Desde 30 954 euros

Suzuki Vitara mild-hybrid testado. O que se ganhou com a eletrificação?

Sinais dos tempos. O Suzuki Vitara recebeu uma motorização mild-hybrid a prometer menos emissões e menores consumos. Será que há mais valias reais na adoção desta solução?

Em mais um exercício para se manter atual num ultra concorrido segmento, o Suzuki Vitara adotou uma motorização mild-hybrid.

É que se outrora era quase obrigatório um modelo contar com um motor Diesel na sua gama, hoje as prioridades mudaram e começa a ser raro o modelo sem qualquer variante eletrificada.

Ora, para descobrir se a adoção deste sistema traz mais valias reais ao conhecido SUV nipónico decidimos colocá-lo à prova na versão que, curiosamente, menos foco tem na economia e redução de emissões: a equipada com tração integral.

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Suzuki Vitara © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Igual a si próprio

Lançado em 2015 e alvo de já dois “lavar de cara”, a verdade é que pouca coisa tem mudado no Suzuki Vitara, com a principal novidade da última renovação a ser a adoção de faróis LED.

Apesar dos seus já cinco anos no mercado, o estilo algo discreto do SUV japonês permite-lhe não parecer datado, se bem que dificilmente ganha o título de “B-SUV que mais cabeças faz girar”.

Pessoalmente, gosto deste caráter mais discreto, pois para mim o mais importante acabam por ser as qualidades intrínsecas de um modelo e não quantas atenções consigo captar quando circulo ao seu volante — ao que parece, nem todos pensam assim…

Suzuki Vitara © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Espaço para melhorar…

Tal como no exterior, também no interior o Vitara continua igual a si próprio, mantendo um visual onde a sobriedade é a palavra de ordem.

Todos os comandos estão onde contamos que estejam, sendo a única exceção o comando do computador de bordo — uma vareta no painel de instrumentos que em nada facilita a navegação pelos (muito) completos menus.

Também a pedir melhoramentos encontra-se o sistema de infoentretenimento. Com um grafismo datado e um reduzido número de funcionalidades este tem como mais valia a resposta rápida às nossas solicitações.

Já no campo da qualidade, o Suzuki Vitara não esconde duas coisas: é um B-SUV e é japonês. O primeiro fator confirma-se pela predominância de materiais duros que não são, na sua maioria, os mais agradáveis (mesmo comparados com outros concorrentes).

O segundo fator é confirmado pela qualidade de montagem. É que apesar de rijos os materiais não se queixam à passagem por irregularidades, comprovando que os japoneses fazem jus à fama.

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… mais que suficiente

Apesar de não ter a versatilidade interior de propostas como o Renault Captur ou o Volkswagen T-Cross, o Suzuki Vitara não envergonha no capítulo da habitabilidade.

Suzuki Vitara
Atrás há espaço e conforto suficiente para dois adultos. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Com cotas que o inserem no “coração” do segmento, este é capaz de transportar com conforto quatro adultos e a respetiva bagagem.

Com 375 litros a bagageira não é referencial quando comparado com algumas das mais recentes propostas do segmento, mas a verdade é que estes são mais do que suficientes, principalmente graças ao formato regular do compartimento de carga.

Suzuki Vitara
Os 375 litros encontram-se na média do segmento. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Eletrificação, para que te quero?

Chegamos assim “questão de um milhão de euros”: o que se ganha com a eletrificação do Vitara?

À primeira vista podemos ser tentados a dizer que se… perde. Afinal de contas a troca do anterior motor K14C pelo revisto K14D significou uma perda de 11 cv (a potência é de 129 cv). Já o binário aumentou 15 Nm (subiu para os 235 Nm).

Suzuki Vitara © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

No entanto, o sistema mild-hybrid de 48 V compensa essa perda ao integrar um motor-gerador elétrico com 10 kW (14 cv) que contribui com uma “injeção” instantânea de binário.

Além disso, pelo menos no papel, este sistema promete reduzir consumos e emissões, com a Suzuki a anunciar para esta versão 4×4 emissões de 141 g/km e consumos de 6,2 l/100 km.

Suzuki Vitara
Ali estão dois dos poucos elementos que revelam os dois “segredos” do Vitara: a tecnologia mild-hybrid e o sistema de tração integral. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Será que se nota?

Se te questionas se vais sentir o funcionamento do sistema mild-hybrid a resposta é simples: muito dificilmente.

Suzuki Vitara © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Suave por natureza, este dá sinal da sua presença principalmente no que diz respeito ao sistema Stop-Start que passa a acordar mais depressa e a entrar em ação mais cedo.

De resto, o funcionamento do sistema mild-hybrid é impercetível, com o motor Boosterjet a manter as qualidades que já lhe eram reconhecidas: linearidade, progressividade e uma agradável vivacidade nos médios regimes sem sofrer a “falta de ar” típica de motores mais pequenos abaixo das 2000 rpm.

A ajudar a isto temos uma caixa manual de seis velocidades bem escalonada (sem ser demasiado longa apesar das preocupações com a eficiência) com um tato mecânico, precisa q.b. à qual apenas se pode criticar o curso algo longo.

Suzuki Vitara © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Por fim, se há uma área onde o sistema mild-hybrid se faz notar é nos consumos. Mesmo num uso maioritariamente suburbano (em vias rápidas por vezes congestionadas) as médias andaram entre os 5,1 e os 5,6 l/100 km, tendo subido apenas para os 6,5 l/100 km no caos citadino.

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Dinamicamente não desilude

Se o motor não desilude, a verdade é que o conjunto chassis/suspensão também não o faz.

A suspensão consegue um bom compromisso entre conforto e comportamento e a direção precisa e direta permite inserir o Vitara em curva com confiança e à vontade.

Suzuki Vitara
O volante tem uma boa pega e, acima de tudo, comandos muito fáceis de usar que permitem usar sistemas como o cruise control ou o limitador de velocidade de forma intuitiva. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A tudo isto juntava-se nesta unidade um sistema de tração integral (o Allgrip) que, mais do que em estrada, é fora dela que revela as suas qualidades.

Com quatro modos de condução — Sport, Auto, Snow (Neve) e um que até permite o bloqueio do diferencial central — este permite ao Vitara chegar bem mais longe que a maioria dos seus concorrentes (exceção feita ao Dacia Duster).

Aliás, este é o fator que, para mim, mais diferencia o Suzuki Vitara da concorrência. É que apesar de ser um B-SUV continua a contar com tração integral e não são é só para “mostrar”: oferece uma real capacidade de evasão, permitindo-nos chegar bem mais longe do que à partida seria de esperar e fazendo jus aos seus antepassados.

Suzuki Vitara
O “comando mágico” que permite ao Vitara ir bem mais além do que seria de esperar. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O único “problema” é o preço pedido por este Vitara com tração às quatro rodas: 30 954 euros (com a campanha em vigor desce para o 28 254 euros). A verdade é que são raras as opções no segmento que disponibilizam tração às quatro rodas e à exceção de uma, são tão ou mais caras que o Vitara. A exceção? O Dacia Duster oferece uma variante 4×4 a partir de 22 150 euros, mas apenas com motor Diesel. 

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É o carro certo para mim?

Mais que a adesão a uma moda ou uma forma de tentar evitar avultadas multas, a adoção do sistema mild-hybrid por parte do Suzuki Vitara permitiu-lhe reforçar os argumentos racionais.

Suzuki Vitara © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Afinal de contas, quem é que não quer contar com uma tecnologia que lhe permite poupar na hora de abastecer? E de que outra forma seria possível médias na casa dos 5,5 l/100 km com um SUV com tração integral e motor a gasolina?

Se procuras um B-SUV que faça justiça ao visual aventureiro — as suas capacidades fora de estrada acabam por surpreender —, o Suzuki Vitara é uma das melhores (e das poucas) opções no mercado. Além do mais vem ainda muito bem equipado (principalmente ao nível dos sistemas de ajuda à condução), com todo o equipamento listado a ser de série. Argumentos não faltam ao SUV nipónico.

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Preço

unidade ensaiada

30.954

Versão base: €30.954

IUC: €172

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1373 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas/cilindro
    • Potência: 129 cv às 5500 rpm; Motor elétrico: 14 cv às 3000 rpm
    • Binário: 235 Nm entre as 2000 e as 3000 rpm; Motor elétrico: 53 Nm às 500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Integral
    • Caixa de velocidades: Manual de seis velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4175 mm / 1775 mm / 1610 mm
    • Distância entre os eixos: 2500 mm
    • Bagageira: 375 litros
    • Jantes / Pneus: 215/55 R17
    • Peso: 1320 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,2 l/100 km
    • Emissões de CO2: 141 g/km
    • Vel. máxima: 190 km/h
  • Equipamento
    • Jantes de liga leve 17''
    • Barras de tejadilho
    • Faróis LED
    • Faróis automáticos
    • Faróis de nevoeiro
    • Limpa para-brisas automático
    • Retrovisores elétricos, aquecidos e com rebatimento automático
    • Volante multifunções em pele
    • Computador de bordo com ecrã LCD de 4,2''
    • Ar condicionado automático
    • Controlo de velocidade adaptativo
    • Limitador de velocidade
    • Bancos dianteiros aquecidos
    • Entrada USB e tomada de 12V
    • Travagem de emergência autónoma
    • Alerta de mudança de faixa
    • Alerta anti fadiga
    • Assistente de mudança de faixa
    • Reconhecimento de sinais de trafego
    • Deteção de ângulo morto
    • Alerta de tráfego posterior
    • Sensores de estacionamento
    • Controle de retenção em pendentes
    • Controle de descida de pendentes
    • Alarme
    • Écrã táctil com ligação smartphone / Bluetooth / DAB / Câmara de visão traseira / Sistema Navegação
Avaliação
6 / 10
Se dúvidas tivesse acerca da mais valia dos sistemas mild-hybrid, este teste ajudou-me a dissipá-las. Afinal de contas é muito graças a este sistema que o Vitara consegue consumos que há não muito tempo nem um SUV a gasóleo conseguia quando equipado com tração integral. Confortável, bem equipado e aventureiro, o Suzuki Vitara pode não ter as soluções tecnológicas de alguns concorrentes nem ser tão recente como eles, mas a tração integral ajuda-o a destacar-se e a encontrar um nicho específico no segmento.
  • Disponibilidade do motor
  • Consumos
  • Versatilidade de utilização graças à tração integral
  • Equipamento de série
  • Sistema de infentretenimento
  • Alguns materiais não muito agradáveis
  • Preço
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