#V10forever

Não parecem, mas estes desportivos são Dodge Viper “mascarados”

O Dodge Viper dispensa apresentações. Produzido ao longo de 26 anos, serviria também de base a outros desportivos. Fica a conhecer quatro Viper "mascarados".

Herdeiro “espiritual” do Shelby Cobra, o Dodge Viper continua a ser tão fascinante e intimidante como no dia que foi revelado ao mundo no ano de 1989, ainda como concept. Não tardaria muito a chegar à linha de produção, em 1991, como um roadster “brutalista” e “minimalista” (nem sequer tinha manípulos para abrir as portas por fora).

Se as suas linhas curvilíneas e musculadas impressionavam, o que dizer do seu motor? Um enorme V10 com 8000 cm3 atmosférico — derivado de uma unidade V8, desenvolvido com a ajuda da Lamborghini —, que começou com 400 hp (406 cv), na altura, o carro norte-americano mais potente do mercado.

Bruto, rústico, apaixonante, intimidante foram sempre palavras que acompanharam o Dodge Viper ao longo das suas cinco gerações. Terminaria a sua carreira em 2017, com o V10 a crescer até aos 8.4 l e a potência a fixar-se nos 645 hp (654 cv), e tornou-se mais civilizado e “educado” — mas não tanto assim…

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Longe de ser o mais sofisticado dos desportivos, no entanto, a base e o motor do Dodge Viper não deixaram de ser considerados como os pontos de partida ideais para outras máquinas, com outros nomes. Tal e qual este quarteto de desportivos que vos trazemos… Não se deixem enganar, nem mascarados disfarçam as origens.

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Bristol Fighter

A histórica e excêntrica marca britânica revelou, ainda em 2003 (produção começou em 2004, prolongando-se até 2011), o Fighter, um coupé bilugar de altas prestações com um meticuloso trabalho aerodinâmico efetuado — o Cx é de apenas 0,28.

Bristol Fighter

De todos os modelos presentes nesta lista, é o que é menos… Viper, apesar de ter retirado deste muitos componentes. O chassis, por exemplo, é de conceção da própria Bristol, justificando a largura 115 mm inferior à do Viper. Destaque ainda para as portas asas de gaivota.

O motor 8.0 V10 do Dodge Viper também não ficou incólume, com a Bristol a ter conseguido extrair 532 cv do grande bloco norte-americano. Com o lançamento do Fighter S, esse valor chegaria aos 637 cv — que subiam para 670 cv a velocidades muito elevadas graças ao efeito “ram air”. Equipado com uma caixa manual de seis velocidades, a primeira velocidade era suficiente para lançar os 1600 kg do Fighter até às 60 mph (96 km/h) em 4,0s. A velocidade máxima declarada é de 340 km/h.

Em 2006 foi anunciado o derradeiro Fighter T, uma variante turbocomprimida do V10 que ultrapassaria os 1000 cv de potência e seria capaz de atingir 362 km/h (eletronicamente limitados) — não há registo de algum destes Fighter T terem sido produzidos.

Tal como outros Bristol, não se sabe ao certo quantos Fighter foram construídos, estimando-se que não mais do que 13.

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Devon GTX

Foi em 2009, no Pebble Beach Concours D’Elegance, que o Devon GTX foi revelado, um protótipo que antecipava um novo desportivo norte-americano. Por baixo das suas meticulosas e aclamadas linhas escondia-se um Dodge Viper de segunda geração.

Devon GTX

Uma série de fatores determinaria que nunca chegasse à linha de produção, a começar na crise internacional que se abatera no ano anterior, até ao facto da Chrysler — proprietária da Dodge — ter recusado fornecer os chassis à produção do Devon GTX.

Antes da Devon fechar as portas, foram produzidas duas unidades deste desportivo com pele em fibra de carbono, uma das quais foi leiloada em 2012.

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Alfa Romeo Zagato TZ3 Stradale

Talvez a “criatura” mais estranha deste grupo. Um Alfa Romeo com voz de “muscle car”? O TZ3 Stradale não é criação oficial da Alfa Romeo, mas sim da Zagato, a conhecida casa de design italiana que, recentemente, mais depressa associamos à Aston Martin do que à Alfa Romeo, mas a sua ligação a Arese é profunda e histórica.

O TZ3 Stradale dá-se a conhecer em 2011, um ano depois do TZ3 Corsa (corrida), um modelo único (derivado no 8C) que não só era uma homenagem aos Alfa Romeo TZ (Tubolare Zagato) da década de 60, como também celebrava o 100º aniversário da marca italiana (1910-2010).

O interesse gerado foi elevado e a Zagato regressaria à temática com o TZ3 Stradale. Por baixo da sua evocativa e pouco consensual carroçaria não estava um 8C, mas sim a mais inesperada das fundações, claro está, o Dodge Viper, mais concretamente o Viper para circuitos ACR-X, alterado para poder ser usado na via pública. O 8.4 V10 debitava 600 cv no TZ3 Stradale, enviados às rodas traseiras através de uma caixa manual de seis velocidades da Tremec.

O interior era em tudo idêntico ao do Viper, exceto nos revestimentos e nos… símbolos da marca. A Zagato produziu apenas nove unidades desta intrigante criatura.

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VLF Force 1

O mais recente e último desportivo a ser criado a partir do Dodge Viper é o VLF Force 1, revelado em 2016.

Foi desenhado por Henry Fisker — que nos deu carros como o BMW Z8, o Aston Martin DB9, o Fisker Karma ou este intrigante Mercedes —, o “F” em VLF, com as outras letras a serem as iniciais dos sobrenomes dos co-fundadores da empresa. “V” de Gilbert Villarreal (fabricante) e o “L” de Bob Lutz, executivo de estatuto quase lendário na indústria automóvel, sem papas na língua.

Baseado no último dos Dodge Viper, o VLF Force 1 elevava os quase 650 cv do V10 do Viper até uns mais impressionantes 755 cv, sem recurso à sobrealimentação. O aumento de equídeos permitiu que os 100 km/h fossem atingidos em apenas 3,0s e a velocidade máxima subisse para 351 km/h.

Além da carroçaria bastante distinta e agressiva, em fibra de carbono, também o interior foi revestido com pele, Alcantara e camurça. Não se ficou por aqui, tendo recebido um reforço tecnológico (navegação, conectividade, wi-fi hotspot) e pormenores únicos como um manípulo da caixa de velocidades “esculpido” de um sólido bloco de alumínio e até podia ser equipado com um compartimento para guardar uma garrafa de champanhe com dois copos.

Originalmente planeado para ser produzido em 50 unidades, aparentemente só cinco chegaram a ser construídos.

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