Desde 49 783 euros

Testámos o DS 7 Crossback 1.6 PureTech 225 cv: vale a pena ser chique?

A resposta francesa aos SUV premium alemães dá pelo nome DS 7 Crossback. Será que o modelo francês tem o que é preciso para fazer frente à concorrência?

Lançado em 2017 e desenvolvido sob a plataforma EMP2 (a mesma usada pelo Peugeot 508, por exemplo), o DS 7 Crossback foi o primeiro modelo 100% independente da DS (até lá todos os outros tinham nascido como Citroën) e assume-se como a interpretação francesa do que deve ser um SUV premium.

Para fazer frente às propostas alemãs, a DS usou uma receita simples: juntou uma extensa lista de equipamento àquilo que podemos definir como “fator chique” (uma aproximação ao mundo do luxo e alta costura parisiense) e voilá, nasceu o 7 Crossback. Mas será que só isto chega para enfrentar os alemães?

Esteticamente, não se pode dizer que a DS não tentou dar um visual mais distinto ao 7 Crossback. Assim, para além da assinatura luminosa em LED, o SUV gaulês conta com vários detalhes cromados e, no caso da unidade ensaiada, com umas enormes jantes de 20”. Tudo isto garantiu que o modelo da DS captasse atenções durante o nosso teste.

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DS 7 Crossback

Por dentro do DS 7 Crossback

Esteticamente interessante, mas a prejudicar a ergonomia, que é melhorável, o interior do DS 7 Crossback cria sensações mistas no que diz respeito à qualidade.

DS 7 Crossback
O maior destaque no interior do DS 7 Crossback vai para os dois ecrãs de 12” (um deles serve como painel de instrumentos e tem várias opções de personalização). A unidade ensaiada contava ainda com o sistema Night Vision.

É que apesar de contar com materiais moles e de a qualidade de construção até estar em bom plano, não podemos deixar de destacar pela negativa o toque menos agradável da pele sintética usada para forrar o tablier e grande parte da consola central.

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Já em termos de habitabilidade, se há coisa que não falta dentro do DS 7 Crossback é espaço. Assim, transportar quatro adultos com conforto é uma tarefa fácil para o SUV francês, sendo que a unidade ensaiada oferecia ainda luxos como cinco tipos de massagem nos bancos dianteiros ou o teto de abrir panorâmico elétrico ou os bancos traseiros reguláveis eletricamente.

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Ao volante do DS 7 Crossback

Encontrar uma posição de condução confortável no DS 7 Crossback não é difícil (só é pena termos de procurar onde é que está o botão do ajuste dos espelhos), sendo que este senta com conforto condutores das mais diversas estaturas. Já a visibilidade traseira acaba prejudicada em detrimento das opções estéticas — o pilar D é demasiado largo.

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DS 7 Crossback
Apesar de contar com um ambiente distinto, a escolha de alguns dos materiais do interior do DS 7 Crossback poderia ter sido mais criteriosa.

Detentor de um elevado conforto (podia até ser melhor não fossem as jantes de 20”), o terreno de eleição do DS 7 Crossback não são as apertadas ruelas lisboetas mas sim uma qualquer auto estrada ou estrada nacional. A ajudar a conciliar a dinâmica e o conforto, a unidade testada contava ainda com a suspensão ativa (DS Active Scan Suspension).

DS 7 Crossback
Apesar de vistosas e bem conseguidas esteticamente, as jantes de 20” com que a unidade ensaiada estava equipada acabam por afetar negativamente o conforto.

Em autoestrada, o destaque é a elevada estabilidade apresentada. Já quando decidimos enfrentar um conjunto de curvas, o SUV gaulês apresenta um comportamento que se pauta pela previsibilidade, conseguindo controlar de forma convincente os movimentos da carroçaria (principalmente quando selecionamos o modo Sport).

Por falar em modos de condução, o DS 7 Crossback conta com quatro: Sport, Eco, Confort e Normal. O primeiro atua sobre o acerto da suspensão, a direção, a resposta do acelerador e a caixa, dando-lhe um carácter mais “desportivo”. Quanto ao modo Eco, “castra” demasiado a resposta do motor tornando-o letárgico.

Já o modo Confort, ajusta a suspensão de forma a garantir um pisar o mais confortável possível (no entanto, acaba por dar ao DS 7 Crossback uma certa tendência para “saltaricar” após passar por depressões na estrada). Quanto ao modo Normal, este dispensa apresentações, estabelecendo-se como um modo de compromisso.

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DS 7 Crossback
A unidade ensaiada contava com a suspensão ativa (DS Active Scan Suspension). Esta é controlada por uma câmara posicionada por trás do para-brisas e inclui ainda quatro sensores e três acelerômetros, que analisam as imperfeições da estrada e as reações do veículo, pilotando continuamente e de modo independente os quatro amortecedores.

Em relação ao motor, o 1.6 PureTech de 225 cv e 300 Nm casa bem com a caixa automática de oito velocidades, permitindo imprimir ritmos bastante elevados. Pena é que os consumos se ressintam, com a média a ficar-se pelos 9,5 l/100 km (com pé muito leve) e em andamento normal a não descer dos 11 l/100 km.

DS 7 Crossback
Através deste botão o condutor pode selecionar um de quatro modos de condução: Normal, Eco, Sport e Confort.

É o carro certo para mim?

Se andas à procura de um SUV recheado de equipamento, vistoso, veloz (pelo menos nesta versão), confortável e não queres seguir a escolha já habitual que passa por optar pelas propostas germânicas, então o DS 7 Crossback é uma opção a ter em conta.

No entanto, não estejas à espera dos níveis de qualidade apresentados pelos seus concorrentes alemães (ou sueco, no caso do Volvo XC40). É que apesar de se notar um esforço em melhorar a qualidade geral do 7 Crossback, continuamos a deparar-nos com algumas escolhas de materiais que ficam uns “furos abaixo” do que a concorrência oferece.

Preço

unidade ensaiada

58.793

Versão base: €49.783

IUC: €171

Classificação Euro NCAP: 5 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1598 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção Direta + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv. por cilindro
    • Potência: 225 cv às 5000 rpm
    • Binário: 300 Nm às 1900 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: 8 vel. automática (EAT8)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4595 mm / 1895 mm / 1631 mm
    • Distância entre os eixos: 2738 mm
    • Bagageira: 555 l
    • Jantes / Pneus: 235/40 R20
    • Peso: 1500 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 8,1 l/100km
    • Emissões de CO2: 183 g/km
    • Vel. máxima: 236 km/h
    • Aceleração: 8,3s
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: Pintura, 3 anos e Anti Corrosão, 12 anos
    • Mecânica: 2 anos
  • Equipamento
    • Faróis Full LED
    • Bluetooth + Mirror Screen + 8 altifalantes + Navegação Conectada 3D + Controlo por voz
    • Regulador e Limitador de velocidade
    • Barras de tejadilho
    • Relógio rotativo B.R.M R180
    • Pack Auto Confort : limpa-vidros dianteiro automático, filtro de odores
    • Roda de soccorro temporária
    • Acesso e arranque mãos livres
    • Vidros traseiros escurecidos
    • DS Active Scan Suspension
    • Entradas USB junto aos bancos traseiros na consola central
    • Câmara de visão traseira com ajuda ao estacionamento traseiro e dianteiro
    • Bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem (condutor e passageiro)
    • Banco do condutor com regulação eléctrica + banco do condutor com memoria + banco traseiro com regulação eléctrica
Extras
Pintura Branco Perle Nacré (800 euros); Inspiração DS Opera Castanho Alezan (2000 euros); Tejadilho panorâmico deslizante elétrico (1000 euros); Pack Grand Chic (inclui climatização automática tri-zona, DS Sensorial Drive, DS Night Vision e DS Connected Pilot) (2000 euros).
Avaliação
6 / 10
Confortável, apesar das jantes de 20" o prejudicarem, com um comportamento previsível, bem construído, com uma extensa lista de equipamento e um estilo diferente, com esta motorização o DS 7 Crossback estabelece-se até como uma boa opção para os fãs de SUV mais apressados… e que não olhem para os consumos. No entanto, no "campeonato" dos SUV premium onde o DS 7 Crossback quer competir não basta ter um estilo diferente e tendo em conta o preço de um 7 Crossback igual ao que ensaiámos, os defeitos (mesmo que sejam pequenos) pagam-se caro. Assim, se o estilo exterior é uma questão de gosto, o mesmo não pode ser dito acerca de alguns detalhes de qualidade menos conseguidos ou dos vários problemas de ergonomia com que o DS 7 Crossback presenteia os seus utilizadores, sendo que no final, a sensação que fica é que ainda falta um pouco para o DS 7 Crossback estar no mesmo patamar da concorrência.
  • Lista de equipamento extensa
  • Espaço
  • Prestações
  • Qualidade de alguns materiais
  • Consumos
  • Visibilidade traseira
Sabes responder a esta?
Qual é o comprimento do DS 3 Crossback?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

DS 3 Crossback revelado. Vai ter versão 100% elétrica

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