Desde 32 872 euros

Testámos o Suzuki Swace 1.8 Hybrid. A tua cara não me é estranha

Fruto de uma parceria entre a Suzuki e a Toyota, o Swace é uma espécie de irmão gémeo do Corolla. Mas será que se resume a isso?

Estão a reconhecer este Suzuki Swace de algum lado? É normal, esta carrinha é uma espécie de “clone” do Toyota Corolla Touring Sports e nasceu de uma parceria entre a Suzuki e a Toyota.

Os motivos? Bem, na verdade são muito simples de explicar: com este acordo, a Suzuki passou a ter acesso a um dos sistemas híbridos mais competentes do mercado e a dois tipos de carroçaria que não tinha disponível na sua gama: esta carrinha Swace e o SUV Across (baseado no Toyota RAV4).

Além de tudo isto, e por se tratarem de dois modelos híbridos, também têm um impacto muito positivo na redução da média de emissões da frota de modelos vendidos pela Suzuki na Europa, o que permite à fabricante nipónica cumprir as cada vez mais exigentes metas de emissões.

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Suzuki Swace 1.8 Hybrid
A traseira do Swace é exatamente igual à versão equivalente da Toyota: só muda a designação do modelo e o “badge” da marca. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Como assim, não é um Corolla?

Do ponto de vista estético, o Suzuki Swace não faz muito para “esconder” as suas origens. Afinal trata-se de um clássico exercício de badge engineering (engenharia de emblema ou símbolo), onde o espaço para mudanças fica praticamente limitado à… mudança do símbolo da marca.

No caso da Swace, além do lettering exclusivo e do logótipo da Suzuki, a grande diferença para a Corolla Touring Sports que lhe serve de base é o para-choques dianteiro de desenho distinto. Não o tivesse e seria impossível distinguir visualmente os dois modelos, mesmo se estivessem parados lado a lado. De destacar que o Swace conta com faróis Bi-LED na versão aqui testada, a GLX.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
A Suzuki “reclamou” um para-choques dianteiro próprio para o Swace. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel
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Interior decalcado

Se por fora é praticamente idêntico ao modelo que lhe dá origem, dentro do habitáculo, com o logótipo da marca tapado, seria impossível perceber as diferenças, que se resumem ao logótipo da Suzuki no volante e aos grafismos do sistema de infoentretenimento.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
Interior é exatamente igual ao do Corolla. Mas isso está longe de ser um problema, muito pelo contrário… © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Mas tal como no exterior, isto está muito longe de ser uma crítica. O habitáculo apresenta-se em muito bom plano, quer ao nível da construção quer da “arrumação”, e numa altura em que muitas marcas já caminham em direção à digitalização, é bom contar com comandos físicos para a climatização. Simples e funcional.

O sistema de infoentretenimento (também ele com teclas físicas de atalho…) assenta num ecrã de 8″ que permite integração com o smartphone através dos sistemas MirrorLink, Apple CarPlay e Android Auto.

Existe ainda um carregador sem fios para o smartphone na consola frontal e duas portas USB de fácil acesso. Destaca-se também o facto de os bancos dianteiros serem aquecidos, tal como o volante, e do habitáculo contar com um sistema de iluminação ambiente.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
Carregador sem fios para o smartphone é uma mais-valia. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel
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Espaço para quase tudo

A bagageira oferece uma capacidade de carga de 596 litros (1232 litros com os bancos traseiros rebatidos) e conta com uma base que pode ser colocada em duas posições e que tem duas superfícies distintas: uma convencional, com o típico acabamento aveludado, e outra de resina, pensada para quando se transporta itens molhados ou sujos, como por exemplo uma bicicleta.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
Bagageira oferece 596 litros de capacidade. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E se a capacidade da bagageira convence, as cotas de habitabilidade no interior também, sobretudo na traseira, capaz de acomodar de forma muito confortável dois adultos.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
Espaço na segunda fila de bancos permite acomodar dois adultos de forma confortável. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

E ao volante?

Ao volante do Swace, a primeira coisa que reparamos é na boa posição de condução, que pode ser alterada através do banco, que permite ajuste em altura e na zona lombar, e através do volante, configurável em altura e profundidade.

Os bancos apresentam um corte mais desportivo, mas nem por isso se mostram desconfortáveis, muito pelo contrário, com a vantagem de garantirem um bom suporte lateral.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
Bancos dianteiros oferecem um bom suporte lateral. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Mas assim que ligamos o motor, é o excelente sistema híbrido da Toyota — tantas vezes elogiado — que mais salta à vista, ofuscando quase tudo o resto.

Só uma motorização disponível

A gama do Suzuki Swace é formada por dois níveis de equipamento (GLE e GLX), mas apenas por uma motorização híbrida. Esta combina um motor 1.8 l a gasolina de quatro cilindros com 98 cv, de ciclo Atkinson (mais eficiente), com um motor elétrico com 53 kW (72 cv) alimentado por uma pequena bateria de 3,6 kWh.

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O resultado é uma potência combinada de 122 cv, enviada em exclusivo às rodas dianteiras através de uma caixa de variação contínua (e-CVT, que recorre a dois motores elétricos e um sistema de engrenagens planetárias). Esta é uma solução muitas vezes criticada, mas a verdade é que a Toyota tem feito um trabalho notável ao nível do seu refinamento.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
Modo “B” da caixa CVT permite aumentar a capacidade de recuperar energia. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Só quando adotamos um ritmo mais elevado é que damos conta do seu “traço de personalidade” típico que é pouco apreciado: o efeito “tira de elástico”. Ou seja, a ausência de relação entre o aumentar de velocidade e o comportamento do motor, que mantém as rotações sempre no mesmo e elevado patamar.

Nesta situação, o ruído elevado do motor (que está em regimes altos) torna-se algo impossível de ignorar. Contudo, não estraga em nada a experiência ao volante do Swace, cujo funcionamento do sistema híbrido impressiona pelos consumos e, sobretudo, pela suavidade.

É o próprio sistema híbrido que vai fazendo a gestão do uso do motor elétrico, quase sempre de forma impercetível. Dependendo das necessidades de utilização, é possível circular com o motor de combustão, com o motor elétrico ou com ambos.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
Sistema híbrido oferece uma potência combinada de 122 cv. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

A somar a isto, temos à nossa disposição quatro modos de condução distintos: Normal, Eco, EV e Sport. No modo Normal, o sistema procura um equilíbrio entre conforto de utilização e consumos, fazendo deste o modo mais adequado para as deslocações diárias. Por seu turno, o modo Eco permite uma condução focada na economia de combustível, uma vez que deixa o acelerador com uma resposta mais suave e faz uma gestão mais eficiente do ar condicionado.

Já o modo EV permite circular apenas com o motor elétrico com energia fornecida pela bateria (que dura muito pouco). Contudo, quando queremos explorar o potencial dinâmico deste chassis, é no modo Sport que queremos estar.

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Competente a todos os níveis

No papel, as performances do Swace estão longe de causar impacto — a aceleração dos 0 aos 100 km/h é feita em 11,1s e a velocidade máxima (limitada) está fixada nos 180 km/h —, mas a verdade é que a plataforma GA-C tem um potencial dinâmico muito superior ao que os números sugerem.

Importa lembrar que este modelo não tem quaisquer responsabilidades dinâmicas ou desportivas, não foi pensado para tal, mas talvez por isso a surpresa tenha sido maior.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Sempre com um comportamento eficaz e muito competente, a dianteira é comunicativa, a direção é precisa e direta e a suspensão tem um acerto que oferece um ótimo compromisso entre eficácia e conforto, absorvendo sempre muito bem as irregularidades do asfalto. E tudo isto com consumos médios que quase me fazem esquecer os motores Diesel — quase…

Passei quatro dias com o Swace, com várias centenas de quilómetros distribuídos por percursos urbanos, semi-urbanos e autoestrada, e quando o deixei nas instalações da Suzuki, o computador de bordo marcava uma média de consumo de 4,4 l/100 km.

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É certo que recorri ao modo Eco sempre que possível e muitas vezes coloquei a caixa no modo “B” de forma a gerar uma maior recuperação de energia sempre que tirava o pé do acelerador, mas ainda assim, este é um registo notável.

Destaco apenas o ruído aerodinâmico que se gera a partir dos 100 km/h. Não chega a ser incomodativo, mas é impossível não o notar.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid
O Suzuki Swace só está disponível com jantes de liga leve de 16”. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

É o carro certo para si?

Quem estiver no mercado em busca de um familiar compacto, capaz de oferecer um bom comportamento dinâmico, consumos baixos, conforto e bons acabamentos, tem de ter em consideração este Suzuki Swace.

Graças à parceria com a Toyota, a Suzuki associou-se a um dos melhores sistemas híbridos do mercado e isso, só por si, é um grande trunfo. Mas a isso ainda temos de somar a reconhecida qualidade de construção e a fiabilidade da Toyota.

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É um modelo sólido, que oferece um bom nível de equipamento (sobretudo nesta versão GLX) e que apesar de não ser muito exuberante, cumpre com competência todos os desafios de uma utilização diária.

Suzuki Swace 1.8 Hybrid © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

O Swace tem preços a começar nos 32 872 euros para a versão GLE e nos 34 707 euros para a GLX. Contudo, à altura da publicação deste ensaio, decorre uma campanha que diminui o preço da nossa unidade para perto dos 30 mil euros, deixando assim este modelo com um preço mais apetecível, sobretudo se tivermos em conta o equipamento disponível.

Preço

unidade ensaiada

34.707

Versão base: €32.872

IUC: €204

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1798 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção indireta
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro (16 válv.)
    • Potência: Motor de combustão: 98 cv às 5200 rpm; Motor elétrico: 72 cv; Potência máxima combinada: 122 cv
    • Binário: Motor de combustão: 142 Nm às 3600 rpm; Motor elétrico: 163 Nm; Binário máximo combinado: não disponível
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: e-CVT (caixa de variação contínua)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4655 mm / 1790 mm / 1460 mm
    • Distância entre os eixos: 2700 mm
    • Bagageira: 596 litros (1232 litros)
    • Jantes / Pneus: 205/55 R16
    • Peso: 1400 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 4,5 l/100 km
    • Emissões de CO2: 103 g/km
    • Vel. máxima: 180 km/h
    • Aceleração: 11,1s
  • Equipamento
    • Jantes de liga leve de 16''
    • Faróis Bi-LED (Função Follow Me Home)
    • Retrovisores exteriores rebatíveis eletricamente e aquecidos
    • Volante em pele, aquecido, ajustável em altura e profundidade
    • Painel de instrumentos LCD a cores 7''
    • Climatização automática (dual) com modo S-Flow
    • Ecrã central tátil com 8'' e integração com smartphone
    • Bancos dianteiros aquecidos
    • Bagageira com bandeja inferior
    • Deteção de ângulo morto
    • Sistema pré-colisão
    • Controlo de retenção em pendentes
    • Assistente de sinais de trânsito
    • Controlo de velocidade dinâmico com faixa de velocidade total
    • Assistente de manutenção de trajetória
    • Assistente de correção de trajetória
    • Alerta anti-fadiga
    • Alerta de mudança de faixa
    • Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros
    • Sistema de estacionamento assistido
    • Airbag de joelho no banco do condutor
    • Fixação ISOFIX para cadeiras de crianças
    • Carregador sem fios para smartphone
Extras
Pintura metalizada Azul Dark Mica.
Avaliação
7 / 10
Nota: 7,5. O Suzuki Swace não oferece nada de novo face ao seu Toyota equivalente. Apresenta a mesma imagem exterior, o mesmo habitáculo e a mesma tecnologia híbrida. Mas olhando para a base do Corolla, este é o maior elogio que podemos fazer ao Swace. É muito poupado, tem um sistema híbrido que funciona de forma quase irrepreensível, tem um chassis com muito para explorar e uma suspensão com um acerto que merece todos os meus elogios. Independentemente da forma como "nasceu", uma coisa é certa: este Suzuki Swace é uma escolha muito segura.
  • Consumos
  • Acerto da suspensão
  • Sistema híbrido
  • Grafismo do sistema de info-entretenimento
  • Ruído do motor
  • Gama muito limitada
Sabe responder a esta?
Qual a potência do novo Suzuki Swift Sport com motorização semi-híbrida?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

O duelo mais esperado. Novo Swift Sport enfrenta o primeiro Swift Sport

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