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Testámos o Volkswagen Touareg R. O VW mais potente de sempre é um SUV híbrido plug-in

O novo Volkswagen Touareg R é um híbrido plug-in de 462 cv, o que o torna o mais potente modelo da marca alemã. Sem deixar de acrescentar uma faceta ambiental e silenciosa que este enorme SUV nunca antes teve.

Em Hanôver, Alemanha

A Volkswagen vive um frenesim de híbridos plug-in e em pouco mais de um ano apresentou cerca de 10 veículos que usam eletricidade para aumentar as prestações e diminuir consumos, ao mesmo tempo que são capazes de completar 50 a 60 km sem emissões. Agora foi a vez de dar ao Touareg R esses atributos que estão a ser cada vez mais apreciados pelo consumidor europeu (ver caixa) e que tivemos oportunidade de testar em Hanôver.

À primeira vista, o grande Volkswagen SUV é relativamente discreto, sem spoilers ou escapes ousados na traseira do carro. Mas apesar do facto do cliente-tipo dos R da Volkswagen serem (na Alemanha) cerca de uma década mais velhos do que os que compram AMG e M, existem algumas pistas visuais que o diferenciam dos seus irmãos mais “calmos”.

Entre eles a grelha do radiador em negro, os vários logotipos R espalhados pela carroçaria, os para-choques específicos, as rodas maiores (20″ a 22”), os grupos óticos traseiros LED escurecidos e vários acabamentos em negro ​​para elevar a “carga dramática”.

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No interior, o Touareg R tenta diferenciar-se do resto da gama com bancos desportivos incluindo o logotipo R e costuras especiais, além de um nível de equipamento de série mais completo. Há ar condicionado automático de quatro zonas, o Innovision Cockpit (com painel de instrumentos digital de 12″ e o sistema de navegação Discover Premium de última geração no grande ecrã central de 15″), um teto de abrir/basculante panorâmico e sistema de iluminação avançado (Matrix IQ Light).

Vendas PHEV em alta
De acordo com a ACEA, a Associação de Fabricantes de Automóveis Europeus, houve um aumento de 134% nos registos de híbridos plug-in na Europa no segundo trimestre de 2020, em comparação com igual período de 2019.

O Volkswagen mais potente

O Touareg R, o novo topo da gama, confirma as suas credenciais desportivas e ambientais graças à interação do motor V6 TSI 3.0 l de 340 cv com o motor elétrico de 100 kW/136 cv (integrado na caixa de velocidades acoplada ao motor V6) de que os alemães extraíram duas versões: o eHybrid que alcança um rendimento máximo de sistema de 381 cv e 600 Nm e o R, que guiámos aqui, que chega até aos 462 cv e 700 Nm.

Isso significa que este é o Volkswagen de produção em série mais potente até hoje e que, apesar de seu peso de 2,5 t (500 kg mais que o V6 Touareg sem propulsão híbrida), é capaz de ser catapultado até aos 100 km/h em apenas 5,1s, chegando depois aos 250 km/h.

Volkswagen Touareg R

O eHybrid de menor potência consegue o mesmo sprint em 5,9s, igualando o tempo do V6 Touareg não plug-in, o que significa que a energia elétrica não pode fazer mais do que compensar o peso adicionado do sistema híbrido completo. Os mais conhecedores sabem que este é o mesmo sistema de propulsão das versões híbridas plug-in do Porsche Cayenne, Bentley Bentayga e Audi Q7, apenas ajustado de acordo com cada um desses valores de marcas premium e luxo.

Sem estabilização eletrónica nem eixo traseiro direcional

Tecnicamente, o R está muito próximo do Touareg V6 não-híbrido. Isso significa, por exemplo, que tem uma suspensão pneumática de duas câmaras (em vez da de três câmaras, como a usada no Cayenne híbrido, por exemplo).

Volkswagen Touareg R

Isso por si só já sugere a orientação básica deste Touareg R: rei do conforto em vez de devorador de curvas e se — além do peso extra considerável — adicionarmos o facto de o R não estar disponível com o eixo traseiro direcional ou as barras estabilizadoras ativas, percebemos que este não é o Touareg mais ágil e preciso que existe.

"Queremos um comportamento em estrada o mais natural possível e aceitamos que o Touareg híbrido se possa inclinar um pouco em curva".

Karsten Schebsdat, especialista em dinâmica de condução da Volkswagen

Muito interessante, mas a verdade é que não há lugar para nenhum dos dois sistemas, porque o sistema híbrido plug-in ocupa bastante espaço.

Joaquim Oliveira

Mas isso não quer dizer que não haja competência dinâmica. O Touareg R contrapõe ao seu elevado peso a força de dois corações, com a ajuda da tração às quatro rodas. Em ambos os casos, a caixa automática de oito velocidades (Tiptronic) e uma caixa de transferência transmitem potência para os eixos dianteiro e traseiro (tração integral permanente 4Motion). O bloqueio do diferencial central (Torsen) com distribuição dinâmica assimétrica de binário atua como uma caixa de transferência para o intercâmbio de forças entre os eixos dianteiro e traseiro. É possível enviar um máximo de 70% do binário para as rodas dianteiras e até 80% para as traseiras.

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Competente nos vários cenários

Podemos escolher se queremos rodar em modo exclusivamente elétrico (até 135 km/h) ou deixar o sistema escolher a forma de propulsão mais adequada a cada momento (modo híbrido). Também é possível definir a carga da bateria com que queremos chegar ao destino (porventura para a parte final de uma viagem que termine dentro de uma área urbana), o que significa que se o nível da bateria estiver abaixo desse limite, o motor a gasolina e o sistema de recuperação irão assegurar-se do seu carregamento em andamento.

Volkswagen Touareg R

Mesmo que se configure o chassis para ser o mais desportivo possível, com o programa Sport (selecionado a partir do botão rotativo montado na consola central que permite ainda optar pelos modos Off-road e Neve, a somar aos habituais) e se deixe o SUV 15 mm mais perto do solo (botão giratório à direita), o Touareg R nunca tem um rolamento desconfortavelmente “seco”.

A resposta do acelerador fica mais direta e as passagens de caixa da transmissão automática de oito velocidades tornam-se mais rápidas, a direção adapta-se a esse quadro geral e torna-se mais “pesada”, mas mesmo assim, sem atingir a precisão e o poder “de comunicação” do Porsche Cayenne. Não é a intenção.

No programa deste teste estava incluído um trajeto off-road durante o qual se tornou óbvio que o já muito capaz Touareg se sente no seu elemento em estradas não pavimentadas bastante desafiantes, subindo e descendo terrenos soltos ou lamacentos, realizando amplos cruzamentos de eixo e deixando para trás buracos ou bossas realmente ameaçadores graças à uniformidade e pronta disponibilidade do binário elétrico.

Volkswagen Touareg R

Além disso, muito útil, o controlo de descida com forte inclinação é fácil de comandar já que a velocidade aumenta automaticamente ao tocar o acelerador e permanece sem alteração até que o pedal do acelerador ou do travão não voltem a ser pisados.

Não há redutoras (desde a segunda geração do Touareg), mas não sentimos a sua falta. E a possibilidade de elevar (7 cm) a suspensão ajuda a evitar o contacto com obstáculos mais obtusos em condução off-road, da mesma forma que baixá-la em 4 cm facilita o acesso e saída do enorme SUV, ou a colocação/remoção de bagagem (cujo compartimento perde 200 litros — de 810 l para 610 l — da sua capacidade máxima, pois a área abaixo do piso é ocupada pela bateria de 17,3 kWh, dos quais 14,1 kWh são utilizáveis).

Os amantes de cavalos gostarão de saber que o Touareg R consegue puxar 3,5 t e que possui um assistente de reboque, o que simplifica as manobras com o mesmo, da mesma forma que o estacionamento com controlo remoto via smartphone também pode ser útil. O carregamento em AC pode ser feito a 2,3, 3,6 ou 7,2 kW e um ciclo completo leva entre 7 e 2,5 horas.

Volkswagen Touareg R
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Utilização “define” consumo

O condutor acaba sempre por definir boa parte da fatura que tem a pagar em energia para usar o seu veículo, mas no caso dos híbridos plug-in isso ainda é maios evidente.

E o mesmo pode variar muito dependendo das distâncias percorridas: se for um trajeto de 50 km (a autonomia elétrica é de 47 km), é fácil obter uma média de 5 l/100 km (ou até muito menos se se forçar apenas a condução elétrica), mas se a viagem for mais longa e incluir troços de autoestrada não se surpreenda se gastar bem mais de 10 l/100 km de gasolina, situação em que os 2,5 a 2,9 l/100 km oficialmente declarados se tornarão uma utopia.

Não há modo “B” para aumentar a energia recuperada pela travagem ou desaceleração, porque que o sistema plug-in foi desenvolvido pela Audi que não é fã desse recurso. E adicioná-lo seria muito caro para a Volkswagen, segundo me explicou um engenheiro do fabricante que preferiu manter o anonimato.

De certa forma esta função de aumento de recuperação acaba por ter de ser feita pela função preditiva do sistema de navegação que desacelera o carro quando este se aproxima de uma rotunda, ou de uma zona de uma velocidade mais baixa ou existir algum obstáculo na estrada adiante.

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Especificações técnicas

Volkswagen Touareg R
MOTOR
Arquitetura 6 cilindros em V
Posicionamento Dianteiro Longitudinal
Capacidade 2995 cm3
Distribuição 2xDOHC, 4 válv./cil., 24 válvulas
Alimentação Inj. direta, turbo
Potência 340 cv entre 5200-6400 rpm
Binário 450 Nm entre 1340-5300 rpm
MOTOR ELÉTRICO
Potência 136 cv (100 kW)
Binário N.D.
RENDIMENTO MÁXIMO COMBINADO
Potência Máxima Combinada 462 cv
Binário Máximo Combinado 700 Nm
BATERIA
Posição Traseira
Química Iões de lítio
Capacidade 14,1 kWh
Carregamento 2,3 kW: 7h; 3,6 kW: 4,5h; 7,2 kW: 2,5h. Tempos aproximados
TRANSMISSÃO
Tração Quatro rodas
Caixa de Velocidades Automática de 8 vel., Conversor de binário
CHASSIS
Suspensão FR: Independente McPherson; TR: Independente multi-braços
Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos ventilados
Direção Assistência elétrica
DIMENSÕES e CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt. 4,878 m x 1,984 m x 1,717 m
Entre eixos 2,904 m
Bagageira 610 l
Peso 2533 kg
PRESTAÇÕES, CONSUMOS, EMISSÕES
Velocidade máxima 250 km/h
0-100 km/h 5,1s
Consumo combinado 2,5-2,9 l/100 km
Emissões CO2 combinadas 57-66 g/km

Primeiras impressões

7 / 10
NOTA: 7,5. Com prestações fora de série fruto da associação entre o motor a gasolina V6 e o elétrico, o Touareg R bem se pode dizer que usa a sigla R com toda a legitimidade. Mas também pode ser um SUV familiar com consumos muito baixos, se a carga da bateria for utilizada de forma criteriosa e diariamente ligada à corrente. O chassis/transmissão são os conhecidos da versão V6 a gasolina, com igual competência em estrada ou fora dela. Pena não dispor de eixo traseiro direcional nem de barras estabilizadores eletrónicas, que o tornariam mais ágil e eficaz. E o facto de não ter posição “B”, para aumento de recuperação de energia, também não joga a seu favor.

  • Prestações desportivas

  • Qualidade geral

  • Tablê moderno/conectividade

  • Consumo potencialmente reduzido

  • Sem barras estabilizadoras ativas

  • Sem eixo traseiro direcional

  • Sem aumento de recuperação de energia (posição “B”)

Preço

90.200

Data de comercialização: Outubro 2020


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