Duelo

Testámos o Skoda Scala. TDI ou TSI, eis a questão

Familiar competente por natureza, será que o Skoda Scala "casa" melhor com o 1.6 TDI ou com o 1.0 TSI? Testámos os dois para encontrar uma resposta.

O Skoda Scala veio marcar uma nova fase da presença da marca checa no segmento C. Até agora, esta estava assegurada por dois modelos, o Rapid e o Octavia, que, devido às suas dimensões, se encontravam “entre segmentos”.

Ora, com o Scala, a Skoda decidiu que era altura de entrar “à séria” no segmento C e apesar deste recorrer à plataforma MQB-A0 (a mesma do SEAT Ibiza ou Volkswagen Polo), a verdade é que as suas dimensões não deixam margem para dúvidas em relação ao seu posicionamento.

Visualmente, o Skoda Scala segue uma filosofia próxima à da Volvo V40, ficando a “meio-caminho” entre um tradicional hatchback e uma carrinha. Pessoalmente, gosto do aspeto sóbrio e discreto do Scala e aprecio especialmente a solução adotada no óculo traseiro (se bem que tenha tendência para se sujar com facilidade).

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Skoda Scala 1.0 TSI 116cv Style DSG © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Posto isto, resta apenas uma questão: qual o motor que melhor “casa” com o Skoda Scala, o 1.6 TDI ou o 1.0 TSI, ambos com 116 cv? Ambas as unidades vinham equipadas com o mesmo nível de equipamento, Style, mas a transmissão era distinta — caixa manual de seis velocidades para o TDI e caixa DSG (dupla embraiagem) de sete velocidades para o TSI. Diferença em que nada altera o resultado final na apreciação das duas motorizações.

No interior do Skoda Scala

Pioneiro da nova filosofia de design da marca checa, o interior do Scala não se afasta dos princípios a que a Skoda nos habituou, apresentando um visual sóbrio, sem grandes rasgos estilísticos, mas com uma boa ergonomia geral e uma qualidade de montagem isenta de críticas.

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Skoda Scala 1.0 TSI 116cv Style DSG © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Quanto ao sistema de infotainment, este continua a merecer elogios não só pelo grafismo como pela facilidade de utilização. Ainda assim, uma menção para os agora desaparecidos comandos físicos que permitiam, por exemplo, controlar o volume do rádio, uma solução ergonomicamente superior, e também mais do meu agrado.

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Skoda Scala 1.0 TSI 116cv Style DSG
O ecrã do sistema de infotainment tem 9,2” e apresenta um bom grafismo. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Por fim, é altura de te falar acerca daquele que é, provavelmente, um dos melhores argumentos do Skoda Scala: o espaço habitável. Atrás o espaço para pernas é referencial e em altura também é bastante generoso, sendo possível transportar quatro adultos com conforto e sem “cotoveladas”.

No geral, a sensação a bordo do Skoda Scala é de que estamos dentro de um carro maior do que na realidade é. Tal como o espaço disponível para os passageiros, também a bagageira oferece espaço abundante, registando uns impressionantes e praticamente referenciais 467 litros.

Skoda Scala 1.0 TSI 116cv Style DSG
Com 467 litros de capacidade, no segmento C a bagageira do Skoda Scala só é suplantada pela do maior Honda Civic, mas apenas por meros 11 l (478 l). © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Ao volante do Skoda Scala

Até agora, tudo o que te disse acerca do Skoda Scala é transversal à gama do familiar checo. Para responder à pergunta que coloquei no início deste teste chega a  altura de irmos para a estrada, e ver os argumentos de cada motorização e como contribuem para a experiência de condução do Skoda Scala.

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Skoda Scala 1.0 TSI 116cv Style DSG
O painel de instrumentos digital não só é completo como proporciona uma boa leitura. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Para começar, e ainda comum aos dois, a posição de condução é deveras confortável. Para tal muito contribuem os bancos com bom apoio e facilmente ajustáveis, a boa visibilidade geral e o volante forrado a pele (comum a todas as versões), e que apresenta não só uma pega confortável como um tamanho adequado.

Mas vamos ao que interessa, os motores. Ambos têm a mesma potência, 116 cv, distinguindo-se nos valores de binário — 250 Nm no TDI e 200 Nm no TSI —, mas curiosamente, apesar das diferenças entre ambos (um é a gasolina e outro a gasóleo) acabam por revelar alguma falta de pulmão nos regimes mais baixos.

Skoda Scala 1.0 TSI 116cv Style DSG
De perfil o Scala parece uma mistura entre carrinha e hatchback. A “culpa” é da generosa terceira janela lateral. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

As diferenças entre ambos surgem na forma como cada um faz frente a essa característica. O TSI revela um maior à vontade em subir de rotação, enchendo mais rapidamente o turbo, trazendo vivacidade aos três cilindros, levando depois o taquímetro até zonas com as quais o TDI só pode sonhar. Já o Diesel serve-se do seu maior binário e cilindrada (+60%), sentindo-se mais confortável nos médios regimes.

As prestações entre ambas as unidades são algo semelhantes, isto apesar de o TDI estar acoplado a uma bem escalonada (e agradável de usar) caixa manual de seis velocidades e o TSI contar com a já muitas vezes elogiada caixa automática DSG com sete velocidades.

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No que aos consumos diz respeito, nenhum destes motores se revelou especialmente guloso. Como é óbvio, o Diesel é mais “poupadinho”, oferendo médias na casa dos 5 l/100 km (com calma e em estrada aberta cheguei a conseguir 3,8 l/100 km). Já no TSI a média andou entre os 6,5 l/100 km e os 7 l/100 km.

Por fim, não há praticamente nada a separar em termos dinâmicos os dois Skoda Scala, apesar dos quase 100 kg de diferença entre os dois. Pode ser um familiar compacto, mas qualidades estradistas não lhe faltam, e quando chegam as curvas o Scala não se amedronta. O comportamento pauta-se por ser preciso, previsível e seguro, complementado por uma direção precisa, com o peso adequado.

É o carro certo para mim?

É verdade que não tem a acutilância dinâmica de um Mazda3 nem o apelo premium de um Mercedes-Benz Classe A, mas tenho de admitir que por gostar bastante do Skoda Scala. É que, pura e simplesmente o modelo checo não conta com pontos negativos dignos de nota — a homogeneidade, pela positiva, é o que o caracteriza.

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Robusto, bem equipado, confortável e (muito) espaçoso, o Skoda Scala cumpre com tudo aquilo que se pede, objetivamente, a um modelo de segmento C. Tendo em conta todos estes argumentos, se procuras um familiar compacto bastante competente e espaçoso, então o Scala pode muito bem ser a resposta às tuas “preces”.

Quanto à motorização ideal, tanto o 1.6 TDI como o 1.0 TSI são boas escolhas, enquadrando-se bem no carácter estradista do Scala. Afinal, qual escolher?

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Do ponto de vista da agradabilidade, o pequeno 1.0 TSI supera o 1.6 TDI, mas como é habitual, caso o número de quilómetros praticados por ano seja bastante elevado, é impossível não ter em conta a superior economia do Diesel.

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Como sempre, o melhor é ir buscar a calculadora e fazer umas quantas contas. É que graças à nossa fiscalidade, que não só penaliza mais os modelos Diesel como as cilindradas mais altas, o Scala 1.6 TDI testado é cerca de mais quatro mil euros que o 1.0 TSI e o IUC é também ele mais de 40 euros superior. Isto apesar de contarem com o mesmo nível de equipamento, e o 1.0 TSI até tem a transmissão mais cara. Valores que já fazem pensar.

Nota: Os valores entre parêntesis na ficha técnica abaixo referem-se especificamente ao Skoda Scala 1.6 TDI 116 cv Style. O preço base desta versão é de 28 694 euros. A versão ensaiada ascendia a 30 234 euros. O valor de IUC é de 147,21 €.

Preço

unidade ensaiada

27.290

Versão base: €24.615

IUC: €103

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 3 cil. em linha (4 cil. em linha)
    • Capacidade: 999 cm3 (1598 cm3)
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta + turbo + intercooler (Injeção direta common rail + turbo de geometria variável + intercooler)
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv./cil. (2 a.c.c., 4 válv./cil.)
    • Potência: 116 cv entre as 5000 e as 5500 rpm (116 cv entre as 3250 e as 4000 rpm)
    • Binário: 200 Nm entre as 2000 e as 3500 rpm (250 Nm entre as 1500 e as 3250 rpm)
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática (DSG) de sete velocidades (Manual de seis velocidades)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4362 mm / 1793 mm / 1471 mm
    • Distância entre os eixos: 2649 mm
    • Bagageira: 467 litros
    • Jantes / Pneus: 205/45 R18
    • Peso: 1229 kg (1324 kg)
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6 l/100 km (4,8 l/100 km)
    • Emissões de CO2: 136 g/km (126 g/km)
    • Vel. máxima: 199 km/h (201 km/h)
    • Aceleração: 9,9s (10,1s)
  • Garantias
    • Mecânica: 4 anos ou 80 mil quilómetros
  • Equipamento
    • Apoio de braços dianteiro com Jumbo BOX
    • Apoio lombar manual nos bancos dianteiros
    • Ar condicionado Climatronic
    • Bancos dianteiros ajustáveis em altura
    • Bluetooth com voice control
    • Câmara traseira
    • Care Connect 1 ano + Infotainment Online 1 ano
    • Cockpit Virtual
    • Cruise Control + Speedlimiter
    • Espelho retrovisor interior com anti-encadeamento automático
    • Espelhos retrovisores exteriores elétricos, aquecidos retráteis com anti-encadeamento automático
    • Faróis de nevoeiro dianteiros
    • Faróis full LED, faróis de circulação diurna e função cornering
    • Faróis traseiros full LED
    • Front Assist - com sistema de travagem de emergência
    • Hill hold control
    • Jantes de liga leve 17" Stratos
    • Keyless Go, e fecho central com controlo remoto
    • Lane Assist
    • Light Assist, com assistente de máximos; e sensor de chuva
    • Pneu sobressalente
    • Sensor de parqueamento traseiro
    • Sistema de navegação Amundsen com ecrã de 9,2''
    • SmartLink
    • Start-Stop, com recuperação de energia da travagem
    • Tomada de 12V na bagageira
    • Volante multifunções em pele
    • 2 entradas USB C
Extras
Jantes de liga leve 18" Veja Aero, preto polido — 510 €; Pintura metalizada — 460 €; Pack Dynamic (inclui: bancos desportivos, pedais em alumínio, volante multifunções Sport, forro do tejadilho em preto) — 490 €; Pack Emotion (inclui: tejadilho panorâmico, faróis full LED dianteiros e traseiros, faróis de nevoeiro com função cornering, controlo dinâmico dos faróis) — 610 euros; Sport Chassis Control, com suspensão adaptável e Driving Mode Select — 405 €; Volante multifunções Sport, com controlos de rádio, telefone e patilhas para controlo da caixa DSG — 200 €. Skoda Scala 1.6 TDI Style: pintura sólida — 305 €; tejadilho panorâmico — 745 €; Pack Dynamic (inclui: bancos desportivos, pedais em alumínio, volante multifunções Sport, forro do tejadilho em preto) — 490 €.
Avaliação
7 / 10
Face às referências do segmento, o Skoda Scala poderá ficar atrás em vários campos, no entanto, a verdade é que o modelo checo oferece-te tudo aquilo que se pode pedir a um familiar do segmento C. Espaçoso, confortável, económico e robusto, o Skoda Scala é, provavelmente, uma das escolhas mais racionais e completas do mercado. Quanto à escolha entre o 1.6 TDI e o 1.0 TSI, depende muito do tipo de utilização. Se racionalmente, o valor mais elevado do Diesel prejudica-o numa comparação com o 1.0 TSI, pessoalmente, sendo eu um "devorador" de quilómetros, a minha escolha iria pender para o económico 1.6 TDI, que enaltece as características estradistas inatas do Skoda Scala.
  • Robustez
  • Espaço
  • Consumos
  • Equipamento
  • Motor algo ruidoso (1.6 TDI)
  • Alguns materiais no interior
  • Desaparecimento de alguns comandos físicos
Sabes responder a esta?
Qual é a potência do Skoda Octavia RS iV?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

O mais desportivo dos Skoda Octavia rende-se aos eletrões

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