Novo Suzuki Vitara híbrido promete consumos mais baixos. Cumpre o prometido?

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Desde 34 238 euros

Novo Suzuki Vitara híbrido promete consumos mais baixos. Cumpre o prometido?

O Vitara Strong Hybrid é o primeiro a receber a nova tecnologia híbrida da Suzuki, e promete menores consumos e emissões. Será que cumpre?

Se motorizações eletrificadas não são novidade na Suzuki — foi uma das primeiras a «democratizar» a tecnologia mild-hybrid —, o novo Vitara Strong Hybrid eleva a eletrificação na marca a um novo patamar.

Trata-se de uma motorização híbrida convencional, a primeira desenvolvida pela própria Suzuki — já existe o Swace híbrido, mas não é mais que o «irmão gémeo» do Corolla — e o Vitara tem a «responsabilidade» de a estrear na gama do construtor nipónico.

Se quando testei o Vitara mild-hybrid, associado ao motor 1.4 Turbo, um dos seus pontos fortes foram precisamente os consumos comedidos, o quão mais poupado consegue ser no «mundo real» o Vitara Strong Hybrid para compensar os 4500 euros que custa a mais em relação ao mild-hybrid?

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Suzuki Vitara Strong Hybrid © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É mais potente?

Mas antes de sabermos se o seu «apetite» é realmente mais contido, fiquemos a conhecer a cadeia cinemática do Vitara Strong Hybrid e como se compara à do mild-hybrid. Para começar, e de forma algo surpreendente, os números apresentados pelo Vitara Strong Hybrid são mais modestos que os do seu congénere mild-hybrid.

Enquanto o Vitara com o 1.4 turbo mild-hybrid 48 V anuncia 129 cv e 235 Nm, o novo Vitara Strong Hybrid vê o «casamento» do K15C — um tetracilíndrico a gasolina naturalmente aspirado com 1.5 l, 102 cv e 138 Nm — com o motor-gerador elétrico de 33,4 cv (24,6 kW) e 60 Nm resultar em mais modestos 115 cv de potência máxima combinada.

É verdade que os números por vezes «enganam», mas não é o caso deste Vitara. Depois de ter conduzido os dois Vitara posso afirmar, com experiência de causa, que a versão mild-hybrid é mais despachada do que este Strong Hybrid.

Suzuki Vitara
O Vitara Strong Hybrid conta com um novo motor a gasolina, o K15C. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Contudo, a «culpa» não é tanto do propulsor, mas sim mais da transmissão. Enquanto o mild-hybrid se manteve fiel à caixa manual de seis relações, bem escalonada e com um tato mecânico, o Vitara Strong Hybrid adotou uma nova caixa de velocidades robotizada (semiautomática) denominada Auto Gear Shift (AGS).

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Esta opera de forma automática a caixa manual e gere a embraiagem, mas está longe de ser referencial. É suave na ação e o escalonamento é algo longo, mas o que é mais frustrante na sua utilização é a sua lentidão, isto quando comparada com outras propostas equipadas com caixas automáticas convencionais (conversor de binário) ou as mais rápidas de dupla embraiagem.

Uma lentidão que se reflete na realização de certas manobras como ultrapassagens. Por várias vezes tive de as repensar porque simplesmente a caixa revelou-se demasiado lenta a efetuar as reduções necessárias para «espevitar» o motor. É verdade que podemos controlá-la através das patilhas no volante ou do comando da caixa, mas nem isso ajuda a mitigar a lentidão da sua resposta.

Existe um modo “Sport” que ajuda a acelerar os procedimentos, mas acaba por também «esticar» demasiado as mudanças, acabando por contrariar o funcionamento normalmente suave e silencioso de todo o sistema híbrido.

Fica evidente que o novo Suzuki Vitara Strong Hybrid prefere ritmos mais calmos nos quais o seu potencial de economia pode «brilhar», mas será que é assim na prática?

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É mais económico?

No capítulo da economia é onde os híbridos convencionais costumam mais brilhar. A potência e capacidade da máquina elétrica é bastante maior do que nos mild-hybrid, o que lhe permite ser muito mais interventiva em vários cenários de condução, reduzindo o trabalho do motor de combustão.

No caso do Vitara Strong Hybrid, este acabou por se revelar particularmente sensível ao «tratamento» que damos ao pedal direito. Sim, é possível conseguir consumos abaixo dos cinco litros — cheguei a registar médias de 4,8 l/100 km —, mas obriga a uma condução bastante moderada.

Numa condução normal, os consumos andaram frequentemente entre os 6,0 l/100 km e os 6,5 l/100 km, valores interessantes, sem dúvida, mas… em linha com os que obtive ao volante do Vitara mild-hybrid.

Suzuki Vitara
No campo da dinâmica o Vitara continua a merecer elogios. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Ou seja, o grande argumento desta nova variante híbrida acabou por não ser tanto o potencial de economia, mas sim o facto de nos permitir circular em modo elétrico, algo que este sistema híbrido privilegia com frequência e, melhor ainda, sem darmos conta de que está a acontecer.

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Aliás, toda a suavidade do sistema híbrido merece elogios, com a Suzuki a mostrar que, apesar desta ser a sua estreia nesta tecnologia, fez o «trabalho de casa».

É o carro certo para si?

Em tudo o resto, o Suzuki Vitara continua a ser uma proposta interessante para quem procura um B-SUV e uma das raras propostas do segmento a ter tração integral — Allgrip em linguagem Suzuki —, como a unidade aqui testada.

Se a sua aparência exterior mantém-se ainda atual, no interior o passar dos anos começa a fazer-se notar. A montagem está em bom plano e os materiais, apesar de duros, aparentam ser robustos.

Contudo, o sistema de infoentretenimento já «pede» para ser substituído — o do novo S-Cross é bem melhor — e há soluções de ergonomia (como os comandos do computador de bordo) algo anacrónicas.

Dinamicamente continua a ser uma proposta muito interessante de conduzir e a sua habitabilidade permite-lhe responder às necessidades de uma jovem família.

Neste nível GLX, o mais elevado, o equipamento de série é ainda muito completo, mas os mais de 34 mil euros pedidos não deixam de ser muito altos — e bastante mais altos que o equivalente 1.4 Turbo mild-hybrid 48 V —, num segmento onde existem propostas híbridas mais em conta e mais poupadas.

Preço

unidade ensaiada

34.238

Versão base: €34.238

IUC: €137

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1462 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção indireta
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas/cilindro
    • Potência: Motor de combustão: 102 cv às 6000 rpm; Motor elétrico: 33,4 cv às 3000 rpm; Potência combinada: 115 cv
    • Binário: Motor de combustão: 138 Nm às 4400 rpm; Motor elétrico: 60 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Integral
    • Caixa de velocidades: Caixa de velocidades robotizada (semiautomática) de seis relações
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4175 mm / 1775 mm / 1610 mm
    • Distância entre os eixos: 2500 mm
    • Bagageira: 289 l
    • Jantes / Pneus: 215/55R17
    • Peso: 1338 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,4 l/100 km
    • Emissões de CO2: 132 g/km
    • Vel. máxima: 180 km/h
  • Equipamento
    • Apoio de braços central
    • Porta USB
    • Relógio central analógico
    • Tomada de 12V
    • Bancos com inserções em pele
    • Travagem de emergência autónoma
    • Alerta de mudança de faixa
    • Alerta anti fadiga
    • Assistente de mudança de faixa
    • Reconhecimento de sinais
    • Reconhecimento de sinais
    • Alerta de tráfego posterior
    • Controlo de descida de pendentes
    • Sensores de estacionamento
    • Luzes diurnas LED
Avaliação
6 / 10
O Suzuki Vitara não é uma das propostas mais recentes do segmento, mas continua a contar com argumentos racionais que lhe permitem continuar a ser uma opção a ter em conta. No entanto, esta versão Strong Hybrid torna-se difícil de recomendar quando a "mild-hybrid" acaba por ser mais rápida, praticamente tão poupada e mais acessível. O Vitara Strong Hybrid acaba por ser a opção indicada para quem circula maioritariamente em meio urbano e seja adepto de ritmos calmos, de modo a conseguir usufruir de todo o seu potencial de poupança.
  • Versatilidade
  • Relação conforto/comportamento
  • Suavidade do sistema híbrido
  • Equipamento de série
  • Lentidão da caixa de velocidades
  • Preço
  • Sistema de infoentretenimento
  • Alguns materiais não muito agradáveis
Sabe responder a esta?
Qual era a potência do primeiro Suzuki Swift Sport?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

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