Revelação em março

Já conduzimos o novo Audi S3 pelas estradas reviradas dos Açores

O novo Audi A3 chega já esta primavera com os habituais trunfos de solidez, qualidade e conteúdo tecnológico avançado. Mas será suficiente como resposta à pressão que lhe vem de todos os lados, entre rivais diretos em crescendo, maior consciência ambiental global e alternativas eletrificadas? Fomos os primeiros a guiar o novo topo de gama, o Audi S3, nas ziguezagueantes estradas açorianas.

Em São Miguel, Açores

Texto: Joaquim Oliveira/Press-Inform.

Quando apareceu, há duas décadas, o A3 encetava o segmento de modelos premium compactos e esse pioneirismo valeu-lhe uma posição de destaque ao longo de todos estes anos. Só que com o decorrer dos anos a BMW e a Mercedes-Benz perceberam que este era também um segmento interessante e fizeram-lhe companhia com o Série 1 e o Classe A, respetivamente.

Ao mesmo tempo que melhorou a oferta de versões desportivas nesta silhueta de automóvel, mesmo dentro do próprio Grupo Volkswagen, personificados pelo Volkswagen Golf R, SEAT Leon CUPRA e até o Skoda Octavia RS ainda que os rivais mais diretos, no caso, do Audi S3, sejam naturalmente o BMW M135i e o Mercedes-AMG A 35.

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A estreia mundial está marcada também para o mesmo palco em solo helvético mas, como ocorre cada vez com mais frequência, tivemos oportunidade de guiar uma versão disfarçada de um protótipo em fase terminal de testes para uma primeira ideia do que aí vem. Que não será surpreendente, o que no caso de um modelo da Audi não é um comentário negativo.

Visualmente (ainda que não se perceba inteiramente nas fotografias…) chama a atenção a nova grelha em ninho de abelha ladeada por faróis LED de série com funções avançadas de iluminação customizada, além das arestas cada vez mais “vivas” na traseira onde pontificam igualmente as óticas horizontais.

Neste Audi S3 há alargamentos da carroçaria e para-choques para acrescentar drama mesmo com o carro parado. Desde 2017 que a Audi deixou de fazer a variante de três portas – uma tendência a que ninguém foge nos nossos dias –, mas ainda assim o novo A3 irá ter uma família de uma dezena de elementos quando estiver completa, o que deverá ocorrer em 2022 (incluindo a variante de três volumes com muita procura no mercado chinês).

Mesma qualidade, menos botões

No interior (que estavam tapados nesta experiência para deixar a surpresa, relativa, para o Salão de Genebra) os materiais e montagem/acabamentos respiram a habitual qualidade que conhecemos nos Audi, notando-se que há agora menos botões do que anteriormente, outro sinal irreversível dos tempos.

Os bancos desportivos deste Audi S3 inspiram confiança para as curvas que se seguem e o espaço interior mantém-se em bom nível, mesmo com o intrusivo túnel no piso na zona dos pés atrás: não surpreende já que o novo modelo usa a mesma estrutura – MQB – do antecessor.

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Evolução quattro

Outra pequena evolução foi feita no sistema quattro que equipa este S3 e que foi bastante útil nesta sessão de condução à chuva. Continua a existir uma embraiagem multidisco banhada em óleo posicionada no final do veio de transmissão à frente do diferencial do eixo traseiro, mas agora existe um controlo dinâmico central que integra igualmente a ação dos amortecedores e da vetorização de binário pela travagem, o que permite que toda a dinâmica do carro esteja muito mais integrada do que até aqui.

Audi S3 prototipo 2020

O resultado é uma resposta mais rápida e adequada às exigências colocadas pela estrada, condução e aderência do piso. A distribuição é feita de forma totalmente variável, sendo a totalidade da força entregue às rodas da frente numa estrada retilínea e em condução a ritmos moderados, mas podendo variar até 100% do “sumo” a ser mandado para o eixo traseiro.

Ainda puramente a combustão

O motor é o conhecido 2.0 litros turbo (EA888) que deverá produzir um pouco mais de 300 cv — praticamente igual à anterior geração, não deu para obter confirmação oficial, porque os engenheiros alemães que acompanharam o restrito grupo de jornalistas que tiveram acesso a este evento não revelavam quaisquer dados além dos seus nomes próprios…—, até porque nestes tempos de estrangulamento de emissões quaisquer ganhos em eficiência são bem-vindos e, mantendo-se o hardware, os progressos a esse nível nunca podem ser exponenciais.

Audi S3 prototipo 2020

A entrada em ação do turbo percebe-se claramente acima das 1900 rpm e se pensarmos em prestações como o sprint de 0 a 100 km/h em cerca de 4,7s e uma velocidade de ponta de 250 km/h (eletronicamente controlada) não andaremos longe da realidade. Uma vez mais, registos idênticos ao modelo que se irá reformar.

A caixa automática de dupla embraiagem, a única transmissão disponível no Audi S3, ajuda a desfrutar ao máximo da condução e, provida de patilhas de passagem atrás do aro do volante, conspira com a precisão da direção com assistência progressiva (que se torna mais direta em condução desportiva e menos em linha reta) para que raramente o condutor precise de retirar as mãos da posição “10 para as 2” ou que tenha que fazer uma correção na trajetória da curva.

Audi S3 prototipo 2020

Mais distinção nos modos de condução

Os engenheiros da Audi dizem que aumentaram a diferença entre os vários modos de condução (são cinco no total, de mais confortável a mais dinâmico e com um programa Individual para parametrizar as várias afinações) para que fossem mais usados pelo utilizador, o que se percebe melhor em veículos equipados com sistema de amortecimento variável, como é o caso.

Em Comfort os maus pisos são “suavizados” e em Dynamic tudo é passado para o corpo e mãos do condutor de modo menos filtrado, mas quem preferir uma resposta intermédia mas que não deixa de ser variável a solução é guiar em Auto, cuja ambivalência lhe vale a preferência por parte dos clientes da Audi.

Agora, novo encontro com o Audi S3 só mesmo em Genebra, em menos de um mês.

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