Antes do Mazda2 Hybrid, também o Mazda 121 usou a mesma «receita»

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Separados à nascença

Antes do Mazda2 Hybrid, também o Mazda 121 usou a mesma «receita»

Durante a longa parceria com a Ford (1974-2015), a Mazda chegou a ter o «seu» próprio Fiesta, que foi o último 121, nos anos 90 do século passado.

O novo Mazda2 Hybrid é a primeira proposta híbrida da marca japonesa na Europa e, como já todos devem ter reparado, não é mais que um Toyota Yaris Hybrid que ostenta o símbolo da Mazda.

É um exemplo clássico do que se chama de badge engineering (engenharia do símbolo), ou seja, onde um modelo é vendido por outra marca que não a original, com poucas ou nenhumas alterações, onde a maioria das vezes só muda mesmo o símbolo da marca.

Não é uma prática de agora e o seu uso continua a ser frequente — recentemente vimos outros Toyota disfarçados de Suzuki, como o Across e o Swace — e, no caso da Mazda, não é a primeira vez que recorre ao badge engineering. Nos anos 90 do século passado, o último dos Mazda 121 fez uso da mesma receita.

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Mazda2 Hybrid
Não parece, mas é o novo Mazda2 Hybrid.

Em 1996, quando a Mazda e a Ford eram parceiras, o modelo escolhido para servir de base à nova geração do utilitário da marca japonesa foi, nada mais nada menos, que a quarta geração do Ford Fiesta.

Apesar de escassas, as diferenças face ao Fiesta eram, no entanto, em maior número do que as que encontramos hoje entre o Mazda2 Hybrid e o Yaris. Mas numa nota mais pessoal, devo admitir que quando era bem mais novo, tinha dificuldades em distinguir o Mazda 121 do Ford Fiesta que chegou a passar lá por casa.

A diferença estava nos pormenores

Na dianteira o maior destaque tinha de ser dado à grelha, que por estar num Mazda perdeu o formato oval então típico dos Ford e recebeu não só o logótipo da marca de Hiroshima como uma pequena barra cromada no topo.

Além disto, os para-choques dianteiros e traseiros passaram a contar com umas inestéticas (mas com certeza eficazes) proteções plásticas. Ainda assim o maior «traço de personalidade» do Mazda 121 estava reservado para o portão da bagageira.

Por lá, além do logótipo da Mazda surgiam duas barras em plástico preto, uma de cada lado do puxador da porta. Sem grande razão de ser, estas serviam para a marca japonesa colocar o seu nome e a designação do modelo. Assim tornava-se mais fácil de distinguir do Fiesta, mas, ao mesmo tempo, dava uma aparência algo estranha à bagageira.

Ford Fiesta Ghia
A grelha do Ford Fiesta Ghia não chegou ao Mazda 121.

Quanto ao interior, e numa era em que os sistemas de infoentretenimento se resumiam a… um rádio com leitor de cassetes, a diferenciação era conseguida única e exclusivamente com base no logótipo que surgia ao centro do volante.

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Em 1999, tal como o Ford Fiesta, também o Mazda 121 foi alvo de um restyling. Escusado será dizer que as semelhanças entre os dois modelos se mantiveram, e as diferenças continuaram a resumir-se à grelha dianteira, às faixas pretas na bagageira e às proteções plásticas nos para-choques.

Motores bem conhecidos

Se esteticamente o Mazda 121 era «fotocópia» do Ford Fiesta com alguns apontamentos diferentes, no capítulo da mecânica a história repetia-se. Afinal, os dois modelos eram produzidos na mesma linha de montagem.

A oferta a gasolina assentava no famoso 1.25 l de quatro cilindros da família Zetec (o tal que foi desenvolvido com a ajuda da Yamaha) que debitava 75 cv e no veterano 1.3 l (Endura) com apenas 60 cv. Já entre os Diesel, estava disponível um 1.8 l que na versão aspirada oferecia 60 cv e na variante equipada com um turbo a potência ascendia aos 75 cv.

Mazda 121
É o interior do Mazda 121, mas bem que podia ser o do Ford Fiesta.

Longe de ser um sucesso de vendas, o Mazda 121 acabaria por ceder o seu lugar na gama ao Mazda2 em 2003 (apesar de continuar a partilhar com o Ford Fiesta a sua plataforma).

Não deixa de ser curioso que, quase 20 anos depois da conquista da «independência», o utilitário da Mazda volta a derivar diretamente de outro modelo. Ainda que este novo Mazda2 Hybrid vá ter a companhia do Mazda2 que já estava em comercialização (desde 2014), com ambos a serem vendidos em paralelo.

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