Mercado

Venderam-se mais Lancia do que Alfa Romeo nos primeiros seis meses do ano

As vendas no primeiro semestre no mercado europeu revelaram uma surpresa, algo chocante: a moribunda Lancia vendeu mais do que a Alfa Romeo.

Como? É mesmo assim, contra factos não há argumentos. A Lancia vendeu mais do que a Alfa Romeo no primeiro semestre de 2019 na Europa —  34 782 unidades contra 29 336 unidades (dados ACEA).

Mas a Lancia já não tinha fechado? Não, não fechou. A histórica marca italiana ainda permanece em atividade. No entanto, esta está resumida apenas a um país, Itália, o seu mercado doméstico; e a sua gama a apenas um modelo, o veterano de oito anos Ypsilon.

O Lancia Ypsilon é o segundo modelo mais vendido em Itália — ficando atrás apenas do Fiat Panda —, e este ano está a conhecer um crescimento de vendas, graças, sobretudo, às várias campanhas que tem tido.

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Lancia Ypsilon

O contraste com a Alfa Romeo é gritante. A marca do biscione está presente em todo o continente europeu, e apesar de uma gama pequena, sempre são quatro modelos atualmente em catálogo: Giulietta, Giulia, Stelvio e 4C — mesmo assim, a Lancia vendeu mais do que a Alfa Romeo.

Correção, o Lancia Ypsilon vendeu mais que toda a Alfa Romeo na Europa. Não foi só a Alfa Romeo que ficou atrás da Lancia e do Ypsilon. Também a Lexus e a DS, com mais modelos e mercados, venderam menos que o pequeno, mas resistente modelo.

Que grande tombo

O mercado europeu contraiu 3,1% no primeiro semestre de 2019, queda refletida em muitas marcas. No caso da Alfa Romeo, o tombo foi muito maior — nos primeiros seis meses de 2019 venderam menos 41,6% carros quando comparado com o mesmo período o ano passado.

Parte da queda justifica-se pelas vendas para frotas da Alfa Romeo que têm contraído desde o final do ano passado. Nestas incluem-se auto-vendas, uma prática que a FCA tem feito esforços para acabar, ou quanto muito, reduzir.

No entanto, não justifica tudo. As vendas a privados também têm caído de forma acentuada (-40% no primeiro semestre) e que dão uma imagem mais realista da situação da marca no mercado — e isso sim, talvez seja razão para os responsáveis da marca se preocuparem.

Alfa Romeo Giulietta
Alfa Romeo Giulietta

Porquê uma queda tão abrupta?

As razões por trás devem-se a alguns fatores. Primeiro, o Giulietta, o suposto modelo de volume, e atualmente o degrau de acesso à marca, já tem nove anos no mercado — em média, uma geração dura 6-7 anos. Um sucessor é necessário urgentemente, considerando até o competitivo segmento onde concorre. Um sucessor está previsto, apesar de ainda não se ter uma data concreta para o seu lançamento.

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Segundo, desde o Stelvio, conhecido no final de 2016, que a Alfa Romeo não apresenta nenhum modelo novo — nada como novidades regulares para atrair novos clientes. Teremos ainda de esperar por (estima-se) 2020, para ver um novo produto, o Tonale.

Alfa Romeo Tonale © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
Alfa Romeo Tonale no Salão de Genebra de 2019

E por fim, tanto o Giulia como o Stelvio, após o efeito novidade, parecem ter perdido ímpeto, não conseguindo atrair as atenções… e vendas.

É mais fácil justificar o desinteresse no Giulia. As berlinas do segmento D premium não têm tido vida fácil nos últimos anos, devido, em parte, aos SUV. Excetuando o BMW Série 3, que recebeu uma nova geração este ano, e a entrada “a pés juntos” do Tesla Model 3, todas as berlinas do segmento estão a sofrer quebras nas suas vendas.

Alfa Romeo Giulia © Razão Automóvel

Mais difícil é justificar o caso do Stelvio, que tem a tipologia certa e o segmento onde se insere está a crescer, mas as vendas do SUV italiano estão a diminuir. Não é o único, o Audi Q5 também não está a ter um 2019 fácil, assim como o Mercedes-Benz GLC. Este último, no entanto, foi recentemente renovado, pelo que deverá recuperar até ao final do ano — também já foram avistados Stelvio camuflados na estrada, o que poderá indicar o anúncio de um restyling para breve.

alfa romeo stelvio © Razão Automóvel

Situação preocupante para a marca do scudetto? Talvez. Facto é que a Lancia vendeu mais do que a Alfa Romeo no primeiro semestre, algo que não deveria acontecer, até considerando os avultados investimentos efetuados.

Fonte: ACEA, Fiat Group’s World.

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