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O Mazda RX-7 faz 40 anos e ainda ansiamos pelo seu regresso

Já passaram 40 anos sobre o lançamento do primeiro Mazda RX-7, ainda o único desportivo de produção a ser equipado com um Wankel.

Se existem máquinas que devem ser celebradas, o Mazda RX-7 é sem dúvida uma delas. Era um coupé desportivo — a segunda geração, FC, teve também um descapotável —, sempre com tração traseira, como se espera de um verdadeiro desportivo, mas o RX-7 vinha com argumentos únicos.

Refiro-me, obviamente, ao facto de ser o único desportivo equipado com um motor de rotores ao invés de cilindros — motor Wankel —, o que lhe trouxe, ao longo de 24 anos de produção e três gerações, um carácter inimitável pelos rivais.

SA22C/FB

Foi em 1978, há 40 anos, que foi lançado o primeiro Mazda RX-7, e apesar dos magros números da primeira geração — pouco mais de 100 cv de potência, mas também leve, pouco acima dos 1000 kg —, as vantagens de recorrer ao compacto Wankel tornaram-se evidentes.

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O motor encontrava-se atrás do eixo dianteiro — tecnicamente em posição central dianteira, mantendo-se assim por todas as gerações —, beneficiando o equilíbrio das massas entre os eixos (50/50); além de compacto, era leve e suave na operação — ausência de vibrações caracterizavam-no — e contribuía para um baixo centro de gravidade.

O RX-7, desde esta primeira geração, rapidamente começaria a destacar pelas suas aptidões dinâmicas e capacidade de fazer rotação, muita rotação.

A primeira geração, SA22C/FB, manter-se-ia em produção até 1985, conhecendo várias evoluções que acentuaram o seu lado dinâmico, como discos às quatro rodas, diferencial autoblocante, e até um aumento de potência dos 100 para os 136 cv.

Este último cortesia da troca do motor 12A (1.2 l de capacidade, somando a capacidade dos dois rotores), pelo 13B, o motor que, doravante, seria o único a equipar o RX-7, tendo conhecendo diversas evoluções e variantes ao longo dos anos.

FC

A segunda geração, FC, esteve em produção sete anos (1985-1992), crescendo em dimensões e peso, talvez o RX-7 com mais espírito de GT. Se as suas linhas e proporções parecem familiares, é porque inspiravam-se fortemente nos Porsche 924 e 944, que também passavam por seus rivais.

Mesmo um pouco mais “soft”, as críticas eram unânimes, sempre com rasgados elogios à sua dinâmica e motorização. As prestações também sairam beneficiadas, após o 13B receber uma variante com turbo, elevando a potência para os 185 cv e posteriormente para os 200 cv.

Foi também a única geração do RX-7 a conhecer uma versão descapotável.

FD

Seria a terceira geração, FD, lançada em 1992 e produzida durante 10 anos, a mais marcante de todas, fosse pelo seu aspeto, pelo seu motor e performances ou pela sua dinâmica de exceção, ainda hoje reverenciada — sem esquecer, claro, o impacto da Playstation e do Gran Turismo na notoriedade do modelo.

De modo a acompanhar a escalada de potência dos seus rivais, a terceira geração do Mazda RX-7 passou a recorrer apenas a uma nova versão sobrealimentada do 13B, denominada 13B-REW.

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A derradeira incarnação do 13B destacava-se por elevar a potência até aos “politicamente corretos” 280 cv acordados entre os construtores japoneses, graças ao uso de turbos sequenciais — uma estreia na indústria —, sistema desenvolvido com a colaboração da Hitachi.

A escalada de potência, felizmente, não foi acompanhada por um aumento de dimensões (excetuando a largura) ou peso. O que seria o último dos RX-7 manteve as dimensões compactas (semelhante a um segmento C) e peso contido, a oscilar entre os 1260 e 1325 kg. Resultado, prestações elevadas a um patamar mais sério, como atestam os pouco mais de 5,0s para atingir os 100 km/h.

Com rivais contemporâneos como o maior e mais possante (na Europa e EUA) Toyota Supra, e até considerado uma alternativa ao Porsche 911, o Mazda RX-7 FD foi um dos pináculos dos desportivos japoneses na década de 90 e demonstra como se pode aproveitar todo o potencial da opção Wankel para conseguir um desportivo superior.

Dificilmente veremos outro como ele — o RX-8 que lhe sucedeu vinha com outros objetivos, sem nunca atingir a performance nem o foco do RX-7 —, apesar dos muitos rumores sobre um eventual e ansiado regresso (alguns alimentados pela própria marca), com as normas de emissões a ditarem o fim do Wankel como propulsor, mas não como gerador.

A Cars Evolution elaborou um pequeno filme onde poderemos ver, e ouvir, a evolução do Mazda RX-7 ao longo dos tempos (ainda que focado, sobretudo, no mercado norte-americano).

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