Restomod

Estes são os 5 clássicos re-imaginados mais desejados

Uns consideram heresia, outros o melhor de dois mundos. Selecionámos o que consideramos ser as cinco propostas mais desejadas no universo do restomodding.

Restomodding, um termo cada vez mais comum, pode ser definido como a fusão entre o restauro de um automóvel e a sua modificação com o intuito de modernizá-lo, usufruindo dos avanços da indústria automóvel — seja a nível de materiais, motorizações, suspensões, etc… O céu parece ser o limite.

Essencialmente, as alterações permitem usar o carro de forma muito mais regular, tudo acompanhado com superiores níveis de performance, fiabilidade e durabilidade.

Os apologistas desta vertente afirmam que é o melhor de dois mundos: ter um clássico, mas sem as dores de cabeça de possuir um. Os detratores não concordam com o adulterar, por vezes irreparável, de carros considerados clássicos, muitos dos quais não foram produzidos em números elevados. Um debate para outra ocasião…

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Por enquanto decidimos reunir uma mão cheia de propostas, que podem muito bem ser consideradas como aquelas cujos resultados são os mais cobiçados — há muitos mais propostas, igualmente bem executadas, mas estas arrebataram-nos…

Alfaholics GTA-R

Alfaholics GTA-R 290

O nome diz tudo. A Alfaholics é uma empresa britânica especializada em modelos Alfa Romeo, desde a venda de peças para modelos passados, como o Giulia GT (série 105/115) retratado, até restauros completos. Mas o negócio não se fica apenas por aqui.

O envolvimento em competição pela Alfaholics motivou diversos desenvolvimentos do Giulia, e a divulgação online da progressão desses desenvolvimentos, acabaria por gerar pedidos de encomenda para carros completos — nascia assim o GTA-R.

Já alvo de várias evoluções, de momento, a derradeira evolução chama-se GTA-R 290 (referência à relação peso-potência, de 290 cv por tonelada).

O Alfaholics GTA-R 290 é como se fosse uma reencarnação, elevada ao cubo, do primeiro Giulia GTA. Não deixa de ser uma devida homenagem ao Giulia GTA, mas o GTA-R 290 é muito mais que isso.

As clássicas linhas da sua carroçaria “escondem” novos materiais, como fibra de carbono (alguns painéis da carroçaria), alumínio e titânio (braços da suspensão dianteira).

Por baixo do capot respira um quatro cilindros em linha com 2,3 l, um cuore derivado da unidade 2.0 Twin Spark do Alfa Romeo 75, que debita aqui saudáveis e naturalmente aspirados 240 cv (mais cavalo menos cavalo). Não parece muito? Bem, o GTA-R 290 pesa apenas 835 kg — é mais leve que um Alfa Romeo 4C, e sabemos bem como esse carro anda…

Como devem imaginar o preço não é nada simpático, ficando algo a norte das 200 mil libras, ou seja mais de 225 mil euros, mas não foi impedimento para terem clientes para mais de 20 unidades.

Quem o experimenta não quer outra coisa. Nem mesmo aqueles que estão habituados a conduzir todos os superdesportivos e mais alguns, como o sr. Chris Harris.

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Eagle Spyder GT

Eagle Spyder GT

Ainda antes de o termo restomod ter saltado para a ribalta, já a Eagle transformava o belíssimo Jaguar E-Type numa máquina mais capaz e desejável. O Eagle Spyder GT é a quarta geração de modelos desenvolvidos com base no coupé e roadster da Jaguar: Eagle E-Type, Eagle Speedster e o Eagle Low Drag GT precederam-no.

A britânica Eagle afirma que o Spyder GT é capaz de oferecer a performance do Low Drag GT, o seu coupé — herdando deste o seis cilindros em linha de 4.7 l com 335 cv, ainda a carburadores —, e a estética do Speedster original num carro só.

Todo em alumínio, pode ser ainda equipado com um escape em titânio, o que permite que o peso fique muitos poucos quilos acima da tonelada — os 0 aos 100 km/h são conseguidos abaixo dos cinco segundos e a velocidade máxima suplanta os 270 km/h.

Tiff Needell, que já teve oportunidade de o conduzir, diz não querer saber que o consideram um dos carros mais belos do mundo… O que o fez apaixonar-se pelo carro foi por ser um dos mais belos… de conduzir.

O preço começa nos 780 mil euros e uns trocos, sem impostos (!).

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Lancia Delta Futurista

Lancia Delta Futurista

A italiana Automobili Amos surgiu com uma proposta claramente distinta de outras restomod. Não só pelo modelo escolhido, a lenda Lancia Delta Integrale, como pela idade relativamente recente deste — a grande maioria dos projetos de restomod costumam ir mais atrás no tempo.

No final, o que obtemos? Um “Deltona” mais leve, mais potente, mais rápido e… com apenas três portas. A carroçaria é agora em fibra de carbono, uma das principais razões para o seu peso reduzido, 1250 kg; e o motor 2.0 Turbo 16V debita agora 330 cv. A transmissão foi também revista, para melhor suportar os equídeos extra, assim como o chassis.

No total, mais de 1000 componentes foram alterados, com a construção de cada unidade a demorar entre três e quatro meses. Só vão ser feitas 20 unidades, cada uma pela módica quantia de 300 mil euros.

 

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Mini Remastered

David Brown Automotive Mini Remastered

A David Brown Automotive começou por lançar um modelo próprio, o Speedback GT, inspirado no Aston Martin DB5 (o mesmo do agente 007), mas tendo como base um… Jaguar XKR. Mas o que captou verdadeiramente a imaginação dos entusiastas acabaria por vir num pacote bem mais pequeno.

Para aqueles que nunca imaginariam que o Mini original fosse “vitima” desta “moda”, a David Brown Automotive provou o contrário e a procura superou todas as suas melhores expetativas… O Mini como objeto de luxo? Acreditem…

Recorrendo a motores recondicionados do Cooper S e do 1275 GT, é um contraste com outras propostas desta lista, ao estar disponível com apenas 79 cv e 99 cv. O estilo foi revisto, com o destaque a ir para as óticas traseiras, mas é no interior que ocorreu uma revolução. Um Mini clássico com Apple Car Play? Sim, este Mini Remastered tem.

David Brown Automotive Mini Remastered

Esta compacta excentricidade precisa de mais de 1000 horas de mão-de-obra na sua execução, mas mesmo assim custa aceitar o preço de 82 mil euros… por um Mini. A produção não é limitada, com a David Brown Automotive a anunciar entre 50 a 100 unidades por ano.

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Singer 911 DLS

Singer DLS

Singer, sediada nos EUA, é talvez aquela que mais contribuiu para o elevar do estatuto do restomod, e como tal, não podia deixar de fazer parte desta lista. Poderíamos escolher entre muitos dos seus projetos, sempre com base Porsche 911, mas a escolha teria de recair, indubitavelmente, no seu mais recente e também mais ambicioso projeto de sempre, o DLS, de Dynamics and Lightweighting Study.

Olhando e analisando o impressionante resultado final, começa a ser difícil classificar este projeto como um restomod, apesar da base ser ainda a de um carro de produção, um Porsche 911 de 1990, geração 964dá a ideia de que nem um parafuso transitou do carro original para este…

Tudo nesta máquina é simplesmente arrasador. O motor, o eterno boxer de seis cilindros, aqui com 4.0 l, é um colosso arrefecido a ar de 500 cv capaz de fazer… 9000 rpm (!), concebido pela Williams Advance Engineering, e com consultoria de um tal Hans Mezger.

A longa experiência da Williams em aerodinâmica foi também fundamental, aplicando os seus vastos conhecimentos no aprimorar do fluxo de ar sobre a carroçaria do DLS — a “duck tail”, de proporções exageradas, ou a entrada de ar presente na janela lateral são disso um exemplo.

Para fazer jus ao Lightweighting no nome (aligeiramento), uma dieta forçada de fibra de carbono, magnésio e titânio teve como resultado um peso de apenas e só 990 kg — menos que um Volkswagen Up! GTI —; as performances devem ser avassaladoras.

Nada foi deixado ao acaso, fosse no cuidado aspeto exterior e interior, ou no desenvolvimento do chassis. A fórmula Singer é levada aqui a um extremo e muitos consideram o DLS o 911 perfeito.

A dimensão deste projeto, com muitas soluções exclusivas desenvolvidas, faz, como devem imaginar, com que o valor do Singer DLS seja elevado, muito mesmo — são mais de 1,5 milhões de euros de preço base, valor que entra na esfera dos hipercarros. Será um valor justo? Pouco interessa, porque… interessados não faltam.

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