a Audi garante que num posto de 11 kW é possível «encher» a totalidade da bateria em 7,5 horas.

Contudo, e sendo este um modelo que suporta carregamentos a uma potência máxima de 125 kW em corrente contínua (DC), bastam 38 minutos para repor 80% da capacidade da bateria.

Audi Q4 e-tron carregamento-2
Paragem para carregar no posto de 50 kW de Grândola (carreguei a 0,29 €/kWh) antes do regresso a Lisboa. © Miguel Dias / Razão Automóvel

Quanto aos consumos, foram curiosamente muito próximos (para não dizer iguais…) aos anunciados pela Audi. Acabei por percorrer durante o teste 657 km com o Q4 50 e-tron quattro, divididos entre autoestrada (60%) e cidade (40%), e quando o entreguei a média total era de 18 kWh/100 km.

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Durante a utilização em autoestrada, respeitando o limite dos 120 km/h e sem recorrer ao ar condicionado durante grande parte do tempo, consegui fazer médias entre os 20 kWh/100 km e os 21 kWh/100 km. Já em cidade os registos foram naturalmente mais baixos registando uma média de 16,1 kWh.

Audi Q4 e-tron
Assinatura luminosa rasgada não passa despercebida. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Mas se tivermos em conta a média final de 18 kWh/100 km e a capacidade útil da bateria de 77 kWh, percebemos rapidamente que a este «ritmo» conseguimos «arrancar» 426 km da bateria, aos quais ainda se somam mais alguns quilómetros provenientes da recuperação da energia gerada nas desacelerações e nas travagens.

É um número satisfatório e que chega para afirmar que este Q4 e-tron — nesta motorização — consegue dar boa conta das responsabilidades familiares durante a semana e o fim de semana, que implicam «tiradas» mais longas.

audi e-tron grândola
Os 18 cm de altura ao solo são suficientes para «atacar» sem medo um estradão de terra. © Miguel Dias / Razão Automóvel

E na estrada?

No total, temos cinco modos de condução à nossa disposição (Auto, Dynamic, Comfort, Efficiency e Individual), que alteram parâmetros como o amortecimento da suspensão, a sensibilidade do acelerador e o peso da direção.

Detetamos de imediato as diferenças na sensibilidade do acelerador e na assistência da direção quando selecionamos o modo Dynamic, que nos permite explorar todo o potencial desportivo deste modelo.

Audi Q4 e-tron © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E por falar em direção, importa dizer que, apesar de não ser tão rápida quanto eu estava à espera, consegue ser muito precisa e, acima de tudo, muito fácil de interpretar. E podemos alargar esta análise para o pedal do travão, cujo funcionamento é muito fácil de perceber.

Falta emoção?

Nesta motorização, o Audi Q4 e-tron tem sempre muito fôlego e convida a subir o ritmo. A aderência é sempre impressionante, tal como a forma como o binário é colocado no asfalto e devido ao centro de gravidade baixo (por culpa do posicionamento das baterias), os movimentos laterais da carroçaria até estão bem controlados.

Audi Q4 e-tron
A versão que conduzimos estava equipada com umas jantes opcionais de 20”. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

A dinâmica é sempre previsível e o comportamento é sempre muito seguro e estável, mas é capaz de não encher as medidas aos adeptos das propostas mais divertidas da marca dos quatro anéis.

Isto porque é fácil notar alguma tendência para a subviragem, que até podia de certa forma ser compensada com uma traseira mais «viva», o que acaba por nunca acontecer. A traseira está sempre muito «colada» à estrada e só mesmo num piso menos aderente dá algum sinal de vida.

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Ainda assim, nada disto chega a comprometer a experiência ao volante deste SUV elétrico, que, verdade seja dita, está longe de ter sido idealizado para ser uma proposta com vista a uma condução mais emotiva.

Audi Q4 e-tron
Designação 50 e-tron quattro na traseira não engana: esta é a versão mais potente da gama. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E na autoestrada?

Em cidade, o Audi Q4 e-tron mostra-se como «peixe na água«. Mesmo quando estamos no modo Efficiency, o «poder de disparo» é evidente e chega para sermos sempre os primeiros a sair dos semáforos, ainda que a resposta seja mais progressiva.

E aqui, é importante trabalhar com os vários modos de otimização da regeneração nas travagens, que mesmo com a transmissão no modo “B”, nunca nos chega a abrandar o suficiente para que possamos dispensar o uso do travão.

Mas curiosamente, foi em autoestrada que mais gostei de usar esta proposta, que se destacou sempre pelo conforto, pela qualidade de insonorização e pela facilidade com que soma quilómetros.

Audi Q4 e-tron
Audi Virtual Cockpit de 10,25” tem uma leitura muito satisfatória. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Bem sei que é precisamente neste «terreno» que os elétricos ainda fazem menos sentido. Mas até aqui este Q4 e-tron se portou relativamente bem: numa viagem de ida e volta entre Lisboa e Grândola, a uma velocidade de 120 km/h, os consumos nunca foram além dos 21 kWh/100 km.

Descubra o seu próximo carro

É o carro certo para si?

São muitos os pontos de interesse em torno deste SUV elétrico da marca dos quatro anéis, a começar logo na imagem exterior, que é apelativa. As boas sensações continuam no habitáculo, que além de ser muito espaçoso está muito bem organizado e se mostra sempre muito acolhedor.

Audi Q4 e-tron
A dianteira conta com entradas de ar que abrem e fecham de acordo com a necessidade de refrigeração das baterias. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Na estrada, tem tudo o que procuramos num SUV elétrico com este porte: tem uma boa autonomia em cidade, é agradável de utilizar, tem consumos contidos e faz-se acompanhar por uma capacidade de disparo que impressiona e que nos consegue colar ao banco.

Podia ser isto tudo e ainda nos brindar com um comportamento mais vivaz? Sim, podia. Mas a verdade é que esse não é o propósito de um SUV como este, que tem como principal missão ser competente e eficaz enquanto modelo 100% elétrico.

Audi Q4 e-tron © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E se isto já tinha sido conseguido pelos «primos» Volkswagen ID.4 e, acima de tudo, pelo Skoda Enyaq iV, aqui faz-se acompanhar pela qualidade de materiais, de rolamento e de construção com que a Audi nos tem vindo a habituar.

Preço

unidade ensaiada

74.363

Versão base: €57.356

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: Dois motores elétricos
    • Posição: Motor 1: Traseira transversal; Motor 2: Dianteira transversal
    • Carregamento: Bateria de iões de lítio. Capacidade máxima: 82 kWh; Capacidade útil: 77 kWh
    • Potência: Motor 1: 150 kW (204 cv); Motor 2: 80 kW (109 cv); Potência máxima: 220 kW (299 cv)
    • Binário: Motor 1: 310 Nm; Motor 2: 162 Nm; Binário máximo: 460 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Integral
    • Caixa de velocidades: Automática de uma relação
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4588 mm / 1865 mm / 1617 mm
    • Distância entre os eixos: 2764 mm
    • Bagageira: 520 litros (1490 litros)
    • Jantes / Pneus: Frente: 235/55 R19; Atrás: 255/50 R19
    • Peso: 2210 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 18,1 kWh/100 km
    • Vel. máxima: 180 km/h
    • Aceleração: 6,2s
  • Equipamento
    • Interior com bancos desportivos com estofos em tecido, em preto
    • Soleiras à frente com inserções em alumínio
    • Volante com elementos com look cromado
    • Retrovisor interior com anti-encandeamento automático
    • Retrovisores exteriores eléctricos, aquecidos, rebatíveis e com anti-encandeamento automático
    • Bancos dianteiros com apoio lombar eléctrico com regulação em 4 vias
    • Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros
    • Câmara traseira de estacionamento
    • Lane departure warning
    • Adaptive Cruise control com limitador de velocidade
    • Audi smartphone interface
    • Suspensão com controlo de amortecimento
Extras
Abertura e fecho elétrico da bagageira com sensor de pé — 575 €; Comfort key sem safelock — 550 €; Faróis Digital Matrix LED — 1320 €; Inserções decorativas em alumínio antracite — 265 €; Interior com bancos desportivos com estofos em tecido, em preto — 715 €; Jantes de liga leve com 5 raios em Y, cinzento grafite, maquinadas e pneus 235/50 e 255/45 R20 — 760 €; MMI Pro — 3415 €; Pacote Ar condicionado — 690 €; Pacote arrumação — 385 €; Pacote assistência Plus — 1505 €; Pacote Comfort — 975 €; Pacote de luzes ambiente Plus — 115 €; Pacote Dynamic Plus — 1610 €; Pacote segurança Plus — 795 €; Pacote Smartphone — 1185 €; Pintura metalizada — 820 €; Sistema de som Audi Sound System — 340 €; Vidros escurecidos — 470 €; Vidros laterais dianteiros acústicos — 140 €; Volante desportivo de raios duplos multifunções, em couro, com patilhas e plano no topo e no fundo — 350 €.
Avaliação
8 / 10
O Audi Q4 e-tron tem muitos e bons argumentos que lhe permitem olhar com alguma tranquilidade para o futuro. É um elétrico muito competente, bastante eficaz e muito agradável de conduzir, seja em cidade ou em autoestrada. Sempre muito previsível, convida a ritmos mais elevados, sobretudo no modo Dynamic, que deixa a direção mais firme e o pedal do acelerador mais sensível. Mas se o «poder de disparo» desta versão impressiona, o comportamento dinâmico podia ser ligeiramente mais entusiasmante. Mas nem posso olhar para isso como uma crítica, já que não foi com isso em mente que este SUV foi desenvolvido. E a verdade é só uma: enquanto SUV elétrico de «porte» médio, este Audi Q4 e-tron convence… e muito.
  • Imagem exterior
  • Espaço
  • Qualidade dos materiais
  • Condução mais desportiva
  • Preço desta versão
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