Apresentação

GMA T.50. Todos os números do verdadeiro sucessor do McLaren F1

O GMA T.50 foi revelado ontem e hoje trazemos-te todos os números daquele que é anunciado como o verdadeiro sucessor do McLaren F1.

E aí está ele… O Gordon Murray Automotive T.50, ou GMA T.50, para abreviar, foi finalmente revelado. Após meses a antecipar aquele que está a ser anunciado como o verdadeiro sucessor do McLaren F1, e como o “mais puro e leve supercarro alguma vez feito”, agora temos um “retrato” completo.

Antes de descobrirmos esta máquina através dos seus números, ficam desfeitas as dúvidas em relação ao nome que será definitivamente um anticlimático T.50 — não que não seja uma denominação com potencial de reverência como aconteceu F40 ou F1.

Trata-se do número do projeto, o 50º iniciado por Gordon Murray, mas o número 50 também coincide com os 50 anos da sua carreira, que agora celebra. E que forma de os celebrar…

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Gordon Murray
Gordon Murray, o criador do seminal F1 revela o T.50, o carro que o próprio considera como o seu verdadeiro sucessor.

Sem mais demoras, vamos conhecer esta analógica máquina pela contrastante frieza dos seus números:

986

Alguns chamam-lhe obsessão, mas no mundo automóvel, o peso é uma obsessão positiva. É uma das razões pelas quais admiramos Gordon Murray. Apenas 986 kg, já com todos os fluídos no lugar e pronto a andar é quanto pesa o GMA T.50. Quando foi a última vez que vimos um supercarro abaixo de uma tonelada?

Mesmo um espartano Ferrari F40 tem um peso em ordem de marcha acima dos 1200 kg. Para teres uma ideia os 986 kg são (ligeiramente) inferiores aos 1000 kg de um compacto Mazda MX-5 1.5… E isto com três lugares e um V12 atrás das costas.

GMA T.50

Decompondo os 986 kg por alguns dos principais constituintes temos:

  • 150 kg — conjunto da monocoque em fibra de carbono e dos painéis da carroçaria no mesmo material;
  • 178 kg — o motor 4.0 V12 atmosférico. É o V12 de produção mais leve alguma vez feito, constituído por aço, alumínio e titânio;
  • 80,5 kg — transmissão manual de seis velocidades, à volta de metade do que pesaria se se tratasse de uma transmissão de dupla embraiagem;
  • 7,8 kg — cada jante dianteira de 19″x8,5″;
  • 9,1 kg — cada jante traseira de 20″x11″;
  • 13 kg — o peso combinado dos três assentos;
  • 3,9 kg — sistema de som específico da Arcam com 700 W e 10 altifalantes.
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12 100

Estratosférico. 12 100 é o regime onde se encontra o limitador do V12 atmosférico de 3994 cm3 concebido pelos especialistas da Cosworth.

GMA T.50

A potência máxima é alcançada um “pouco” mais abaixo: 663 cv às 11 500 rpm. O binário máximo de 467 Nm é atingido a umas elevadas 9000 rpm. Os receios de que seja um motor pontudo são atenuados pelo facto de que 71% do valor de binário estão disponíveis a umas muito mais civilizadas 2500 rpm.

Além do mais, o V12 do GMA T.50 tem dois mapas específicos que podemos aceder através de um dos modos de condução. No modo GT, as rotações ficam limitadas às 9500 e a potência aos 600 cv, tornando T.50 mais usável em condução urbana.

GMA T.50
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Mais números do V12:

  • 166 cv/l — a potência específica mais elevada de sempre num V12 de produção;
  • 14:1 — uma das mais elevadas taxas de compressão num motor de ciclo Otto;
  • 0,3s — o tempo que leva a ir do ralenti ao redline;
  • 178 kg — o V12 de produção mais leve alguma vez feito.
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6

Acoplado ao 4.0 V12 temos uma transmissão manual de seis velocidades — sim, três pedais e padrão em H —, concebida pela Xtrac. Compacta e muito leve (80,5 kg) tem uma caixa em alumínio e promete um curso muito curto, acessível através da sua alavanca em titânio. O mecanismo é visível do interior, mais um pormenor que apenas torna o T.50 um pouco mais especial.

GMA T.50

As cinco primeiras relações são mais curtas, para potenciar ao máximo a aceleração, com a sexta, bem mais longa, ideal para estrada aberta ou autoestrada.

672

Com 663 cv para apenas 986 kg permite uma relação potência de apenas 1,48 kg/cv, ou uns mais britânicos 672 cv por tonelada.

Um valor cerca de 40% inferior ou superior, dependendo do valor que estamos a usar, ao do “típico” superdesportivo. De acordo com a Gordon Murray Automotive, um superdesportivo típico ascende a 1436 kg (valor médio), pelo que para apresentar uma relação peso potência idêntica teria de adicionar à volta de 300 cv aos 663 cv do T.50. Ou seja, mais de 960 cv, o que adicionaria complexidade e… mais peso.

GMA T.50
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40

No arsenal aerodinâmico do GMA T.50 o destaque vai todo para a ventoinha traseira com uns substanciais 40 cm de diâmetro, uma solução similar à usada pelo Brabham BT46B Fan Car, um monolugar de Fórmula 1 desenhado pelo próprio Gordon Murray em 1978. Murray diz tratar-se de uma solução mais refinada do que aquela que concebeu há mais de 40 anos, pois permite vários modos com efeitos distintos.

GMA T.50

Além dos 40 cm de diâmetro que dominam a vista traseira, a ventoinha gira a 7000 rpm graças a um motor elétrico de 48 V.

São seis os modos que a ventoinha possui, dois automáticos (Auto e Braking) e quatro selecionados pelo condutor (High Downforce, Streamline, V-Max, Test):

  • Auto — o modo “normal”. O T.50 funciona como qualquer outro superdesportivo com efeito-solo passivo;
  • Braking — automaticamente coloca os spoilers traseiros na sua inclinação máxima (mais de 45º), com a ventoinha a trabalhar à sua velocidade máxima em conjugação com as válvulas abertas do difusor. Neste modo o downforce é duplicado e é capaz de retirar 10 m à distância de travagem a 240 km/h. Este modo sobrepõe-se a todos os outros quando é necessário.
  • High Downforce — favorece o downforce aumentado-o em 50% para incrementar a tração;
  • Streamline — reduz resistência aerodinâmica em 12,5%, permitindo uma velocidade máxima superior e menores consumos. A ventoinha gira à sua velocidade máxima, extraindo ar do topo do T.50 e criando uma cauda virtual para reduzir a turbulência.
  • V-Max Boost — o modo mais extremo do T.50. Recorre a características do modo Streamline, mas graças ao efeito ram-air, permite que o V12 atinja os 700 cv de potência durante curtos períodos de tempo para potenciar a aceleração.
  • Test — usado apenas com o T.50 parado. Serve para… testar e averiguar o correto funcionamento de todo o sistema, composto pela ventoinha e vários elementos móveis como spoilers traseiros e condutas/válvulas do difusor.
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3

Não podia ser de outra forma. Se o GMA T.50 é o verdadeiro sucessor do McLaren F1, e sendo Murray o criador do F1 e do T.50, o lugar do condutor teria de ser ao meio, ladeado por outros dois — três lugares no total.

Na altura de explorar as capacidades dinâmicas deste superdesportivo na estrada, as vantagens do lugar central serão evidentes: melhor distribuição de peso, melhor posicionamento/alinhamento do volante e pedais e melhor visibilidade.

GMA T.50

Uma vantagem ampliada pelas dimensões compactas do T.50, que ocupa tanto espaço na estrada como um Porsche Cayman, muito menos do que outros superdesportivos:

  • 4,352 m de comprimento
  • 1,85 m de largura
  • 1,16 m de altura
  • 2,70 m de distância entre eixos

A baixa massa do GMA T.50 permitiu evitar o recurso a mais complexas e pesadas suspensões de amortecimento adaptativo ou pneumáticas. O T.50 recorre a um esquema de duplos triângulos sobrepostos em alumínio forjado (à frente e atrás) e a direção não é assistida, exceção feita durante as manobras de parqueamento,

Os quatro pontos de contacto com o solo são providenciados por Michelin Pilot Sport 4 S — 235/35 R 19 à frente e 295/30 R 20 atrás —, que envolvem jantes são forjadas a partir de uma liga de alumínio, sendo também muito leves para a sua dimensão (como podes verificar acima).

GMA T.50

Para parar, o GMA T.50 recorre a discos em carbono-cerâmica da Brembo — 370 mm x 34 mm à frente e 340 mm x 34 mm atrás —, mordidos por pinças (Brembo) em liga de alumínio de seis êmbolos arrefecidas a ar à frente e de quatro êmbolos atrás.

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228

Gordon Murray não costuma descurar aspetos de ordem prática nas suas criações, mesmo tratando-se de superdesportivos como o T.50. Não admira que entre as informações divulgadas saibamos qual a capacidade da bagagem do GMA T.50. São 228 litros no total para bagagens, que pode ascender a 288 litros com dois ocupantes a bordo (e com uma mala específica para esse efeito) — um valor respeitável, algures entre um citadino e um utilitário.

Estas considerações mais práticas não podiam ser mais óbvias quando olhamos para a distância ao solo: 12 cm à frente e 14 cm atrás. Valores ao nível de um carro convencional, pelo que não é necessário adicionar complexos e pesados sistemas de elevação da suspensão para não andar a raspar onerosos spoilers e difusores em fibra de carbono na mais suave das rampas de acesso.

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120

Aceder ao interior faz-se através de portas de abertura diédrica, e o interior não podia ser mais focado. Nada de luxos, apenas o que importa.

Sentados ao centro, temos à nossa frente um volante em fibra de carbono de três braços e o painel de instrumentos é composto por dois ecrãs (não táteis) e um analógico conta-rotações central com 120 mm de diâmetro que deve mais à arte da relojoaria — até a agulha do conta-rotações nasce a partir de um bloco sólido de alumínio.

Os pedais do travão e embraiagem pedais são “esculpidos” a partir de um bloco sólido de alumínio, apresentando um padrão tipo teia para poupar peso e garantir uma superfície anti-derrapante. O pedal do acelerador, por outro lado, nasce a partir de um bloco sólido de… titânio.

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100

Só serão produzidas 100 unidades do GMA T.50, mas a produção apenas será iniciada mais para o final de 2021 — até lá há ainda muito a desenvolver —, com as primeiras unidades a serem entregues em 2022.

Mesmo apresentando um preço (sem impostos) inicial de mais de 2,61 milhões de euros, a maioria das unidades já foi encomendada — e acreditamos que após esta revelação, as que restam não terão dificuldades em encontrar dono.

GMA T.50

 

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