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Já conduzimos o novo SEAT Leon. Tem mais tecnologia e espaço. Fórmula vencedora?

Só resta ao novo SEAT Leon remar contra a maré face à invasão SUV, a partir da atualizada base rolante MQB e da nova plataforma eletrónica que também serve os novos Volkswagen Golf e Audi A3. Fomos os primeiros a guiá-lo, aqui com o 1.5 eTSi de 150 cv e caixa DSG.

À medida que a silhueta SUV toma conta de todos os segmentos — o C não é exceção, mesmo sendo tradicionalmente o mais importante no mercado europeu —, aos clássicos dominadores do mercado europeu apenas resta remar contra a maré e melhorar os seus atributos tanto quanto possível. O novo SEAT Leon acaba de fazer isso mesmo.

Se a esta relevância juntarmos o facto do Leon ser o modelo mais vendido da SEAT (mais de 150 000 unidades em 2019) — e também o carro mais vendido no seu mercado doméstico, Espanha, nos últimos cinco anos — não é difícil perceber o quão importante é o lançamento de uma nova geração.

O design é uma das principais motivações de compra neste segmento C e o novo SEAT Leon nasce do audaz traço do diretor de estilo da SEAT, Alejandro Mesonero-Romanos, de modo a destacar-se bastante mais do que o Golf VIII (demasiado conservador nas suas linhas exteriores).

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SEAT Leon 2020

E este será um dos trunfos com que a 4ª geração do compacto espanhol conta para continuar a carreira comercial dos três antecessores que, cumulativamente venderam 2,2 milhões de unidades desde 1999, quando nasceu o primeiro Leon.

Percebe-se logo que a grelha frontal ganha agressividade com uma nova forma tridimensional, ao mesmo tempo que os faróis circundantes endurecem a expressão no novo Leon que cresce 8 cm em comprimento, enquanto largura e altura quase não variam. O capot é um pouco mais comprido, os pilares dianteiros foram ligeiramente recuados e o para-brisas foi colocado mais na vertical, “para melhorar a visibilidade”, segundo explica Mesonero.

Existem algumas semelhanças com a grelha e o pilar traseiro do Ford Focus e reminiscências dos painéis de carroçaria do Mazda3 neste Leon mais redondo do que a angulosa geração anterior, mas o efeito final tem caráter e impacto visual inegáveis.

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Mais espaço do que num Golf…

Sabendo-se que esta base modular MQB permite que o fabricante jogue com as proporções do carro quase como se de um kit de Lego se tratasse, não estranha que a distância entre eixos do novo SEAT Leon seja igual à do Skoda Octavia (2686 mm), que são mais 5 cm do que no caso do Golf e do A3 (e também relativamente ao anterior Leon). O SEAT oferece, por isso, mais espaço para pernas atrás que os dois rivais alemães “de gema” e é um dos modelos mais generosos nesse capítulo nesta classe.

Bancos traseiros do SEAT Leon 2020

Já a bagageira tem um volume de 380 litros, na média da classe e igual à do Volkswagen e do Audi, mas muito mais pequena do que a do Octavia, que tem uma silhueta de carroçaria de sedã, com um vão posterior muito esticado — 32 cm face ao Leon — o que lhe permite ostentar o título de maior porta-bagagens do mercado neste segmento: nada menos do que 600 litros.

As formas do porta-bagagens são muito regulares e aproveitáveis, podendo o volume ser ampliado com o habitual rebatimento assimétrico das costas dos bancos, que permite criar um vão de carga praticamente plano.

A altura atrás é suficiente para ocupantes até 1,85 m e o facto de haver muito comprimento livre permite ajustar a bacia no caso de serem de jogadores de basquete, enquanto em largura, dois passageiros traseiros viajam muito bem e um terceiro incomodado pelo volumoso túnel no piso ao centro, como em todos os modelos com esta plataforma.

Saúda-se o facto de existirem saídas de ventilação diretas para trás, em alguns casos com regulação própria de temperatura com visor digital.

Saídas de ventilação traseiras
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Tecnologia e qualidade, mas falta caráter desportivo no tablier

No interior, materiais e acabamentos inspiram confiança pela solidez e qualidade tátil, enquanto os bancos são suficientemente amplos e confortáveis, vendo o apoio lateral reforçado nas versões mais potentes.

Deparamos com elementos recentemente estreados na família de modelos compactos da Volkswagen e com a tendência de redução de comandos físicos que vão dando lugar a instruções dadas pelos menus do ecrã digital de info-entretenimento, ao mesmo tempo que é libertado espaço na zona central do tablier e entre os bancos dianteiros.

Interior do SEAT Leon 2020

Esse ecrã pode ser de 8,25” ou 10”, em opção ou nas versões de topo, e permite controlar quase tudo e mais alguma coisa, podendo a climatização ser regulada abaixo do mesmo. No entanto, o sistema de barra tátil é pouco intuitivo, e que ainda mais se vê mal à noite, dos demais modelos do Grupo Volkswagen que usam esta mesma nova plataforma eletrónica MIB3.

Sendo indiscutível que a configuração geral e o princípio de funcionamento são muito mais modernos do que no Leon III, a verdade é que esperava que o ecrã central estivesse mais bem integrado no painel de bordo (no modelo anterior isso acontecia), ao contrário do que vemos nos novos Golf e A3, e também que estivesse mais direcionado para o condutor (os mesmos reparos podem ser feitos ao novo Skoda Octavia).

Sistema de info-entretenimento MIB3

A instrumentação digital (de série nos níveis de equipamento mais elevados) e o novo volante com seção inferior horizontal ajudam a projetar uma imagem e uma convivência mais modernas, o mesmo se podendo dizer do seletor eletrónico da caixa automática DSG shift-by-wire. Ou seja, deixou de existir uma ligação física com a transmissão o que, entre outras vantagens, permite que o assistente de estacionamento automático possa selecionar mudanças sem que o seletor se mova, mas deixa de ser possível fazer passagens manuais com o mesmo na caixa automática, só através das patilhas atrás do volante.

Nas versões dotadas de modos de condução é possível optar por Eco, Normal, Comfort e Sport, os quais alteram a resposta da direção, caixa (automática) e som do motor, além da dureza da suspensão quando o novo SEAT Leon está dotado de suspensão de amortecimento variável (DCC ou Dynamic Chassis Control). Nesse caso, o modo Individual dispõe de um comando de deslizar (“slider”) para um mais amplo leque de afinações da suspensão.

A plataforma MIB3 permite, ainda, ligar todos os sistemas a uma unidade de conectividade online com um eSIM para que os utilizadores acedam cada vez mais a uma crescente gama de serviços e funções.

Um dos campos em que o novo Leon mais progride é no dos sistemas de assistência ao condutor: manutenção da faixa de rodagem, monitorização de peões e travagem de emergência em cidade, cruise control adaptativo preditivo, função de travagem quando o carro está num cruzamento e é detetada a aproximação rápida de um carro, deteção de aproximação ao final de uma fila de carros imobilizados (ou um veículo acidentado), contando com funções de comunicação com os outros automóveis e a própria infraestrutura viária num raio de 800 m. Sistemas que estão ou podem estar (quando são opcionais) a zelar pela sua segurança.

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Motores para (quase) todos os gostos

No que diz respeito aos motores, tudo começa com a nova unidade tricilíndrica a gasolina de um litro, com 110 cv, evoluindo depois para o 1.5 de quatro cilindros de 130 cv, todos eles a funcionar no ciclo Miller, contando ainda com um turbo de geometria variável, em ambos os casos em prol da eficiência.

A variante mais potente do 1.5, com 150 cv, pode também ser um híbrido “suave” (mild-hybrid) — eTSI, sempre com a caixa automática de dupla embraiagem de sete velocidades — com tecnologia de 48 V e motor de arranque/alternador. O sistema consegue recuperar energia na desaceleração (até 12 kW), a qual é depois armazenada numa pequena bateria de iões de lítio. Entre as funcionalidades permite desligar o motor a gasolina quando o carro se desloca embalado apenas pela sua própria inércia ou em baixas cargas de acelerador ou fornecer um impulso elétrico (até 50 Nm) nas retomas de velocidade.

1.5 eTSI mild-hybrid

As duas unidades de 1.5 l estão equipadas com o sistema ACM, que desliga metade dos cilindros em baixas cargas de acelerador.

A gama a gasolina completa-se com uma versão a gás natural e um híbrido plug-in (de recarga externa), com 204 cv de rendimento máximo — ainda não lançadas em Portugal —, que alia um motor 1.4 l a gasolina de 150 cv a um motor elétrico de 85 kW (115 cv) e 330 Nm, alimentado por uma bateria de 13 kWh, que promete uma autonomia 100% elétrica de 60 km.

A oferta Diesel limita-se, por outro lado, ao 2.0 TDI com 115 cv ou 150 cv, o primeiro apenas com caixa manual de seis velocidades, o segundo com a DSG de sete velocidades (uma lógica que segue toda a gama, ou seja, as versões de entrada apenas com caixa manual, as mais altas com ambas ou apenas a automática).

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1.5 eTSi brilha com impulso elétrico

As vendas do novo SEAT Leon começam durante este mês de maio mas, com as limitações ditadas pela pandemia, apenas nos foi possível guiar a versão 1.5 eTSi (mild hybrid) que, tal como já tinha sido o caso com o Golf e o A3, deixou muito boas indicações.

SEAT Leon 2020

Não tanto por poder tardar 8,4s de 0 a 100 km/h ou alcançar 221 km/h, mas principalmente porque revela uma resposta pronta desde as rotações iniciais, ou não ficasse o binário máximo (250 Nm) logo disponível a partir das 1500 rpm.

A boa adequação da rápida e suave caixa DSG de sete velocidades dá o seu contributo, assim com o tal impulso elétrico do sistema híbrido “suave”, notado nas acelerações intermédias, com o condão de tornar a condução mais relaxada e diminuir consumos.

SEAT Leon 2020

Nesta versão a suspensão não dispunha de amortecedores eletrónicos sendo a afinação tendencialmente “seca”, para o que contribuíram os pneus montados, 225/45 em jantes de 17”. Algumas irregularidades a meio de curvas notaram-se mais do que seria desejável, até porque a suspensão traseira está a cargo de um eixo de torção e não de uma mais sofisticada arquitetura de rodas independentes — o novo SEAT Leon e o novo Skoda Octavia só dispõem de dito eixo em versões com motores acima dos 150 cv, enquanto Volkswagen Golf e Audi A3 usam o eixo traseiro independente multibraços a partir de 150 cv, inclusivé.

SEAT Leon 2020

Boa evolução a que sentimos na direção, bastante mais precisa e comunicativa do que a do antecessor, ao mesmo tempo que os travões demonstram uma forte “mordida” inicial, progressão intuitiva e boa resistência à fadiga. O rigor construtivo — que se traduz na inexistência de ruídos parasitas — e a qualidade de insonorização foram outros dos aspetos positivos que retirámos desta experiência ao volante do novo Leon.

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Especificações Técnicas

SEAT Leon 1.5 eTSI DSG
Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Distribuição 2 a.c.c./16 válvulas
Alimentação Inj. direta, turbo
Capacidade 1498 cm3
Potência 150 cv entre as 5000-6000 rpm
Binário 250 Nm entre as 1500-3500 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática, dupla embraiagem, 7 vel.
Chassis
Suspensão FR: Independente do tipo MacPherson; TR: Semi-rígida, com barra de torção
Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos
Direção Assistência elétrica
Nº voltas do volante 2,1
Diâmetro de viragem 11,0 m
Dimensões e Capacidades
Comp. x Larg. x Alt. 4368 mm x 1800 mm x 1456 mm
Distância entre eixos 2686 mm
Capacidade da mala 380-1240 l
Capacidade do depósito 45 l
Peso 1361 kg
Rodas 225/45 R17
Prestações e consumos
Velocidade máxima 221 km/h
0-100 km/h 8,4s
Consumo misto 5,6 l/100 km
Emissões CO2 127 g/km

Autores: Joaquim Oliveira/Press Inform.

 

Primeiras impressões

8 / 10
É o carro mais importante da SEAT e parece estar bem “defendido” nesse seu estatuto ao entrar na 4ª geração. Cresce o espaço para os passageiros traseiros, aumenta muito a tecnologia de conectividade e de info-entretenimento que vem com a nova plataforma eletrónica dos modelos compactos do Grupo Volkswagen. Chassis competente com predomínio da estabilidade, sem arriscar o conforto, motor com boas prestações e ajudado na agradabilidade geral pelo “empurrão” elétrico e um design personalizado são pontos fortes. O tablier poderia estar mais orientado para o condutor e mostrar uma melhor integração do ecrã central e o eixo traseiro é menos sofisticado do que no Golf (em motores de 150 cv como este), mas também por isso o seu preço é inferior ao do “primo” da Volkswagen.

  • Espaço na 2ª fila

  • Design

  • Resposta do motor em qualquer regime

  • Habitáculo “digital” (versões de equipamento mais altas)

  • Ecrã central pouco integrado no tablier e não direcionado para o condutor

  • Sem Diesel abaixo dos 2.0 l

  • Eixo traseiro com barra de torção

Preço

33.227

Data de comercialização: Maio 2020


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