Desde 145 500 euros

BMW X7 M50d (G07) em teste. Quanto maior, melhor…

O BMW X7 M50d (G07) é um SUV de superlativos. Muito potente, muito grande, muito espaçoso e muitíssimo luxuoso. A lista podia continuar.

Normalmente, à medida que o tamanho dos carros aumenta, o meu interesse diminui. Acontece que o BMW X7 M50d (G07) não é um carro normal. Este gigantesco SUV de sete lugares foi a exceção à regra. Tudo porque o departamento M Performance da BMW voltou a fazer das suas.

Pegar num SUV de sete lugares e dotá-lo de uma dinâmica digna de registo não é para todos. Mantê-lo confortável após disciplinar mais de duas toneladas de peso menos ainda. Mas como vamos ver nas próximas linhas, foi exatamente isso que a BMW fez.

BMW X7 M50d, uma agradável surpresa

Depois de ter testado o BMW X5 M50d e ter ficado algo desapontado, sentei-me no BMW X7 com a sensação que ia repetir a experiência de forma menos intensa. Mais peso, menos aprumo dinâmico, o mesmo motor… enfim, um X5 M50d mas em versão XXL.

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BMW X7 M50d © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Estava enganado. O BMW X7 M50d consegue praticamente igualar a «dose» dinâmica do seu irmão mais «novo», adicionando-lhe mais espaço, mais conforto e mais luxo. Dito de outra forma: não esperava assim tanto do X7.

A verdade é que o BMW X7 M50d é mesmo uma grande surpresa — e não é só pelo tamanho. Essa surpresa tem um nome: engenharia de ponta.

Educar 2450 kg de peso de forma a cumprir uma volta ao Nürburgring em menos tempo que um BMW M3 E90 é um feito notável.

É um «tempo canhão», sem dúvida. Não dá para um Nobel da Física porque, por norma, a Academia Real das Ciências da Suécia costuma distinguir quem estuda física, não quem faz vida a tentar contrariá-la. É isso que sentimos ao volante do BMM X7 M50d: que estamos a contrariar as leis da física.

Num carro deste tamanho não é suposto travar tão tarde, acelerar tão cedo e curvar tão rápido. Na prática é isso que acontece — mais vezes do que vos gostava de admitir.

Como contrariar a física by BMW M Performance

A tecnologia empregue no BMW X7 M50d dava um livro com mais de 800 páginas. Mas podemos reduzir toda essa informação em três pontos: plataforma; suspensões e eletrónica.

Vamos começar pela base. Debaixo das vestes do X7 encontramos a plataforma CLAR — também conhecida internamente como OKL (Oberklasse, palavra alemã para algo como “luxo a perder de vista”). Uma plataforma que emprega os melhores materiais que a BMW tem disponíveis: aço de elevada resistência, alumínio e, em alguns casos, fibra de carbono.

© Thom V. Esveld / Razão Automóvel
O maior duplo rim da história da BMW.

Com níveis de rigidez elevadíssimos e um peso muito controlado (antes de adicionados todos os componentes) é nesta plataforma que recai a responsabilidade de manter tudo no seu devido lugar. No eixo dianteiro encontramos suspensões com triângulos duplos e na traseira um esquema multi-link, ambas servidas por um sistema pneumático que faz variar a altura e a rigidez do amortecimento.

© Thom V. Esveld / Razão Automóvel
Orgulhosamente M50d.

A afinação da suspensão está tão bem conseguida que em condução mais empenhada, no modo Sport, podemos ir atrás de muitas berlinas desportivas sem complexos. Atiramos quase 2,5 toneladas de peso para o interior das curvas e o rolamento da carroçaria é impecavelmente controlado. Mas a maior surpresa surge quando já superámos o miolo da curva e regressamos ao acelerador.

Não esperava. Confesso que não esperava! Esmagar o acelerador de um SUV com 2,5 toneladas e ter de contra-brecar porque a traseira solta-se progressivamente… não esperava.

É nesta fase que entra em ação a eletrónica. Além das suspensões, também a distribuição de binário pelos dois eixos é controlada eletronicamente. Não quero com isto dizer que o BMW X7 M50d é um desportivo. Não é. Mas faz coisas que não deviam estar ao alcance de um veículo com estas características. Foi isso que me deixou boquiaberto. Dito isto se querem um desportivo, comprem um desportivo.

Mas se querem sete lugares…

Se querem sete lugares — a nossa unidade vinha com apenas seis lugares, um dos muito opcionais disponíveis — também não comprem um BMW X7 M50d. Levem antes para casa um BMW X7 na versão xDrive30d (desde 118 200 euros), vão ficar muito bem servidos. Faz tudo o que este faz à velocidade que é suposto num SUV destas dimensões ser conduzido.

© Thom V. Esveld / Razão Automóvel
Os travões cumprem nas primeiras travagens «à séria», mas depois a fadiga começa a fazer sentir-se. Em andamentos normais nunca sentirão falta de potência.

O BMW X7 M50d não é para todos — questões financeiras à parte. Não é nem para quem quer um desportivo, nem para quem precisa de um sete lugares — a palavra certa é mesmo precisar porque ninguém quer verdadeiramente um sete lugares. Pago o jantar a quem me trouxer uma pessoa que alguma vez tenha dito a frase: “gostava mesmo de ter um carro com sete lugares”.

Sabem quando é que isso aconteceu? Nunca.

Pois bem. Então a quem é que se destina o BMW X7 M50d. É para um punhado de pessoas que simplesmente querem ter o melhor, o mais rápido, e o mais luxuoso SUV que a BMW tem para oferecer. Pessoas essas que se encontram com maior facilidade em países como a China do que propriamente em Portugal.

© Thom V. Esveld / Razão Automóvel
A atenção ao detalhe impressiona.

Depois há também uma segunda hipótese. A BMW desenvolveu este X7 M50d só porque sim… porque pode. É legitimo e é um motivo mais do que suficiente.

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Falando do motor B57S

Com uma dinâmica tão surpreendente, o motor quad-turbo de seis cilindros em linha quase que passa para segundo plano. Nome de código: B57S. É a versão mais potente do bloco 3.0 litros Diesel da BMW.

© Thom V. Esveld / Razão Automóvel
É um dos motores Diesel mais potentes da atualidade.

Quão bom é este motor? Faz-nos esquecer que estamos ao volante de um SUV com 2,4 toneladas. Um portento de força que nos serve 400 cv de potência (às 4400 rpm) e 760 Nm de binário máximo (entre as 2000 e as 3000 rpm) à mínima solicitação do acelerador.

A típica aceleração dos 0-100 km/h cumpre-se em apenas 5,4s. A velocidade máxima é de 250 km/h.

Como escrevi quando testei o X5 M50d, o motor B57S é tão linear na entrega de potência que ficamos com a sensação que não é tão potente quanto a ficha técnica anuncia. Esta docilidade é só um erro de percepção, porque ao mínimo descuido, quando olhamos para o velocímetro já circulamos muito (mesmo muito!) acima do limite legal de velocidade.

Os consumos são relativamente comedidos, situando-se na ordem dos 12 l/100 km numa condução regrada.

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Luxo e mais luxo

Se em condução desportiva o X7 M50d é aquilo que não era suposto ser, em condução mais relaxada é exatamente aquilo que se espera dele. Um SUV repleto de luxo, tecnologia e uma qualidade à prova de crítica.

Os lugares são sete, e são verdadeiros. Temos espaço suficiente nas três filas de bancos para enfrentar qualquer viagem na certeza de que chegaremos ao destino no máximo conforto.

bmw x7 m50d 2020 © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
Nos lugares traseiros não falta espaço. A nossa unidade vinha com os opcionais dois lugares na segunda fila, mas de série são três.

Mais uma nota. Evitem a cidade. São 5151 mm de comprimento, 2000 mm de largura, 1805 mm de altura e 3105 mm de distancia entre eixos, medidas que se fazem sentir na sua plenitude quando tentamos estacionar ou circular em cidade.

De resto, explorem-no. Seja numa longa autoestrada ou — surpreendentemente… — numa estreita estrada de montanha. Afinal de contas, gastaram mais de 145 mil euros. Merecem! No caso da versão que ensaiámos adicionem 32 mil euros em extras. Ainda merecem mais…

Ficha técnica

Preço

unidade ensaiada

173.800

Versão base: €145.500

IUC: €792

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 6 cilindros em linha
    • Capacidade: 2993 cm3
    • Posição: Longitudinal
    • Carregamento: Quatro turbos multi-fase (dois turbos de alta pressão e dois turbos de baixa pressão)
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 400 cv às 4400 rpm
    • Binário: 760 Nm entre as 2000 rpm e as 3000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Integral xDrive
    • Caixa de velocidades: 8 velocidades (conversor de binário)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 5151 mm / 2000 mm / 1805 mm
    • Distância entre os eixos: 3105 mm
    • Bagageira: 580 litros
    • Jantes / Pneus: Fr:275/40 R22; Tr:315/35 R22
    • Peso: 2440 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 9,5-9,0 l/100km (WLTP)
    • Emissões de CO2: 248-234 g/km (WLTP)
    • Vel. máxima: 250 km/h
    • Aceleração: 5,4s
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: Pintura: 3 anos; Anti-Corrosão: 12 anos
    • Mecânica: 2 anos
  • Equipamento
    • Sistema de som Harman/Kardon;
    • BMW Live Cockpit Professional;
    • Direção ativa integral;
    • Acabamentos do painel de instrumentos em pele BMW Individual;
Extras
Executive Drive Pro 3235,77 €; Cortinas manuais para vidros laterais traseiros 650,41 €; Pack de arrumação na bagageira 121,95 €; Vidros com proteção solar 382,11 €; Pack de fumadores 48,78 €; Suporte de copos 211,38 €; Ventalição ativa dos bancos dianteiros 715,45 €; Bancos dianteiros Comfort ajustável electricamente 967,48 €; Controlos com detalhes em vidro CraftedClarity 552,85 €; Bancos dianteiros e traseiros aquecidos 552,85 €; Pack aquecimento Comfort frente 634,15 €; Pack Ambient Air 276,42 €; Ar condicionado automático com controlo de 5 zonas 804,88 €; Função de massagem nos bancos dianteiros 926,83 €; 6 Lugares 560,98 €; Friso interior BMW Individual em madeira cinza de alto brilho 422,76 €; Assistente condução Profissional 959,35 €; BMW Laserlight 1.260,16 €; Assistente de Estacionamento PLUS 1.016,26 €; Função TV 967,48 €. Nota: valores sem IVA.
Avaliação
8 / 10
O BMW X7 M50d é um SUV que contorna as leis da física em condução desportiva, com o mesmo à vontade que contorna os impactos dos buracos mais profundos das nossas estradas. Não vai vender muito (pelo menos no nosso país) mas o que é que isso importa? É uma montra tecnológica impressionante e uma demonstração daquilo que é possível fazer com mais de duas toneladas de peso.
  • Comportamento dinâmico;
  • Disponibilidade do motor;
  • Qualidade do interior;
  • Já viram bem o tamanho da grelha?
  • Preços dos opcionais;

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