Apresentação

Fica a saber tudo sobre o novo Mercedes-Benz Classe C W206

Altura de conhecer em mais detalhe uma nova geração de um dos mais importantes modelos da marca da estrela, o novo Mercedes-Benz Classe C W206.

Na última década o Classe C tem sido o modelo que mais vende na Mercedes-Benz. A geração atual, W205, desde 2014, já acumulou mais de 2,5 milhões de unidades vendidas (entre o sedã e carrinha). A importância do novo Mercedes-Benz Classe C W206 é, assim, indiscustível.

A marca levanta agora o pano sobre a nova geração, tanto como Limousine (sedã) e Station (carrinha), que estarão disponíveis logo desde o início da sua comercialização. Esta começará em breve, a partir do final de março, com a abertura das encomendas, com as primeiras unidades a serem entregues durante o verão.

A importância global deste modelo é inequívoca, com os seus maiores mercados a serem também um dos mais importantes do mundo: China, EUA, Alemanha e Reino Unido. Como já acontecia com o atual será, assim, produzido em vários locais: Bremen, na Alemanha; Pequim, na China; e East London, na África do Sul. Altura de conhecer tudo o que traz de novo.

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Motores: todos eletrificados, todos de 4 cilindros

Começamos pelo tópico que mais discussão tem gerado sobre o novo Classe C W206, as suas motorizações. Estas passarão a ser exclusivamente de quatro cilindros — até os todos-poderosos AMG —, e também serão todas eletrificadas. Sendo um dos modelos de maior volume da marca alemã, o novo Classe C terá um forte impacto nas contas das emissões de CO2. A eletrificação deste modelo é crucial para reduzir as emissões de toda a marca.

Todas as motorizações contarão com um sistema mild-hybrid de 48 V (ISG ou Integrated Starter Generator), composto por um motor elétrico de 15 kW (20 cv) e 200 Nm. Além de poder providenciar um acréscimo de aceleração quando necessário, caberá ao sistema mild-hybrid funcionalidades como “roda-livre” ou recuperação de energia em desacelerações e travagem. Garante ainda um funcionamento muito mais suave do sistema start/stop.

Além das versões mild-hybrid, o novo Classe C W206 contará com as incontornáveis versões híbridas plug-in, mas não terá versões 100% elétricas, como alguns dos rivais, muito por “culpa” da plataforma MRA que o equipa, que não permite um grupo motriz 100% elétrico.

Quanto aos motores de combustão interna em si, serão essencialmente dois. O M 254 a gasolina apresenta-se em duas variantes, de 1,5 l (C 180 e C 200) e 2,0 l (C 300) de capacidade, enquanto o OM 654 M a gasóleo tem apenas 2,0 l (C 220 d e C 300 d) de capacidade. Ambos fazem parte da FAME… Não, não tem nada a ver com “fama”, mas sim é um acrónimo para “Family of Modular Engines” ou “Família para Motores Modulares”. Prometem, naturalmente, maior eficiência e… performance.

Nesta fase de lançamento, a gama de motorizações distribui-se da seguinte forma:

  • C 180: 170 cv entre 5500-6100 rpm e 250 Nm entre 1800-4000 rpm, consumos e emissões de CO2 entre 6,2-7,2 l/100 km e 141-163 g/km;
  • C 200: 204 cv entre 5800-6100 rpm e 300 Nm entre 1800-4000 rpm, consumos e emissões de CO2 entre 6,3-7,2 (6,5-7,4) l/100 km e 143-163 (149-168) g/km;
  • C 300: 258 cv entre 5800 rpm e 400 Nm entre 2000-3200 rpm, consumos e emissões de CO2 entre 6,6-7,4 l/100 km e 150-169 g/km;
  • C 220 d: 200 cv às 4200 rpm e 440 Nm entre 1800-2800 rpm, consumos e emissões de CO2 entre 4,9-5,6 (5,1-5,8) l/100 km e 130-148 (134-152) g/km;
  • C 300 d: 265 cv às 4200 rpm e 550 Nm entre 1800-2200 rpm, consumos e emissões de CO2 entre 5,0-5,6 (5,1-5,8) l/100 km e 131-148 (135-152) g/km;

Os valores entre parêntesis referem-se à versão carrinha.

Os C 200 e C 300 podem ser ainda associados ao sistema 4MATIC, ou seja, podem ter tração às quatro rodas. O C 300, além do auxílio esporádico dos 20 cv e 200 Nm sistema ISG 48 V, conta ainda com uma função overboost apenas e só do motor de combustão interna, que pode adicionar, momentaneamente, mais 27 cv (20 kW).

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Praticamente 100 km de autonomia

É ao nível das versões híbridas plug-in que encontramos as maiores novidades, pois, estão anunciados 100 km de autonomia elétrica ou muito perto disso (WLTP). Um aumento considerável consequência da bateria de muito maior capacidade, de quarta geração, com 25,4 kWh, praticamente o dobro da antecessora. Para carregar a bateria não serão precisos mais que 30 minutos, caso optemos pelo carregador de 55 kW de corrente direta (DC).

Só conhecemos, por enquanto, detalhes da versão a gasolina — uma versão híbrida plug-in a gasóleo chegará mais tarde, tal como na geração atual. Esta combina uma versão do M 254 com 200 cv e 320 Nm, com um motor elétrico de 129 cv (95 kW) e 440 Nm de binário máximo — a potência máxima combinada é de 320 cv e o binário máximo combinado de 650 Nm.

Em modo elétrico permite circular até os 140 km/h e a recuperação de energia em desaceleração ou travagem também aumentou até aos 100 kW.

A outra grande novidade prende-se com o “arrumar” da bateria na bagageira. É o adeus ao degrau que tanto atrapalhava nesta versão e passamos a ter um piso plano. Mesmo assim a bagageira perde capacidade em relação aos outros Classe C com apenas motor de combustão interna — na carrinha é de 360 l (mais 45 l do que antecessora) contra os 490 l das versões só a combustão.

Seja a Limousine ou a Station, os Classe C híbridos plug-in vêm de série com suspensão pneumática (autoniveladora) atrás.

Adeus caixa manual

O novo Mercedes-Benz Classe C W206 despede-se não só dos motores com mais de quatro cilindros, como também despede-se das transmissões manuais. Só uma nova geração da 9G-Tronic, uma caixa automática com nove velocidades, passa a estar disponível.

A transmissão automática passa a integrar o motor elétrico e correspondente gestão eletrónica e ainda o seu próprio sistema de arrefecimento. Esta solução integradora permitiu poupar espaço e peso, assim como é mais eficiente, como revelam a entrega reduzida em 30% da bomba mecânica de óleo, consequência da interação otimizada entre a transmissão e a bomba de óleo auxiliar elétrica.

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Evolução

Se no capítulo mecânico as novidades são muitas, ao nível do design exterior a aposta parece ter sido na evolução. O novo Classe C mantém as proporções típicas de um tração traseira com motor longitudinal dianteiro, ou seja, vão dianteiro curto, habitáculo em posição recuada e um vão traseiro mais longo. As dimensões de jantes disponíveis variam entre as 17″ e as 19″.

Ao abrigo da linguagem “Sensual Purity”, os designers da marca tentaram reduzir ao mínimo a profusão de linhas na carroçaria, mas mesmo assim ainda houve espaço para um ou outro detalhe mais “floreado”, como as bossas no capô.

Para os fãs dos detalhes, pela primeira vez, o Mercedes-Benz Classe C deixa de ter o símbolo da estrela no capô, com todos eles a terem a estrela de três pontas em grandes dimensões, ao meio da grelha. Por falar nesta, haverá três variantes disponíveis, dependendo das linhas de equipamento escolhidas — base, Avantagarde e AMG Line. Na AMG Line, o preenchimento da grelha faz-se com pequenas estrelas de três pontas. Também pela primeira vez as óticas traseiras são agora constituídas por duas peças.

Já no interior, a revolução é maior. O novo Classe C W206 incorpora o mesmo tipo de solução do “navio-almirante” Classe S, destacando-se o desenho do tabliê — encimado por saídas de ventilação arredondada, mas achatadas — e a presença de dois ecrãs. Um horizontal para o painel de instrumentos (10,25″ ou 12,3″) e outro vertical LCD para o infoentretenimento (9,5″ ou 11,9″). De notar que este passa a estar ligeiramente inclinado para o/a condutor/a em 6º.

Mais espaço

O aspeto depurado do novo Classe C W206 não permite percepcionar à primeira vista que cresceu em quase todas as direções, mas não muito.

Tem 4751 mm de comprimento (+65 mm), 1820 mm de largura (+10 mm) e a distância entre eixos é de 2865 mm (+25 mm). A altura, por outro lado, é ligeiramente inferior, de 1438 mm de altura (-9 mm). A carrinha cresce também em relação à antecessora em 49 mm (tem o mesmo comprimento da Limousine) e também perde 7 mm de altura, fixando-se nos 1455 mm.

O aumento das medidas exteriores reflete-se nas cotas internas. O espaço para pernas cresceu 35 mm atrás, enquanto o dos cotovelos cresceu 22 mm à frente e 15 mm atrás. Já o espaço em altura é maior 13 mm para o Limousine e 11 mm para a Station. A bagageira mantém-se nos 455 l como o antecessor, no caso do sedã, enquanto na carrinha cresce 30 l, até aos 490 l.

MBUX, a segunda geração

O novo Mercedes-Benz Classe S W223 estreou a segunda geração do MBUX o ano passado, pelo que não seria de esperar outra coisa que a sua progressiva integração na restante gama. E tal como no Classe S, são muitas as funcionalidades que o novo Classe C herda deste.

Destaque para uma nova funcionalidade denominada Smart Home. As casas também estão cada vez mais “inteligentes” e a segunda geração do MBUX permite interagir com a nossa própria casa a partir do próprio carro — desde controlar a iluminação e aquecimento, até saber quando foi que esteve alguém em casa.

O “Hey Mercedes” ou “Olá Mercedes” também evoluiu. Deixa de ser necessário dizer “Olá Mercedes” para algumas funcionalidades, como quando queremos efetuar uma chamada. E se houve vários ocupantes a bordo, consegue distingui-las.

Outras novidades relacionadas com o MBUX prendem-se com o acesso via impressão digital à nossa conta pessoal, ao (opcional) Vídeo Aumentado, em que há uma sobreposição de informações adicionais às imagens capturadas pela câmara que podemos ver no ecrã (desde sinais de trânsito a setas direcionais até os números das portas), e às atualizações remotas (OTA ou over-the-air).

Por fim passa a haver um opcional Head-up display que projeta uma imagem de 9″ x 3″ a uma distância de 4,5 m.

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Ainda mais tecnologia em nome da segurança e do conforto

Como seria de esperar, não falta tecnologia associada à segurança e conforto. Desde os assistentes à condução mais evoluídos, como às funcionalidades Air-Balance (fragrâncias) e Energizing Confort.

Um novo pedaço de tecnologia que se destaca é o Digital Light, ou seja, tecnologia aplicada à iluminação dianteira. Cada farol passa a ter 1,3 milhões de micro-espelhos que refratam e direcionam a luz, o que se traduz numa resolução de 2,6 milhões de píxeis por veículo.

Tem ainda funções adicionais como a capacidade de projetar linhas guia, símbolos e animações sobre a estrada.

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Chassis

Por fim, mas não menos importante, as ligações ao solo também foram melhoradas. A suspensão dianteira passa a obedecer a um esquema de quatro braços e atrás temos um esquema multibraços.

A Mercedes-Benz diz que a nova suspensão garante um elevado nível de conforto, seja em andamento, seja ao nível do ruído de rolamento, ao mesmo tempo que garante uma agilidade e até diversão ao volante — cá estaremos para o comprovar assim que possível. Em opção temos acesso a uma suspensão desportiva ou uma adaptativa.

No capítulo da agilidade esta pode ser potenciada quando se optar pelo eixo traseiro direcional. Apesar de não permitir ângulos de viragem extremos como os que vimos no novo Classe S W223 (até 10º), no novo Classe C W206, os 2,5º anunciados permite reduzir o diâmetro de viragem em 43 cm, para os 10,64 m. E a direção também fica mais direta, com apenas 2,1 voltas de topo a topo contras as 2,35 das versões sem eixo traseiro direcional.

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