Fórmula 1

Fica a conhecer todos os pilotos portugueses que chegaram à Fórmula 1

A Fórmula 1 faz 70 anos neste atípico 2020. Altura de recordar os (infelizmente poucos) pilotos portugueses que participaram na Fórmula 1 desde 1950.

Com o regresso inesperado da Fórmula 1 a Portugal em 2020, por culpa de um vírus que virou o mundo do avesso, fomos “invadidos” por um sentimento nostálgico. Afinal, desde 1996 que não se realizava um Grande Prémio em terras lusas, e até a conversa chegar ao tópico dos pilotos portugueses na Fórmula 1 ao longo dos tempos, foi um saltinho.

Em 70 anos de Fórmula 1 — o primeiro campeonato oficial da disciplina aconteceu em 1950 —, contamos apenas nove pilotos portugueses que, de uma forma ou outra, estiveram envolvidos no “grande circo”. E se contarmos aqueles que efetivamente efetuaram corridas e/ou participaram em campeonatos, esse número vê-se reduzido a apenas quatro…

Um quarteto que é um excelente ponto de partida para esta reunião dos pilotos portugueses na Fórmula 1(na publicação abaixo: Tiago Monteiro, Pedro Lamy, Pedro Matos Chaves e “Nicha” Cabral).

 

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Tiago Monteiro

Foi o último piloto português a participar num campeonato de Fórmula 1, tendo efetuado duas temporadas completas em 2005 e 2006 — em 2004 já pilotava os monolugares da F1 como piloto de testes na Minardi. Entre os pilotos portugueses na Fórmula 1, Tiago Monteiro acabaria também por ser o mais bem sucedido de todos.

 

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Foi o único a ter subido ao pódio, tendo alcançado um terceiro lugar no GP dos EUA em 2005, com a Jordan. Não duvidamos do talento do piloto luso, mas o feito foi alcançado em circunstâncias atípicas, quando as principais equipas decidiram não participar na prova norte-americana por problemas de segurança relacionados com os pneus Michelin. Porém, Tiago Monteiro voltaria a pontuar nessa temporada, quando alcançou um oitavo lugar no GP da Bélgica, terminando o campeonato com sete pontos.

Em 2006 a equipa seria rebatizada de Midland e o melhor resultado seria um nono lugar do GP da Hungria, sem ter conseguido pontuar.

 

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Após ter saído da Fórmula 1, a carreira de Tiago Monteiro passou para o WTCC, com a SEAT e depois Honda, participando ainda nas 24 Horas de Le Mans. Após ter sofrido um violento acidente em 2017, quando liderava o campeonato de WTCC, o piloto luso só regressaria novamente aos circuitos em 2018 e às vitórias em 2019, feito alcançado em Portugal.

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Pedro Lamy

Chegou à Fórmula 1 em 1993, com a Lotus, tendo participado nos quatro últimos Grandes Prémios desse ano, substituindo Alex Zanardi que recuperava de um acidente. Não chegou a pontuar, mas a Lotus contrataria o piloto português para efetuar a totalidade do campeonato em 1994. Porém, após quatro provas disputadas, Pedro Lamy sofreria um grave acidente durante uma sessão de testes no circuito de Silverstone, terminando aí a temporada, e obrigando a um longo período de recuperação.

Pedro Lamy

Regressaria à Fórmula 1 em 1995 com a Minardi, para fazer a segunda metade do campeonato, substituindo o piloto Pierluigi Martini. Mesmo aos comandos de um monolugar pouco competitivo, Lamy terminaria efusivamente o campeonato ao conquistar um sexto lugar no GP da Austrália, no circuito de Adelaide, o que lhe garantiu o primeiro (e único) ponto na Fórmula 1. Regressaria em 1996, ainda na Minardi, mas a falta de competitividade do carro nunca lhe permitiu voos mais altos.

 

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Após sair da Fórmula 1, Lamy teve uma bem sucedida carreira no campeonato GT da FIA, tornando-se campeão na categoria GT2 em 1998 ao volante de um Dodge Viper. Nas Le Mans Series foi campeão na categoria GTS em 2004 com um Ferrari 550 GTS Maranello; campeão nos GT1 em 2005 com um Aston Martin DBR9 e campeão nos LMP1 com um Peugeot 908 HDI em 2006. Em 2017 voltaria a ser coroado campeão no WEC, na categoria LMGTE-AM, com um Aston Martin Vantage GTE. E sem esquecer que já venceu as 24 horas de Nürburgring por cinco vezes.

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Pedro Matos Chaves

O piloto portuense esteve apenas uma temporada na Fórmula 1, em 1991, após ter vencido o campeonato britânico de Fórmula 3000 em 1990. Tal como Lamy, Pedro Matos Chaves acabou por ficar limitado pela gritante falta de competitividade do monolugar da equipa Coloni. Após 13 provas e 13 tentativas de qualificação para um Grande Prémio sem nunca conseguir participar em nenhum, o piloto abandonou a equipa, regressando à Fórmula 3000.

Hoje já retirado das competições, foi ainda campeão nacional de ralis por duas vezes, com a Toyota.

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Mário de Araújo Cabral

Conhecido por “Nicha” Cabral, o piloto português (recentemente falecido) estreou-se na Fórmula 1 em 1959 no circuito de Monsanto — sim, houve corridas de Fórmula 1 no “pulmão” de Lisboa —, tendo alcançado um 10º lugar, numa atribulada prova, onde foi o causador de um acidente que envolveu Jack Brabham. Foi o primeiro piloto português a participar numa prova do campeonato de Fórmula 1.

Participaria em mais quatro Grandes Prémios — um em 1960 (Portugal), dois em 1963 (Alemanha e Itália) e um em 1964 (Itália) — não tendo, no entanto, concluído nenhum. Após a Fórmula 1, “Nicha” Cabral participou na Fórmula 3 onde, em 1965, sofreria um grave acidente e continuaria a competir até 1974, em provas de Sport, apesar de ainda ter efetuado mais duas provas em Fórmula 2.

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Os pilotos portugueses que quase chegaram à Fórmula 1

Houve mais pilotos portugueses envolvidos na Fórmula 1 ainda que não se tenha traduzido na participação em Grandes Prémios. Começando pelo mais recente, o atual campeão de Fórmula E, António Félix da Costa chegou a testar vários monolugares de Fórmula 1 — em 2010 um Force India e em 2013 um Red Bull —, que lhe chegou a garantir lugar como piloto de reserva da Red Bull em vários GP’s.

Como prémio por ter vencido a World Series by Renault (monolugares equipados com um V8 de 3.5 l) em 2007, Álvaro Parente teve oportunidade de testar um monolugar de F1 da Renault no início de 2008. Em 2010 esteve perto de integrar a equipa Virgin Racing, mas acabou por não acontecer. Passou pelo GP2 e por campeonatos de GT, conhecendo múltiplos sucessos.

 

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Filipe Albuquerque fez um teste oficial para a Toro Rosso em 2007, após ter conduzido, para eventos de exibição, os monolugares da Red Bull. Acabou por não se traduzir numa oportunidade para ingressar na Fórmula 1, mas a carreira do piloto seria coroada de vários sucessos, destacando-se a vitória, este ano (2020) nas 24 Horas de Le Mans na categoria LMP2, categoria de que foi campeão na temporada 2019-2020, tendo sido também campeão na European Le Mans Series (2020).

 

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Bem mais para trás no tempo encontramos Casimiro de Oliveira, irmão do conhecido cineasta e piloto Manoel de Oliveira. Foi o primeiro piloto português a ter conduzido um carro de Fórmula 1, em 1953, num treino privado. Tratava-se de um Ferrari F2, um monolugar dominador nos primeiros anos da disciplina rainha. Também foi o primeiro piloto português a estar inscrito num Grande Prémio, o de Portugal (Boavista), em 1958, um ano antes de “Nicha” Cabral, com um Maserati 250F. Não chegou a participar, pois esta prova marcava o seu regresso após três anos parado, pelo que não arriscou.

Casimiro de Oliveira
Antes de ingressar na Fórmula 1, Casimiro de Oliveira correu em várias corridas ao volante de máquinas como o Bugatti Type 35

E, por fim, terminamos com Fritz d’Orey, ou Frederico d’Orey. Sim, é um piloto brasileiro, mas incluímo-lo nesta lista por uma “tecnicalidade”, por ter dupla nacionalidade (brasileira e portuguesa), sendo filho de emigrantes portugueses. Participou em três Grandes Prémios em 1959, com um Maserati 250F e um Tec-Mez (motor Maserati), tendo conseguido um 10º lugar como melhor resultado.

Fritz d'Orey
Fritz d’Orey

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