Ensaio Testámos o novo Nissan Qashqai (1.3 DIG-T). Ainda é o rei do segmento?

Desde 31 300 euros

Testámos o novo Nissan Qashqai (1.3 DIG-T). Ainda é o rei do segmento?

Foi ele que deu início à democratização dos SUV/Crossover, em 2007, mas será que ainda tem o que é preciso para liderar o segmento? Eis o novo Nissan Qashqai…

Nissan Qashqai 1.3
© Miguel Dias / Razão Automóvel

O Ariya, o primeiro SUV totalmente elétrico da Nissan, chega ao mercado no verão de 2022 e aponta o caminho da eletrificação da marca nipónica, que já tinha sido aberto com o LEAF. Mas independentemente de tudo isto, o best-seller da Nissan continua a ter um nome: Qashqai.

Foi ele que popularizou os SUV/Crossover, em 2007, e desde então já conta com mais de três milhões de unidades vendidas. É um número muito significativo e que lhe dá um acréscimo de responsabilidade sempre que se atualiza ou, como agora, ganha uma nova geração.

Neste terceiro capítulo, o Nissan Qashqai está maior do que nunca, viu a lista de equipamento reforçada, a oferta tecnológica e de segurança dilatadas e ganhou uma nova estética, assente na já conhecida grelha “V-Motion” dos modelos mais recentes da marca.

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Nissan Qashqai 1.3
Esta inscrição da dianteira, junto aos faróis, não engana… © Miguel Dias / Razão Automóvel

O Diogo Teixeira já vos mostrou tudo o que mudou no Qashqai há três meses, no primeiro contacto com o crossover nipónico por estradas nacionais. Podem ver (ou rever!) o vídeo abaixo. Mas, agora, pude passar com ele cinco dias (onde fiz cerca de 600 km), na versão com motor 1.3 com 158 cv e caixa manual de seis velocidades e conto-vos como foi.

Imagem mudou… e bem!

Esteticamente, o novo Nissan Qashqai apresenta uma imagem totalmente nova, ainda que não tenha cortado por completo com as linhas da geração anterior. E isso permite-lhe ser facilmente reconhecido.

Esta nova imagem segue a tendência visual das propostas mais recentes da marca do país do sol nascente e assenta numa grelha “V-Motion” de grandes dimensões e numa assinatura luminosa — bastante rasgada — em LED.

Nissan Qashqai 1.3
Jantes de 20” fazem maravilhas pela imagem do Qashqai, mas afetam o conforto em pisos em pior estado. © Miguel Dias / Razão Automóvel

Disponível pela primeira vez com jantes de 20”, o Qashqai assume uma forte presença de estrada e transmite uma maior sensação de robustez, muito por culpa das cavas das rodas muito largas e da linha de ombros bastante proeminente.

A somar a tudo isto, importa recordar que o Qashqai cresceu em todos os sentidos. O comprimento passou para os 4425 mm (+35 mm), a altura para 1635 mm (+10 mm), a largura para 1838 mm (+32 mm) e a distância entre eixos para 2666 mm (+20 mm).

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Em termos de proporções, as alterações são notórias. Durante este ensaio acabei por estacionar uma vez junto a um Qashqai de segunda geração e as diferenças são significativas. Mas se o impacto ao nível da imagem e da presença é grande, também se faz notar no interior.

Espaço para tudo e… todos!

O aumento da distância entre eixos permitiu um ganho de 28 mm no espaço para as pernas dos ocupantes dos lugares traseiros (608 mm) e a maior altura da carroçaria permitiu aumentar o espaço para a cabeça em 15 mm.

Nissan Qashqai 1.3
© Miguel Dias / Razão Automóvel

No papel estas diferenças são significativas, e acreditem que se fazem sentir quando nos sentamos na segunda fila de bancos, que não terá qualquer problema em acomodar dois adultos de estatura média e uma criança. Ou duas “cadeirinhas” e uma pessoa ao centro, por exemplo…

Atrás, na bagageira, novo crescimento considerável. Além de oferecer mais 74 litros de capacidade (um total de 504 litros), ainda passou a disponibilizar uma abertura mais larga, fruto de uma “arrumação” diferente da suspensão traseira.

Dinâmica surpreende

Com a adoção da plataforma CMF-C, as características de familiar deste SUV saíram todas reforçadas, o que nem chega a ser surpresa, tendo em conta o crescimento constatado.

Bem mais surpreendentes são as melhorias ao nível da dinâmica. E o facto de este Qashqai contar com uma suspensão e uma direção totalmente novas não pode ser alheio a isso.

E já que falamos da suspensão, importa dizer que o Qashqai pode contar com uma suspensão traseira de eixo de torção ou com uma mais evoluída suspensão independente às quatro rodas, que foi precisamente a que testei.

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E a verdade é que é muito fácil detetar uma evolução face ao modelo de segunda geração. A direção é bem mais precisa, a inclinação lateral em curva está bem controlada e o amortecimento da suspensão é bastante aceitável.

Nissan Qashqai 1.3
Volante tem uma pega bastante confortável e pode ser ajustado em altura e em profundidade, o que contribui para uma excelente posição de condução. © Miguel Dias / Razão Automóvel

E tudo isto é acentuado no modo Sport, que aumenta ligeiramente o peso da direção, torna o pedal do acelerador mais sensível e convida a ritmos mais elevados. Neste campo, nada a apontar a este SUV, que dá muito boa conta de si. Mesmo quando abusamos um pouco mais, a traseira sempre ajuda de forma a facilitar a inserção em curva.

E fora de estrada?

As imagens que acompanham este ensaio já o denunciam, mas para os mais distraídos importa dizer que também levei o Qashqai para os “maus caminhos”. Um fim de semana no Alentejo permitiu colocar-lhe vários desafios: autoestrada, estradas secundárias e “estradões” de terra.

Nissan Qashqai 1.3
O pó no óculo traseiro não engana: apanhámos um “estradão” de terra no Alentejo e tivemos que lá passar… © Miguel Dias / Razão Automóvel

Este último era claramente o cenário onde o Qashqai tinha tudo para se dar pior. Afinal a unidade que testei contava com uma suspensão traseira mais firme e com jantes de 20” e pneus 235/45.

E fora de estrada as jantes de grandes dimensões e a suspensão algo dura fizeram-nos “pagar a fatura”, com este Qashqai a revelar-se algo “saltitão”. Além disso também vieram ao de cima umas vibrações mais bruscas e ruídos vindos da zona traseira.

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E em autoestrada?

Aqui, tudo muda de figura e o Qashqai sente-se como “peixe na água”. As características de “rolador” deste SUV nipónico estão melhores do que nunca, a suspensão firme nunca chega a ser um problema em termos de conforto e a experiência ao volante é muito confortável.

Nissan Qashqai
O painel de instrumentos digital recorre a um ecrã com 12,3”.

E para isso muito contribuem também os múltiplos sistemas de auxílio à condução que equipa este modelo, nomeadamente o cruise control adaptativo, o sistema de manutenção na via de rodagem e o controlo da distância para o carro que circula imediatamente à nossa frente.

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Motor tem “várias caras”

Em autoestrada, o motor 1.3 turbo a gasolina — não há versões Diesel nesta nova geração — com 158 cv de potência (existe uma versão com 140 cv) mostra-se sempre muito disponível e revela uma elasticidade interessante, ao mesmo tempo que nos brinda com consumos em torno dos 5,5 l/100 km.

Nissan Qashqai 1.3
Caixa manual de seis velocidades mostrou-se um pouco lenta a reagir, mas está bem escalonada. © Miguel Dias / Razão Automóvel

Contudo, não fiquei assim tão convencido em cidade. Nos regimes mais baixos (até às 2000 rpm) o motor mostra-se mais preguiçoso, o que nos obriga a mantê-lo nos regimes mais altos e a trabalhar mais com a caixa para encontrar a disponibilidade que precisamos. E nem mesmo o sistema mild-hybrid de 12 V consegue atenuar esta sensação.

O mecanismo da caixa também não é o mais rápido — acredito que a versão de caixa CVT possa melhorar a experiência — e o pedal da embraiagem é muito pesado, o que prejudica a sensibilidade do mesmo. Tudo isto combinado gera, por vezes, alguns solavancos pouco desejáveis.

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E os consumos?

Se em autoestrada os consumos do Qashqai me surpreenderam — fiquei sempre próximo dos 5,5 l/100 km — em “estrada aberta” mostraram-se mais elevados do que os anunciados pela marca japonesa: no final dos cinco dias de teste e após 600 km, o computador de bordo assinalava uma média de 7,2 l/100 km.

Nissan Qashqai 1.3
Ecrã central de 9″ tem uma leitura muito boa e permite integração sem fios com Apple CarPlay. © Miguel Dias / Razão Automóvel

É o carro certo para si?

Não vai influenciar o mercado da mesma maneira que em 2007, nem o podia fazer, afinal foi ele quem ditou o início da moda dos SUV/Crossover e hoje temos um mercado saturado de propostas cheias de valor, mais concorrido do que nunca. Mas o Qashqai, agora na sua terceira geração, continua a mostrar-se em muito bom nível.

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Com uma imagem que, apesar de não fazer virar cabeças, passa a ideia clara de que este é um Qashqai diferente, mais sofisticado. O crossover nipónico apresenta-se com mais espaço e recheado de equipamento e tecnologia que não podem ser ignorados. E a qualidade de montagem e os revestimentos também representam uma evolução.

Se a isso somarmos a versatilidade que sempre o marcou, os baixos consumos em autoestrada e a boa dinâmica que exibe quando subimos o ritmo, percebemos que ele tem tudo para ser, novamente, um caso de sucesso para a Nissan.

O comportamento nos pisos em pior estado merece um apontamento, mas tenho noção que as jantes de 20” e a suspensão mais firme poderão ter alguma culpa. O motor também não convenceu por completo, revelando algumas insuficiências nos regimes mais baixos. Mas se o soubermos utilizar e não deixarmos cair as rotações do motor isso não é um problema.

Nissan Qashqai 1.3
Prometo que levei o Nissan Qashqai a “tomar banho” antes de o devolver à Nissan Portugal… © Miguel Dias / Razão Automóvel

Ainda assim, confesso que fiquei curioso para testar a nova versão híbrida e-Power, na qual o motor a gasolina assume apenas a função de gerador não estando ligado ao eixo motriz, com a propulsão a recorrer apenas e só ao motor elétrico.

Este sistema, que transforma o Qashqai numa espécie de elétrico a gasolina, conta com um motor elétrico de 190 cv (140 kW), um inversor, um gerador de energia, uma (pequena) bateria e, claro, um motor a gasolina, neste caso um totalmente novo 1.5 l de três cilindros e turbocomprimido com 154 cv, que é o primeiro motor de taxa de compressão variável a ser comercializado na Europa.

Testámos o novo Nissan Qashqai (1.3 DIG-T). Ainda é o rei do segmento?

Nissan Qashqai 1.3 DIG-T

7/10

O legado que carrega não podia ser maior, mas está à altura do desafio. O novo Nissan Qashqai não revoluciona quanto as suas gerações anteriores, nem o podia fazer. Mas está mais maduro, mais sofisticado, mais tecnológico e seguro do que nunca. A isso junta ainda mais espaço e uma versatilidade que sempre o caraterizou. O binómio motor+caixa exigem alguma habituação, mas é na autoestrada que dão melhor conta de si. Em cidade confesso que esperava um comportamento mais fluído e consumos mais baixos. Já o conforto surge em bom plano, até saírmos de estrada. Aí, as jantes de grandes dimensões e o asserto mais firme da suspensão não ajudam. Mas em "estrada aberta" o comportamento dinâmico surpreendeu-me pela positiva. Isso e o equipamento de série, que é muito completo.

Prós

  • Equipamento
  • Comportamento dinâmico
  • Espaço
  • Consumos em autoestrada

Contras

  • Motor (regimes baixos)
  • Insonorização podia ser melhor
  • Prestações

Versão base:€31.300

IUC: €171

Classificação Euro NCAP: 0/5

€41.700

Preço unidade ensaiada

  • Arquitectura:4 cilindros em linha
  • Capacidade: 1333 cm3 cm³
  • Posição:Dianteira transversal
  • Carregamento: Injeção direta + Turbo + Intercooler
  • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv. por cil. (16 válv.)
  • Potência: 158 cv (às 5500 rpm)
  • Binário: 260 Nm (entre as 1800 e as 4000 rpm)

  • Tracção: Dianteira
  • Caixa de velocidades:  Caixa manual de seis velocidades

  • Comprimento: 4425 mm
  • Largura: 1848 mm
  • Altura: 1625 mm
  • Distância entre os eixos: 2665 mm
  • Bagageira: 504 litros (1447 litros)
  • Peso: 1422 kg

  • Média de consumo: 6,5 l/100 km
  • Emissões CO2: 146 g/km
  • Velocidade máxima: 206 km/h
  • Aceleração máxima: >9,5s

    Tem:

    • Jantes em liga leve 20" Shogun
    • Preto azulado - Bancos Monoforma com zona central em pele autêntica Zeitaku e laterais em pele sintética vegan
    • Faróis de nevoeiro LED
    • Carregador sem fios para Smartphone
    • Teto panorâmico
    • Sistema de Infotenimento de 9" com Nissan Connect
    • Wireless Apple CarPlay
    • Mapas de Navegação Tom Tom
    • Atualização remota dos Mapas de Navegação
    • Nissan Connected Services: Controlo Remoto das portas, luzes, buzina e localizador do veículo
    • Compatibilidade com Assistente Pessoal Amazon Alexa e Google Assistant
    • Sistema Wi-Fi para dispositivos
    • Câmera 360º com detecção de objetos em movimento
    • Portão da bagageira Inteligente
    • Head-Up Display de 10" com projeção no para brisas
    • Sistema de Ajuste à Velocidade Legal
    • Assistente de Velocidade em curvas e cruzamentos
    • Cruise Control de velocidade reduzida
    • Assistência à condução no pára arranca
    • Sistema Inteligente de Manutenção de Faixa
    • Sistema de som Bose com 8 colunas + Caixa de Baixos Bose Acoustimass e Amplificador Digital
    • Volante e Bancos aquecidos para condutor e passageiro
    • Para brisas aquecido ThermaClear
    • Sistema de Anti-colisão frontal com Assistência em cruzamentos e reconhecimento de peões e ciclistas
    • Alerta Inteligente de Previsão de Colisão Frontal
    • Alerta de Mudança Involuntária de Faixa com Prevenção
    • Sistema de Deteção de Ângulo Morto com Intervenção
    • Alerta de Fadiga do Condutor
    • Cruise Control Inteligente com Adaptação aos Sinais de Trânsito
    • Sistema de Travagem Automática em marcha-atrás com deteção de movimento
    • Assistente Inteligente de Máximos
    • Controlo Dinâmico de Trajectória
    • Sensores de Estacionamento frontais e traseiros
    • Cockpit Digital Full TFT de 12,3"
    • Android Auto
    • Chave Inteligente Avançada com função de memória (Banco, retrovisores e audio)
    • Vidros traseiros escurecidos
    • Ajuste dos retrovisores em marcha atrás
    • Retrovisores exteriores com regulação elétrica, aquecidos e intermitentes LED
    • Volante e punho das velocidades em pele suave
    • A/C automático Dual
    • Sistema de Arrumação Inteligente da Bagageira
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Em que ano a Nissan deixou de produzir o 300ZX (Z31)?
Oops, não acertou!

Pode encontrar a resposta aqui:

O Nissan 300ZX (Z31) tinha dois indicadores do nível de combustível. Porquê?