Ensaio

Em dois dias conduzimos (quase) todos os Mercedes-Benz Classe E

Fomos até à região do Douro para, durante dois dias e mais de 800 Kms, conduzir praticamente toda a gama Mercedes-Benz Classe E. Faltou um... bolas!

Em Douro, Portugal

O ponto de partida destes dois dias de testes foi a sede da Mercedes-Benz, em Sintra. Foi este o local de encontro escolhido pela marca antes do arranque da comitiva, composta por dezenas de jornalistas, que tinha como destino as belíssimas estradas do Douro.

Neste percurso conduzimos e até fomos conduzidos! Houve tempo para tudo menos para o bom tempo…

Família completa

Como sabem, a gama Mercedes-Benz Classe E foi totalmente renovada, estando agora completa. Alias, foi este o motivo que levou a Mercedes-Benz a reunir este imensa frota de modelos para teste. Há versões para todos os gostos – mas nem por isso para todas as carteiras. Carrinha, coupé, berlina, cabriolet e até uma versão vocacionada para aventuras fora de estrada.

Nesta nova geração o Classe E recebeu uma plataforma totalmente nova, que fez evoluir este modelo para patamares de dinâmica nunca antes alcançados pelas anteriores versões. Nota-se que a Mercedes-Benz tem olhado de forma pragmática para um modelo nascido em Munique…

Quanto à tecnologia, os sistemas disponíveis (muitos deles herdados do Classe S) deixam antever o caminho a seguir no capítulo da condução autónoma. Quanto às motorizações, os blocos totalmente desenhados em 2016 para esta geração, como é o caso do OM654 que equipa as versões E200d e E220d com 150 e 194 cv respetivamente, são dos mais apreciados no mercado nacional.

A marca aproveitou ainda a oportunidade para revelar uma nova versão a chegar até final do ano. O E300d é uma versão do mesmo bloco 2.0 mas com 245 cv, e que estará disponível em toda a família Mercedes Classe E, chegando primeiro à Station e Limousine.

Depois de um pequeno briefing e de sabermos mais alguns pormenores sobre a aristocrática família que remonta a 1975, e  que adotou a letra “E” uns anos mais tarde, em 1993, fomos então apresentados já no parque, com um tempo que, finalmente, se avizinhava de chuva.

Os Mercedes Classe E Limousine, Classe E Coupé, Classe E Cabrio, Classe E Station e Classe E All-Terrain deram nos as boas vindas com um piscar de olhos seguido de um olhar rasgado de “vamos a isso”. Cada um com seu carácter próprio, mas claramente todos eles com as linhas características de família, ostentando o brasão bem ao centro da grelha.

Classe E Station

Começámos por privar com a Mercedes Classe E Station, a mais vocacionada para uma vida familiar. Espaço não falta, nem para a bagagem nem para os ocupantes nos lugares traseiros.

Tivemos também oportunidade de começar pela versão mais apelativa na gama Diesel, a E350d. Esta versão recorre a um bloco 3.0 V6 com 258 cv que responde com maior entusiasmo e linearidade que os seus congéneres de quatro cilindros. Digamos que é sempre mais “despachada”.

A entrega de potência é instantânea e a insonorização e falta de sensação de velocidade é notável. E perigosa para os pontos da carta de condução.

Mercedes E Station

Com um dia chuvoso e ainda na hora de trânsito caótico em Lisboa, pudemos usufruir de um pouco da assistência de condução autónoma em trânsito. Através dos sitsemas de cruise control e Active Lane Changing Assist (Assistente de faixa de rodagem), o Mercedes Classe E faz tudo por nós, literalmente tudo!

O sistema reconhece a faixa de rodagem e o veículo à nossa frente. Depois disso, arranca, curva e imobiliza-se quando necessário. Tudo sem mãos, e sem limite de tempo, até uma velocidade que não foi possível apurar, mas que não deverá ser superior a 50 Km/h. O que é pena, já que me fazia falta mais uma ou duas horas de sono…

No outro extremo está a versão de 150 cv do motor 2.0, e foi com a Mercedes Classe E Station que tivemos também a oportunidade de experimentar esta motorização. Com a suspensão standard, Agility Control, e mesmo em estrada mais sinuosa, nada há a apontar ao conforto e à dinâmica do modelo.

O cockpit panorâmico, agora de série em todas as versões, dispõe de dois ecrãs de 12,3 polegadas cada um, onde é possível um sem número de personalizações. No caso do condutor estas podem ser feitas apenas com os comandos táteis do volante. Por outro lado, os 150 cv mostram se mais do que suficientes para o modelo, ainda que possam por vezes prejudicar os consumos assim que se tenta aumentar o ritmo. Desde 59 950 euros.

Classe E Coupé

O Mercedes Classe E coupé ensaiado era o E220d, mas nem por isso nos proporcionou experiências de condução menos agradáveis.

Com um coeficiente aerodinâmico muito reduzido e com uma agilidade acrescida, é a melhor versão para quem pretende desfrutar não só de longas viagens, mas também de uma condução mais dinâmica em estrada sinuosa. A suspensão opcional Dynamic Body Control já permite configurações de firmeza entre os modos Comfort e Sport, o que contribui para uma dinâmica melhorada e um amortecimento acrescido.

Os bancos, numa configuração de 2+2, curiosamente aparentam ter menos apoio, e são definitivamente menos confortáveis.

Com os sistemas de cruise control adaptativo e Active Lane Changing Assist (assistente de faixa de rodagem), o modelo prevê situações de ultrapassagem fazendo a manobra de forma autónoma, apenas com intervenção do condutor com o sinal de mudança de direção. A entrega progressiva de binário e potência dão sempre resposta ao acelerador e, dependendo do modo de condução, os consumos podem ir dos 5… aos 9 l/100 km. Desde 62 450 euros.

Classe E Limousine

Numa configuração muito apelativa, com kit aerodinâmico AMG e equipamento a perder de vista, era o Mercedes Classe E limousine que nos esperava para a parte da tarde.

Uma vez mais, o bloco V6 do E350 d reservava-nos boas experiências para a chegada ao Douro, com as curvas a sucederem-se. Foi aqui que tirei maior partido da caixa de velocidades 9G Tronic, de série em toda a gama de motores a gasóleo do Classe E. O modo Sport permitiu uma resposta mais célere, não só da caixa como do acelerador. Curva após curva fui esquecendo as dimensões desta berlina.

Se há sistemas que gostamos de usar, há outros que preferimos não tirar partido deles. É o caso do Impulse Side, um sistema que desloca o condutor para o centro da viatura, de forma a minimizar as consequências, em caso de impactos laterais. Bom, é preferível acreditar que funcionam…

Menos concentrado na condução, tirei partido do sistema de som surround Burmester, que pode ir desde os 1000 euros, aos 6000 euros na opção de som 3D. Não sei qual dos dois ouvi… mas que era capaz de dar música para toda a região do Douro, isso não duvido. Desde 57 150 euros.

Classe E All-Terrain

A Mercedes Classe E All Terrain é a aposta da marca alemã num segmento capaz de rivalizar com os SUV’s. O mercado das carrinhas capazes de proporcionarem momentos de evasão com muita classe, em família.

A suspensão pneumática Air body control de série, permite uma altura acrescida de 20 mm para garantir melhor progressão em caminhos mais degradados, e até 35 km/h.

Mercedes E All terrain
A All Terrain assume um carácter diferente, destacado pelos alargadores de cavas de roda com plásticos a contornar, para-choques específicos, e jantes de maiores dimensões.

A tração integral 4Matic faz o resto. Em cada momento, a gestão do modo de tração otimiza a capacidade de transposição dos obstáculos o que nos pode proporcionar momentos de prazer e de aventura ao volante.

Com capacidades invulgares fora de estrada, a opção All Terrain passa por uma abordagem diferente aos modelos familiares com a vantagem se poder desfrutar de outros ambientes com a segurança do sistema 4MATIC, tanto em situações de fora de estrada, como de falta de aderência (Chuva forte, neve, etc…), e com um conforto e requinte de referência, característico do Classe E. Desde 69 150 euros.

Classe E Cabrio

No dia seguinte o sol abria e era o momento ideal para conduzir o Mercedes Classe E Cabrio, pela famosa EN222. O modelo que completou recentemente a nova gama do Mercedes Classe E, está disponível numa versão para comemorar os 25 anos do Classe E cabrio.

Esta versão está disponível em duas cores de carroçaria, com a capota em bordeaux, uma das quatro cores disponíveis para  a capota de lona do Classe E Cabrio. A edição do 25º aniversário destaca-se ainda por pormenores no interior exclusivos, como a pele dos bancos em tons claros a contrastar com o bordeaux e algum equipamento, como é o caso do Air-Balance, um sistema de perfume ambientador que funciona por indução através do sistema de ventilação.

Mercedes E Cabrio
Cinzento Iridium ou vermelho rubelite, são as duas cores disponíveis para esta versão comemorativa do 25º aniversário.

De série é de salientar os pormenores que marcam a evolução dos modelos cabrio, como o defletor traseiro elétrico, o Air-Cap – um defletor no topo do pára-brisas -, ou o aquecimento para o pescoço denominado de airscarf. Novidade também é a divisória da bagageira elétrica automática, que evita a deslocação à parte de trás quando esta está na posição para a capota aberta.

Ao volante é obrigatório salientar o isolamento acústico da capota de lona, independentemente da velocidade. Até porque não tivemos o sol a favor durante muito mais tempo. A capota é operável até para lá dos 50 Km/h, o que me permitiu fechá-la em andamento assim que senti as primeiras gotas, mais uma mais valia útil, que para quem nunca teve esta necessidade pode parecer apenas show-off.

Depois, ainda fomos “brutalmente” fustigados por uma tempestade que pôs à prova não só a eficácia dos sistemas de segurança, como uma vez mais o isolamento notável da capota de lona. Não fosse a velocidade reduzida a que circulava, e provavelmente não hesitava em afirmar que tinha disparado todos os radares da A1, tal a força da intempérie.

Aqui tem obrigatoriamente de ficar uma nota negativa para a caixa automática 9G-Tronic, que não permite “forçar” um modo totalmente manual, para que em situações destas possamos ter o carro com “rédea curta”. Desde 69 600 euros.

Falta algum?

Nesta altura devem estar a perguntar. Então e o Mercedes-AMG E63 SEu pensei exatamente o mesmo quando constatei que o parente mais potente da família Classe E não estava presente, até porque no regresso tinha alguma pressa em chegar a Lisboa. Mas agora que penso melhor no assunto… a carta de condução também me faz falta.

Sorte a do Guilherme, que teve oportunidade de o conduzir «a fundo!» mas sem pressas, num dos melhores circuitos em que já conduzi, o Autódromo Internacional do Algarve (AIA).

Independentemente da versão ou motorização, parece que o novo Classe E está aí para as curvas. Um momento de forma importante numa altura em que a concorrência não é apenas alemã. Lá para os lados da Suécia (Volvo) e do Japão (Lexus), há marcas que não dão tréguas. Quem ganha são os consumidores.

Mais artigos em Testes

Os mais vistos

Pub