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Apresentação

Emira. O último Lotus com motor de combustão

O Lotus Emira será o último da marca britânica a vir equipado com motores de combustão. E estes vêm da Toyota e… da AMG.

Se o lançamento de um novo Lotus já é motivo de celebração — não lançava um modelo realmente novo em uma década —, a revelação do novo Emira (Type 131) ganha significado especial.

Este será, segundo a marca, o seu último modelo a vir equipado com motor de combustão. Todos os futuros modelos a serem lançados pela Lotus, serão elétricos, a começar no hiper e exclusivo Evija.

De uma assentada, o novo Lotus Emira irá tomar o lugar do Elise, Exige e Evora — que terminam produção durante este ano —, posicionando-se como um rival para algumas das versões do Porsche 718 Cayman, sobretudo as mais potentes.

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Lotus Emira

Lotus e AMG, a improvável combinação

A Lotus ainda não divulgou todas as especificações definitivas para o seu novo desportivo, mas anuncia potências entre os 360 hp (365 cv) e os 400 hp (405 cv) além de um binário máximo de 430 Nm, cortesia de duas motorizações bastante distintas e menos de 4,5s nos 0-100 km/h para qualquer uma delas, sempre e só com tração traseira.

A primeira é bastante conhecida, que transita do Evora e Exige: o 3,5 V6 Supercharged de origem Toyota, associado a uma caixa manual ou automática, ambas de seis velocidades.

Mas a grande novidade é o anunciado e inédito motor de quatro cilindros: nada mais nada menos que o M 139 da AMGo quatro cilindros mais potente do mundo —, o mesmo motor que equipa o Mercedes-AMG A 45. A AMG passa a ser uma das parceiras técnicas da Lotus, e não é difícil perceber a relação entre as duas, tendo em conta que a Lotus é agora parte da Geely, que por sua vez tem uma importante participação na Daimler.

"O 2.0 l é o quatro cilindros em linha mais potente do mundo em produção, associado à aclamada transmissão de dupla embraiagem e modos de condução da AMG. É de alta performance, imensamente eficiente graças à tecnologia de ponta, e garante baixas emissões e uma performance linear. A adicionar a isso, foi recalibrado em "casa" pelos engenheiros com elevada experiência em Hethel, para que ofereça a distinta experiência Lotus."

Gavan Kershaw, Diretor dos Atributos dos Veículos, Lotus

No entanto, não virá com os 421 cv que encontramos nos modelos 45 da AMG, mas deverá ficar-se pelos tais 360 hp. Pela primeira vez o M 139 será colocado em posição central traseira num automóvel, mas manterá o posicionamento transversal. No entanto, a nova localização obrigou a efetuar diversas adaptações, levando até à criação de um novo sistema de admissão e escape. A única transmissão disponível para o M 139 será a caixa de dupla embraiagem de oito velocidades da AMG.

Lotus Emira

Sports Car Architecture. Evolução e não revolução

As novidades não se escondem apenas por baixo do capô traseiro. O novo Lotus Emira estreia novas fundações, a Sports Car Architecture, apesar de, tecnicamente, ser uma profunda evolução da usada no Evora, tendo sido desenvolvida com recurso à mesma tecnologia de partes extrudidas em alumínio unidas com adesivos industriais, estreada no Elise… em 1996.

O novo Emira, apesar de contar apenas com dois lugares, é ligeiramente mais comprido e largo que o Evora (que chegou a ter uma configuração 2+2). Tem 4412 mm de comprimento, 1895 mm de largura e 1225 mm de altura, mantendo, curiosamente, os mesmos 2575 mm de distância entre eixos do Evora. As vias também são mais largas e com elas a Lotus promete superiores índices de estabilidade para o seu desportivo. Novidade são também as rodas de 20″, de série em todos os Emira.

A nova arquitetura faz com que entrar e sair do Emira seja muito mais fácil, ao mesmo tempo que é anunciada com cotas de habitabilidade mais generosas (sobretudo o espaço em altura), capazes de igualar, segundo a Lotus, as referências na sua classe.

Um Lotus para o dia a dia?

Não é de todo comum ver um comunicado sobre um desportivo — e para mais um Lotus — a dar tanto destaque à sua usabilidade e versatilidade. O Emira promete ser um dos Lotus melhor adaptados para um uso regular, até diário, de sempre. Não só pelo já mencionado melhorado acesso, como também pela sua capacidade de transportar bagagens.

Atrás dos dois ocupantes há um espaço com 208 l de capacidade, enquanto a bagageira posicionada atrás do compartimento do motor é capaz de “engolir” 151 l (dá para arrumar uma mala regular para viajar de avião ou um conjunto de tacos de golfe), superando a capacidade combinada de um Porsche Cayman. Existe ainda um porta-copos duplo e até bolsas de arrumação nas portas.

Lotus Emira

Se o design exterior, apesar de novo e fortemente influenciado pelo totalmente elétrico Evija, é-nos relativamente familiar, no interior a revolução em design e tecnologia é inédita.

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Sempre com a premissa de uma superior usabilidade e conforto em mente, o novo Lotus Emira mostra um cuidado adicional nos revestimentos, qualidade e ergonomia, perdendo o aspeto “puro e duro” de outros Lotus mais focados. Tal como em tantos outros automóveis de hoje, o design do interior é dominado pela presença de dois ecrãs, um para o painel de instrumentos (12,3″) e outro para o infoentretenimento (10,25″).

O conteúdo tecnológico — em segurança e conforto — também impressiona, não por ser inovador em si, mas por estarmos a referirmo-nos igualmente a um Lotus, algo a que não estamos habituados.

Lotus Emira

O Emira vem equipado com um “arsenal” de assistentes à condução — quem diria… —, entre os quais cruise control adaptativo, alerta de colisão frontal, deteção de sinais de trânsito, limitador de velocidade, alerta de saída de via de rodagem e até assistência à mudança de via de rodagem (!). Algo só possível por o novo Emira ter adotado uma nova arquitetura elétrica vinda diretamente da “casa-mãe”, a Geely, ainda que adaptada às necessidades da Lotus.

Ao nível dos equipamentos de conforto também impressiona. Traz um volante multifunções, um sistema de som premium da KEF (com 10 canais), bancos ajustáveis eletricamente de série (!) em quatro direções (opcionalmente em 12 direções), sensor de chuva, retrovisores que rebatem eletricamente, sensores de estacionamento (opcionalmente também à frente) e ignição por botão — sim, isto tudo num Lotus.

É sem dúvida o início de uma grande transformação para a Lotus, da qual a eletrificação é apenas uma parte.

Ainda é leve como esperamos de um Lotus?

Temos boas e más notícias. Por um lado, apesar de tudo o que foi adicionado ao desportivo, acusa apenas cinco quilogramas adicionais (na sua forma mais leve) em relação ao Evora. No entanto, isso significa que na sua forma mais leve o novo Emira acuse 1405 kg (DIN), o que faz dele tão pesado como o Porsche 718 Cayman GTS 4.0.

Lotus Emira

Para o desportivo que é, considerando as suas dimensões, os motores que o equipam e todo o equipamento que traz, não é um valor exagerado (em linha com o de muitos hot hatch atuais), mas para um Lotus admitimos esperar um valor mais baixo, até pela sua construção maioritariamente em alumínio (o 718 Cayman recorre de forma mais abundante ao aço).

Comportamento com expetativas em alta

Além de uma massa contida, é expectável que os Lotus ofereçam igualmente um comportamento referencial e uma experiência de condução única.

Lotus Emira

Para atingir esse objetivo, a Lotus resistiu à tentação de mudar para uma direção eletricamente assistida, mantendo a assistência hidráulica do Evora, de modo a garantir o melhor feedback possível. Duplos triângulos sobrepostos, tanto à frente e atrás, compõem o esquema da suspensão, havendo dois configurações de chassis disponíveis.

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A que vem de série, denominada Tour, é a mais indicada para um uso diário, mais suave no seu acerto. Opcionalmente estará disponível a Sport, mais firme, e integrada num pacote de equipamento Lotus Driver’s Pack. Além da suspensão mais firme, também adiciona o Launch Control e pneus Michelin Pilot Sport Cup 2, ao invés dos Goodyear Eagle F1 Supersport de série.

Lotus Emira

Quando chega?

O novo Lotus Emira, o primeiro fruto do plano Vision80 e o último Lotus a ser equipado com um motor de combustão, deverá ser lançado durante a próxima primavera (2022). Primeiro com o V6 Supercharged da Toyota e só mais tarde com o quatro cilindros M 139 da AMG. A Lotus aponta para que o preço da versão mais acessível do Emira fique abaixo dos 72 mil euros.

O novo desportivo será montado nas instalações da marca em Hethel, no Reino Unido, a um ritmo otimista de 4800 unidades por ano — muito mais que as 1400-1600 unidades anuais combinadas dos veteranos Elise, Exige e Evora. A razão para este otimismo está no apelo bem mais amplo que o Emira poderá ter no mercado, dado o seu foco no conforto e usabilidade, sendo expetativa da Lotus que traga muitos e novos clientes com ele.

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