Tonale. O SUV que faltava à Alfa Romeo convence?

Estamos a guardar energia para o que mais importa.

Desde 39 000 euros

Tonale. O SUV que faltava à Alfa Romeo convence?

Depois de um breve contacto em Itália, nas margens do Lago Como, deitámos finalmente as mãos ao Alfa Romeo Tonale por estradas nacionais. Aprovado?

O Tonale é muito provavelmente o modelo mais importante da história recente da Alfa Romeo. Já outros modelos assumiram este «título» no passado, mas são muitos os motivos que nos levam a afirmar: “agora é que é”.

E explico-vos muito rapidamente porquê: em primeiro lugar porque tem o formato da moda (SUV); em segundo porque nasce dentro do grupo Stellantis (com toda a segurança que isso acarreta); e em terceiro porque aposta na eletrificação.

Sim, isso mesmo. O Tonale é o primeiro modelo eletrificado da história da marca de Arese, que depois de alguns atrasos tem finalmente o seu tão desejado SUV médio, para «atacar» o concorrido segmento C.

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Alfa Romeo Tonale © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Elegância italiana

Posicionado abaixo do Stelvio, o Tonale mantém todos os elementos característicos da Alfa Romeo, como a matrícula montada à esquerda do scudetto e os faróis LED compostos por três elementos (inspirados no mostro SZ), aos quais se somam linhas gerais muito elegantes, mesmo sendo um SUV típico.

A linha de tejadilho é baixa o suficiente para que se perceba que não foge à herança desportiva que carrega no logótipo e o óculo traseiro é muito mais inclinado do que estamos habituados neste tipo de carroçaria, vincando as inspirações coupé.

Alfa Romeo Tonale
O vidro traseiro é bastante inclinado (para um SUV) e isso tem impacto direto no perfil do Tonale. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Contudo, é fácil achar o Tonale um pouco alto, sobretudo se tivermos em conta os padrões da marca milanesa, algo que se explica com o facto de a plataforma usada ser a mesma do Jeep Compass, ainda que ligeiramente modificada.

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Mas falando ainda da imagem, não há outra forma de o dizer: toda a gente repara no Tonale e raros são os que não ficam impressionados com a estética do SUV italiano, que na versão aqui testada, a Edizione Speciale, surge num muito atrativo tom de verde (Verde Montreal, um opcional de 1600 euros) que me convenceu desde o primeiro encontro.

Alfa Romeo Tonale perfil
Este tom de verde assenta que nem uma luva no novo SUV da casa de Arese. E não passa despercebido em lado nenhum… © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Habitáculo confirma ambições premium

Passando para o habitáculo, a qualidade geral dos materiais é boa, mas quando perdemos algum tempo a explorar todos os «cantinhos» percebemos que em torno da coluna da direção e da consola central os acabamentos podiam ser melhores.

Mas de forma geral a perceção de qualidade a bordo deste SUV italiano é muito boa, ainda que a Alfa Romeo tenha conseguido preservar muitos elementos típicos, como o painel de instrumentos “telescópico” — canocchiale em italiano.

Quanto aos bancos, são muito confortáveis e garantem o suporte lateral necessário para quando queremos explorar os vários modos de condução (DNA), sobretudo o mais desportivo, mas a posição de condução é demasiado alta para uma proposta com estas pretensões desportivas.

Alfa Romeo Tonale ecrã multimédia central
O ecrã central multimédia é algo baixo, mas tem uma excelente definição, é rápido q.b. e tem integração com smartphone através do Android Auto e Apple CarPlay. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Naturalmente, isso beneficia a visibilidade para a dianteira, que é francamente boa. Mas gostava mesmo de conseguir estar sentado mais baixo. O chassis deste Tonale pede isso (já lá vamos…) e o volante, que tem uma pega fantástica, também.

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Ainda sobre o interior, fiz uma viagem relativamente longa com dois adultos sentados no banco traseiro e o feedback foi muito positivo.

Já o lugar ao centro não pode ser visto como uma solução para viagens mais longas, mas é mais do que suficiente para ser usado em trajetos curtos/médios.

Sistema mild-hybrid é (quase) inédito

Mas vamos ao que realmente interessa, o sistema motriz eletrificado que está na base deste Tonale. Trata-se do novo 1.5 turbo mild-hybrid da Stellantis, que nós já conhecemos dos Jeep Compass e Renegade, nas suas versões e-hybrid, que também já testámos.

Esta é a versão com 130 cv de 240 Nm, ainda que o Tonale também tenha uma mais potente, com 160 cv, com turbo de geometria variável e, por enquanto, exclusiva deste modelo.

Mas mais importante ainda, não é um sistema mild-hybrid comum: além de termos o habitual motor/gerador ligado por correia no lugar do alternador e motor de arranque, contamos ainda com um segundo motor elétrico, integrado na caixa de velocidades, que oferece 20 cv e 135 Nm.

Alfa Romeo Tonale motor © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Isto faz com que este Tonale fique a meio caminho entre os mild-hybrid convencionais e os chamados full-hybrid (híbridos convencionais) — fiquem a saber o que distingue —, o que permite funcionalidades acrescidas, como por exemplo, percorrer alguns metros em modo 100% elétrico, algo que os mild-hybrid ditos «normais» não conseguem fazer.

Porém, essa funcionalidade só vos será útil no para-arranca da cidade ou em manobras, já que assim que pisamos o acelerador de forma mais assertiva ou subimos dos 30 km/h o motor de combustão «acorda» e assume as despesas.

Tonale Speciale
A inscrição “Speciale” nas laterais dá conta de que esta é uma edição especial de lançamento. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Mesmo assim, todo este sistema elétrico, que conta ainda com uma pequena bateria com 0,8 kWh de capacidade (montada por baixo dos bancos dianteiros), tem um impacto direto nos consumos e nas performances.

E a boa notícia é que a capacidade de regeneração é rápida, pelo que a bateria tem sempre «eletrões» para nos servir.

E os consumos, convencem?

E já que falamos de consumos, importa dizer que durante os dias que passei com o Tonale e nos quais fiz cerca de 1100 km registei uma média combinada de 7,6 l/100 km, um valor que acabou por sair algo prejudicado pelo facto de ter feito mais de metade destes quilómetros em autoestrada.

Tonale interior
A posição de condução é um pouco elevada. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Porém, nos trajetos mistos durante a semana, com utilização em cidade, vias rápidas e um pouco de autoestrada, consegui descer até aos 6,3 l/100 km, um número que me parece interessante para o tipo de proposta em causa.

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É preciso destacar ainda a suavidade que o Tonale exibe nas incursões citadinas, sobretudo nas situações mais «chatas» com trânsito lento. É muito ágil, fácil de conduzir e tem uma excelente visibilidade.

Tonale volante
As (já) típicas patilhas de selecção de relação da Alfa Romeo são grandes e muito boas de operar. Diria que a este nível ninguém faz melhor que a Alfa Romeo. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

E a insonorizarão surge em bom plano. Já em pisos em pior estado ouvimos alguns ruídos vindos da zona do pilar B, mas nada que chegue a ser verdadeiramente digno de destaque.

E a dinâmica?

Ao volante do Alfa Romeo Tonale a primeira coisa em que reparamos é que a direção é muito leve e muito direta. O eixo dianteiro do SUV italiano reage ao mais pequeno movimento sobre o volante, tal como já acontece com os «irmãos» Giulia e Stelvio.

E aqui, mais do que uma análise objetiva, imperam os gostos de cada um. Eu gosto e acho que respeita os genes da marca italiana.

Alfa Romeo Tonale dinâmica © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Como referi acima, o Tonale é um pouco mais alto do que eu gostaria que fosse, e isso também se sente em estrada. A título de exemplo, o Tonale tem 1,60 m de altura, contra os 1,52 m do CUPRA Formentor.

Mas mesmo assim, sentimos o Tonale bem «plantado» e dá-nos confiança na hora de curvar, muito por culpa da suspensão, que é muito eficaz a manter tudo sob controlo.

Tonale LED traseiro © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Nota para o facto de os engenheiros da Alfa Romeo terem aumentado a rigidez da plataforma face ao Compass, uma decisão que deu frutos e que é notória quando adotamos um estilo de condução mais «intenso».

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Contudo, dei por mim muitas vezes a pensar na versão mais potente, com 160 cv, que provavelmente nos deixará explorar melhor o que este chassis tem para oferecer.

Não é que esta versão seja lenta, até porque os 130 cv são voluntariosos q.b., mas gostava que este motor fosse um pouco mais «energético» e menos progressivo, porque a verdade é que ficamos com vontade de algo mais.

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É o carro certo para si?

Porventura só fará sentir seguir esta linha de pensamento — a de estar a «pensar» nos 160 cv da versão acima — quem quiser levar o Alfa Romeo Tonale para um registo mais divertido e desportivo. Enquanto SUV de família (afinal é essa a sua primeira missão, certo?) esta motorização cumpre com nota alta.

Alfa Romeo Tonale frente © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É relativamente contida em termos de consumos, é muito suave de usar em cidade e dá boa conta de si nas tiradas mais longas, em autoestrada, ainda que aí os consumos subam, como é natural.

Mas se quiserem algo mais deste SUV, mais concretamente uma atitude mais desportiva e um comportamento dinâmico mais excitante, então pode fazer todo o sentido pagar os cerca de 2000 euros que a Alfa Romeo pede pela versão equivalente de 160 cv.

Não necessariamente pelo comportamento dinâmico em si, porque esse é uma referência dentro do segmento, mas porque os 30 cv ajudam a amplificar tudo.

Preço

unidade ensaiada

44.998

Versão base: €39.000

IUC: €138

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1469 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 4 válvulas por cilindro (16 válvulas)
    • Potência: 130 cv às 5750 rpm
    • Binário: 240 Nm às 1500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa automática de dupla embraiagem com 7 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4528 mm / 1841 mm / 1601 mm
    • Distância entre os eixos: 2636 mm
    • Bagageira: 500-1550 l
    • Jantes / Pneus: 235/40 R20
    • Peso: 1600 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,1 l/100 km
    • Emissões de CO2: 139 g/km
    • Vel. máxima: 200 km/h
    • Aceleração: 9,6s
  • Equipamento
    • TFT cores 12,3" no paínel de instrumentos
    • Sistema multimédia Connect 10,25" NAV Multitouch
    • Carregador wireless
    • Sistema de áudio com 6 altifalantes
    • Vidros escurecidos
    • Portão da bagageira com abertura e fecho automático
    • Jantes em liga leve de 20'' em Cinzento Graphite
    • Espelhos retrovisores externos e internos eletrocromáticos
    • Cruise control adaptativo
    • Luzes traseiras em LED
    • Sensores de estacionamento traseiros e dianteiros
    • Estofos em Pele e Alcantara
    • Uconnect Link - Sistema Mirroring Apple CarPlay & Android Auto
    • Pinças dos travões em alumínio Brembo de cor vermelha
    • Pedais e apoio de pé em alumínio
    • Volante desportivo em pele com comandos multifunções e botão Start
    • Grelha frontal em Dark Miron
    • Iluminação ambiente LED
    • Sistema de reconhecimento dos sinais de trânsito
    • Assistência de manutenção na faixa de rodagem
    • TPMS - Sensor de pressão de pneus
    • BAS - Brake Assistance System
    • Câmara de marcha atrás com linhas dinâmicas
    • Travagem de emergência ativa com deteção de peões e ciclistas
    • Faróis dianteiros Full LED Matrix
    • Sistema de deteção de fadiga do condutor
    • Assistente de velocidade inteligente (ISA)
Extras
Pintura Tricamada Verde Montreal — 1600 €; Pack Leather (Estofos em pele, Estofos dianteiros ventilados, Banco do condutor e passageiro com regulação elétrica em 8 posições (com memória), Estofos dianteiros ventilados) e Sistema Audio Harman/Kardon — 2500 €; Assitência à condução autónoma L2 - Traffic Jam Assist, Controlo de velocidade inteligente (iACC) e Sistema manutenção na faixa de rodagem — 560 €
Avaliação
8 / 10
É um modelo que a Alfa Romeo precisava há já vários anos e podemos dizer, de forma segura, que a marca italiana acertou na fórmula logo à primeira: o Tonale é um SUV elegante, com espaço mais do que suficiente para uma família média e, acima de tudo, muito entusiasmante de conduzir. O chassis é muito bom e a afinação da suspensão e da direção privilegiam uma condução mais dinâmica. Mas gostava que o motor tivesse um pouco mais de "alma", algo que a versão de 160 cv poderá dar resposta.
  • Imagem exterior
  • Desenho e materiais do habitáculo
  • Dinâmica de condução
  • Chassis
  • Posição de condução algo elevada
  • Chassis pede motor mais energético
  • Paga Classe 2 sem Via Verde
Sabe responder a esta?
Qual a potência do Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio (510 cv). BMW M ou Mercedes-AMG fazem melhor?

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