Ao volante

A Suzuki renovou o Vitara e nós já o fomos conhecer

A Suzuki renovou o Vitara e fomos até Madrid para o conhecer. Por fora até pode parecer igual mas há novidades, principalmente debaixo do capot.

Em Las Margas, Madrid, Espanha

Ainda há umas semanas te demos a conhecer o pequeno Jimny, o Suzuki de que todos parecem falar. Pois bem, a marca nipónica parece que não quis deixar para trás o “irmão mais velho” e acaba de apresentar o restyling do Suzuki Vitara, um modelo que já está no mercado desde 2015.

Ao contrário do Jimny, o Vitara adota uma conceção mais moderna, tendo há já algum tempo abdicado do chassis de longarinas em detrimento de um mais convencional monobloco. No entanto a marca japonesa insiste em afirmar que este continua a conseguir honrar os pergaminhos off-road conquistados pelas gerações anteriores.

Para o mostrar a Suzuki decidiu levar-nos até aos arredores de Madrid. E o que te posso dizer é que se esteticamente pouco parece ter mudado, já debaixo do capot não se pode dizer o mesmo.

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Suzuki Vitara MY2019

O que mudou por fora…

Bem, por fora pouca coisa mudou no SUV da Suzuki. Visto de frente salta à vista a nova grelha cromada com barras verticais (em vez das anteriores horizontais) e um conjunto de embelezadores cromados junto aos faróis de nevoeiro.

Dando a volta ao carro as diferenças continuam a ser poucas, com a lateral a manter-se igual (a única novidade são as novas jantes de liga leve de 17″). Só quando vemos o Vitara de traseira é que nos deparamos com as maiores diferenças, onde podemos ver novos faróis traseiros e a parte inferior do pára-choques redesenhada.

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E por dentro?

Por dentro o conservadorismo manteve-se. A principal novidade no habitáculo do Vitara é o novo painel de instrumentos com um ecrã LCD a cores de 4,2″ onde podes ver o modo de tração selecionado (nas versões 4WD), os sinais de trânsito lidos pelo sistema de deteção de sinais ou informações do computador de bordo.

Usar dois “pauzinhos” colocados no painel de instrumentos para navegar nos menus é demasiado anos 90, Suzuki.

Por dentro do renovado Vitara saltam à vista duas coisas: um desenho intuitivo onde tudo parece estar no sítio certo e materiais duros. No entanto, apesar dos plásticos duros a construção é robusta.

Em termos de desenho, mantém-se tudo na mesma, com um pormenor engraçado: um relógio analógico entre as duas saídas de ventilação centrais (vês Suzuki, neste caso o espírito 90’s funciona). De resto o sistema de infotainment mostrou-se intuitivo de usar, mas precisa de uma revisão gráfica e é fácil encontrar uma posição de condução confortável aos comandos do Vitara.

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Adeus, Diesel

O Vitara é animado por dois motores a gasolina turbo (de fora fica de vez o Diesel, tal como a Suzuki já tinha anunciado). O mais pequeno é o 1.0 Boosterjet de 111 cv, uma novidade na gama Vitara (já era usado no Swift e no S-Cross). Está disponível com caixa automática de seis velocidades ou manual de cinco e em versões de duas ou quatro rodas motrizes.

A versão mais potente fica a cargo do 1.4 Boosterjet de 140 cv que surge com caixa manual ou automática de seis velocidades e tração dianteira ou integral. Comum às versões de caixa automática (tanto no 1.0 l como no 1.4 l) é a possibilidade de selecionar a mudança com recurso a patilhas colocadas atrás do volante.

O sistema de tração integral ALLGRIP usado pelo Vitara permite escolher quatro modos: Auto, Sport, Snow e Lock (este só acionável depois de escolher o modo Snow). Aconselho-te a usar sempre o Sport pois dá ao Vitara uma melhor resposta ao acelerador e torna-o bem mais divertido do que o apático modo Auto.

A Suzuki anuncia consumos na casa dos 6,0 l/100 km para o 1.0 Boosterjet nas versões de tração integral e caixa manual e de 6,3 l/100 km para o 1.4 Boosterjet com o sistema 4WD e caixa manual mas em nenhum dos carros testados os consumos andaram perto desses valores, sendo que o 1.0 l andou pelos 7,2 l/100 km e o 1.4 l pelos 7,6 l/100 km.

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Em estrada

A partida foi feita de Madrid em direção a uma estrada de serra onde deu para perceber que o Vitara não se importa de serpentear entre curvas. Em termos dinâmicos mantém a compostura neste tipo de estradas, adornando muito pouco nas curvas nem apresentar fadiga na travagem, sendo o único senão uma direção que poderia ser mais comunicativa.

Neste troço de serra o Vitara usado foi 1.0 Boosterjet com caixa manual de cinco velocidades. E que bela surpresa foi este motor! Apesar da baixa cilindrada nunca aparentou ter “falta de ar”. Sobe de rotação com alegria (principalmente com o modo Sport selecionado), tem força desde as baixas rotações e não tem dificuldades em levar o velocímetro para velocidades mais elevadas.

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Já o teste ao 1.4 Boosterjet com caixa de seis velocidades manual foi feito em autoestrada e o que te posso dizer é que apesar de contar com mais 30 cv a diferença para o pequeno 1.0 l não é tão grande como esperava. Sente-se que tens mais binário (obviamente) e em autoestrada consegue manter a velocidade de cruzeiro com mais facilidade, mas numa utilização normal as diferenças não são muitas.

Comum a ambos é a suavidade de funcionamento, com o Vitara a mostrar-se bastante confortável, tendo lidado bem com os poucos buracos com que se cruzou.

Suzuki Vitara MY2019
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E fora dela

Nesta apresentação a Suzuki só tinha disponíveis versões 4WD. Tudo porque a marca queria mostrar como o Vitara não perdeu os genes TT apesar de se ter “domesticado”. Assim, chegados a uma quinta nos arredores de Madrid foi altura de pôr à prova o Vitara em caminhos onde a maioria dos proprietários nem sonha colocá-lo.

Em fora de estrada o pequeno SUV desenvencilhou-se sempre bem nos obstáculos com que se deparou. Tanto no modo Auto como no Lock o sistema ALLGRIP garante que o Vitara tem tração sempre que necessário e os sistemas Hill Descent Control ajuda a ganhar confiança para descer pendentes que mais parecem indicados para o Jimny.

Pode não ser um Jimny (nem pretende ser), mas o Vitara consegue oferecer ao pai de família mais radical uma hipótese real de evasão, sendo apenas necessário ter alguma atenção à altura ao solo (18,5 cm) e aos ângulos de ataque e saída, que apesar de não serem maus (18º e 28º respetivamente), também não são referenciais.

Suzuki Vitara MY2019
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Principais novidades são tecnológicas

A Suzuki aproveitou a atualização para reforçar o conteúdo tecnológico, sobretudo o relativo aos equipamentos de segurança. Para além do sistema autónomo de travagem de emergência e do cruise control adaptativo o Vitara passou a oferecer o sistema DSBS (Dual Sensor BrakeSupport), alerta e assistente de mudança de faixa, e alerta anti-fadiga.

Em estreia na Suzuki encontramos o sistema de reconhecimento de sinais de trânsito, deteção de ângulo morto e o alerta de tráfego posterior (que funciona a velocidades inferiores a 8 km/h em marcha-atrás avisando o condutor dos veículos que se aproximam pelas laterais).

Estes equipamentos de segurança surgem de série nas versões GLE 4WD e GLX sendo que todos os Vitara contam com o sistema Start & Stop. Tirando a versão GL, a consola central conta sempre com um ecrã tátil multifunções de 7″. Na versão GLX surge ainda de série o sistema de navegação.

Suzuki Vitara MY2019
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Em Portugal

A gama Vitara em Portugal vai arrancar com o 1.0 Boosterjet no nível de equipamento GL e tração dianteira, sendo que o topo da gama vai ser ocupado pelo Vitara na versão GLX 4WD com o motor 1.4 l e caixa automática de seis velocidades.

Comum a todos os Vitara é a garantia de cinco anos e a campanha de lançamento que vai surar até ao final do ano e que retira 1300 euros ao preço final (caso se opte pelo financiamento da Suzuki o preço desce ainda mais 1400 euros). Tanto nas versões de duas como de quatro rodas motrizes o Vitara paga apenas Classe 1 nas nossas portagens.

Versão Preço (c/campanha)
1.0 GL 17 710€
1.0 GLE 2WD (Manual) 19 559 €
1.0 GLE 2WD (Automático) 21 503 €
1.0 GLE 4WD (manual) 22 090 €
1.0 GLE 4WD (Automático) 23 908 €
1.4 GLE 2WD (Manual) 22 713 €
1.4 GLX 2WD (Manual) 24 914 €
1.4 GLX 4WD (Manual) 27 142 €
1.4 GLX 4WD (Automático) 29 430 €

Conclusão

Pode não ser o mais vistoso dos SUV do seu segmento nem é o mais tecnológico, mas devo admitir que o Vitara me surpreendeu pela positiva. O desaparecimento do Diesel da gama é bem colmatado pela chegada do novo 1.0 Boosterjet que deixa muito pouco a dever ao maior 1.4 l. Competente e confortável em estrada e desenvencilhado fora dela o Vitara é daqueles carros que se tem de experimentar para poder apreciar.

Apesar das dimensões reduzidas (mede cerca de 4,17 m de comprimento e tem uma bagageira com 375 l de capacidade) o Vitara pode ser uma alternativa interessante para algumas famílias aventureiras.

Primeiras impressões

6 / 10
O renovado Vitara vai, provavelmente, ficar na sombra do Jimny. No entanto a Suzuki fez um bom "trabalho de casa" ao renovar o seu SUV, dotando-o de equipamentos de segurança que começam a ser quase obrigatórios. Discreto esteticamente este é o carro ideal para quem quer um SUV mas não liga muito a modas. Confortável no asfalto e com boas aptidões estradistas revela-se capaz quando levado por maus caminhos. No interior reinam os plásticos duros e um ambiente escuro mas não se podem apontar críticas à robustez de montagem. Espaçoso q.b. o que mais impressionou neste teste foi mesmo o pequeno 1.0 Boosterjet, que "casa bem" com o espírito discreto e descontraído do Vitara.

  • Motor 1.0 Boosterjet

  • Relação custo/benefício

  • Robustez

  • Suavidade da caixa de velocidades manual

  • Plásticos duros em quase todo o habitáculo

  • Sistema de deteção de sinais com algumas falhas

  • Consumos

Preço

17.710

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