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Ao volante do novo Porsche Panamera

O primeiro contacto com as versões 4S Diesel e Turbo


Desligo o rádio, coloco o Porsche Panamera Turbo no modo Sport+, os escapes em modo “bazófia” e entro montanha adentro. São quase duas toneladas “nas mãos” e debaixo do capot está um V8 Biturbo com 550 cv a devorar oxigénio. Tenho mais de 400 km solitários para percorrer e apesar da falta de companhia humana, há uma máquina para explorar. Já tive dias piores…

Finalmente chegou o dia de me sentar ao volante do novo Porsche Panamera e para quem tem acompanhado, sabe o que isso significa. Depois de uma ida a Frankfurt para assistir à revelação mundial da nova berlina de luxo da Porsche, participei num workshop em Dresden, também na Alemanha, onde esta nova proposta da marca de Estugarda foi exaustivamente detalhada pelos engenheiros responsáveis pelo seu desenvolvimento.

Dei por mim várias vezes a pensar: “isto é completamente insano…e ainda nem sequer conduzi o Turbo!”

Enquanto serpenteio estrada acima dou por mim a fazer um throwback do tempo que passou desde que iniciámos esta grande viagem, a Razão Automóvel, culpa talvez do sistema de som 3D Surround da Burmester – de longe um dos melhores e mais imersivos que tive o prazer de experimentar. Mas não tinhas desligado o rádio?! Isso são detalhes…

Nos últimos anos tenho conduzido todo o tipo de carros, desde o clássico que custa mais do que um Porsche Panamera Turbo (e nem cintos tem), até ao descapotável com quase 600 cv entregues às rodas traseiras e símbolo de uma aguda crise de meia idade. Pelo caminho, entre outros momentos que guardo para um dia partilhar convosco em detalhe, fiquei três horas apeado num Saab V4 Rally a passar ao Cartaxo (a caminho de um tal de Rali da Guarda) onde já tinha ficado a aguardar por um reboque pelo menos mais um par de vezes. Percorri os 738 km da Estrada Nacional 2 (a Route 66 portuguesa) ao volante de um Mazda MX-5 e (quase!) enterrei um carro de uma marca francesa na belíssima lama da Toscana, em Itália (o pior foi ficar como um inglês acabado de chegar do Rali de Gales).

Essa experiência dá-nos uma perspetiva diferente sobre o automóvel, a lama ou de como a cor do solo não significa “é seguro”. Uma (i)maturidade que só alguns anos de aventuras e desventuras podem atribuir. Estou longe ser o “Yoda dos testes” e muito menos o mais rápido em pista ou onde quer que seja, mas um cabelo branco aqui e ali já começam a servir para puxar dos galões ou para contar uma boa história à mesa.

Isso é tudo muito bonito Diogo, vamos passar ao que interessa?

Admito que desde o primeiro dia que depositei muitas esperanças no novo Porsche Panamera (nisto dos automóveis a fé também tem o seu cantinho, outra coisa que fui aprendendo), mesmo sendo um modelo que quebrou a “regra de ouro” da indústria automóvel. Foi algo que se fortaleceu ao longo dos últimos meses com o conhecimento que fui adquirindo sobre o modelo e hoje posso dizer que esta é, sem sombra de dúvida, a melhor berlina que já conduzi.

Vamos já falar do “elefante na sala” e encerrar um capítulo: o design está muito melhor. O novo Porsche Panamera é algo que podes apresentar ao teus amigos e à família sem receber um olhar reprovador. Podes ser convidado para um jantar num castelo, algures na Áustria e deixar o carro à porta, já não precisas de um carro italiano para o fazer com estilo.

O primeiro era espetacular em tudo menos no design, se dependesse de mim só numa prova cega é que ganhava prémios. O primeiro Porsche Panamera era aquela namorada que…adiante.

Um hotel de 7 estrelas com 4 rodas

O conforto, a qualidade irrepreensível dos materiais e a atenção ao detalhe dão nota alta a esta berlina de Estugarda no capítulo da “vida a bordo”. Aqui, estar ao volante (ou ser transportado) é muito semelhante a um dia num hotel de luxo. Isto porque não é só a potência e o binário que interessam (eu escrevi isto?), se assim fosse conduzíamos carros americanos e éramos felizes.

Os bancos dianteiros e traseiros são ventilados, aquecidos e dispõem de um sistema de massagens tão completo que pode colocar em risco a profissão de massagista. Seja para ser conduzido ou conduzir, não encontramos no interior do Porsche Panamera quaisquer cedências à qualidade. Há entradas USB suficientes para ligar todos os dispositivos que um ser humano pode carregar, um ecrã no banco traseiro onde é possível controlar praticamente tudo desde o trajeto inserido no GPS, sistema multimédia, climatização e até o banco do passageiro (isto pode dar umas brincadeiras engraçadas…).

A adaptação aos gadgets, com todo o tipo de configurações possíveis e imaginárias, pode revelar-se um processo demorado, mas está longe de ser difícil. É algo que vamos explorando com o tempo, o que até acaba por se tornar muito interessante para quem não dispensa uma boa dose de tecnologia.

Apesar de toda a tecnologia disponível e ao contrário da anterior geração, o novo Porsche Panamera tem muito menos botões na consola central. Este novo conceito de interiores da Porsche, clean e apenas com o mínimo de botões necessários (remetendo tudo o resto para o generoso painel de alta resolução com 12.3 polegadas), é uma das grandes novidades que encontramos no Panamera.

Eu, que conduzi um Porsche Diesel, me confesso.

Os primeiros 200 km do dia são percorridos ao volante do novo Porsche Panamera 4S Diesel equipado com o pack Sport Chrono (if you know what i mean), com muita autoestrada pela frente e uma ou outra incursão por estradas secundárias. Para resumir a experiência, este novo V8 twin-turbo de 4 litros tem tanto binário (850 Nm logo desde as 1000 rpm), que ao sair de uma curva lenta com vontade é quase impossível não sentir a traseira a dizer-nos que está presente. Somos confortavelmente esmagados contra o banco nas recuperações e não dá para ficar indiferente a tanta disponibilidade de potência.

Os números são avassaladores: velocidade máxima de 285 km/h e o sprint dos 0-100 km/h cumpre-se em 4.5 segundos (4.3 com o pack Sport Chrono). É um míssil com lugar para 4 pessoas, caro como todos os mísseis, mas todos sabemos que “esta guerra” não é nada barata. É impressionante a forma como o Porsche Panamera 4S Diesel coloca a potência no chão e a velocidade que atinge em qualquer pedaço de asfalto. Dei por mim várias vezes a pensar: “isto é completamente insano…e ainda nem sequer conduzi o Turbo!”.

Compraria o Porsche Panamera 4S Diesel em duas situações: se fosse um apaixonado por motores Diesel e pela Porsche ao mesmo tempo (vá, não se comecem a rir…) ou se quisesse ter na garagem a berlina Diesel mais rápida do planeta, o que temos de concordar que até é um bom motivo…

Informação muito importante(!) para todos aqueles que equacionam adquirir este modelo com preços a começar nos 154.312 euros: dentro dos limites legais consegui atingir consumos a rondar os 10 l/100km. Pronto, agora vamos passar para o Turbo.

Turbo. Dispensa apresentações.

Entrego o Porsche Panamera 4S Diesel depois dos últimos 50 km terem sido percorridos debaixo de chuva intensa. A previsão meteorológica para o resto do dia era favorável e o caminho que tinha pela frente merecia: estava na altura de passar para os comandos do Porsche Panamera Turbo e seguir para um percurso de estradas de montanha.

Assim que entro naquelas estradas sinuosas, ao largo de Alicante, percebo que estou ao volante de algo verdadeiramente especial. Apesar do seu peso considerável, todo o manancial tecnológico de que dispomos, principalmente o 4D Chassis Control, permite uma experiência de condução envolvente, segura e a sensação de que estamos muito longe dos limites da máquina.

A sonoridade do motor do novo Porsche Panamera Turbo até pode parecer um pouco tímida nos primeiros metros, mas assim que ligamos o modo Sport+ e o sistema de escapes ativos, o motor V8 twin-turbo com 3,996 cc, 550 cv e 770 Nm, revela-se. Este “mastodonte do séc. XXI”  é capaz de cumprir o sprint dos 0 aos 100 km/h nuns escassos 3.8 segundos, e após 13 segundos flat out, o ponteiro marca 200 km/h. Velocidade máxima? 306 km/h.

Se isto é impressionante, então a versão que conduzi ainda consegue ir buscar mais um “bocadinho assim” de performance: equipado com o Pack Sport Chrono vemos estes números descer para os 3.6 segundos dos 0-100 km/h e 12.7 segundos dos 0-200 km/h.

Conclusão

Num mundo onde parece só haver lugar para os SUV e todas as suas derivações genéticas, o Porsche Panamera é a wake up call que o mercado precisa: não há nada mais majestoso do que uma bela e potente berlina, que consegue ser o pacote completo de estilo e estatuto, sem sacrificar a emoção ou beliscar sensações.

Se nos bancos dianteiros a viagem se faz em primeira classe, nos bancos traseiros vive-se o mesmo espírito de qualidade e robustez. O Porsche Panamera será sempre, segundo a Porsche, uma berlina de 4 lugares. Isto porque a marca tem como premissa para o Panamera proporcionar as sensações de estar sentado à frente, a quem se senta no banco traseiro.

Não deixa de ser irónico que a Porsche produza a berlina Diesel mais rápida do mundo, ou mesmo até que produza berlinas…O que na verdade até não é assim tão irónico, se pensarmos que o objetivo desta marca de Estugarda sempre foi ganhar em todas as frentes.

E se a vitória é o que importa, então só posso concluir que no que toca ao novo Porsche Panamera, o primeiro lugar do pódio pertence, sem sombra de dúvida, à Porsche.

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Cofundador da Razão Automóvel | Aos 20 anos, o pai passou-lhe um Alfa Romeo para as mãos com 300 mil quilómetros e disse-lhe: "Faz-te à vida." Desde então tem feito amizade com mecânicos e condutores de reboque por este país fora. Na nossa primeira reportagem, ficamos apeados na A1.