Drivers' car

Os melhores «drivers’ car» de todos os tempos

Não são os mais rápidos, nem os mais recentes. Mas são aqueles que por algum motivo fizeram (ou fazem) milhares de pessoas dizerem "caramba, adoro conduzir!".

A lista é injusta pela sua extensão — apenas cinco modelos —, mas tentámos escolher cinco modelos que fossem representativos do derradeiro prazer de condução.

Esqueçam os tempos no “inferno verde”, esqueçam as potências máximas… O assunto aqui é prazer de condução; é elevar a ligação homem-máquina até a máquina ser uma extensão natural do orgânico; é escolher o trajeto mais longo e tortuoso; é sobre o assalto aos sentidos…

Se fosse de outra forma, em vez do Mclaren F1 estaria nesta lista o Bugatti Chiron. Em vez do antigo Mini, o Mini mais recente. Não é isso que se pretende. Muitos ficaram de fora mas regressaremos novamente ao tema. Deixa-nos as tuas sugestões nos comentários.

Caterham Seven

Caterham Super Seven

Falar em prazer de condução e não mencionar o Caterham Seven ou Super Seven devia ser crime punível com pena de prisão. Como não queremos ir presos aqui está ele! A derradeira experiência de condução a céu aberto. Baseado no conceito do Lotus Mark VI, que evoluiria para o Lotus Seven, criado pelo génio de Colin Chapman, o Caterham Seven é o seu herdeiro legítimo.

O Caterham Seven nasceu com o propósito de ser uma alternativa mais acessível e viável para os gentleman drivers competirem e para os condutores «normais» aquecerem o sangue ao fim de semana.

Ainda hoje, um dos atrativos dos Caterham é poderem ser comprados em kits de montagem. Recebes uma caixa em casa com todas as peças e és tu que o tens de montar. Mais petrolhead que isto é difícil. Não admira, portanto, que a saga Caterham Seven já dure há mais de cinco décadas.

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Ferrari F40

Ferrari F40-1

O Ferrari F40 foi lançado para assinalar os 40 anos da Ferrari e foi o último modelo lançado pela marca antes da morte do seu fundador, Enzo Ferrari. É considerado por muitos ferraristas como o “melhor Ferrari de sempre”, graças ao foco muito estreito que conduziu o seu desenvolvimento. São muito poucos os carros que esbatem a fronteira entre carro de estrada e circuito de forma tão excepcional.

O motor 3.0 V8 biturbo “à antiga” com 478 cv (oficiais), 325 km/h de velocidade máxima e 3,7s dos 0-100 km/h. Em 1987 não havia nada mais próximo de um Fórmula 1 que isto. Problema? Não é para todos.

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Lotus Elan Sprint

Lotus Elan Sprint

Já conduzi um. E sim, é brilhante. Tal como Seven, a receita “simplify, then add lightness” instituída por Colin Chapman foi seguida religiosamente. O Lotus Elan é um resumo perfeito da obra do seu criador: nada mais para além do estritamente essencial. Chassi tipo “backbone”, eixos nas extremidade da carroçaria, carroçaria em fibra e, nesta variante Sprint — o pináculo do Elan — motor Big Valve (Lotus) de 128 cv, e um peso inferior a 700 kg, faziam deste pequeno inglês um verdadeiro torpedo e tomba-gigantes.

Ainda hoje, quatro décadas após o seu lançamento, o seu comportamento é reverenciado como poucos, servindo de referência ainda para muitos desportivos atuais. Foi a este modelo inglês que um roadster nipónico foi beber inspiração… um sucesso até aos dias de hoje.

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McLaren F1

McLaren F1

Foi o único carro de produção da história em que uma marca teve de retirar potência para poder alinhar (e ganhar!) nas 24 Horas de Le Mans. Foi durante muitos anos o carro mais rápido do planeta — uma consequência da excelência da sua concepção e não um objetivo. Gordon Murray, o seu criador, queria construir o melhor driver’s car do mundo, não o mais rápido. Mas o fenomenal 6.1 V12 de origem BMW com 636 cv,  veio com muitos mais cavalos do que os previstos.

Apesar de conduzir-se e sentir-se como um verdadeiro carro de corridas, o Mclaren F1 era, apesar de tudo, relativamente prático no dia a dia — olhem para o perfil do pneus (235/45 ZR17 na frente e 315/45 atrás), há carrinhas atuais com perfis bem mais radicais! Tinha 3 lugares e espaço para malas de um fim de semana. Tal como o Ferrari F40, só é pena o preço…

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Mini Cooper S

Mini Cooper S

Mais um modelo que fazia do seu baixo peso o seu principal trunfo. Numa época em que todos os automóveis se comportavam como verdadeiros barcos, o Mini brindava os seus condutores com um chassi ágil e divertido de conduzir. Rei do travão de mão, das retas a 300 km/h (quando na verdade vamos a pouco mais de 130km/h) e dos ralis, o Mini Cooper S venceu carros que tinham mais do dobro da sua potência.

Mais uma prova que o prazer de condução pode ser acessível a todos. Uma frase que seria totalmente verdadeira há uns anos atrás, mas que hoje em virtude da valorização dos clássico é cada vez mais algo do passado.

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Porsche 911 RS 2.7

Porsche 911 RS

O Porsche 911 tinha de fazer parte desta lista, e entre os inúmeros que já foram lançados, a nossa escolha tinha de recair neste. O Porsche 911 RS 2.7 assinala o surgimento da sigla RS (Rennsport) na marca de Estugarda. Leve, potente e prático, é um dos modelos da Porsche mais valorizados de sempre. Motor rotativo mas que transmite um sentimento de força, direção justa, travões bem dimensionados e um handling “à Porsche”. Talvez seja o carro mais intemporal da história — caramba, olhem para ele. Forma e função.

Esperamos que a forma galopante com que os preços deste 911 RS 2.7 tem aumentado não afastem as 1580 unidades produzidas do local a que pertencem, as estradas!

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Volkswagen Golf GTI MK 1

Volkswagen golf gti mk1

Cinco verdadeiros lugares, motor fiável, design pelo  mestre Giugiaro e um handling fantástico a um preço acessível. Em 1975 não havia desportivo que oferecesse tanto por tão pouco. Com o Golf GTI nasceram verdadeiramente os «hot hatch»  — perdoe-me os fãs da Mini.

Com o Golf GTI Mk1 deu-se início a uma «escola de automóveis» que dura até aos dias de hoje nas mais diferentes marcas e modelos: Peugeot 205 GTI, Volkswagen Polo GTI, Renault Mégane RS, Honda Civic Type-R, entre tantos outros.

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