Glórias do Passado

Porsche 924, o «patinho feio» de Estugarda

O Porsche 924 provou que a marca de Estugarda pode meter o motor onde bem quiser e mesmo assim continuar a fazer grandes carros. Considerado por muitos como o «patinho feio» da Porsche, o 924 para nós é um «cisne».

A especulação não pára sobre um novo coupé de motor dianteiro na Porsche — um sucessor para o 928, com base na plataforma do Panamera, é a hipótese mais vinculada. Mas esta história é sobre o primeiro modelo de Estugarda com motor dianteiro a ser comercializado, o Porsche 924. Apesar de ser um projeto 100% Porsche, o 924 nasceu para ser um Volkswagen. Mas não foi…

Corria a década de 70 quando a Volkswagen decidiu lançar um coupé topo de gama, e para desenvolver o projeto contratou a Porsche. Porém, a crise petrolífera fez a marca alemã recuar nos seus intentos e acabou por vender à Porsche todo o projeto que lhe tinha encomendado.

Nascia então o Porsche 924, o primeiro Porsche de motor dianteiro.

Porsche 924
Porsche 924

Sendo uma encomenda inicial da Volkswagen, não é de estranhar que o 924 recorresse a um motor 2.0 com quatro cilindros em linha, de injeção eletrónica e 125 cavalos de potência oriundo da Audi, o que permitia ao 924 atingir uma velocidade marginalmente superior aos 200 km/h. Mais do que performances avassaladoras, o 924 oferecia um handling de referência.

O motor era colocado longitudinalmente à frente, mas a potência era transmitida às rodas traseiras através de uma caixa de velocidades transaxle (caixa e diferencial em cárter comum), colocada sobre o eixo traseiro, que melhorava substancialmente a distribuição de massas. Opcionalmente, era possível adotar uma caixa manual de cinco velocidades ou uma automática de três velocidades.

Para além do motor oriundo do Grupo Volkswagen, também as torres de suspensão e barra de torção vinham da prateleira do gigante alemão. Graças à distribuição de peso 48% à frente e 52% atrás, estes elementos proporcionavam um comportamento exemplar a todo o conjunto — superior ao 911 em alguns aspetos, dirão alguns. Mais espaçoso, mais rápido e mais económico, o Porsche 924 representou um salto de gigante face ao anterior modelo de acesso à gama, o VW-Porsche 914.

Porsche 924
Porsche 924

Carrera GT… mas não o que estão a pensar

Foram várias as versões e upgrades que o Porsche 924 sofreu ao longo da sua carreira comercial. Em 1978 chegou o Porsche 924 Turbo (com 170 cv), versão que atingia os 225 km/h de velocidade máxima e que quase igualava as prestações do icónico 911. Ainda assim, os mais acérrimos amantes da marca continuavam a menosprezar o 924. Apesar das inúmeras qualidades, poucos lhe perdoavam as origens e as soluções técnicas adotadas.

Dois anos mais tarde, saia das linhas de produção a versão mais desportiva do 924, o Carrera GT — pensado inclusivamente para a homologação na categoria Grupo B.

A premissa do 924 Carrera GT era igual a de qualquer outro Carrera: mais performance, menor peso, maior apoio nas vias dianteira e traseira, um permutador de calor no motor e et voilá. Nascia um Porsche com 210 cavalos que podia atingir os 240 km/h. Apenas foram produzidas 400 unidades deste modelo.

Porsche 924 (interior)
Porsche 924 (interior)

O sucessor do 924 foi melhor aceite

Com a Volkswagen a cessar a produção do seu motor 2.0, era altura da Porsche relançar o 924. A evolução foi tal que deu origem a uma nova nomenclatura: 944. Esteticamente mais próximo do Carrera GT com suspensões, travões e interiores melhorados e… um motor 100% Porsche! Finalmente…

Apesar de mal amado pelos fãs da marca, o 924 não deixa de ser um dos melhores Porsches de sempre. Pelas soluções adotadas, pelo comportamento dinâmico, pelas modernidade das suas linhas e pela fiabilidade de todos os componentes.

Em suma, um Porsche de pleno direito. Há mais vida para lá do 911, e a valorização do 924 no mercado de clássicos é prova disso mesmo.

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