Ambicioso

SEAT aponta baterias à Alfa Romeo, mais uma vez…

O grupo Volkswagen quer usar a SEAT na Europa como aríete em direção à Alfa Romeo, enaltecendo os seus genes latinos. Já não vimos este filme antes?

Uma notícia com uma certa sensação de déjá vu. Herbert Diess, o atual CEO do grupo Volkswagen, é da opinião que a atual SEAT, sem dúvida a passar por um dos seus melhores momentos de forma, tem o que é preciso para competir na Europa com a Alfa Romeo.

Para os que se lembram, não é a primeira vez que declarações dos responsáveis do grupo Volkswagen apontam no sentido de elevar a marca espanhola à marca italiana — agora que o grupo alemão já não aparenta querer comprá-la. Aliás, parece quase um copy-paste do discurso de há 20 anos.

“Alfa Romeo” espanhola

Na altura, o todo-poderoso Ferdinand Piech ambicionava transformar a SEAT na Alfa Romeo do grupo alemão, considerando as origens latinas e o espírito mais “caliente” da marca espanhola. Foi a razão que o levou a “desviar”, em 1998, Walter da Silva da Alfa Romeo — que nos deu desenhos referenciais como o 156 e o 147 —, encetando uma revolução visual na SEAT, iniciada com o concept Salsa, no ano 2000.

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Aliás, houve uma série de concepts, que expressavam essa ambição de elevar a SEAT a uma Alfa Romeo. O SEAT Bolero, em 1998, seria o equivalente a uma berlina desportiva; apresentou duas propostas para carros desportivos, os roadster Formula (1999) e Tango (2001); e culminaria com a apresentação do Cupra GT (2003), do qual derivaria um carro de competição que chegou a participar no campeonato espanhol de GT.

Faz swipe na galeria:

No entanto, nunca nenhum destes projetos originou veículos de produção que apelassem à “auto emocion” defendida pela SEAT nesse período. Em vez disso, ganhámos um MPV Altea, o inexplicável Toledo derivado deste, e o re-badge Exeo, anos mais tarde.

20 anos depois

As palavras de Herbert Diess, 20 anos depois, proferidas durante a apresentação dos resultados financeiros do grupo no segundo trimestre, soam demasiado familiares:

Jovem, desportiva, desejável, emocional — é assim que vamos posicionar a SEAT um pouco mais alto. Hoje, a SEAT tem um mix de produtos bastante melhor do que há uns anos atrás e tem os clientes mais jovens em todo o grupo. Eu acredito que esta marca tem ainda mais potencial.

SEAT Leon Cupra R

Diess justifica a ambição. Na Europa, segundo Diess, a SEAT tem agora um maior nível de reconhecimento do que a Alfa Romeo nas camadas mais jovens: “Para pessoas da nossa idade, [a Alfa Romeo] é uma marca fantástica, mas desde que me lembro, a Alfa tem estado em declínio. Perguntem a alguém com 25-35 anos de idade sobre a Alfa, e ficam perdidos, eles não têm ideia do que a Alfa é”.

Este discurso surge após a reestruturação encetada por Diess ao grupo alemão, onde as marcas Volkswagen, Skoda e SEAT foram agrupadas numa unidade de negócio de marcas de volume. De modo a reduzir a competição interna, terão posicionamentos distintos, com a Volkswagen à cabeça, a Skoda como proposta mais acessível e a SEAT como uma alternativa desportiva a ambas.

Efeito Luca de Meo?

Luca de Meo é o atual CEO da SEAT e, não nos esqueçamos, chegou a liderar a Alfa Romeo durante um par de anos, pelo que poderá ser a pessoa ideal para tão ambiciosa tarefa. Desde que assumiu a liderança da marca espanhola, conseguiu com que esta regressasse aos lucros, adicionando dois SUV à gama — com um terceiro a caminho —; e, mais importante, elevou a denominação CUPRA ao estatuto de marca, a medida mais clara direcionada aos entusiastas.

CUPRA Ateca
CUPRA Ateca, o primeiro modelo da nova marca espanhola

A questão permanece como há 20 anos. Não será ambição a mais? Apesar das dificuldades conhecidas, a Alfa Romeo, pela primeira vez, em muitos anos, tem as fundações certas para almejar um posicionamento equivalente ao que tinha noutros períodos da sua história. Assistimos ao regresso da tração traseira à marca, e ao lançamento de um par de produtos capazes de ombrear com as referências alemãs do setor. E o que dizer das versões Quadrifoglio? Nós somos claramente fãs:

Sabes responder a esta?
Em que ano foi lançado o Ford Mustang?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Já foram produzidos 10 milhões de Ford Mustang… ao que parece

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