Superdesportivos

Zagato Raptor. O Lamborghini que nos foi negado

O Zagato Raptor deveria ser o elo de ligação entre o Lamborghini Diablo e o seu sucessor original, o Canto. Infelizmente, nunca foi mais que um protótipo (funcional).

O Zagato Raptor foi revelado em 1996, no Salão de Genebra, e parecia estar tudo encaminhado para uma pequena produção de meia centena de unidades e até chegou a ser equacionado como sucessor do Lamborghini Diablo, dado o envolvimento do construtor italiano no projeto.

No entanto, quis o destino que o Raptor acabasse por ficar reduzido a um único protótipo funcional, aquele que podem ver nas imagens. Afinal, porque é que não chegou a avançar?

Temos de recuar até à década de 90, onde da vontade e desejo de Alain Wicki (atleta da modalidade de skeleton e também piloto de automóveis) e da Zagato, e com a colaboração da Lamborghini, permitiu que o Raptor nascesse.

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Zagato Raptor, 1996

O Zagato Raptor

Tratava-se de um superdesportivo que herdava do Lamborghini Diablo VT componentes do chassis, sistema de tração às quatro rodas, a caixa manual de cinco velocidades e o lendário V12 Bizarrini com 5.7 l e 492 cv, encaixados num chassis tubular dedicado.

Sendo um Zagato, não seria de esperar outra coisa que um design distinto. As linhas traçadas pelo designer chefe da Zagato na altura, Nori Harada, impressionaram pela sua agressividade contida e ao mesmo tempo futuristas. O resultado final impressiona ainda mais pelo curto espaço de tempo que demoraram a chegar ao design final — menos de quatro meses!

Zagato Raptor, 1996

Algo só possível porque o Zagato Raptor foi um dos primeiros automóveis do mundo a ser concebido totalmente de forma digital, prescindindo até de modelos físicos à escala para validar o design — algo que ainda hoje é bastante raro de acontecer, apesar da digitalização omnipresente nos estúdios de design das marcas automóveis.

Portas? Nem vê-las

O teto típico de dupla bolha que encontramos em inúmeras criações da Zagato estava presente, mas nada típico era a forma de aceder ao habitáculo — portas? Isso é para os outros…

Zagato Raptor, 1996

Ao invés de portas, toda a secção central — incluindo para-brisas e teto — eleva-se em arco com o ponto de charneira à frente, o mesmo acontecendo com toda a secção traseira, onde residia o motor. Sem dúvida uma visão espetacular…

O Raptor ainda tinha mais truques na manga, como o facto do teto ser amovível, o que transformava o coupé num roadster.

Dieta à base de fibra de carbono

As superfícies eram em fibra de carbono, as rodas em magnésio, e o interior era um exercício de minimalismo. De forma intrigante, até prescindiram do ABS e controlo de tração, considerados peso-morto e contraproducentes para obter o máximo de performance!

O resultado? O Zagato Raptor acusava menos 300 kg na balança em relação ao Diablo VT, pelo que, apesar do V12 ter mantido os mesmos 492 cv do Diablo, o Raptor era mais rápido, cumprindo os 100 km/h em menos de 4,0s, e capaz de superar os 320 km/h, valores que ainda hoje são de respeito.

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Produção negada

Após a revelação e a positiva receção em Genebra, seguiram-se até testes de estrada, onde o Raptor continuou a impressionar pelo seu comportamento, performance e até condução. Mas a intenção inicial de produzir uma pequena série de 50 unidades seria negada, e por nada mais nada menos que a própria Lamborghini.

Zagato Raptor, 1996

Para perceber o porquê temos também de compreender que a Lamborghini na altura não era a Lamborghini que conhecemos hoje.

Na altura, o construtor de Sant’Agata Bolognese estava em mãos indonésias — só seria adquirida pela Audi em 1998 — e tinha apenas um único modelo à venda, o (ainda hoje) impressionante Diablo.

Canto

Lançado em 1989, a meio da década de 90 já se discutia e trabalhava num sucessor para o Diablo, uma nova máquina que ganharia o nome de Lamborghini Canto — no entanto, o novo superdesportivo ainda estava à distância de alguns anos.

O Zagato Raptor foi visto como uma oportunidade, um modelo para efetuar a ligação entre o Diablo e o futuro Canto.

Lamborghini Canto
Lamborghini L147, mais conhecido por Canto.

Até porque o design do Canto, tal como o do Raptor, era da autoria da Zagato, e era possível encontrar semelhanças entre os dois, sobretudo na definição de alguns elementos, como o volume do habitáculo.

Mas talvez tenha sido precisamente a muito boa recepção do Raptor que fez a Lamborghini recuar na sua decisão de suportar com a Zagato a produção do mesmo, receando que quando o Canto fosse revelado não gerasse o momento ou impacto desejado.

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A leilão

E assim, o Zagato Raptor ficou confinado ao estatuto de protótipo, ainda que totalmente funcional. Alain Wicki, um dos mentores do Raptor, ficou como seu proprietário até ao ano 2000, altura em que o vendeu no mesmo palco que o revelou ao mundo, o Salão de Genebra.

O seu atual proprietário expôs-o no Pebble Beach Concours d’Elegance em 2008, e desde então nunca mais foi visto. Vai ser agora leiloado pela RM Sotheby’s no próximo dia 30 de novembro (2019) em Abu Dhabi, com a leiloeira a prever um valor entre 1,0-1,4 milhões de dólares (aprox. entre 909 mil euros e 1,28 milhões de euros) pela sua aquisição.

E o Canto? O que lhe aconteceu?

Como sabemos nunca houve nenhum Lamborghini Canto, mas este modelo esteve perto, muito perto, de ser o sucessor do Diablo e não o Murciélago que conhecemos. O desenvolvimento do Canto continuou até 1999 (era para ser revelado no Salão de Genebra desse ano), mas foi cancelado à última hora por Ferdinand Piëch, o então líder do grupo Volkswagen.

Tudo devido ao seu design, como já referimos, da autoria da Zagato, que Piëch considerava não ser apropriado para um sucessor da linhagem Miura, Countach e Diablo. E assim, foi preciso esperar mais dois anos para o Diablo ser substituído pelo Murciélagomas essa história fica para outro dia…

Zagato Raptor, 1996

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