Condução autónoma nível 2

Podes confiar nos sistemas de assistência à condução?

Numa altura em que são cada vez mais os sistemas de assistência à condução, o americano IIHS alerta: a tecnologia ainda não é 100% segura!

Organização norte-americana sem fins lucrativos, fundada pelas seguradoras automóveis, o Instituto de Seguros para a Segurança Rodoviária (Insurance Institute for Highway Safety, em inglês, ou IIHS) decidiu testar a eficácia dos atuais sistemas de assistência à condução.

Colocados à prova foram, assim, o BMW Série 5 de 2017, equipado com “Driving Assistant Plus”; o Mercedes-Benz Classe E de 2017, com “Drive Pilot”; o Volvo S90 de 2018, com “Pilot Assist”; além dos Tesla Model S de 2016 e Model 3 de 2018, ambos com “Autopilot” (versões 8.1 e 7.1, respetivamente). Modelos que, acrescente-se, já haviam visto os respetivos sistemas de assistência à condução, classificados de “Superior”, pelo IIHS.

Parte do chamado Nível 2 de Condução Autónoma, sinónimo de tecnologias capazes de acelerar, travar e até mudar de direção, sem intervenção do condutor, a verdade é que os testes levados a cabo pela IIHS terão levado à conclusão de que, ao contrário daquilo que é muitas vezes anunciado, estas soluções ainda não são substitutas fiáveis dos condutores humanos.

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Volvo S90 Exterior Large Animal Detection
Embora seguro, o Volvo S90 foi o modelo dos testes da IIHS mais brusco na travagem de emergência

Não subscrevemos a ideia de que qualquer um dos sistemas analisados seja fiável. Como tal, os condutores devem manter-se atentos, mesmo quando estes sistemas estejam em uso

David Zuby, diretor de Pesquisa da IIHS
BMW Série 5
O Série 5 testado pertence ainda à geração anterior (F10)

Um problema chamado travagem automática

Analisados primeiramente em circuito fechado, através de quatro situações distintas, destinadas a apurar a capacidade de avaliação de sistemas como o Cruise Control Adaptativo (ACC) ou a Travagem Autónoma de Emergência, o IIHS destaca as falhas de atuação, em particular, do sistema de travagem autónoma da Tesla. Com pior resposta que, por exemplo, os sistemas de BMW Série 5 e Mercedes-Benz Classe E — os mais suaves e progressivos —, ainda que com Model 3 e Model S a travarem sempre mais cedo.

Já o Volvo S90, mostrou-se mais brusco na atuação, tanto com o ACC ligado, como com a Travagem de Emergência, ainda que nunca embatendo na viatura à frente, estivesse ela imobilizada, ou estivesse a circular, às mais diferentes velocidades.

Mercedes-Benz Classe E 2017
O Mercedes-Benz Classe E possui um dos sistemas de manutenção na faixa de rodagem mais fiáveis. Na imagem, o Classe E Coupé

Ainda assim, nenhum dos modelos terá conseguido responder afirmativamente, em todos os cenários criados, envolvendo um outro veículo imobilizado na faixa de rodagem, à exceção do Tesla Model 3. Única proposta a conseguir cumprir, de forma autónoma e em segurança, um total de 12 travagens, ao longo dos 289 km do teste. Ainda que, em sete delas, resultado de alarme falso, ao detetar sombras de árvores na estrada como potenciais obstáculos.

Não é correto que uma situação de travagem cautelosa seja encarada como uma prova de melhor deteção de veículos imobilizados à frente, embora também possa ter essa interpretação. Na verdade, serão precisos mais testes, para que possamos fazer essa correspondência

David Zuby, diretor de Pesquisa da IIHS

Manutenção na faixa de rodagem

Iguais dúvidas levantaram os sistemas de manutenção na faixa de rodagem, com o IIHS a destacar, neste capítulo, a atuação do sistema Autosteer da Tesla. O qual, no Model 3, conseguiu responder com segurança em todas as seis tentativas feitas por cada uma das três secções de uma estrada com curvas (18 tentativas ao todo), nunca deixando o carro sair da respetiva faixa de rodagem.

No entanto, submetido à mesma prova, o AutoSteer do Tesla Model S já não conseguiu a mesma performance, tendo deixado o carro ultrapassar o traço central, uma vez.

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Tesla Model 3
O Tesla Model 3 foi o único modelo do teste a conseguir manter-se na faixa de rodagem, em todas as situações previstas

Quanto aos sistemas das restantes marcas, no caso da Mercedes-Benz e da Volvo, a tecnologia de manutenção autónoma na faixa de rodagem apenas conseguiu responder positivamente em nove das 17 tentativas, enquanto a da BMW só terá conseguido ter sucesso em três das 16 tentativas.

Subir colinas, maior perigo

Reunidos estes resultados, o IIHS terá então voltado a testar os mesmos sistemas, mas numa secção de estrada com colinas — três no total, com diferentes inclinações. Ao subir a colina, os sistemas de assistência à condução deixam de conseguir “ver” as marcações na estrada — no qual baseiam grande parte do seu funcionamento — para lá do topo da colina, ficando “perdidos”, por vezes sem saber como agir.

Realizados os testes, o Tesla Model 3 terá conseguido, mais uma vez, o melhor desempenho de todos os modelos em análise, ao perder a trajetória em apenas uma das passagens.

Já o Mercedes-Benz Classe E, registou um total de 15 prestações positivas, num total de 18 tentativas, enquanto o Volvo S90 somou nove sucessos, em 16 passagens. Finalmente, o outro Tesla em análise, Model S, terá concluído este teste com 5 resultados positivos em 18, ao passo que o BMW Série 5 não terá conseguido uma única passagem positiva, em 14 tentativas.

Resultados dos testes do IIHS ao sistema de Manutenção na Faixa de Rodagem, em estrada com três curvas e três colinas:

Número de vezes que o veículo…
sobrepôs linha tocou linha desativou sistema permaneceu
entre linhas
em curva em colinas em curva em colinas em curva em colinas em curva em colinas
BMW Série 5 3 6 1 1 9 7 3 0
Mercedes-Benz Classe E 2 1 5 1 1 1 9 15
Tesla Model 3 0 0 0 1 0 0 18 17
Tesla Model S 1 12 0 1 0 0 17 5
Volvo S90 8 2 0 1 0 4 9 9

Tesla erra menos… mas com maior perigo

Mas se a Tesla parece levar vantagem face às concorrentes europeias nestes testes da IIHS, o organismo também salienta o facto de, tanto o Model 3, como o Model S, serem os modelos que registaram as falhas mais dramáticas. Nomeadamente, ao serem os únicos a não conseguirem evitar o embate contra um veículo imobilizado na faixa de rodagem, numa fase em que os engenheiros testavam a performance dos respetivos sistemas de travagem autónoma de emergência.

Tesla Model S
Os Tesla Model S e Model 3 foram os únicos modelos do teste a não conseguirem evitar o embate contra um obstáculo imóvel

Embora com estes resultados já reunidos, o IIHS recusa elaborar, desde já, qualquer classificação relacionada com a fiabilidade dos sistemas de segurança. Defendendo a necessidade de realizar mais testes, com vista à elaboração de um conjunto de normas de análise, antes de poder qualificar as diferentes tecnologias.

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Ainda não podemos dizer verdadeiramente qual a marca que conseguiu implementar, de forma mais segura, o Nível 2 de Condução Autónoma. No entanto, é importante frisar que nenhuma das soluções testadas é capaz de se conduzir sozinha, sem a atenção do condutor. Como tal, um veículo de produção em massa autónomo, capaz de ir a todo o lugar e em qualquer altura, ainda não existe, nem existirá nos tempos mais próximos. A verdade é que ainda não chegámos lá

David Zuby, diretor de Pesquisa da IIHS

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