Mais que um «brinquedo». Mazda MX-5 RF pode ser o automóvel do dia a dia?

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Desde 41 219 euros

Mais que um «brinquedo». Mazda MX-5 RF pode ser o automóvel do dia a dia?

Com capota rígida e dimensões reduzidas, será que o Mazda MX-5 RF pode ser uma alternativa ao convencional utilitário?

O Mazda MX-5 e o MX-5 RF estão longe de ser uma novidade no mercado ou na garagem da Razão Automóvel, mas quem resiste à oportunidade de voltar a conduzir um?

Contudo, neste reencontro com o emblemático roadster vamo-nos focar noutro aspeto do MX-5 que não apenas a diversão que temos ao seu volante. De dimensões compactas, excelente manobrabilidade e consumos razoáveis, será que o MX-5 pode também ser o carro ideal do dia a dia?

Para o descobrir, ao longo de uma semana, o Mazda MX-5 RF foi o meu único automóvel. Usei-o para ir trabalhar, passear e até para ir às compras. No final já não me sobravam quaisquer dúvidas sobre a sua versatilidade.

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Mazda MX-5 RF vista traseira 3/4 © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Pequeno por fora…

Antes que afirmem que um modelo como o Mazda MX-5 RF não serve para o dia a dia, vamos analisar alguns números.

Com 3915 mm de comprimento e 1735 mm de largura o MX-5 RF é mais pequeno do que modelos como o Renault Clio, o Peugeot 208 ou até o Mazda2 Hybrid, o modelo da marca nipónica pensado para o rebuliço urbano.

Dimensões compactas que facilitaram bastante o seu estacionamento. Sim, ter uma câmara traseira daria jeito, mas basta abrir a capota (não tanto nesta versão RF, admito) para incrementar a visibilidade e, dessa forma, estacionar com mais facilidade.

Além das dimensões compactas, o Mazda MX-5 tem ainda a história a «jogar a seu favor» para ser considerado um carro do dia a dia. Afinal de contas, é o sucessor espiritual de modelos como o MG B, o Triumph Spitfire ou o primeiro Toyota MR2, que eram anunciados nos EUA como commuter cars, ou seja, usados para fazer o trajeto habitual casa-trabalho-casa.

… e por dentro

Se as dimensões exteriores reduzidas permitem ao Mazda MX-5 bater-se com qualquer utilitário na «caça por lugares de estacionamento», é no seu habitáculo que este perde mais terreno para as propostas mais convencionais.

O espaço a bordo é limitado, sem ser claustrofóbico, assim como os espaço de arrumação, que são escassos em número e pequenos em dimensão — obriga a uma escolha criteriosa do que queremos levar connosco.

Por exemplo, o porta-luvas pertence ao campo da imaginação e o compartimento entre os bancos que o substitui não é fácil de usar enquanto conduzimos.

A bagageira também não é pequena. Os seus 127 l de capacidade são inferiores às bagageiras de outros citadinos, pelo que se aconselha a que se viaje com pouca bagagem.

Mazda MX-5 RF bagageira
A bagageira é pequena mas serve para uma utilização diária. O botão que a permite abrir sem recorrer à chave é que podia estar num local mais visível e não junto à matrícula, onde acaba por se sujar com facilidade. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É também no interior que o «peso dos anos» mais se faz sentir — esta geração ND foi lançada em 2015.

A agradabilidade dos materiais está em alta (não há utilitário que se aproxime) bem como a robustez.

Contudo, os comandos da ventilação são iguais aos do antigo Mazda2 e o sistema de infoentretenimento denunciam a idade do projeto.

Igual a si mesmo

É impossível falar acerca do Mazda MX-5 sem abordar a sua experiência de condução e este teste não podia ser exceção.

A direção é direta e precisa, o chassis responsivo e a tração traseira permite-nos extrair um prazer de condução com o qual os utilitários só podem sonhar.

Mazda MX-5 RF motor
O 1.5 Skyactiv-G relembra-nos porque gostávamos dos motores naturalmente aspirados. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Quanto ao motor, o 1.5 Skyactiv-G de 132 cv mostrou ser uma ótima opção para quem quiser usar o MX-5 diariamente.

Apesar de gostar de «galgar» rotações — potência máxima é obtida às 7000 rpm —, este tetracilíndrico a gasolina não se «nega» a uma condução mais calma sem que o tacómetro ultrapasse as 2500 rpm.

Mazda MX-5 RF em movimento
No capítulo dinâmico e da diversão ao volante o MX-5 RF continua a ser uma referência. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Já numa condução mais empenhada, o motor mostrou-se «redondo», subindo de forma progressiva desde as baixas rotações até ao topo e mostrando-nos aquilo de que tanto gostávamos nos motores naturalmente aspirados e que temos vindo a «perder» com a “turbo-dependência”.

Para tal, muito contribui a caixa manual de seis velocidades. Com um curso muito curto e bem escalada, podia servir até de «lição» a outros modelos da Mazda, onde o escalonamento é, por outro lado, excessivamente longo.

Importa ainda ressalvar o seu tato agradável e mecânico que nos leva a querer usá-la mesmo que tal não seja necessário.

Divertido, mas poupado

Claro que ao longo deste teste não me limitei a conduzir o Mazda MX-5 RF como se fosse o «brinquedo novo de Natal», sem quaisquer preocupações com os consumos.

Se o objetivo é descobrir se o MX-5 pode servir como «carro do dia a dia», usei-o nas circunstâncias com que me deparo regularmente, desde tiradas em autoestrada ao para-arranca citadino.

E… convenceu. No final do teste entreguei o MX-5 RF com uma média de comedidos 5,8 l/100 km, E cheguei a registar valores tão baixos como 5,3 l/100 km, mas nesse caso tinha andado maioritariamente em «estrada aberta».

Já quando explorei as potencialidades do chassis do roadster nipónico, claro que os consumos subiram, mas ainda assim os valores mantiveram-se razoáveis, abaixo dos oito litros.

Mazda MX-5 RF jantes
O MX-5 Rf é a prova de que não são precisas rodas enormes pata conseguir um bom comportamento dinâmico. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Feitas as contas, ao longo dos dias que passei ao volante do Mazda MX-5 RF, consegui médias semelhantes às que obtenho num qualquer utilitário, mas diverti-me bem mais ao volante.

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É a escolha certa para si?

Depois de quase uma semana ao volante do Mazda MX-5 RF tive pena de me despedir dele. O roadster nipónico é bem mais do que um brinquedo, e pode ser uma alternativa viável a um qualquer utilitário para quem o espaço não é crucial.

Não é a escolha mais racional — e o preço também não ajuda ao seu caso —, mas para quem pode é uma boa opção para o dia a dia, principalmente com este motor 1.5.

Pode até ser visto como um incentivo à produtividade. Pois se a viagem para o escritório for feita ao seu volante, a tarefa de levantar de manhã e ir trabalhar será feita com muito mais vontade.

Preço

unidade ensaiada

41.869

Versão base: €41.219

IUC: €173

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1496 cm3
    • Posição: Dianteira longitudinal
    • Carregamento: Injeção direta
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 132 cv às 7000 rpm
    • Binário: 152 Nm às 4500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Traseira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 3915 mm / 1735 mm / 1230 mm
    • Distância entre os eixos: 2310 mm
    • Bagageira: 127 litros
    • Jantes / Pneus: 195/50 R16
    • Peso: 1040 kg (DIN)
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,3 l/100 km
    • Emissões de CO2: 142 g/km
    • Vel. máxima: 203 km/h
    • Aceleração: 8,6s
  • Equipamento
    • Sistema de Navegação GPS
    • Chave inteligente
    • Jantes de liga leve
    • Volante revestido a pele
    • Ar condicionado automático
    • Faróis LED adaptativos
    • Luzes Diurnas em LED
    • Sensores de estacionamento traseiros
    • Bancos em pele
    • Lane Departure Warning system
    • Cruise Control
    • Sensor de luz e chuva
    • Sistema Monitorização de pressão dos pneus
    • Apple CarPlay sem fios
    • Monitorização do ângulo morto
    • Sistema de arranque inteligente
    • Sistema de áudio premium BOSE
Extras
Pintura preta — 650 €.
Avaliação
8 / 10
Um dos modelos mais divertidos de conduzir do mercado, o Mazda MX-5 RF tem uma faceta mais «séria» que lhe permite ser bem mais do que um «brinquedo» de fim de semana. O espaço não abunda, mas o motor económico e as dimensões compactas fazem dele uma surpreendente alternativa aos utilitários, principalmente nesta versão com capota rígida que dissipa os receios associados às capotas de lona. Só é pena é o preço elevado a pagar por esta alternativa.
  • Comportamento
  • Consumos
  • Tato da caixa
  • Direção direta
  • Escassez de espaços de arrumação
  • Preço
Sabe responder a esta?
Em que ano foi lançada a primeira geração do Mazda MX-5?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

O primeiro Mazda MX-5 é assim tão bom?
Em cheio!!
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