Teste do Alce

O carro mais eficaz no «teste do alce» é um…

O «teste do alce» por vezes é injusto. Conhecemos «de cor» todos os carros que falharam olimpicamente este teste. Mas... e os que o passaram com distinção, conhecemos?

O «teste do alce», alcunha dada ao teste de estabilidade criado em 1970 pela publicação sueca Teknikens Värld, é um dos mais famosos. O teste consiste numa manobra evasiva, que obriga a virar rapidamente para a esquerda e novamente para a direita, simulando o desvio de um obstáculo na estrada.

Teste do Alce

Dada a intempestividade da manobra, o veículo é sujeito a violentas transferências de massas. Quanto maior for a velocidade de passagem no teste, mais hipóteses temos de conseguir evitar no mundo real um hipotético acidente.

Ao longo do tempo, já vimos resultados espetaculares no teste do alce (nem sempre no melhor sentido…). Capotamentos, carros em duas rodas (ou até apenas numa roda…) têm sido frequentes ao longo dos anos. Um teste que inclusivamente fez «parar» a produção da primeira geração do Mercedes-Benz Classe A para a marca operar melhorias no modelo.

Como seria de esperar, existe um rankingNeste caso, o que define a posição na tabela é a velocidade máxima com que o teste é ultrapassado.

Para vos dar algum contexto avaliativo, convém frisar que efetuar este teste a mais de 70 km/h é um excelente resultado. Acima dos 80 km/h é excepcional. Apenas 19 veículos, em mais de 600 testados pela Teknikens Värld conseguiram ultrapassar o teste a 80 km/h ou mais.

Surpresas no TOP 20 dos modelos mais eficazes

Como seria de esperar, os automóveis desportivos e superdesportivos, pelas suas características intrínsecas (baixo centro de gravidade, chassis e pneus de alta performance) são os candidatos mais óbvios a preencher os lugares cimeiros desta tabela. Mas não são os únicos…

Entre os 20 modelos mais eficazes encontramos um… SUV! O Nissan X-Trail dCi 130 4×4. E fê-lo em duas ocasiões específicas, em 2014 e já este ano.

Nissan X-Trail

É o único SUV capaz de atingir os 80 km/h neste teste. Fez melhor do que o “monstro” da Nissan, o GT-R! Dos 20 melhores modelos, nove são Porsche 911, distribuídos pelas gerações 996, 997 e 991. No entanto, nenhum deles chega ao pódio.

Existe apenas um Ferrari neste TOP 20: o Testarossa de 1987. Se existem muitas ausências nesta tabela, são justificadas pela falta de acessibilidade da publicação sueca a esses modelos ou falta de oportunidade para os testar.

Por ter ultrapassado o teste a 83 km/h, o McLaren 675 LT alcança o segundo lugar na tabela, mas não está sozinho. O atual Audi R8 V10 Plus consegue igualá-lo, partilhando com o McLaren o segundo posto. Em primeiro lugar, com o teste a ser ultrapassado a 85 km/h, encontramos o mais improvável dos candidatos.

E pasmem-se! Não é um superdesportivo, mas sim uma modesta berlina francesa. E já detém este recorde há 18 anos, ou seja, desde 1999. Sim, desde o final do século passado. E qual é este carro? O Citroën Xantia V6 Activa!

Como é possível?

Os mais novos talvez não saibam, mas o Citroën Xantia, em 1992, era a proposta familiar da marca francesa para o segmento D – um dos antecessores do atual Citroën C5. Na altura o Xantia era considerado uma das propostas mais elegantes do segmento, cortesia das linhas definidas pela Bertone.

Linhas à parte, o Citroën Xantia destacava-se da concorrência pela sua suspensão. O Xantia usava uma evolução da tecnologia de suspensões estreada no XM, denominada Hydractive, onde o funcionamento da suspensão era controlado eletronicamente. Resumidamente, a Citroën prescindia dos amortecedores e molas de uma suspensão convencional e no seu lugar encontrávamos um sistema composto por esferas de gás e líquido.

O gás, comprimível, era o elemento elástico do sistema e o fluído, incomprimível, fornecia a sustentação a este sistema Hydractive II. Era ela que providenciava níveis de conforto referenciais e aptidões dinâmicas acima da média, adicionando propriedades auto-nivelantes ao modelo francês. Estreada em 1954 no Traction Avant, seria em 1955 que veríamos pela primeira vez o potencial da suspensão hidropneumática no icónico DS, ao atuar nas quatro rodas.

 

A evolução não parou por aqui. Com o aparecimento do sistema Activa, em que duas esferas extra atuavam sobre as barras estabilizadoras, o Xantia ganhou muito em estabilidade. O resultado final era a ausência do adornar da carroçaria enquanto em curva.

Citroën Xantia Activa

A eficácia da suspensão hidropneumática, complementada com o sistema Activa, era tal, que apesar do Xantia vir equipado com um pesado V6, colocado à frente do eixo dianteiro, permitiu ultrapassar o difícil teste do alce de forma imperturbável, com níveis de estabilidade referenciais.

Já não há suspensão «Hydractive» na Citroën, porquê?

Como sabemos, a Citroën decidiu descontinuar a sua suspensão Hydractive. Os avanços tecnológicos ao nível das suspensões convencionais têm permitido obter um compromisso entre conforto e eficácia semelhantes à suspensão hidropneumática, sem os custos associados a esta solução.

Para o futuro, a marca francesa já revelou as soluções que vai adoptar para recuperar os níveis de conforto deste sistema. Conseguirá esta nova suspensão a eficácia do Xantia Activa no teste do alce? Teremos de esperar para ver.

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