Desde 84 941 euros

Performance sueca. Testámos o Volvo XC60 Polestar Engineered

Barra anti-aproximação, suspensões de regulação mecânica, travões Akebono, mais de 400 cv de potência. Parece um carro de corridas, mas é um SUV: Volvo XC60 Polestar Engineered.

Suécia. Não sei se é das baixas temperaturas, do isolamento provocado pelos rigorosos Invernos ou dos ciclos solares próprios de um país tão a norte do globo… não sei.

Sei que, de tempos a tempos, os suecos da Volvo surpreendem tudo e todos com algo fora do vulgar. Não é de agora, é de sempre.

De um cinto de segurança com três pontos — algo que hoje damos como adquirido —, a uma sonda capaz de reduzir emissões de forma drástica — a Volvo também foi pioneira neste campo — alguém se lembraria de disputar um campeonato de turismo com uma carrinha? A Volvo pois claro.

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Volvo 850 BTCC
1994. A Volvo decidiu participar no BTCC com uma carrinha Volvo 850.

Regressando ao presente, a história continua. Desta feita num SUV que parece ter passado por uma equipa de competição à saída da fábrica.

Falamos do Volvo XC60 Polestar Engineered, um SUV híbrido plug-in que foi uma agradável surpresa. Vais descobrir porquê nas próximas linhas.

Volvo XC60 Polestar Engineered híbrido
Discreto mas desportivo. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Sem rodeios… é bonito

O Volvo XC60 é um dos SUV mais aclamados do segmento e nesta versão Polestar Engineered o seu design ganha outra dimensão. A marca sueca conseguiu fazer um SUV desportivo sem cair em exageros.

É agressivo, mas elegante. É discreto, mas dá nas vistas.

É nos pequenos detalhes que o Volvo XC60 Polestar Engineered se distingue. Nas jantes de 21″ em alumínio forjadas, nas maxilas de travões Akebono pintadas a dourado, nas saídas de escape estilizadas e nos pequenos logótipos Polestar.

Volvo XC60 Polestar Engineered híbrido © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

E é isto. Com poucas alterações a Volvo produziu um desportivo que é agradável à vista. Será que também é agradável de conduzir?

Eficácia nas curvas

Um chassis muito rígido (plataforma SPA), barra anti-aproximação, suspensões de regulação mecânica fornecidas pela Öhlins, travões Akebono e jantes de 21″ servidas por uns pegajosos pneus Pirelli P Zero.

Temos os ingredientes certos, será que a receita é boa?

Ok… é um SUV, e são mais de 2200 kg, mas isto não significa que o seu comportamento seja pouco rigoroso ou pouco entusiasmante.

Volvo XC60 Polestar Engineered híbrido © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Neste segmento não faltam modelos que contrariam a ideia pré-concebida que muitos têm dos SUV desportivos. Porsche Macan Turbo, BMW X3 M, Mercedes-AMG GLC 63 S são apenas alguns exemplos.

Nomes sonantes, é verdade, mas nenhum deles mete medo ao Volvo XC60 Polestar Engineered.

Volvo XC60 Polestar Engineered híbrido
O lugar mais desejado no interior do Volvo XC60 Polestar Engineered. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A traseira roda com uma naturalidade e uma progressividade impressionante — neste quesito, melhor até que o X3 M ou GLC 63 S. Já a frente responde com igual prontidão a todos os nossos comandos sem castigar em demasia a roda de apoio — ao nível do que faz o Porsche Macan Turbo.

Agradeçam ao trabalho desenvolvido pela Polestar e pelos técnicos da Öhlins. As transições de massa não assustam e quando damos por nós, estamos a conduzir com uma fluidez que só é possível em carros pensados com um propósito: serem conduzidos.

Jantes de 21" e Travões Akebono
Os travões têm uma excelente eficácia e um visual a condizer. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Só é pena que o feeling da direção não esteja ao nível do restante conjunto. Mas não chega para estragar de forma determinante a experiência.

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Mais de 400 cv de potência híbrida

Esta unidade que conduzi ainda não estava limitada eletronicamente a 180 km/h — doravante, todos os modelos da Volvo estão limitados a esta velocidade (o que os proprietários fazem depois já é outra história…).

Volvo XC60 Polestar Engineered híbrido
O conforto está em bom plano, apesar do pendor claramente desportivo desta versão Polestar. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Confesso que não atingi os 180 km/h, mas se o quisesse fazer, seria muito rapidamente. Com 405 cv de potência combinada, fruto da associação de dois motores elétricos com um motor 2.0 turbo, a velocidade com que o ponteiro da velocidade sobe é impressionante.

Para atingir os 100 km/h bastam 5,4 segundos.

A resposta da caixa automática de oito velocidades nem sempre é a mais pronta, mas assim que é engrenada a relação correta e os motores elétricos são convidados a contribuir para a festa, segurem-se!

Graças à presença deste sistema híbrido temos boas e más notícias. As boas notícias primeiro: temos cerca de 30 km de autonomia em modo 100% elétrico. Não é muito, mas é o suficiente para fazer as deslocações urbanas sem gastar uma gota de combustível.

Volvo XC60 Polestar Engineered híbrido © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

As más notícias: quando a carga das baterias de 10,4 kWh de capacidade chega ao fim, os consumos do motor 2.0 turbo disparam para lá dos 10 l/100 km mesmo em condução normal. Um valor elevado, ainda assim, bem melhor do que a sua concorrência direta.

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Em condução normal

Quando queremos desfrutar da paisagem — ou simplesmente as condições não permitem grandes aventuras — o Volvo XC60 Polestar Engineered comporta-se como um Volvo «normal». É confortável e fácil de levar.

As suspensões Öhlins de regulação mecânica, na sua afinação mais branda, faz jogo igual com as suspensões de qualquer outro Volvo XC60.

Preço

unidade ensaiada

88.968

Versão base: €84.921

IUC: €205

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1969 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Inj. Direta, Turbo, Compressor, Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv. por cilindro.
    • Potência: Máxima combinada: 405 cv; Motor combustão: 317 cv entre as 5800 rpm e 6100 rpm; Motor elétrico: 88 cv às 7000 rpm
    • Binário: Máximo combinado: 670 Nm; Motor combustão: 430 Nm às 4500 rpm; Motor elétrico: 240 Nm às 3000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Quatro rodas
    • Caixa de velocidades: Automática (conversor de binário), 8 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4688 mm / 1902 mm / 1658 mm
    • Distância entre os eixos: 2865 mm
    • Bagageira: 468 l
    • Jantes / Pneus: 255/40 R21
    • Peso: 2225 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 3,3 l/100 km; Autonomia elétrica: 46 km
    • Emissões de CO2: 73 g/km
    • Vel. máxima: 230 km/h
    • Aceleração: 5,4s
  • Garantias
    • Mecânica: 2 anos ou 60 000 km
  • Equipamento
    • Ar Condicionado automático de 2 zonas
    • Teto panorâmico elétrico
    • Fecho centralizado com comando remoto em couro
    • Keyless entry
    • Painel de instrumentos digital de 12,3"
    • Banco do condutor ajustável eletricamente com memória; Apoio lombar elétrico de 4 vias
    • Inserções decorativas Metal Mash
    • Volante em couro
    • Portão da bagageira elétrico
    • Espelhos retrovisores exteriores rebatíveis
    • Faróis de LED Mid
    • Limitador de velocidade, Cruise control
    • Collision Mitigation Support, frente
    • Lane Keeping Aid
    • Sensores de ajuda ao estacionamento, atrás
    • Hill Descent Control
    • Sensor de chuva
    • 2 conexões USB
    • Sistema de navegação
    • Smartphone integration com USB HUB (iPhone & Android)
    • Pneus 255/40 R21
    • Grelha Polestar Engineered
    • Ponteira de escape dupla, integrada
    • Brake discs 20' Fixed
    • Chassis Polestar
Extras
Cinza Ósmio — 959 €; Pack Xenium — 1230 €; Pack Light — 984 €; Park assist — 677 €; Versatility pro — 726 €; Vidros traseiros escurecidos — 431 €; BLIS - Aviso de viaturas no ângulo morto — 584 €.
Avaliação
8 / 10
O melhor de dois mundos? Desportivo, rápido e confortável. O Volvo XC60 Polestar Engineered nunca consegue ser tudo isto em simultâneo, mas consegue ser à vez, e isso para mim é mais do que suficiente. É a versão mais apaixonante do modelo que foi o Carro Mundial do Ano 2018.
  • Comportamento dinâmico;
  • Estética;
  • Potência do sistema híbrido;
  • Resposta da caixa em condução mais empenhada;
  • Tato da direção pouco envolvente;

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