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Indústria

New Auto. O plano do Grupo VW para se transformar numa “empresa de mobilidade baseada em software”

"New Auto" é o novo plano do Grupo Volkswagen que visa reforçar o foco nos elétricos e software, que serão a breve trecho a sua principal fonte de receitas.

O Grupo Volkswagen apresentou esta terça-feira, 13 de julho, o novo plano estratégico “New Auto” com implementação até 2030.

Este foca-se no domínio cada vez maior da mobilidade eléctrica e que vê este gigante automóvel — um dos maiores do mundo — transformar-se numa “empresa de mobilidade baseada em software”.

Este plano foi pensado e desenvolvido de forma a encontrar novas formas de receita através da venda de funcionalidades e serviços pela internet, além de serviços de mobilidade que serão possíveis com automóveis autónomos.

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Volkswagen ID.4

O objetivo é capitalizar as oportunidades de receita que estão a surgir na indústria automóvel e cujo valor (e diferenciação) assenta cada vez mais na tecnologia.

“Com base em software, a próxima mudança muito mais radical será a transição para veículos mais seguros, inteligentes e finalmente autónomos. Isto significa que para nós a Tecnologia, velocidade e escala serão mais importantes do que até agora. O futuro dos automóveis será brilhante!”

Herbert Diess, diretor executivo do Grupo Volkswagen

New Auto?

Acerca do nome escolhido “New Auto”, Herbert Diess, diretor executivo do Grupo Volkswagen, foi peremptório na explicação: “Porque os carros estão cá para ficar”.

A mobilidade individual vai continuar a ser o meio de transporte mais importante em 2030. As pessoas que conduzem ou são conduzidas em carros próprios, em leasing, partilhados ou alugados vão continuar a representar 85% da mobilidade. E esses 85% serão o centro do nosso negócio.

Herbert Diess, diretor executivo do grupo Volkswagen

Por forma a reduzir custos e aumentar as margens de lucro, o plano “New Auto” do Grupo Volkswagen vai assentar em plataformas e tecnologias partilhadas por todas as marcas que o compõem, ainda que adaptadas a estas e aos seus vários segmentos chave.

Mas sobre isto, Diess revelou que “as marcas vão continuar a ter um fator diferenciador” no futuro, ainda que passem a estar organizadas em unidades de negócio ainda mais restritas.

Audi Q4 e-tron e Audi Q4 e-tron Sportback
O Audi Q4 e-tron é o elétrico mais recente da marca dos quatro anéis.

A Audi, por exemplo, fica com a Bentley, a Lamborghini e a Ducati sob sua responsabilidade, naquele que é o “portfólio premium” do grupo germânico. Já a Volkswagen vai liderar o portfólio de volume, onde estão a Skoda, a CUPRA e a SEAT.

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Por seu turno, a Volkswagen Commercial Vehicles vai continuar a aumentar o seu foco no Lifestyle e depois da revelada Multivan T7, a tão esperada versão de produção da ID. Buzz ainda é um exemplo mais perfeito disso. Diess afirmou mesmo que esta é a divisão do grupo que vai sofrer “a transformação mais radical”.

Porsche continua “à margem”

Falta apenas falar na Porsche, que vai permanecer como o “braço” desportivo e de performance do grupo, com Diess a confessar que a marca de Estugarda “está numa liga própria”. Apesar de integrada no capítulo tecnológico, vai manter um “elevado grau de independência”, acrescentou.

porsche-macan-electrico
Protótipos do Porsche Macan elétrico já estão na estrada, mas a estreia comercial só vai acontecer em 2023.

Até 2030, o Grupo Volkswagen espera reduzir em 30% os impactos no ambiente da produção de automóveis e ser neutro em carbono o mais tardar em 2050. Quanto aos carros elétricos, deverão representar 50% das vendas globais do grupo em 2040, sendo que nos principais mercados quase todos os novos modelos serão “livres de emissões”.

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Mercado dos motores de combustão interna vai cair mais de 20% na próxima década

Com esta evolução rumo à eletrificação da indústria, o Grupo Volkswagen estima que o mercado para os veículos com motor de combustão interna possa cair mais de 20% nos próximos 10 anos, o que fará com que os elétricos passem a ser a sua maior fonte de receita.

Em 2030, o mercado global de veículos elétricos estará a par com as vendas de veículos com motor de combustão. Seremos mais lucrativos com elétricos porque as baterias e os carregamentos vão aumentar o valor agregado e com as nossas plataformas seremos mais competitivos.

Herbert Diess, diretor executivo do Grupo Volkswagen

O Grupo Volkswagen vai continuar o negócio dos motores de combustão interna para gerar um fluxo forte de dinheiro para investir em novas tecnologias, mas espera que os elétricos permitam uma margem de lucro idêntica em apenas três anos. Tal deve-se às metas de emissões de CO2 cada vez mais “apertadas”, que têm como consequência o aumento dos custos dos veículos com motores de combustão interna.

VW_atualizacoes over the air_01

Outra das apostas deste “New Auto” são as vendas por software e outros serviços, permitindo assim “desbloquear” funcionalidades dos veículos via atualizações remotas (over the air), um negócio que, segundo o Grupo Volkswagen, pode representar mais de mil milhões de euros por ano até 2030 e que será potenciado com a chegada (“finalmente”) dos veículos autónomos.

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Exemplo disso são os dois projetos chave do Grupo Volkswagen para os próximos anos: Projeto Trinity da Volkswagen e o Projeto Artemis da Audi. No caso do Trinity, por exemplo, o carro será vendido de forma praticamente padronizada, com apenas uma especificação, com os clientes a escolherem (e a comprarem) as funcionalidades do que pretendem online, desbloqueadas via software.

Plataforma unificada para elétricos em 2026

A partir de 2026, o Grupo Volkswagen vai introduzir no mercado uma nova plataforma para veículos elétricos chamada de SSP (Scalable Systems Platform), que é fundamental dentro desta estratégia “New Auto” agora anunciada. Esta plataforma pode ser vista como uma espécie de fusão entre as plataformas MEB e PPE (que será estreada pelo novo Porsche Macan) e é descrita pelo grupo como “uma arquitetura unificada para todo o portfólio de produtos”.

Project Trinity
O Project Trinity deverá ter dimensões próximas às do Arteon.

Projetada para ser o mais versátil e flexível possível (encolhendo ou esticando), de acordo com as necessidades e o segmento em causa, a plataforma SSP será “inteiramente digital” e com tanto ênfase no “software quanto no hardware“.

Durante o tempo de vida útil desta plataforma, o Grupo Volkswagen espera produzir mais de 40 milhões de veículos, sendo que, tal como aconteceu com a MEB que, por exemplo, também será usada pela Ford, também a SSP poderá vir a ser usada por outros fabricantes.

Introduzir a SSP significa tirar partido dos nossos pontos fortes na gestão da plataforma e desenvolver as nossas capacidades para maximizar sinergias entre segmentos e marcas.

Markus Duesmann, CEO da Audi

O “negócio” da energia…

A tecnologia proprietária da bateria, as infraestruturas de carregamento e os serviços de energia serão fatores-chave de sucesso no novo mundo da mobilidade, sendo uma parte crucial no plano “New Auto” do Grupo Volkswagen.

Markus Duesmann
Markus Duesmann, diretor geral da Audi AUDI AG

Dessa forma, “a energia será uma competência central do Grupo Volkswagen até 2030, com os dois pilares ‘célula e sistema de bateria’ e ‘carregamento e energia’ sob o teto da nova divisão de Tecnologia do grupo”.

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O grupo planeia estabelecer uma cadeia controlada de fornecimento de baterias, estabelecendo novas parcerias e abordando todos os aspetos, desde a matéria-prima até à reciclagem.

O objetivo passa por “criar um circuito fechado na cadeia de valor das baterias como a forma mais sustentável e rentável” de as construir. Para alcançar esse objetivo, o grupo vai introduzir “um formato unificado de célula de bateria com 50% de redução de custos e 80% de casos de utilização até 2030”.

Volkswagen Power Day

O fornecimento será garantido por “seis gigafábricas a construir na Europa e que terão uma capacidade total de produção de 240 GWh até 2030”.

A primeira será localizada em Skellefteå, na Suécia, e a segunda em Salzgitter, na Alemanha. Esta última, localizada não muito longe da cidade-sede da Volkswagen, Wolfsburgo, está em construção. Já a primeira, no norte da Europa, já existe e será atualizada para aumentar a sua capacidade. Deverá estar pronta em 2023.

Quanto à terceira, e que durante algum tempo esteve ligada à possibilidade de se vir a estabelecer em Portugal, vai instalar-se em Espanha, país que o Grupo Volkswagen descreve como “um pilar estratégico da sua campanha elétrica”.

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