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A Singer juntou-se à Williams e fez isto… um 911 «air cooled» com 500 cv!

São modelos como este que nos fazem gostar de automóveis. Se não sentes nada ao ver estas imagens consulta um cardiologista ou dirige-te à morgue mais próxima…

Sim, o futuro é elétrico, autónomo e seguro. Mas são modelos como este Singer, viscerais, potentes e belos que nos fazem gostar de automóveis.

A história deste modelo, que é a mais recente criatura nascida nos estúdios da Singer — um famigerado preparador de modelos Porsche, sediado em Los Angeles (EUA) — conta-se em poucas linhas.

Singer DLS 911
Dat ass…

Era uma vez…

Um Porsche 911 de 1990 (geração 964) e um dono com bolsos tão fundos quanto a sua insatisfação. O que é que pretendia este multimilionário insatisfeito? Possuir a derradeira interpretação do Porsche 911 clássico: baixo peso e motor flat six, refrigerado a ar, naturalmente… aspirado! Em termos estéticos devia herdar as linhas depuradas da primeira geração do 911. Um caderno de encargos simples de explicar, porém difícil de colocar em prática.

A empresa escolhida para a missão foi a Singer. A Singer batizou este programa de desenvolvimento de Dynamics and Lightweighting Study (DLS). É aqui que tudo começa a ganhar forma.

Singer DLS 911
Belo de todos os ângulos.

Precisamos de ajuda

Este é o primeiro Singer 911 a resultar do programa DLS. Um dos grandes parceiros deste projeto foi a Williams Advance Engineering que foi responsável, entre outras coisas pelo motor 4.0 litros flat six — seis cilindros opostos —, capaz de desenvolver 500 cv de potência e atingir as 9000 rpm Imaginam o som deste motor? Agora dupliquem.

Além do motor, a Williams também deu uma ajuda na carroçaria, aplicando princípios de aerodinâmica moderna num design com mais de 50 anos. Os cuidados com a aerodinâmica são visíveis na famosa «ducktail» mais pronunciada ou nos extratores de ar traseiros. Elementos pensados para gerar o tão necessário downforce num carro que chega aos 500 cv de potência.

Porsche Singer 911
Se um relógio suíço ganhasse as formas de um motor era assim.

O recurso aos materiais mais nobres também não foi esquecido — nem podia ser esquecido. Um dos objetivos da Singer era manter o peso abaixo dos 1000 kg. Sucesso! Na balança este 911 (964) com esteróides acusa uns anoréticos 990 kg de peso — o mesmo que pesa uma Mazda MX-5 NA com 133 cv de potência! 

Um objetivo que naturalmente só foi alcançado com o recurso intensivo a materiais como o magnésio, titânio e fibra de carbono.

O lugar mais desejado.

Em termos de componentes, nada foi deixado ao acaso. A BBS desenvolveu umas jantes de 18 polegadas em magnésio forjado e a Michelin “ofereceu” uns pegajosos pneus Pilot Sport Cup 2. A travagem ficou a cargo de umas pinças da Brembo servidas por discos em cerâmica. Da Hewland veio uma caixa de velocidades manual de seis velocidades tailor-made.

Consultores de luxo

Terminada esta «obra de arte» era imperativo afiná-la. Para essa nobre tarefa foi pedida a colaboração de Marino Franchitti, piloto de competição e Chris Harris, que vocês sabem muito bem quem é…

É por aqui que respiram os 500 cv de potência.

O resultado está patente nas imagens. Um carro belo, funcional, que se afigura como uma das mais fantásticas interpretações do Porsche 911.

Boas notícias

A Singer está a aceitar encomendas para mais modelos nascidos deste programa DLS. Mais concretamente 75 encomendas, não mais do que isso. Preço? Contem com números na casa dos milhões. Vale a pena? Naturalmente que sim.

Singer DLS 911
Belo por fora e por dentro.

Nas palavras da Singer, quem quiser um destes modelos será o feliz proprietário de um 911 “stripped bare for dynamic savagery, dressed for intercontinental touring or pitched somewhere between those extremes.” — não traduzimos porque em inglês a carga dramática é maior. É verdade que o dinheiro não traz felicidade, mas eu não me importava de ser infeliz ao volante de um 911 nascido na Singer.

Singer 911 DLS
Inconfundível.

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