Desde 46 990 euros

Toyota Camry. Será que o japonês feito a pensar nos americanos convence os europeus?

O Toyota Camry regressou à Europa para tomar o lugar deixado vago pelo Avensis. Mas será que o modelo pensado para os EUA se adequa ao mercado europeu?

Ausente dos mercados europeus há cerca de 15 anos, o Toyota Camry regressou para ocupar o lugar de topo de gama da marca japonesa deixado vago após a “reforma” do Avensis.

Mas será que este modelo japonês, pensado para os EUA, dotado exclusivamente de motorizações híbridas, conseguirá vingar na Europa, num segmento dominado pelos… europeus e onde o Diesel ainda é rei?

Para descobrir colocámos à prova o novo Toyota Camry e, à primeira vista, o que mais se destaca são as suas… vastas dimensões. Se fosse pela fita métrica, diríamos que o Camry era um segmento E, mas na realidade posiciona-se um segmento abaixo, onde encontramos modelos como o Volkswagen Passat, o Skoda Superb, o Ford Mondeo ou o Renault Talisman.

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Toyota Camry © Raul Mártires / Razão Automóvel

As dimensões estão, do ponto de vista visual, razoavelmente bem disfarçadas. No entanto, esteticamente, há um grande contraste entre a sobriedade da traseira e o arrojo da dianteira, dominada por uma enorme entrada de ar inferior a toda a sua largura. O resultado geral pode não ser do agrado de todos, mas não podemos acusar o Camry de falta de expressividade ou impacto visual.

No interior do Toyota Camry

Os designers da Toyota também não se contiveram no interior. A consola central apresenta um desenho bastante expressivo, marcada por uma linha em “S” com origem no lado do passageiro e terminando já no tablier, do lado do condutor. Do lado do passageiro surge ainda uma linha em L, que termina a meio do S,  delimitando a área onde se encontram o sistema de infotainment e os controlos do ar condicionado.

Não é preciso muito para perceber que a estética (goste-se ou não) teve primazia, o que acabou por comprometer alguns aspetos da ergonomia na usabilidade do interior. O melhor exemplo é o posicionamento do botão do ar condicionado e do controlo do volume do rádio.

Quando queremos alterar o volume, o mais certo é irmos diretamente ao botão do ar condicionado — algo que aconteceu frequentemente —, pois é aquele que está “mais à mão”. Para mais, ambos os botões têm o mesmo tamanho, e o botão do volume está numa posição mais difícil de alcançar.

Toyota Camry © Raul Mártires / Razão Automóvel
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Quanto à qualidade, a montagem apresenta-se em bom plano e, no geral, os materiais também. Entre estes, destaque para o recurso a uma agradável pele sintética e alguns plásticos mais “aborrachados”. Também encontramos plásticos duros e menos agradáveis ao toque, mas longe da vista, e do tacto, localizados na zona inferior do tablier.

Já no que ao sistema de infotainment diz respeito, a crítica já feita a outros modelos da Toyota repete-se.

Apesar de ser razoavelmente fácil de usar — temos também alguns botões de atalho para várias funcionalidades —, o grafismo pede reforma, fazendo lembrar, por vezes, as consolas de jogos de outrora.

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As dimensões exteriores bastante generosas do Toyota Camry refletem-se nas suas cotas internas. Aceder aos lugares traseiros é fácil — área de abertura é generosa, assim como o ângulo de abertura é amplo —, e por lá viaja-se de forma desafogada, tal como acontece nos lugares dianteiros.

Quanto à bagageira, os 524 litros são mais do que suficientes e se não chegarem, os bancos traseiros rebatem na proporção 60:40 (característica não muito comum numa carroçaria de três volumes), o que permite uma maior flexibilidade de uso.

Toyota Camry
Apesar de ser um três volumes o Camry conta com bancos rebatíveis. © Raul Mártires / Razão Automóvel

Ao volante do Toyota Camry

Encontrar uma boa posição de condução aos comandos do Toyota Camry não é difícil. Além do mais, nesta versão Luxury, temos um volante (com a dimensão correta) e bancos aquecidos, com estes últimos a ter regulação elétrica, o que contribui para o nível de conforto elevado encontrado a bordo.

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Toyota Camry
Apesar de confortáveis, os bancos dianteiros não oferecem muito apoio lateral. © Raul Mártires / Razão Automóvel

Já em andamento, o recurso à plataforma TNGA-K assegura que temos uma boa direção, como noutros modelos a que ela recorrem, mas o acerto do chassis depressa revela que a aposta do Camry é no conforto e não numa dinâmica acutilante.

Será um acerto que tem mais em conta o típico cliente norte-americano? Talvez. O que é certo é que o Camry revela ser um veículo estável, suave e (muito) confortável, preferindo mais as longas retas e troços de autoestrada, local onde o ruído de rolamento é mais contido que o aerodinâmico.

Chegado às curvas, o Camry é “senhor” de reações neutras — no limite, é a frente que acaba por ceder, mas sempre de forma muito progressiva e segura — e há algum adornar da carroçaria.

Apesar da direção ser precisa e conferir a confiança necessária no “ataque” às curvas (para mais acompanhada por um eixo dianteiro que responde em igual proporção), não esperes um grande apelo a uma condução mais aguerrida — na realidade, o Camry até convida a andar… devagar ou de forma moderada.

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Exclusivamente híbrido

O Toyota Camry é, assim, senhor de um caráter sereno, e para isso contribui não só o acerto do chassis. O conjunto motriz híbrido que o equipa tem também responsabilidades para esse caráter.

Toyota Camry © Raul Mártires / Razão Automóvel

Por baixo do capot encontramos a mesma cadeia cinemática já vista em modelos como o RAV4 e o Lexus ES 300h. Ou seja, temos um motor 2.5 l a gasolina (ciclo Atkinson) que, em conjunto com a máquina elétrica, debita 218 cv de potência máxima combinada.

Um conjunto motriz que já oferece prestações interessantes, mas que se pauta pela suavidade, parecendo preferir ritmos mais calmos. Uma das razões por detrás dessa “preferência” é a caixa e-CVT. Quando decidimos explorar os 218 cv o som do motor invade o habitáculo de forma mais notória (algo que também acontece com o “primo” da Lexus), não sendo o mais agradável. E, como é “normal”, há uma desconexão entre o comportamento do motor e o que observamos no velocímetro.

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O motor híbrido do Camry pode não ser a opção preferida dos “petrolheads”, mas quando chega a altura de discutir consumos, é onde o executivo nipónico realmente brilha. Ao longo do ensaio as médias, sem grandes cuidados com a condução, ficaram-se entre os 5,7 e os 5,8 l/100 km — é possível fazer menos de 5 l/100 km com muita calma.

É em condução urbana (já agora, excelente manobrabilidade para um veículo com estas dimensões) que o Camry impressiona mais, ficando por norma entre os 5,5-6,0 l/100 km. Dificilmente veremos uma berlina do segmento alcançar os mesmos consumos em cidade com um motor Diesel.

Raras foram as vezes que ultrapassámos a marca dos seis litros — é preciso abusar do acelerador ou andar a velocidades de cruzeiro elevadas em autoestrada.

É o carro certo para mim?

O japonês Toyota Camry até pode ter sido pensado para os EUA, mas nem por isso deixa de ser uma proposta a ter em conta na Europa.

Para aqueles que andam mais na cidade, e apesar das suas dimensões vastas, acaba por ser uma alternativa muito interessante em relação a outras berlinas Diesel, devido aos consumos que é capaz de alcançar. Confortável e económico por natureza, este executivo nipónico arraçado de americano, serve também muito bem como estradista — espaço não falta.

 

A comparação com o “primo” da Lexus é frequente, mas apesar de partilharem a mesma base (o Lexus é mais comprido e tem distância entre eixos maior) e motorização, o ES 300h está noutro patamar — e segmento —, o que também ajuda a justificar os 20 mil euros que os separam.

O refinamento geral é superior (é melhor insonorizado), os equipamentos de conforto são em maior número e mais sofisticados, o ambiente interior é mais cuidado, e até digitalmente há mais a separá-los do que a uni-los (mesmo que a interação com o infotainment deixe algo a desejar).

Preço

unidade ensaiada

47.500

Versão base: €46.990

IUC: €205

Classificação Euro NCAP: N/D

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 2487 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Inj. Indireta
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: Total combinada: 218 cv. Motor de combustão: 178 cv às 5700 rpm. Motor elétrico: 120 cv
    • Binário: Total Combinado: não disponível. Motor de combustão: 221 Nm entre as 3600 rpm e as 5200 rpm. Motor elétrico: 202 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Variável Contínua Controlada Electronicamente (E-CVT)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4885 mm / 1840 mm / 1445 mm
    • Distância entre os eixos: 2825 mm
    • Bagageira: 524 l
    • Jantes / Pneus: 235/45 R18
    • Peso: 1670 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,5 l/100 km
    • Emissões de CO2: 125 g/km
    • Vel. máxima: 180 km/h
    • Aceleração: 8,3s
  • Equipamento
    • Óticas traseiras LED
    • Sistema de monitorização da pressão dos pneus
    • Sensores de estacionamento frontais e traseiros inteligente com função de travagem
    • Reconhecimento de sinais de trânsito (RSA)
    • Luzes de circulação diurna (LED)
    • Luzes de Máximos Automáticas
    • Indicadores de mudança de direção (LED) integrados nos espelhosretrovidores
    • Faróis de nevoeiro (LED)
    • Faróis LED
    • Deteção traseira de aproximação de veículos com função de travagem
    • Cruise control adaptativo
    • Controlo de arranque em subida
    • Aviso de Saída de faixa de rodagem com correção de trajetória
    • Alerta de ângulo morto
    • Entradas USB, Aux-in, Bluetooth
    • Ecrã multimedia de 8''
    • Toyota Touch® 2 com Sistema de Navegação
    • Wi-Fi
    • Volante em pele
    • Tomada de 12v
    • Sensor de luz e chuva
    • Smart Entry & Start
    • Espelhos retrovisores aquecidos, elétricos e com rebatimento automático
    • Ecrã muti-informações de 7''
    • Carregador wireless
    • Bancos dianteiros aquecidos e elétricos
    • Ar-condicionado auto com Dual Zone
Extras
Pintura Bronze Steel — 510 €.
Avaliação
7 / 10
Confortável, estradista por natureza, económico, espaçoso e bem equipado, o Toyota Camry consegue surpreender em cidade não só pelos baixos consumos como pela excelente manobrabilidade. Para quem gosta e privilegia o conforto ao apuro dinâmico e procura alternativas ao Diesel, o Camry é uma alternativa válida. Merece, pelo menos, uma observação mais cuidada.
  • Silêncio geral de funcionamento
  • Conforto
  • Manobrabilidade
  • Consumos
  • Espaço
  • Infotainment (gráficos e usabilidade)
  • Pormenores ergonómicos
  • Caixa e-CVT
  • Ruído aerodinâmico a velocidades de autoestrada mais intenso que o desejável
Sabes responder a esta?
Qual é a cilindrada do Mazda 323 GT-R?

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