Porque é que o McLaren F1 tinha posição central de condução?

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Porque é que o McLaren F1 tinha posição central de condução?

A posição central de condução do McLaren F1 é uma das suas características mais conhecidas. Gordon Murray justifica a decisão.

O McLaren F1 é considerado, justamente para muitos, como um dos melhores superdesportivos de sempre. Inovador, tornou-se também no mais rápido automóvel do mundo até ter surgido um certo Bugatti Veyron em cena.

E apesar de ter nascido em 1992, o facto de ainda ser o automóvel com motor naturalmente aspirado mais rápido de sempre — 391 km/h verificados —, continua a ser notável.

Foi um dos primeiros automóveis de estrada construído em fibra de carbono, mas também apresentava um conjunto de características únicas que acabariam por torná-lo na lenda automóvel que é hoje.

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McLaren F1 com Gordon Murray.
Gordon Murray, o «pai» do McLaren F1.

Conduzir ao centro

Uma dessas características únicas é, claro, a sua posição central de condução. Não é uma solução comum. Mesmo os McLaren de hoje assumem uma posição de condução convencional, com o lugar do condutor num dos lados do veículo.

Então porque decidiram colocar o condutor ao meio no F1? Se existe pessoa que pode responder a essa questão é o criador do McLaren F1, o sr. Gordon Murray.

Podemos afirmar que a posição central de condução permite uma melhor visibilidade ou até um superior equilíbrio das massas, e são todas elas razões válidas. Mas a principal razão para terem optado por uma posição central de condução, segundo o sr. Murray, foi para resolver um problema que afetava todos os superdesportivos dos anos 80: o posicionamento dos pedais.

Como? Posicionamento dos pedais?!

Temos de recuar até à década de 80, início da de 90, e perceber de que superdesportivos estávamos a falar. Ferrari e Lamborghini eram os principais representantes desta espécie. Countach, Diablo, Testarossa e F40 eram o sonho de qualquer entusiasta e faziam parte da decoração de qualquer quarto de adolescente.

McLaren F1 LM 1998
Pedais do McLaren F1 LM.

Máquinas espetaculares e desejáveis, mas… pouco amigas de humanos. Ergonomia era, no geral, uma palavra desconhecida no mundo dos superdesportivos.

E começava logo com a posição de condução — na maior parte dos casos sofrível. Volante, banco e pedais raramente estavam alinhados, obrigando a um posicionamento incorrecto do corpo. As pernas eram obrigadas a irem mais para o centro do carro, onde os pedais estavam localizados.

Como Gordon Murray explica no filme (em inglês), ele testou diversos superdesportivos para averiguar o que era possível fazer melhor. E a posição de condução foi um dos aspetos críticos a ser melhorados.

Ao colocar o condutor ao centro permitia evitar as generosas cavas das rodas — tinham de acomodar pneus bastante largos —, e assim originava um posto de condução onde todos as partes estavam onde ergonomicamente deveriam estar.

Ainda hoje é uma das suas mais valorizadas características, mesmo que traga algumas dificuldades no acesso ao posto de comando central.

Murray continua no filme a evidenciar aspetos do McLaren F1 — desde a sua estrutura em fibra de carbono à sua performance —, só se lamentando que não esteja legendado em português.

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