Indústria

Aston Martin tem um novo CEO. Afinal o que se passa na “Ferrari britânica”?

A Aston Martin tem um novo CEO. Andy Palmer será substituído por Tobias Moers, que liderava os destinos da AMG na Daimler.

O anúncio hoje de que a Aston Martin tem um novo CEO (diretor executivo) é apenas o mais recente capítulo dos tempos agitados que se têm vivido nos últimos meses no pequeno construtor britânico.

Andy Palmer tem sido o CEO da marca britânica desde 2014 e foi ele o responsável pelo crescimento da Aston Martin até tempos recentes.

O seu “Second Century Plan” (Plano para o Segundo Século) permitiu renovar o portefólio da marca, tendo lançado o DB11, um novo Vantage e o DBS Superleggera. O lançamento mais importante de todos? Talvez o novo DBX, o primeiro SUV da marca — lançamento comprometido devido ao Covid-19 —, com o qual Palmer esperava garantir a necessária estabilidade financeira da nem sempre estável Aston Martin.

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Aston Martin DBX 2020
Aston Martin DBX

A “Ferrari britânica”

Era ambição de Andy Palmer elevar a Aston Martin ao estatuto de uma “Ferrari britânica” — expressão usada pelo próprio em entrevista à Autocar. Uma ambição focada, sobretudo, no modelo de negócio da poderosa marca italiana, mas não é de descurar também no tipo de automóveis que pretende oferecer.

Basta reparar no Valkyrie, um hiper-desportivo, que é também o seu primeiro modelo com motor central traseiro de sempre — e não será o único. Nos planos vemos mais dois “mid-engine” a caminho: o Valhalla (2022) e um novo Vanquish (2023).

TENS DE VER: Aston Martin ataca Ferrari, Lamborghini e McLaren com três máquinas de motor central traseiro

No entanto, a decisão de Palmer que mais “tinta” tem feito correr, tenha sido o de colocar a Aston Martin na bolsa  — vimos o malogrado Sergio Marchionne fazer o mesmo com a Ferrari, quando esta foi separada da FCA, e com enorme sucesso. No caso da Aston Martin, a história não correu tão bem assim…

Após uma série de resultados comerciais menos bons e a apresentação de prejuízos nos três primeiros meses deste ano, as ações da marca britânica já perderam 90% do seu valor inicial. Resultados que levaram Palmer a rever o seu plano inicial, atrasando, por exemplo, a introdução da marca de luxo Lagonda no mercado.

Lawrence Stroll, o investidor, agora presidente executivo

Em março, entrou em cena Lawrence Stroll, mais conhecido pela sua presença na Fórmula 1 — é o diretor da equipa Racing Point —, tendo liderado um consórcio de investimento que permitirá injetar centenas de milhões de euros na Aston Martin (muito necessários para garantir o arranque de produção do DBX). Garantiu também ao consórcio liderado por Stroll a aquisição de 25% da empresa.

Lawrence Stroll é agora o presidente executivo da Aston Martin e o plano, para já, é claro: reiniciar as operações de produção (também estiveram suspensas devido ao Covid-19), com claro foco no arranque de produção do DBX. Os super e hiper desportivos com motor central traseiro também são para continuar, de modo a cimentar a posição da Aston Martin neste setor do mercado.

Quem não faz parte do futuro da Aston Martin? Andy Palmer.

Aston Martin tem um novo CEO

Os maus resultados de Palmer podem ter pesado na decisão de Stroll para o substituir. A escolha para novo CEO da Aston Martin recaiu em Tobias Moers, veterano de mais de 25 anos na Daimler. E desde 1994 que está envolvido, de forma mais particular, com a Mercedes-AMG.

Escalou até ao lugar cimeiro na hierarquia da divisão de alta performance da Daimler, tendo assumido o cargo de diretor desde 2013. Moers é um dos principais responsáveis pela sua expansão: as vendas subiram de 70 mil unidades em 2015 para 132 mil unidades o ano passado.

Lagonda All-Terrain Concept
Lagonda All-Terrain Concept, Salão de Genebra, 2019 © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É a pessoa com as competências certas para o cargo de CEO da Aston Martin, de acordo com Stroll:

“Ele é um profissional excepcionalmente talentoso e um líder de negócios com provas dadas, com um forte histórico durante os muitos anos que esteve na Daimler, com quem temos uma longa e bem sucedida parceria técnica e comercial, que esperamos possa continuar.

Durante a sua carreira, ele soube expandir a gama de modelos, reforçar o posicionamento da marca e melhorar a rentabilidade.”

Será a pessoa certa para virar as fortunas da (quase sempre) conturbada Aston Martin? Teremos de aguardar.


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